Vinte Linhas 310

A maior crise talvez seja a das consciências (penso eu…)

Ainda não tomei o peso daquilo a que chamam «crise». Empregado bancário entre 1966 e 1996, tornei-me jornalista com carteira profissional em 1997 e fui despedido em Novembro de 2006 do único jornal cuja redacção integrava. Tenho a casa paga e o carro também. Como fui delegado sindical desde 1972, tenho uma reforma muito pequenina mas vou-me aguentando. Quando era criança e os circuitos comerciais do mundo estavam ainda estoirados pela guerra de 39-45, lembro-me bem de esperar que a galinha pusesse mais um ovo para fazer uma dúzia que se trocava na mercearia do senhor Ernesto por meio quilo de arroz, de açúcar, de massa, de sabão ou por «duzentas» de café. Isso sim eram tempos difíceis quando as mulheres faziam milagres para inventar todos os dias uma ementa com aquilo que a terra dava. Outro dia fui com a minha filha mais velha tirar umas fotografias para o bilhete de identidade do meu neto. Entrámos numa loja de fotografias e dissemos ao que íamos. Impassível, como se nada fosse com ele, o homenzinho do balcão não nos disse que agora as fotografias para o bilhete de identidade (tal como as do passaporte) são tiradas numa máquina electrónica que existe nos serviços. Qual quê! Isso dava muito trabalho. Lá pagámos oito euros e tirámos as fotografias que não servem para nada. Em vez de ser honesto e de dizer a verdade preferiu fingir a aceitar a nossa inocência. Preferiu confundir a esclarecer. Para mim isto é mesmo uma crise mas uma crise de consciências – neste caso de falta dela. Ganhou oito euros e perdeu o quê? Pelo menos perdeu um cliente. Não me sinto com vontade de lá voltar. Posso estar errado na minha conclusão mas parece-me que a maior crise é essa, a da consciência.

25 thoughts on “Vinte Linhas 310”

  1. Sim a falta de profissionalismo dessa pessoa foi grande – a crise e o medo da crise faz pessoas honestas fazerem disparates dos grandes.
    Eu tenho uma super micro empresa á 3 anos sou só eu – mas também tenho uma casa para pagar mais de 500 €, a carrinha do trabalho 300€, Contabilista 120€ segurança social 250 € escola de 2 filhos com menos de 5 anos 250 €.
    E o trabalho está a abrandar a crise mete medo a muita gente como eu

  2. Estou de acordo: há de facto uma grande, enorme, crise, mas sobretudo de ordem MORAL!

    Quanto à economia, por favor, pode estar mal, não abusem mais da pobre palavra “crise”, que ela já não aguenta: os tempos que estamos a viver são apenas o doloroso mas imprescindível (e inadiável) ajustar da economia às realidades, pois vê-se agora que os tempos (inimagináveis) que vivemos desde há vinte e cinco anos não passaram de uma grande e insustentável ilusão…

  3. Pois é, a crise de que todos falam é da económica, esquecendo que o que lhe deu origem foi a dos valores.

    Hoje em dia, a arte do logro está na moda, começa na publicidade enganosa, passa pelos preços inflacionados a que se juntam chorudos descontos, vende-se material de 3ª ou 4ª como se de 1ª se tratasse, a rotulagem não traz indicações fidedignas, há produtos apelidados de frescos que o são apenas por estarem abaixo da temperatura ambiente, etc., etc., etc.!…

    O primado do cliente já foi, hoje é a corrida ao lucro fácil, ao imediato, às escandalosas negociatas de preços a fixar – veja-se o exemplo das gasolineiras – à crítica permanente aos orgãos fiscalizadores (como se a culpa fosse deles por tentarem defender o consumidor), e tudo isto com a conivência do 4º poder detido na sua generalidade por grandes grupos económicos.

    A crise não é culpa dos -ismos que por aí se apregoam, mas apenas da falta de educação e de solidariedade, o resto é apenas conversa da treta.

