Vamos lá a saber

David Dinis anunciou que os editoriais do Público vão passar a ser assinados – isto é, fulanizados. Em vez de posições que se assumiam colectivamente, o jornal passará a fazer do editorial uma mera coluna de opinião, embora com mais destaque. Qual dos dois modelos é melhor quanto à relevância e clarificação política do jornal enquanto órgão de imprensa?

58 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. Assinados pela turma do David Dinis e por quem os escreveu até hoje, isso é dito. Se eu me lembro bem, houve um período em que o DN acabou também com o anonimato do “gabinete editorial”, acho que se chamava assim. Entretanto, parece confirmar-se aquilo que eu disse aqui há tempos: que lentamente o jornal da Sonae se Observadou: a política passou a ser encaixotada numa página do interior sobre o manto de “breves” com uma barra vermelha graficamente sem jeito nenhum (irá para lá o BE e o PCP e o PS “oficial” etc., do que se percebe estes não poderão ambicionar a mais) enquanto um tipo como o José Eduardo Martins que pouco sabe é classificado hoje, num perfil, como um livre-pensador (!!) e, claro, a Liliana se entretém a citar o Pedro Magalhães dando à conversa uma leitura política de que o Costa do PS está satisfeito com as sondagens porque o BE e o PCP não descolam entre si. Em destaque e com estardalhaço nas TV’s, surge uma entrevista ao António Costa que, a acreditar na caixa de comentários do P. online, não aquece nem arrefece (dois, doze comentários há bocado). Unhas (tal como no Expresso), precisam-se.

    Nota. Do ponto de vista dos leitores o artigo do tipo deveria ser lido em paralelo com o da Bárbara Reis, de ontem. Estão ambos estão online, mas são idiossincraticamente bastante diferentes pois permitem ler melhor as mudanças que se anunciam.
    https://www.publico.pt/opiniao/noticia/aos-leitores-do-publico–e-a-todos-os-outros-1745838?frm=opi

    Do ponto de vista dos leitores, como disse.

  2. Não tenho tempo, mas impressionou-me que o do David Dinis nunca se refirisse à comunidade dos leitores
    (as redes sociais é uma coisa vaga, e sabe-se que é outra coisa).

  3. O primeiro passo de um jornalismo responsável, noticioso ou opinativo, é a identificação do autor. Por isso não leio a Economist. Acho até que o debate político na blogosfera foi ganho pela direita porque uma parte da representação da esquerda participa de forma anónima. David Dinis começa bem.

  4. os editoriais que vão PQP ninguém quer saber de editoriais de orgãos de propaganda ideológica, ninguém quererá saber de mainstream media depois das eleições americanas. qual imprensa, qual merda, tudo nas mãos de meia dúzia de grupos financeiros falidos, jornalistas a trabalhar a recibos verdes ou com um contrato de trabalho com “subordinação jurídica” (risível) sem qualquer estatuto que lhes garanta independência. o CM, pelo menos, não esconde, como por aí se diz é um esgoto, mas a céu aberto, valha-nos a transparência. a queda de hillary será o fim da propaganda e a verdade sobre o conflito sírio exporá a estrondosa fraude que preside aos critérios da “investigação jornalística”. hoje a adversária de guterres, a querida de bilderberg e do respetivo vassalo, carcomido de balsemão, até teve direito a direto na SICN.

  5. Lucas, concordo até porque o nome do David Dinis foi arrasado pela dita comunidade. Freud y hijos, também moram ali.

  6. significa que perderam a vergonha e resolveram sair da clandestinidade, vai ser engraçada a competição do editorial mais reaça.

  7. A velha loura deveria estar em Haia a responder pelo atoleiro de cadáveres e refugiados a bordejar o mediterrâneo que decisões suas, e outras que apoiou, provocaram. Uma Europa que se cala (quando não apoia) tamanha barbaridade está morta e enterrada.

