Arquivo da Categoria: Valupi

Os jornalistas como rede social

Outro aspeto que me parece importante referir tem que ver com a metodologia e a linguagem do combate político. Creio que os portugueses não serão recetivos à violência verbal e ao insulto próprios de forças extremistas. Têm dado constante exemplo de preferirem a moderação; a enorme popularidade do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa mostra que tipo de político tem a preferência dos portugueses. Ou seja, não convém confundir a maioria dos cidadãos com os que destilam as suas frustrações nas redes sociais e nos tabloides.


Proença de Carvalho

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Apesar da insustentável leveza da análise, falhando propositadamente no que diz acerca de Marcelo, é fértil o rabisco acerca das redes sociais e dos tablóides. Porque, por um lado, o uso da expressão “redes sociais” por jornalistas e publicistas em órgãos de comunicação social operou uma transformação semântica em que de um substantivo genérico, vago e ambíguo se fez um estigma, um papão, uma alucinação. E, por outro, porque o tabloidismo invadiu o chamado “jornalismo de referência”, gerando esta cena patarata de vermos a protestar contra as “redes sociais e as caixas de comentários” aqueles que, sonhando-se a referência opinativa na Grei ou ignorando por completo em que consistem essas maléficas redes, vendem a sua disponibilidade para produzirem caudaloso sensacionalismo e/ou calúnias.

Do que se fala quando se fala em “redes sociais”? Nunca tal se esclarece, embora a resposta mais provável seja Facebook e Twitter. E do que se fala quando de fala do Facebook e do Twitter? Apenas das impressões subjectivas que se recolhem da observação de um número indeterminado de publicações e comentários. Não há absolutamente nenhum tratamento qualitativo, quantitativo, estatístico e projectivo acerca do que se diz estar a ser dito e a “acontecer” nas “redes sociais”. Que significa encontrar 0, 20, 100 ou 500 comentários numa notícia? Que se pode concluir sociologicamente dessas manchas de caracteres? E se numa notícia com 100 comentários 50 tiverem origem em dois utilizadores, e 30 em mais 2, e os restantes em 5? Que importância, seja para o que for, terão esses 9 maduros? Quem são eles, em que estado mental estão, qual a consequência para si e à sua volta do que deixaram numa caixa de comentários de uma notícia que irá desaparecer do mapa em poucas horas? Disto não há notícia. O resultado é vermos jornalistas, supostamente profissionais da informação, a alimentarem deformações grotescas ao serviço da exacta repetição do que chicoteiam no povoléu. Preferem investir a galope contra esses moinhos de vento, que apenas giram sobre si mesmos sem conseguirem sair do mesmo sítio, em vez de fazerem o esforço de pensarem no que dizem a partir do seu estatuto de especialistas em comunicação.

A procura do sensacionalismo serve as agendas demagógicas e populistas de intento comercial e político. O Correio da Manhã, em papel e imagem, é o mais poderoso produtor de sensacionalismo em Portugal, tendo uma influência que talvez acabe por condicionar a classe jornalística por atacado (pun intended). Seria uma explicação, pelo menos, para o vexante espectáculo de vermos jornalistas com cargos directivos em títulos históricos a mergulharem de cabeça no expressionismo tóxico onde se esquecem da sua principal responsabilidade, condição mesma da objectividade: protegerem a racionalidade das disfunções e sua degradação.

Revolution through evolution

Female professors asked for favors more than male professors
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Women Can (and Should) Seek Male Mentors in the Post-#Metoo Workplace
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People Who Sleep Less Than 8 Hours a Night More Likely to Suffer From Depression, Anxiety
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Will people eat relish made from ‘waste’ ingredients? Study finds they may even prefer it
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Perfectionism Among Young People Significantly Increased Since 1980s, Study Finds
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Concrete or Vague? How CEOs Talk Can Send Stocks Up or Down
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People with high social status are perceived as insincere when they apologize for a transgression
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Lapidar

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Mais do que críticas normais em democracia que podem ser feitas às opções do legislador ou à forma como um procedimento legislativo decorreu, interessa-me estar atenta ao fenómeno da ignorância perigosa e militante sobre o que é uma democracia representativa.

