Vinte Linhas 309

Não há nada melhor do que ver o nosso trabalho a ser menosprezado, ignorado e apagado

Esta primeira crónica de 2009 é, sem sombra de dúvida, uma peça diferente. Ano novo, vida nova. Em vez do pessimismo, o optimismo; em vez da tristeza, a alegria; em vez da morte, a vida. Não há nada melhor do que ver o nosso trabalho a ser menosprezado, ignorado e apagado. É uma sensação de felicidade, quase de júbilo. Ofereceram-me o livro «Sonata para 5 violinos» de Afonso de Melo, editado pela Prime Books. Na bibliografia, como não podia deixar de ser, lá aparece o livro «Glória e vida de três gigantes» mas como «Glória e vida de três grandes» e os autores em vez de três (António Simões, Homero Serpa e José do Carmo Francisco) aparecem apenas dois – António Simões e Homero Serpa. Corria o ano de 1994 quando, convidado por Vítor Serpa e António Simões, me lancei ao trabalho. Com o apoio de Ilídio Dinis (vice-presidente do SCP) e do coronel Cunha Bispo (director das instalações desportivas) entrei nas catacumbas do Estádio José Alvalade à procura de elementos para a história do Sporting Clube de Portugal. De lá saí com relatórios, contas, papéis diversos, memórias justificativas, documentos dos seccionistas. Coisas curiosas como por exemplo os ordenados dos jogadores de futebol nos tempos do amadorismo, o abaixo-assinado dos futebolistas leoninos a pedirem para o senhor Jean Luciano não ser despedido ou o castigo de alguns deles por falta de empenho num jogo de reservas contra o Alhandra num sábado à tarde. Na ficha técnica do livro editado por «A Bola» lá está o meu nome mas na bibliografia deste «Sonata para 5 violinos» o meu nome (e o meu trabalho) está rasurado. É uma sensação de alegria, quase de júbilo. Não há nada melhor.

One thought on “Vinte Linhas 309”

  1. não te preocupes pá, noutro dia tropecei em frases inteiras minhas escritas por outro, e não me citava, mas no plano karmico fica tudo saldado, é uma espécie de crédito invisível

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