  8. E evidente que a linha editorial de um jornal se vê pelos seus editoriais e pela assunção de um posicionamento politico editorial. Se os editoriais passam a artigos de opinião e o posicionamento se limite à ambígua “imparcialidade” do jornalismo português, a identidade da marca será menor e isso devia preocupar a gerencia a não ser que a estratégia seja mesmo essa, tudo para toda a gente que o Belmiro já está farto de meter massa naquilo. Mas who cares? Alguém liga a editoriais? Qual é a diferença entre um editorial dos diferentes jornais? Que tradiçao? Não há uma sobreposição de (nao)identidades sendo todos mais ou menos iguaizinhos? Por outro lado não existe uma cultura artística do comentarista nos jornais que leva a uma desvalorização da perspectiva editorial sendo os opinadores as verdadeiras marcas? E o consumo media prefere marcas ou textos? O jornalismo Já não existe, só iscos atractivos. De mim não esperem um tusto.

  9. ora eu penso que um órgão de imprensa não tem, precisamente, de mostrar uma cor política e, por isso, de clarificá-la. tem de haver isenção. já opiniões, e palermas, deve haver muitas. :-)

  10. Valupi, à luz do que se sabe hoje, valeria a pena que alguém apanhasse um editorial sobre o José Sócrates (por qué no te callas?, ou algo assim)* em que tu parecias sugerir que tivesse sido escrito pelo JMT. Idem, mais recentemente a indigência que alguém do P. escreveu sobre o Passos Coelho. A ideia não seria fazer a arqueologia da coisa, embora se possa pressupor que “a coisa” já funcionava assim durante a última fase da Bárbara Reis, mas pensar intelectualmente se aquele tipo de editorial poderia ser assinado por um gajo ou uma gaja que andasse de cabeça levantada perante os leitores… Mais: se em vez de comprometer em si mesmo o jornal da Sonae, e nomeadamente a sua direcção, a opção não será mais uma forma de sacudir as responsabilidades para um qualquer idiota útil que estiver ali mais à mão (ou alimentar a estratégia de sobrevivência da espécie “o que tu queres é fama”, nos quais se inclui o JMT que é isto que lhe dá o pilim). Sublinho que, com esta lógica trazida pela turma do David Dinis, se calhar até o JMT poderá escrever os editoriais e assinar a sua garatuja como faz a gente crescida (são referidos uma série de jornalistas e colunistas? seniores: São José Almeida, Manuel Carvalho, o tipo que “se inspira” no Le Monde digamos assim, etc.). É o que acho, no dia seguinte.

    * Foi durante um dos teus períodos artísticos, não o Azul como o do Picasso mas o minimal repetitivo à defunto Jorge Lima Barreto do Porto que, como perceberás agora de cabeça limpa, perdia largamente em eficácia.

  11. Joe Strummer, concordo, mas é por isso mesmo – por não haver tradição em Portugal de uma imprensa independentemente comprometida, antes termos de levar com os dependentes a fingir descomprometimento – que a prática do “Público” me parecia um reduto de lealdade e galhardia institucionais. O que o David Dinis quer, e imagino que para gáudio da redacção ou dos “happy few”, é tão-só vedetismo e diluição ética num todos ao molho e falo eu mais alto e mais vezes.
    __

    Eric, não sei do que falas com essa de te parecer que eu teria sugerido que o JMT escreveu um editorial. Pode ser que tenhas razão, apenas não me lembro.

  12. Adenda, em tempo.

    … «o mais importante político no activo», aqui está o teu período artístico mimimal repetitivo. Eu lembro-me de comentar esta cena negando-a obviamente (já vi que aqui desesperava com a Jasmim), mas eventualmente noutro lado também.