É essa ignorância ativa que é explorada pelos populistas, aqui e pelo mundo fora, para capitalizar a raiva de quem precisa de culpados pela sua circunstância. Surgem então os novos atores da política, alegadamente “fora do sistema”, sistema que tratam de caluniar, para finalmente se apoderarem do mesmo.

[...]

desespera-me – o termo é mesmo esse – que se tenha assistido a um festival de falsidades sobre o conteúdo da lei e que o mundo se tenha mostrado contrário aos Partidos Políticos. Porque foi isso que aconteceu. Não aconteceu uma defesa do financiamento exclusivamente público ou, ao contrário, uma defesa do financiamento privado (a juntar ao público) devidamente titulado e fiscalizado. Pelo contrário, com a ajuda por vezes escabrosa da comunicação social, os Partidos Políticos foram reduzidos a sacos de boxe, sem direito a um cêntimo, num lodo desmemoriado da luta travada para que existisse democracia e, com ela, precisamente, os Partidos Políticos. Passou a ser impopular assumir que a democracia tem custos e que é bom que os Partidos Políticos estejam de boa saúde.

Foi triste ver o BE a pôr-se de fora do diploma antes mesmo do veto do PR.

Foi triste ouvir Assunção Cristas, que depende exclusivamente do OE, não vamos ser ingénuos, dizer que a aprovação da lei foi “escandalosa”. A líder centrista não se limitou a dizer que não concordava com duas normas – perfeitamente legítimo -, antes pôs-se de fora de um procedimento legislativo que aceitou e com o qual colaborou. Vai daí e clama por um veto político do PR, o qual evidentemente não teria acontecido se não fosse a coisa mais popular de se fazer. Alguém tem dúvidas?

Esteve bem, muito bem, Ana Catarina Mendes a explicar o conteúdo exato do diploma e a assumir a adesão do PS ao mesmo.

[...]

Isabel Moreira

Bravo

“O balanço que faço não é positivo. Não vejo, no Ministério Púbico, a eficácia que gostava de ver. Não vejo, no Ministério Público, o recato que entendo dever existir. Porque os julgamentos não são para ser feitos na praça pública. Não são para ser feitos nas primeiras páginas dos jornais. São para ser instruídos e acusados através do Ministério Público e depois são para ser feitos nos tribunais. Não concordo, à luz do que deve ser a democracia na sua vertente substantiva — que são os direitos substantivos das pessoas e a liberdade de cada um. Não simpatizo nada que os julgamentos sejam feitos assim. Não estou com isto a dizer que estou a ilibar quem quer que seja, que possa estar condenado na praça pública. Acho que o Ministério Público, em muitos casos, deixou passar muita informação cá para fora, o que não deve acontecer num Estado de Direito democrático.”


Rui Rio

Exactissimamente

"Ser oposição não é mostrar ser contra aquilo que faz um governo", afirmou o social-democrata, "é mostrar que se é melhor do que o governo e que se merece ser governo, em vez do que lá está".

Pedro Santana Lopes considerou ser "deprimente" e "sufocante" ver o "espetáculo das oposições sempre a discutir com os governos em funções".

"Tenho da vida política uma perspetiva completamente diferente e penso que é muito mais bonito, estimulante e útil para a sociedade se as oposições, em vez de discordarem, mostrarem as alternativas que têm", declarou o candidato.


Fonte

Revolution through evolution

Short-term exercise equals big-time brain boost
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Weekly fish consumption linked to better sleep, higher IQ
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Is punishment as effective as we think?
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Try exercise to improve memory and thinking, new guideline urges
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Social Relations in Older Age May Help Grandma Maintain Her Memory
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“The Post” Movie and Freedom of the Press–NYU’s “First Amendment Watch” Explains the Pentagon Papers’ Case
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For a Healthier 2018, Find Purpose in Life

Muito obrigado, Passos Coelho

Portugal pode ser um dos Países mais abertos e uma das sociedades mais democráticas da Europa. É esse o nosso horizonte.


Passos, 2011, discurso da tomada de posse

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Vamos entrar em 2018 com essa certeza, Portugal ser uma das democracias mais abertas, plurais e originais na Europa, quiçá no Mundo. O sectarismo da esquerda, esse bloqueio sistémico que servia os interesses da direita, foi pela primeira vez suplantado pela responsabilidade que PCP e BE tiveram ao viabilizarem um Governo minoritário do PS. Resultado? A maior crise de sempre na direita por causa do maior sucesso de sempre da esquerda em Portugal após o 25 de Abril.