  4. Meu caro Teofilo mas que brilharete de espadeirada, não foi nem um nadinha agressivo e só disse as coisas como eram. Mas eu acho que já está a melhorar, ou seja enquanto uma linha vai descer ainda mais em antiparalelo outra, virtual, sobe. Essa é a linha da consciência.

  5. Entrou numa loja com o objectivo de tirar fotos. O homem tirou as fotos. Foi uma relação comercial perfeita: ele cumpriu os objectivos do cliente. Agora para que eram as fotos, isso é um problema seu. Quem presta serviços tem que se concentrar no primeiro objectivo do cliente e não nos segundos, terceiros e restantes objectivos.

    Levado ao limite poderia ter acontecido esta situação: você foi com o seu neto tirar fotos para o passaporte para irem visitar o Snobistão. O Snobistão não existe. Logo o fotógrafo enganou-o.

    Quem lhe disse que o fotógrafo o ouviu na sua segunda intenção? Ou quem lhe disse que, tal como você, ele também já tinha conhecimento dessas regras?

    Ah, e tal, ele é fotógrafo, logo deveria saber- deve estar você a pensar.

    E eu respondo-lhe: e você como ex-jornalista, ex-banqueiro, ex-isto e ex-aquilo, viajante para tantos lados e conhecedor de tantas coisas, não era suposto que tivesse conhecimento de algo que foi divulgado? Ou pelo menos mais conhecimento que um fotógrafo?

  6. Maria Bolacha, um tom novo no Aspirina. Tem bom espírito. Eu só conhecia a Bolacha Maria, que também não é nada má, apesar de velha.

  7. Maria Bolacha deixa-te de tretas: o meu texto diz claramente que eu disse que era para o BI. Não te armes em falsa engraçada. Vai dar uma volta ao bilhar grande.

  8. Granda bolachada, oh Maria! Também o JCF põe-se a ser a jeito, e depois não tem encaixe para lidar com as respostas… o resultado está à vista, Bolacha-2, JCF-0.

    (oh z, pá, é triste ver-te a vender esse peixe podre da tua cabra, assim, pelas portas… andas ceguinho, até mete aflição, parece que foste à IURD… e eu que pensava que tu gostavas de outras coisas mais refinadas, oh pá!! sempre te digo que se mudaste de gostos, em cabras encontras bem melhor e sem dificuldade nenhuma, não é dificil… tem ju´zo, oh pá.)

  9. Claro que disse. Acredito que sim.Todos os que o lêem acreditam que o Zé tenha dito que ia tirar fotogafias para o BI e no meio ainda tenha dito que é ex-jornalista e ex-sindicalista e ex-banqueiro. O homem só reteve a informação (realmente!) importante.

    A questão é: pode o Zé exigir de o “homenzinho do balcão” tivesse uma informação que o próprio Zé não tinha? Não, não pode. Não o culpe pela sua ignorância.

    (já agora “homenzinho do balcão” soa-me a algo muito pouco sindicalista, na melhor das hipóteses… na pior das hipóteses retive sua falta de poder de encaixe ou verniz de fraca qualidade)

  10. mas sobre essa do donut ainda vou revêr, isso dizia-se como lugar comum em livros de vulgarização de topologia, mas há aqui uma coisa que não bate certo, para as mulheres está certo mas para os homens não vejo

  11. « jcfrancisco:
    Velhote será o teu avô torto… »

    « jcfrancisco:
    Maria Bolacha deixa-te de tretas: o meu texto diz claramente que eu disse que era para o BI. Não te armes em falsa engraçada. Vai dar uma volta ao bilhar grande. »

    parece que alguém ficou muito arreliado. coitado, deve ser tensão alta por causa do excesso do sal no pão.
    é engraçado quando o autor do post admite a sua ignorância em relação ao tema das fotos mas é incapaz de colocar em hipotese a mesma ignorância do senhor da loja que o atendeu. será possivel que o senhor em causa não soubesse? claro que não é possivel.

    só existe uma explicação:
    o jcf não sabe porque ninguem lhe disse.
    o senhor da loja não lhe disse porque é um filho da p*ta capitalista neo-liberal.
    pronto.

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