  13. Valupi, sim basicamente concordo contigo e apesar de não ser leitor assíduo reconheço que o trabalho da Barbara Reis até foi positivo, não deve ter sido fácil aguentar o jornal. As minhas referencias, entre outras, são estas;
    https://www.theguardian.com/tone/editorials

    http://www.nytimes.com/2016/10/04/opinion/mr-trumps-government-bailout.html?ribbon-ad-idx=3&rref=opinion/international&module=Ribbon&version=origin&region=Header&action=click&contentCollection=International%20Opinion&pgtype=article

    Mas esta entrada do Diniz logo com uma entrevista ao Costa também tem a ver com o exactíssimamente da Glasnot lá para trás, ie, a extrema familiaridade entre o jornalismo e a politica fez com que o Costa desse uma borla (ou pagasse um almoço) ao Diniz onde diz exactamente nada. O PC estava certo no excessivo formalismo com os jornalistas? …talvez não, mas o contrário também não é bom, é saudavel um certo distanciamento.Mas isso os jornalistas não podem conceber.

  14. Joe, desculpa. Leste a entrevista do António Costa, …?

    Se não, lê-a e sugiro que o faças em papel: seis páginas, onde a da esquerda é um bocado da entrevista e a impar é um artigo sem pileira nenhuma vagamente relacionado com o que o PM disse antes; página quatro algo sobre a CGD mais um bocado da entrevista e, à direita, surge paginado mais um bloco que parece ter sido sacado de um blogue). Os nomes do David Dinis e da São José Almeida lá andam, entretanto, ora em cima ora em baixo como os próprios ou as iniciais de D.D. e da S.J.A.: que me lembre nunca vi nada assim. E ontem foi a primeira parte, quando li pensei que a imagem perfeita seria como um bolo que tinha sido cortado em fatias e servido aos leitores.

    Se a leste, mais do que essa Costofobia, o que me impressionou é o tipo de perguntas pouco menos do que miseráveis (vazias, confusas, como se estivessem a ser feitas pelos boys do PSD ou do CDS), a léguas do que faria o VJS ou o Rangel ou qualquer gajo tarimbado. Não admira, pois, que o Martim Silva se tenha posto em bicos dos pés para, sob um name do caraças («como responsável», ao que me lembro), cumprimentar o “concorrente” e “amigo” David Dinis na newsletter do Expresso agora que ele se iniciou no jornal da Sonae. Eis o “concorrente” (vale ir buscar para aqui o que escreveu o António Guerreiro sobre esta “geração” quando designou por entretenimento aquilo que escrevia o JMT), o que diz tudo sobre os dias que vão correndo.

    Nota, free. The Guardian tem uma história, procura por Manchester Guardian e C. P. Scott para a pescares na sua plenitude.

  15. 1.
    O Orçamento está em fase de
    preparação final. Sem dinheiro
    e com Bruxelas a condicionar
    a política orçamental, como
    vai manter o país contente e as
    sondagens a subir?

    2.
    Falando em problemas
    estruturais: há grupos de
    trabalho formados com o BE,
    um dos quais está a avaliar
    a dívida pública. Ficou já
    excluída a reestruturação?

    3.
    É verdade que os funcionários
    públicos não vão ter
    valorização salarial em 2017?

    4.
    Vão subir os impostos
    indirectos?

    5.
    Nos mesmos impostos que
    aumentaram no ano passado?

    6.
    E sobre o imobiliário?

    7.
    Vai incluir uma tributação de
    acções e investimentos (como
    pede o PCP)?

    8.
    O complemento salarial anual
    vai avançar em 2017?

    10.
    Tenciona devolver o enorme
    aumento de impostos de 2013?
    O programa do Governo falava
    em mexer nos escalões do IRS.
    O que vai acontecer?

    Bloco um, na p. 2.

  16. A entrevista foi um frete do Costa para o Diniz brilhar mas teve o efeito contrario. Um PM não deve banalizar as suas intervenções, o timing tem de ser o seu com qualquer coisa para dizer e marcar a agenda.

    Ai o Martim cumprimentou o David? Nem por acaso, no DN o Sérgio (Figueiredo) escreve uma carta ao amigo Mario (Centeno)… A imprensa portuguesa é isto. Que putedo sr. Alfredo!

    Sim conheço a história. :)

  17. 1.
    Sente-se cómodo com a
    oposição de Passos Coelho? Ou
    tem medo de que as contas não
    batam certo no fim de 2016 e
    que ele tenha razão?

    2.
    … não vale a pena repetir.