E tudo isto graças a Passos. Não só já o antecipava qual vate em 2011, depois de ter afundado o País por imposição do aparelho e da oligarquia, como ao ter faltado à palavra dada e ao se oferecer entusiasmado para empobrecer os portugueses a mando dos fanáticos espalhou a inaudita violência que foi o ingrediente decisivo para a receita governativa que está a fazer História. Pode sair de cena com a satisfação de ter contribuído com o pior de si próprio para este cósmico alívio de sabermos que nunca mais teremos de voltar a suportar o seu carácter traidor.

Venha um 2018 acima das nossas possibilidades e da nossa falta de imaginação, exactamente como aconteceu em 2016 e 2017.

Na sombra dos inúteis

Antes dos incêndios de Pedrógão, os bons resultados do Governo estavam a deixar a oposição (a oficial partidária e a oficiosa jornaleira) em crescente e sofrido desespero. Como vimos noutras conjunturas, e que não será exclusivo da direita mas talvez muito mais frequente nela por razões antropológicas, nesse estado qualquer boa notícia para o País é sentida como mais um golpe na auto-estima, mais uma ameaça à identidade dos infelizes que estão reduzidos ao maniqueísmo compulsivo. A vitória da Selecção no Campeonato da Europa ficava como um azar, a vitória de Portugal na Eurovisão como propaganda, a entrada de cada vez mais turistas como uma das trombetas do Apocalipse. A bílis correu caudalosa à medida que o Diabo não aparecia, sequer nos pequenos detalhes, e em que o sucesso na Economia, no Parlamento e na Europa deixava Costa como um semideus capaz de mover montanhas e fazer milagres. Este era o tempo em que o actual primeiro-ministro tinha já encomendada a estátua de maior habilidoso na política nacional desde as cortes de Lamego.

Veio Pedrógão, impossível de prever e de evitar. Veio Tancos, que continua em investigação sem qualquer nexo causal ou relacional com o Ministério da Defesa. Veio Outubro, aqui com falhas óbvias na governação e, especialmente, com a hérnia do regime chamada Marcelo. De repente, Costa era mais bisonho do que um recém-filiado na juventude do PURP (Partido Unido dos Reformados e Pensionistas). O que passava a dizer e o que deixava calado só adensava o peso da sua incompetência. E com isso espalhou-se um sentimento de alívio, de júbilo, de frenesim na oposição partidária, na oficiosa e na de ocasião. Todo o cão rafeiro aproveitava para morder no primeiro-ministro e seu bando de ministros, gente do pior. Se fossem sérios andavam era a trabalhar, não se metiam naquilo, eis o sumário executivo que a comunicação social entretanto completamente tabloidizada (só varia no grau) acredita que chega para vender papel e cliques.

E Costa, no meio disto? Sou insuspeito, pois não lhe aprecio o estilo e certas decisões, certas companhias. Mas é cristalina a sua alta qualidade de estadista e de servidor público. Ao se oferecer para o cargo de primeiro-ministro, para lá da motivação subjectiva que poderá nunca vir a ser conhecida publicamente ou só daqui a muito tempo, o que mais impressiona é a radical diferença entre a complexidade e esforço da sua função e a displicência e irresponsabilidade dos directores de imprensa, jornalistas-comentadores e demais publicistas com poleiro em órgãos profissionais e ditos de “referência”. São pessoas que, muito provavelmente, nunca aceitariam passar por experiência similar, ou que lá chegadas não aguentariam nem a milionésima parte do que o currículo de Costa prova que aguenta. Todavia, cagam sentenças a metro e ao peso, saturando a mancha da opinião publicada na imprensa escrita e audiovisual. Aliás, são os mesmos aqui e ali, ubíquos e repetitivos. A sua produção verbal é uma logomaquia narcísica – inevitáveis e salubres excepções à parte. Sem saberem, sem olharem para o chão que os suporta, na sombra dessa montanha diária de sectarismos e inanidades refulge imperceptível a heróica vocação daqueles que aceitam sujar as mãos e a esperança nas muralhas da cidade.

