Brito Camacho ou Memórias felizes na A.P.E. com Óscar Lopes, Fausto e Seizette
Fui feliz a partir do momento em que recebi o prémio de poesia da A.P.E. em 1981: fiquei amigo de Raul Marques (o outro premiado), de Armando Silva Carvalho, Fernando J.B. Martinho e Pedro Támen (júri) e de José Correia Tavares e Urbano Tavares Rodrigues que assinaram a filiação na Casa. Depois David Mourão Ferreira e Orlando da Costa receberam-me como um igual sem cuidarem se eu era «licenciado». Acaba de chegar à minha mão o livro «Quadros Alentejanos» de Brito Camacho e, num relâmpago, recordo os nossos fins de tarde na A.P.E. com Óscar Lopes a falar dos grandes clássicos esquecidos que era urgente reeditar. Eu e Fausto Lopo de Carvalho éramos ouvintes atentos. Bebíamos as palavras do nosso querido professor mas bebíamos às vezes um vinho licoroso de Carcavelos que o Fausto trazia do seu escritório na Rua do Comércio. Atenta e simpática, Seizette, a eterna secretária, adiantava a bolachinha. Eram aulas grátis do professor Óscar Lopes. Este «Quadros Alentejanos» figura ao lado dos grandes livros do Alentejo: entre a poesia do Conde de Monsaraz («Musa alentejana») e a prosa de Manuel da Fonseca («O fogo e as cinzas»), entre os ceifeiros e carreiros de Francisco Bugalho e os feitores e negociantes de gado de Mário Ventura em «Vida e Morte dos Santiagos». Sei que a Seizette vais ser homenageada num jantar no Martinho e como não posso estar presente quero ir à A.P.E. levar este livro para nos lembrarmos melhor dos fins de tarde com Óscar Lopes e Fausto Lopo de Carvalho. Há nesta prosa a força da alma das pessoas da infância de Brito Camacho – «Vive-se tanto a recordar!». É bilhete para um certo tempo português em Portugal e em Aljustrel de 1862 a 1943.