    3.
    A verdade é que a
    economia não está
    propriamente em aceleração, o
    investimento…

    4.
    Vou completar a pergunta.

    5.
    O investimento público está a
    cair…

    6.
    O investimento público está a
    cair, é um facto. O consumo das
    famílias não está a ser aqui
    que se espera. Os impostos
    indirectos também foram
    aumentados. O Governo tem
    apoiado a banca, pública e
    privada. A pergunta tinha
    que ver exactamente com os
    tais “mitos”: sente que isto
    seja a imagem do Governo de
    esquerda que esperava há um
    ano?

    7.
    Acha que havia uma
    perspectiva errada?

    8.
    Baixou o investimento público.

    Bloco três (passo por cima do assunto CGD), está na p. 6.

    São hilariantes algumas das respostas, se visto o conjunto:

    2.
    … não vale a pena repetir.
    – Ouça! Tenho de repetir! Porque há
    um excesso de mitos que foram
    construídos através de uma leitura
    simplificada das estatísticas que
    importa ser desmontada, porque
    tem um efeito pernicioso. Não é
    para o Governo. Tem um efeito
    pernicioso para a imagem do
    país no exterior. Tem um efeito
    pernicioso na motivação dos
    empresários, que estão a fazer
    um enorme esforço para investir
    e depois ouvem dizer que, afi nal,
    não está a haver investimento.
    Para os empresários que fazem
    um enorme esforço para
    exportar e depois ouvem dizer
    que as exportações não estão a
    aumentar. E nós, de facto, temos
    de puxar pelo país para a frente,
    e isso implica motivar o país com
    base na realidade e não com base
    nas fantasias e nos mitos
    que foram construídos
    de uma trajectória
    económica que não é a
    que está a acontecer.

    3.
    A verdade é que a
    economia não está
    propriamente em aceleração, o
    investimento…
    – Não. Está enganado. Está a ver!

    4.
    Vou completar a pergunta.
    – Certo.

    5.
    O investimento público está a
    cair…
    – … lembro-me, aliás, dos seus
    artigos censurando o modelo
    económico proposto pelo
    Governo, que era retomar o
    investimento público.

    [LOL, nota minha.]

    6.
    O investimento público está a
    cair, é um facto. O consumo das
    famílias não está a ser aquilo
    Oposição criou “mitos” que
    põem em causa a imagem
    externa de Portugal. Costa
    acusa Passos de ser
    “uma oposição perdida”
    que se espera. Os impostos
    indirectos também foram
    aumentados. O Governo tem
    apoiado a banca, pública e
    privada. A pergunta tinha
    que ver exactamente com os
    tais “mitos”: sente que isto
    seja a imagem do Governo de
    esquerda que esperava há um
    ano?
    – A realidade desmente a fantasia
    que alguns sectores da sociedade
    alimentaram sobre o que ia
    acontecer neste país com esta
    solução.

    […]

    [Sacado do .pdf do jornal P. de ontem, é conferir com o online.]

  18. O que é que esperam de um jornal totalmente inserido numa estratégia empresarial que nada tem a ver com a informação?

  19. Joe Strummer, o trabalho da Bárbara Reis não me merece elogios, apenas fiz referência a algo que talvez nem tenha sido da sua iniciativa, o facto de os editoriais não estarem assinados. Já sobre o conteúdo desses editoriais, e a linha editorial do jornal como um todo, mais o facto de pagarem a um caluniador profissional, nada disso presta – mesmo que esteja a milhares de anos-luz do que foi o jornal sob a mão do Zé Manel em versão accionista-da-Sonae-fodido.
    _

    Eric, tens de começar a dar menos importância à tua pessoa ou ainda acabas a não te conseguires levantar da cama com o peso.

  20. Valupi, deixo aqui um subsídio para destruir essa tua tirada moral sobre o vinho prós leitores do Aspirina B (que é uma coisa que sempre me afligiu no Aspirina B, apesar de concordar que [te] dá jeito). É sobre o período Azul do Picasso, de que falava antes, pois acho que o teu período “minimal repetitivo” (sobre um ex-PM, no caso) era menos inspirado e que também se aproximava a decadência artística. Não te ressintas, isto é só sal.

