«Se não acreditam no futebol, não vão ao futebol» – frase de um pobre homem que não percebe nada disto
Vítor Pereira, presidente da comissão de arbitragem da Liga de Futebol, proferiu esta frase que foi considerada uma das frases da semana que passou. Para quem, como eu, andou pelos jornais desportivos de 1979 a 2006 e fez entre 1997 e 2006 reportagens pelo País de Braga a Faro, Madeira, Açores e Itália, a frase não faz qualquer sentido. As pessoas não acreditam no futebol mas continuam a ir ao futebol por uma única razão – a sua paixão clubista. É a sensação de pertença, é a felicidade passageira de estar noventa minutos num estádio com um filho, com um neto ou com um amigo. Desde 1983 em particular que a verdade desportiva não existe pois surgiu na cidade do Porto uma nova norma – «é preciso ganhar sempre, custe o que custar e doa a quem doer».
No meu caso concreto continuo a ir ao futebol porque ainda me revejo mo emblema do meu clube, na bandeira, no cachecol, na memória afectiva do passado e do futuro. Lembro Dinis Machado que, levado à sede do Benfica no Jardim do Regedor para ver a sala de troféus, respondeu ao pai: «Não posso ser do Benfica porque já apertei a mão ao Jesus Correia!». Não posso esquecer o meu neto a passear junto do Observatório de Greenwich em Londres com uma camisola branca onde está escrito a verde «Sporting since 1906». E quando digo que tenho lugar cativo é porque de 15 em 15 dias estou cativo de me encontrar com o meu filho nas bancadas do estádio José Alvalade. Um pobre homem como Vítor Pereira nunca poderá compreender isto. As pessoas não acreditam no futebol português mas ainda vão aos estádios enquanto sentirem a força da sua paixão clubista. O resto é conversa da treta e concerto de apitos de latão velho.












