Vamos lá a saber

A biografia de António Mexia é, de facto, o retrato do regime nestes últimos 30 anos, entre crises e euforias, surdas conspirações, densas manobras de bastidores, movimentos ocultos, cumplicidades e traições, e milhões, sempre milhões, no princípio e no fim de tudo. Dava uma peça de teatro ou um thriller sem tempos mortos.


Miguel Sousa Tavares

Do que fala quem assim fala? E quais poderiam ser os títulos para essa peça de teatro ou filme de emoções fortes?

5 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. Estas situações acontecem em esquinas de viragem.
    Mais parece inveja ou ressabiamento sobre o passado para justificar o futuro…

  2. isto foi um milagre de natal !!! o sousa tavares escreveu um envergonhado “salgado” !!! qu’est-ce qui se passe , mon dieu ?

    o título podia ser o do post lá de baixo ” corrupção da comunidade ” , em alternativa , ” feios , porcos e maus ” ou ” la piovra tuga” . e algures têm de inserir um episódio piloto à volta da nova lei de financiamento partidário , que vai dar uma nova animação à “corrupção da comunidde” ou ao polvinho à lagareiro.

  3. Yo –
    Com lei ou sem ela, haveria sempre financiamento de grupos privados a partidos políticos.
    Trata-se do velho estratagema de “ dar um chouriço para receber um porco “ .
    Fala-se por aí de alguns “ grandes empresários “ que até contribuíam, quiçá ainda o fazem, para vários partidos aos mesmo tempo . O ganho estava sempre garantido .
    Acresce que os partidos são financiados com dinheiro público, do Estado, impostos dos contribuintes.
    Deveriam ser sustentados unicamente com as quotas dos seus filiados .
    Se as quotas não chegam para manter os partidos, então são casos de insucesso, e, como tal, encerrem, por motivo de terem falhado .
    Do modo que o sistema está, mamam em três tetas .
    É a chamada mama de tripé .

  4. Do que fala ?
    Daquilo que Alvaro Cunhal descreveu, e bem, o esbulho dos bens do Estado .
    Cavaco deu o lamiré com a venda/privatização do sector das cervejas, que era altamente rentável, e que ainda por cima, dizem, foi parar às mãos da mafia colombiana .
    O lema era que era preciso privatizar, seja, vender os sectores que davam prejuízo ao Estado. Questionado com a contradição, respondeu mais tarde, que tinha era que se vender os sectores lucrativos, pois que os sectores não rentáveis não eram apetecíveis .
    Depois foi o que se viu, com todos os partidos detentores temporais do poder, a vender tudo e a todos .
    Particularmente vergonhoso foi a venda da EDP ao partido comunista da China, e a privatização dum serviço essencial à comunidade, como é o caso dos CTT .
    Temo que venha a caminho a privatização do serviço de abastecimento da água ( no norte, o sector privado da água já é detido por uma milionária israelita e eu não confio em nada no capital judaico ) e já existem umas entidades e uns “peritos”, a dizerem que é preciso nivelar os preços, grosso modo, subindo os do litoral e baixando os do interior . Apresentam mapas e tabelas e tudo . São cabeças de turco que já estão a preparar o terreno .
    O caso da electricidade é fácil de entender . As empresas produtoras de energia, vendem a produção toda, mesmo que o País nao necessite de tanta energia .
    Como foi possível chegar a isto ?
    Falava-se desde sempre, que o País era deficitário em termos de produção de energia eléctrica, e que como tal tínhamos que importar de França energia de central nuclear e que tinha custos grandes para o País.
    Depois apareceu Sócrates a dizer que era previso investir para tornar o País energeticamente auto-suficiente, e alinhado com o sector das energias renovaveis e limpas ( talvez por uma questão de prestígio, ou quiçá vaidade, – os estadistas das maiores potências mundiais sabem o preço disso e estão-se marimbando, poluem e mantêm os preços acessíveis aos consumidores ).
    Foi alinhavado pelos interessados no “novo modelo de negócio “ um esquema que consistia em defender que para instalar tais sistemas inovadores, não baseados na hidro-eléctrica, eram necessários investimentos de vulto, e que só entrariam no projecto caso existisse garantia absoluta de que o mesmo não involveria risco .
    Conseguiram um resultado que equivale ao “ capitalismo sem o risco inerente “ mediante a garantia de que a produção seria toda comprada pelo Estado, e por um preço que é um escândalo, caso das renováveis de energia solar, que dão um lucro de 236 % !
    Nabice governamental ou corrupção?
    Não sei, investigue-se ( onde é que eu já houvi isto ? ).
    Atente-se que o argumentário é facilmente rebatível : apenas os custos de instalação ou iniciais são, relativamente, pesados, a matéria prima, o sol, o vento e a água, são de borla .
    Mas a verdade é que ninguém consegue tocar no sector . Deve ter a rainha da Prússia como accionista, acho eu !
    Fala-se em contratos leoninos e blindados .
    Não há contrato nenhum que resista à vontade política de um estadista com maiúscula.
    Recordo-me de um tontinho, que protestou por o Porto ter a electricidade mais barata que Matosinhos, e, como tal, pediu que aumentassem o preço da tarifa para o Porto .
    O palerma não se lembrou de pedir para Matosinhos, um preço mais barato, igual ao praticado no Porto .
    Cavaco ouviu e acedeu ao desejo : aumentou o preço da tarifa da Invicta .
    Um outro pascácio ( de nome Seguro ) sugeriu que, em vez de cortar nos vencimentos dos funcionários públicos, o governo Gaspar/Coelho, deveria era aumentar a taxa de IRS sobre os juros das poupanças, vulgo depósitos nos bancos, dos que têm juízo na cabeça, e não praticam o vício da chapa ganha, chapa gasta, quando não, dos que endividam-se até ao teto para terem tudo aquilo que não têm dinheiro próprio para pagar .
    Passos Coelho escutou, e deliciou-se com a sugestão: subsequentemente, manteve os cortes que já tinha previsto, e cumulativamente, aumentou os juros para 28 % .
    A lei diz que o sistema fiscal deve incentivar a poupança . Como ? Em Portugal, é oferecendo juros bancários pigmeus, e praticando taxas de imposto gigantescas sobre o produto resultante da aplicação da poupança .
    Outra curiosidade, é a EDP aconselhar no sentido de poupar na conta de electricidade, aproveitando ao máximo a exposição da habitação à luz solar, e depois as autarquias permitirem construção em profundidade e em altura, que entaipam os prédios outrora desafogados .
    Uma outra contradição é a EDP fazer campanhas e aconselhar a utilização de lampadas LED no sentido de poupar na conta da electricidade, e depois, vir argumentar que os lucros da empresa diminuiram, por via da poupança nas lâmpadas e da não utilização de aquecedores, e que por isso, por os lucros terem diminuído, terá que haver aumento do preço da tarifa da luz .
    Já no caso do Executivo, e ainda no capítulo das contradições, este encoraja investimentos e até se emitem certificados de eficiência energética das habitações, mas depois vem a factura do IMI para pagar, porque essas beneficiações têm que ser comunicadas ao Fisco, e a valorização da habitação, conduz ao aumento do dito imposto .

    Pergunta como se deveria chamar este filme ?
    A decadência de um País .
    Actor principal ? Le Conde Coré de La France, o que escreveu Le Portugal bai lo né .
    Se fosse agora, escreveria, Le Portugal vai de pé . Querendo dizer, vilipendé .

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