    […]

    El alcohol en la pintura

    Por otro lado, además de esa soledad que quiso transmitir en los trabajos de esta época, para el artista malagueño el alcohol también tuvo gran presencia en su obra. Picasso reflejó en sus cuadros los efectos del alcohol en las personas.

    Se caracterizó por pintar personas tristes, con falta de expresión y miradas perdidas como en “La bebedora de absenta” (1901). Un cuadro que está a caballo entre las obras de su primera época y el periodo azul, como se puede ver en la distorsión de la figura tan alargada. En esta obra la soledad impregna el ambiente del café, la temática marginal inunda el cuadro. La protagonista probablemente era alcohólica. Es posible ver el sufrimiento de la bebedora en la tensión de su cuerpo y en su postura, abrazándose a si misma como si necesitara compañía, ya que lo único que le acompaña es la botella.

    Otro ejemplo es “El bebedor de absenta” de 1903, un famoso cuadro de su Época Azul en el que retrata a su amigo y artista Ángel Fernández de Soto. Picasso pinta a su amigo bebiendo la bebida de moda de los artistas de la Belle Epoque, el absenta.

    Por último, “Dos mujeres en la barra de un bar” (1902). Se observan dos personas de espaldas apesadumbradas y tristes, como si el cuerpo les pesara y tuvieran muchos problemas, los cuales están ahogando en el alcohol. Igualmente, la obra es de la época Época Azul de Picasso, siendo un cuadro con colores azules en su mayoría, excepto en algunas sombras más marrones.

    […]

    Picasso, soledad, decadencia y alcohol en su Época Azul | Jesús Ortega
    Aqui, um tal JESÚS ORTEGA que será pintor:
    https://jesusortegaartist.wordpress.com/2016/07/07/picasso-soledad-decadencia-y-alcohol-en-su-epoca-azul/

  21. Eric, num dos eventuais períodos em que estejas sóbrio, poderemos discutir a importância política de Sócrates, se essa é matéria onde tenhas algo a dizer. É que não mudei de opinião, ele continua a ser o mais importante político no activo, na minha humildade e nada modesta opinião.

  22. agora a érica faz copy-pasta dos poemas da era dionisíaca.
    podes acrescentar aí os sonetos do schauble para violino e deutsche bank, as redondilhas da merckla para o superave ou mesmo as cataestrofes do investimento europeu na banca. o melhor é meteres anúncio de “camões-precisa-se-para-escrever-a-europeida”.

  23. «Eric, tens de começar a dar menos importância à tua pessoa ou ainda acabas a não te conseguires levantar da cama com o peso.», ops? Valupi, repetindo-me, deverias eruditar em vez de perderes tempo (o teu, o meu e o nosso que até pareço o psicólogo José Gameiro a falar das proles 2.0).

  24. … «ele continua a ser o mais importante político no activo», no activo?! E sugeres tu ao outros para dissertarem «num dos eventuais períodos em que estejas sóbrio», Valupi?

    Que caraças.

  25. Eric, bem que me parecia não estares em condições de teclar em segurança. Provavelmente ignoras de que consta a actividade política de Sócrates, tens de começar a abrir um bocadinho mais essa pestana.

