Um livro por semana 102

«O Século» de Lopes de Mendonça: O primeiro jornal socialista

António Pedro Lopes de Mendonça (1826-1865) figura no nosso século XIX ao lado de Garrett, Castilho e Herculano: historiador, poeta, jornalista, folhetinista, doutrinador, crítico e ensaísta. Mas também fundador e redactor anónimo de «O Século», um jornal de 11 números com 16 páginas cada, que se publicou entre 10 de Abril e 25 de Junho de 1848. Ernesto Rodrigues recupera-o para os leitores de hoje em 165 páginas de texto anotado que dedica a Manuela Rego e a Teresa Martins Marques.

Vejamos de modo breve como Lopes de Mendonça escreve sobre a República em 1848: «A república não tem classes, não tem distinções, não tem interesses rivais: as lutas são as das ideias e a sua expressão é, tem de ser manifestada pela imprensa. Ás revoluções armadas hão-de suceder as reformas pacíficas; às paixões, os sentimentos; aos certames de partido, os combates de princípios. Alcançar-se-há esse ideal que debalde têm querido realizar as monarquias representativas? O sistema republicano acolherá no seu seio o princípio da perfectibilidade humana sem que ele ressurja de espaço a espaço tinto de sangue?»

Incansável jornalista e homem de ideias, Lopes de Mendonça responde à pergunta «O que quer o socialismo?» deste modo: «A fraternidade substituída ao individualismo: isto é, o indivíduo ligado pelos sentimentos e pelas instituições à sociedade: a associação em vez da concorrência, isto é um regime industrial que iguale as condições dos três agentes da produção, o capital, o talento e o trabalho».

A capa deste livro que vem revelar um novo aspecto na história das ideias do século XIX em Portugal, reproduz um quadro do pintor Gaspar David Friedrich (Nuvens passageiras).

(Edição: Ernesto Rodrigues, Execução Gráfica: Textype Lda.)

7 thoughts on “Um livro por semana 102”

  1. eu substituo fraternidade por solidariedade ou cooperação, porque isto quem vem de uma cultura fundada também no Abel e Caim e Rómulo e Remo deixa a fraternidade sob suspeita, ora em crise os laços fiduciários não se dão bem com suspeitas, e se fôr cooperação, ainda se pode fazer a transição pela coopetição e melhora.

    a Natureza é essencialmente simbiótica, os indivíduos e as espécies arrumam-se em nichos, quer espaciais quer tróficos, por forma a aumentar a expressão do fluxo de energia radiante em vida, presente no ecossistema.

  2. Será que nunca ninguém vai fazer justiça ao acto de cavalheirismo de Idalécio Cação e Possidónio Cachapa, que foram uns queridos ao não adoptarem um pseudónimo e assim permitirem que Teolinda Gersão não tenha o nome mais ridículo das letras portuguesas?

  3. Ó anónimo mas olha que a Teolinda Gersão não é deste filme! Tens que mudar de lentes, isto é um trabalho do Ernesto Rodrigues. Nada de confusões…

  4. Ó Zé,

    Este já cheira a pargo de Sesimbra, pá! Estava mais fresco quando li isso em Dezembro.

    Vinte Linhas 308

    «O Século» de Lopes de Mendonça (O primeiro jornal socialista)
    Lopes de Mendonça (1826-1865) figura no nosso século XIX ao lado de Garrett, Castilho e Herculano: historiador, poeta, jornalista, folhetinista, doutrinador, crítico e ensaísta. Mas também fundador e redactor anónimo de «O Século», um jornal de 11 números com 16 páginas cada, que se publicou entre 10 de Abril e 25 de Junho de 1848. Ernesto Rodrigues recupera-o para os leitores de hoje em 165 páginas de texto anotado.

    Vinte Linhas 102 (Dezembro)

    «O Século» de Lopes de Mendonça: O primeiro jornal socialista

    António Pedro Lopes de Mendonça (1826-1865) figura no nosso século XIX ao lado de Garrett, Castilho e Herculano: historiador, poeta, jornalista, folhetinista, doutrinador, crítico e ensaísta. Mas também fundador e redactor anónimo de «O Século», um jornal de 11 números com 16 páginas cada, que se publicou entre 10 de Abril e 25 de Junho de 1848. Ernesto Rodrigues recupera-o para os leitores de hoje em 165 páginas de texto anotado.

  5. Olha mais um a pensar que tem esperto nos cabeça. A fingir que não viu as diferenças entre uma notícia e uma nota de leitura com foto da capa do livro. Ainda por cima com um pseudónimo destes… Uma estaca velha é para queimar no fogão de lenha: minutos depois já ninguém se lembra.

  6. Zèzito,

    Estás passado da gurgumila, ou então andas com os açúcares destrambelhados. Ok, retiro o pargo, mas chama a isso boga de barriga rebentada. E estacas não se queimam, meu filho, espetam-se – não achas?

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