À série


2017_Pedro Bidarra_1ª temporada

A série A Criação dá que falar. Dá para dizer que não gerou conversas públicas. Que se tornou um alvo do Correio da Manhã, continuando um ataque anterior ao autor que também pretende atingir a actual direcção da estação pública e a sua reputação. Que mostra um mundo de difícil descodificação para quem não for do meio publicitário ou do marketing. Que apresenta alguns episódios iniciais com muito boa qualidade de produção. Que tem uma realização brilhante quando tem espaço para isso. Que está mal escrita, pois é raro ter graça ou pertinência, e porque não tem interesse dramático. E que fica como um notável insucesso que, apesar disso, permite aplaudir a política de investimento na ficção televisiva nacional que a RTP tem promovido.

É fácil dizer bem do conceito e mal da intenção. Retratar os tipos das agências e dos “clientes”, com os seus traços característicos, maneirismos e anedotas associadas, pode dar uma série televisiva com popularidade. Optar pela farsa e pela sátira, usando a caricatura animal como abstracção e subtexto, continua a ser viável mas obriga então a uma profundidade narrativa de elevada complexidade se a ideia ainda for a de servir públicos eclécticos. Mas apenas ter como alimento no enredo um incurável ressentimento contra a classe onde se foi rei não é suficiente para puxar a carroça. Esta série é intencionalmente ordinária e ressabiada, primária e infantilóide, uma catarse que se esgota na tortuosa persona profissional do Pedro. O seu maior pecado, porém, consiste na pobreza criativa que exibe enquanto história.

A classe dos publicitários portugueses é conservadora, discreta e está praticamente destruída pela crise económica e pelas alterações tecnológicas. Acontece nesta indústria o mesmo que vemos nos jornais, o fim de um paradigma por causa das alterações sistémicas no consumo da informação e nos modelos e processos das trocas sociais. O Pedro saiu de cena quando as regras do jogo mudaram, o dinheiro já não corria nos canos por onde passara durante décadas de boa vida para esses artesãos das micro e nanonarrativas. Enquanto pôde impor a sua visão, ele destacou-se por combater furiosamente a ignorância e a banalidade a que produtores, gestores e decisores dos reclames se agarram inevitavelmente por medo do que é novo, forte, arriscado. Se voltar a ser autor de ficção televisiva, ou cinematográfica, ou teatral, tem no seu passado a bússola que faltou neste projecto. Ou seja, já tem em si o essencial. O resto é só a criação.

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Os 10 episódios prontos a servir aqui

RESSALVA

Trabalhei com o Bidarra durante quase dois anos numa agência de publicidade, embora em departamentos diferentes. A relação entre essa experiência e as opiniões acima vertidas não é mera coincidência.

Vamos lá a saber

A biografia de António Mexia é, de facto, o retrato do regime nestes últimos 30 anos, entre crises e euforias, surdas conspirações, densas manobras de bastidores, movimentos ocultos, cumplicidades e traições, e milhões, sempre milhões, no princípio e no fim de tudo. Dava uma peça de teatro ou um thriller sem tempos mortos.


Miguel Sousa Tavares

Do que fala quem assim fala? E quais poderiam ser os títulos para essa peça de teatro ou filme de emoções fortes?

Revolution through evolution

We overstate our negative feelings in surveys
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Ancient fossil microorganisms indicate that life in the universe is common
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How singing your heart out could make you happier
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A single sand grain harbors up to 100,000 microorganisms from thousands of species
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How Much People Earn Is Associated with How They Experience Happiness
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Walking more than 4,000 steps a day can improve attention and mental skills in adults ages 60 and older
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How Do You Spot a Russian Bot? Answer Goes Beyond Kremlin Watching, New Research Finds
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Corrupção da comunidade

Chocou-a algumas das revelações desse caso?
Chocam-me. Absolutamente. Houve sempre ao longo do mandato de Sócrates, a partir de certa altura, muitas desconfianças. O caso Freeport. Aí, a Justiça não se ajudou a si própria. Hoje percebemos que isso foi uma reação dos magistrados porque, de cima, o procurador-geral [da República, Pinto Monteiro] os impedia de fazer isso. E, sobretudo, naquela altura em que estavam indubitavelmente sob controlo de um procurador que estava ao serviço do poder político. E eu disse-o várias vezes. Porque foi exatamente isso que concluí que foi atuação do procurador Pinto Monteiro, quer no caso dos voos da CIA, quer no caso dos submarinos, depois mais tarde percebemos que foi também essa a situação no caso do Freeport, no caso Face Oculta, etc.