  26. Valupi, no teu post republicano vinquei bem o que acho sobre tal disparate (e olha que foi um conselho de amigo, pois até parece que eu conheço melhor o que são as concelhias e as distritais do PS). A não ser que estivesses a falar por fora: depois dos fracassos do Paulo Morais, do Rui Tavares, do Daniel Oliveira, da Ana Drago (para o trio!) e do Marinho e Pinto poder-se-ia perder tempo a pensar no que seria um caudilhismo ao estilo da América Latina com um partido unipessoal de José Sócrates empunhando a bandeira de uma pátria justicialismo sem juízes, cosmopolita mas não sei como, da anti-corrupção moral face à corrupção institucionalizada que faz mover os cafeteros, do colorido do “efeito Tony Carreira” e dos simples benefícios dos ares do campo que sopram para lá do Marão. Anota, que neste caso não tenho necessidade de ir ao notário: mesmo num período em que se é o PM os quadros locais toleram-se mas não se convertem (e, como numa corrente eléctrica, as ondas assim geradas percorrem as muitas famílias, as hierarquias, os lugares de poder e de sociabilidade a nível local, agora as redes sociais, etc.). Aliás, e felizmente, até me parece que essa constitui uma das riquezas dos partidos políticos. Tudo isto acho que ficou claro, tal como expliquei anteriormente: é diferente estar num jantar do que ir para a guerra, com um general sob a espada de um processo judicial e com gente recomendável. Numa lógica racional que não outros interesses pessoais e para além do que acharmos do q.i. e da psi dos envolvidos acho que o ex-PM, o Paulo Campos y sus muchachos percebem esta diferença.

  27. Eric, é a tal chatice de gostares muito de ti, daí teres essa mania de te repetires e achares que o mundo tem o tamanho do teu umbigo. Enfim, não estás sozinho na tara, fica descansado.

    Enquanto para ti a actividade política se resume ao circuito da carne assada e aos filmes sobre a tomada do Palácio de Inverno, há quem entenda a política com um bocadinho mais de largueza, e de grandeza. No caso de Sócrates, considero que ele é o mais importante político no activo porque o processo judicial em que está envolvido remete para a sua actividade como político, porque é um processo que tem sido explorado politicamente ainda antes da sua detenção e porque, aconteça o que acontecer, o desfecho deste caso terá inevitáveis consequências políticas imprevisíveis.

    Sócrates não se comporta como alguém que abandonou a arena política, é precisamente ao contrário, ao ponto de até para o PS de Costa ele ser visto como um factor de risco impreciso, tanto pelo que venha a ser o desenvolvimento do processo judicial e suas reacções como pela sua intervenção pública onde assume um protagonismo que vai expondo crescente autonomia. Se vai ou não formar uma força política independente, se vai ou não tentar regressar à liderança do PS, nada disso me interessa apesar do teu interesse. Não passam de cenários irrealistas face à sua condição de arguido, e que se tornarão alucinações caso seja considerado culpado e depois condenado por alguma coisa.

    Todavia, o que está em causa na sua pessoa remete para a governação socialista de 2005 a 2011, para a reacção da direita e de Cavaco a essa governação, para a traição que obrigou ao resgate, para a governação de Passos e para o presente e futuro do PS. Questões em aberto enquanto não se concluir a actual fase em que ele faz política fora da direcção do PS e com um processo judicial às costas, mais a permanente campanha de assassinato de carácter que dura desde 2004.

  28. Valupi, também ai não me custa concordar contigo estava a falar num plano mais impessoal e objectivo e sobre aspectos institucionais e de gestao, como no comentário anterior, aliás. A minha opinião sobre a linha política e conteúdos não tem que ver com isso.

  29. Valupi, passo à frente e dizer-te coisas poucas. Quando alguém diz que outrem «é o mais importante no activo» isso tem de colar com uma qualquer realidade florescente como antigamente se dizia e nada o faz supor (ora, tu o fazes por um qualquer exercício que só tu saberás qual é e porquê). Digo-te mais: sabes o que é que me fez lembrar o almoço no Parque das Nações? Que o Zézinho está velho e cansado, que são os seus “amigos” que o picam para ele andar a surfar uma onda política delirante e que aquele comício, digamos assim, bem se poderia replicar pelas churrasqueiras, casas de pasto e congéneres deste país (uma espécie do jantar dos leitões da Bairrada onde estiveram os “conspiradores” do PS com o Assis, e.g.). Público-alvo: seres que sofrem do “efeito Tony Carreira” e, na dianteira, senhoras platinadas a rondar os 40/50 anos (perdoem-me o sexismo, ’tá?). Ora, quase ninguém está já nessa (e há milhares de chavalos para quem é indiferente saber se o homem foi PM porque, se as coisas derem para o torto, ser-lhes-á ensinado na escola pública que ele está lá por más razões). De resto, consigo concordar com uma parte do que dizes aqui e ali (nomeadamente no terceiro parágrafo, sobre um actor principal que não o é e que representa nos cenários irrealistas) mas isso adianta alguma coisa? Já sobre o último parágrafo não aproveito nada: cada um saberá de si mas, por mim, recuso-me a voltar a 2005 como alguém que anda desesperadamente à procura de uma parte importante da sua vida e em que, por momentos, parece que se sente jovem outra vez.

  30. Ah, até porque a frase mais sonante do almoço sobre os tipos maus do PS que não foram assim tão solidários («Sabem o que isso quer dizer? Que eu estou verdadeiramente no coração dos militantes», algo assim), malvados, se enquadra perfeitamente no público-alvo do comentário anterior e das sofredoras do “efeito Tony Carreira” que está registado. Idem, sobre o anunciado best-seller sobre o carisma, que caraças!, seguido de uma outra tournée pelos caminhos de Portugal. Também aqui me pareceu que estaria virado para um caudilhismo, até ver de faz de conta.

  31. efeito tóino carreira é a k7 que o menino guerreiro te enfiou na ervilha pensante e provoca a incontinência que almijas. não esperneies tudo duma vez que ainda faltam mais 19 anos de geringonça.

  32. Eric, escrevi que Sócrates é o mais importante político no activo. Tu leste “importante” mas pensaste “poderoso” e ficaste entusiasmado com a possibilidade de dizeres coisas. Como é que Sócrates poderia ser o mais poderoso, ele que está arrumado e manda menos do que um deputado que entre mudo e saia calado do Parlamento, né? Ora, acabas a admitir que Sócrates é um político, que tem actividade como político e que é importante. Tão importante que até sentes a necessidade de lhe fazer o funeral como político.

    É isso, mas não só nem principalmente.

  33. Se Sócrates “mandasse” assim tão-pouco o Costa não tinha sentido a necessidade de mandar a Ministra Chica vir acenar com a delação premiada. Achas que não se percebeu que era para assustar o Sócrates e ver se com essa ameaça ele fica calado ? percebeu-se. E não resulta. Primeiro porque nem que o Costa queira essa lei não passa. Depois porque se passasse o Sócras também a podia usar para f… a República toda. Com o que ele deve saber sobre todos os outros, à esquerda e à direita … e ao centro, e fora e dentro da própria casa (leia-se PS) não queiram levá-lo a tribunal, pá. Não queiram. E assim temos um impasse.

  34. “Como é que Sócrates poderia ser o mais poderoso, ele que está arrumado…”

    isso é o mote da campanha seguinte, não conseguiram prender o gajo e agora dizem que esta arrumado. primeiro vieram as arrumadeiras do costume, anas gomes, seixas da costa, adões e demais cabrões, depois foi o jeitoso do presidente que quer unir os partidos (psd e ps) e hoje é o i que descobriu um movimento para afastar o sócras.
    http://24.sapo.pt/jornais/nacional%20/4089/2016-10-05#&gid=1&pid=6
    amanhã deve aparecer a teoria da imolação patriótica do sócras para salvar o estado de direito e os empregos da juizalhada. compreende-se as intenções, temores e desejos desta gentinha, mas tirem o cavalinho da chuva que o gajo não se deixa enterrar vivo.

  35. Valupi, regressei agora e respondo-te depois (sobre o funeral e daquilo que percebi foste tu que te associaste, finalmente, e como saberás eu cheguei atrasado ao momento em que a urna descia sete palmos de terra como vos expliquei com alguma dose de ironia uns posts atrás, deixa-me só repetir-me mais um bocadinho o que “activa” para um inexplicável desgosto intelectual que tu lá tens e que, mais uma vez, só tu sabes qual é).