Ana Gomes

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Ana Gomes repete e expande uma das calúnias preferidas da direita, a de que Pinto Monteiro protegeu Sócrates e impediu que diversos procuradores o tivessem constituído arguido nos vários casos onde o Ministério Público investigou assuntos onde aparecia referido de alguma forma. A parte em que expande a calúnia é quando coloca Pinto Monteiro a igualmente proteger Portas nos submarinos, fazendo dele um corrupto para todo o serviço ao serviço de corruptos de todos os tipos.

Estas declarações são vexantes. Pela imagem que espalham de completa falência do Estado de direito, do sistema político, do regime e da sociedade. Quem assim fala é alguém que anda desde o começo da década de 80, e em permanência, a ser paga pelo Estado e a assumir variadas funções com alta responsabilidade política. Alguém que, em simultâneo, criou uma pose de frontalidade na denúncia de abusos e da “corrupção”. Com que resultados?

Estas declarações são espantosas. Primeiro, pela forma falaciosa como se constituem e despacham. Será que Ana Gomes desconhece a estrutura e poderes fácticos da Procuradoria-Geral da República, já para não falar nas leis do Código Penal? Em que indícios, vamos esquecer as provas, se baseia para dizer publicamente o que diz e com a certeza com que o diz? Admito que possa ter informação que não é pública, mas então já a entregou à nova Procuradora-Geral da República, ou também a considera criminosa, ou não acha importante investigar o que fica como um dos maiores corruptos da História, esse tal de Pinto Monteiro, a acreditar na sua denúncia?

O espanto continua quando contemplamos a dimensão da acusação de Ana Gomes. Ela está a reclamar um conhecimento, uma autoridade, que não registámos em mais ninguém com responsabilidades institucionais nos períodos a que se refere. Segundo a senhora, Pinto Monteiro, de uma forma que não sente necessidade de explicar como, ameaçava ou aliciava diversos magistrados, sempre sem deixar provas ou então deixando-as para outros as fazerem desaparecer, e o Ministério Público ficava transformado numa extensão da roubalheira gigantesca dos governantes sem que ninguém, nem Cavaco ou partidos, juízes ou jornalistas, conseguisse parar, sequer denunciar, o festim. Até o BE e o PCP foram cúmplices dos bandidos de acordo com as suas palavras.

Finalmente, é espantoso que Ana Gomes repita esta cassete, de uma forma cada vez mais desvairada e alucinada, e não seja obrigada a assumir a responsabilidade pelo que está a fazer no espaço público. Nem no Ministério Público nem no PS, nem no Parlamento nem na comunicação social se observa qualquer incómodo. É como se o que ela está a descrever não tenha importância ou já seja consensual. Que num órgão de baixa política apareça a dizer isto sem contraditório nem módico respeito pela realidade e pela lógica, não surpreende. Que a Justiça e o PS premeiem com a sua passividade e indiferença tal conduta, eis um exemplo cristalino de corrupção da comunidade.

Já só conseguem ladrar e cuspir, é a miserável direita que temos

“Sem mais esclarecimentos, a nossa posição só pode ser frontalmente contra este negócio, que achamos pouco esclarecido, pouco transparente”, revelou a líder do CDS.

A culpa da obscuridade deste negócio? É do Governo. “O Governo tem a tutela da Santa Casa. E a Santa Casa, obviamente, não faz um negócio sem passar cartão ao Governo - como o Governo quer fazer crer. Veja as relações entre a Santa Casa, o Montepio e o atual provedor da Santa Casa e as dúvidas ainda se adensam mais”, atirou Assunção Cristas.

“Olhe para quem está de um lado, olhe para quem está do outro. Olhe para a grande família socialista. E no fundo, o que me é dado pensar, é que isto é tudo elaborado com muita facilidade entre uns e outros, chegando a soluções que não têm os reais interesses dos portugueses em primeiro lugar”, reiterou.


Cristas suspeita de interesses da “família socialista” na entrada da Santa Casa no Montepio