    * Vendo bem, a inumação até poderá ser uma cerimónia fúnebre à americana em que os seus amigos mais próximos bebem e comem e almoçam e voltam a jantar, flirtam como nos Amigos de Alex eh eh eh, o que dá espaço para novas interpretações da política à portuguesa como diria um ché-ché chamado arquitecto JAS, estas por exemplo: o que vimos no Parque das Nações faria parte do ritual em que, desde 2005 pacientes em vida da maleita “efeito Tony Carreira”, umas loiras platinadas entradotas que residem, alegadamente, na região de Lisboa (em Telheiras, Campo de Ourique, Belém, Oeiras, Almada, Montijo, Odivelas, na Amadora ou no Cacém, etc.) se despediam da antiga imagem de um Zézinho em versão de zombie agora velho e cansado. É todo um mundo que morreu, como diz o outro.

  36. De raspão, Valupi.

    Acompanho a Operação Marquês com atenção tal como acompanho dezenas, centenas ou milhares de coisas, mas não faço do assunto uma obsessão pessoal nem tenho uma necessidade, quando troveja, de me recordar a cada passo do Carlo Ginsburg para detectar os indícios da investigação do MP. Aliás, se queres que te diga nem faço um esforço quando me refiro directamente à magna-questão em que está enredado o ex-PM (por culpas próprias, politicamente inaceitáveis) e, sobre estes assuntos, normalmente faço-o pinças. Eis a prova, se necessária: expressões tais como «se a coisa der para o torto» que usei ali em cima, etc., explicam o que quero dizer. Agora, metologicamente se quiseres (e esta é uma das coisas que eu te queria dizer quando desse, e que faria bem ao Aspirina B e a ti se reflectissem sobre isto como algures eu disse), não me coíbo de analisar os passos da personagem José Sócrates pós-PM. Mais: de o fazer por mais, ou menos, de uma tonelada ou de um milionésimo de quilo que seja hoje o seu peso específico entre os demais intervenientes do fenómeno político portugueses. Benefícios, parecem-me que óbvios: eu que vivi os Estados Gerais para uma Nova Maioria, do PS de António Guterres, nunca observaria Portugal e o mundo com se possuísse um olhar ora nostálgico ora enfermo repousado algures em 1994; e, muito menos, no caso do mais importante cargo na ONU me lembraria de evocar disparatadamente as… grades de Évora.

  37. «Chega-se então ao editorial. O editorial constitui um lugar de autoridade. Trata-se da afirmação de uma autoridade conquistada através da credibilidade e do prestígio alcançados (“acredito no que o jornal diz porque é ele que diz”). Essa confiança não se transfere automaticamente para cada um dos membros da sua direcção. Contudo, as posições da direcção, sobretudo as do director, marcam fortemente o perfil do jornal.»

    Num jornal quem representa o quê?, post da Estrela Serrano sobre.
    https://vaievem.wordpress.com/2016/10/04/num-jornal-quem-representa-o-que/

  38. Pergunta de um milhão de dólares:
    – Quanto tempo durará o David Dinis como director do Público?

    3.
    https://www.publico.pt/politica/noticia/sobre-a-vergonha-do-patriotismo-e-tambem-o-mito-do-pantano-1746400?frm=opi#/comments

    Hoje, 1 comentário (até passo por cima da infantilidade dos primeiros parágrafos).

    2.
    https://www.publico.pt/mundo/noticia/a-missao-mais-dificil-do-mundo-1746298

    Ontem, 1 comentário (no jornal a prosa ficou perto de ser paginada em corpo 16).

    1.
    https://www.publico.pt/portugal/noticia/o-que-esta-a-mudar-no-publico-1745954

    Na estreia, zero comentários (vi agora que um outro craque que assina).

  39. Nenhum.
    O único jornalista responsável, isento, e honesto, que existe em Portugal, é Valipu .
    Coadjuvado pelo porteiro ignatz.

  40. Sócrates pagava blogue para elogiar Governo e atacar “inimigos”. Sócrates pagava 3550 euros por mês ai blogger Miguel Abrantes, do Câmara Corporativa, que na verdade se chama António Peixoto. Investigação suspeita que dinheiro vinha do saco azul de Carlos Santos Silva.

    http://jornais.sapo.pt/nacional/4097

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.