PSD, quem te viu e quem te vê

O Gabinete de Estudos do PSD mandou-nos esta carta, intitulada Desafios para Portugal em 2009:

Ex.mos Sr.s,

A economia portuguesa tem tido um desempenho muito insatisfatório. Desde há cerca de dez anos que o crescimento económico se mantém muito abaixo do que seria possível e desejável. Os problemas avolumam-se, a prosperidade estagna, o atraso relativo do País aprofunda-se.

Os problemas da economia portuguesa são de carácter estrutural e resultam de uma política económica profundamente errada, baseada numa total incompreensão do que é uma economia moderna, aberta ao exterior e competitiva, num mundo global, cheio de oportunidades, mas também de riscos. A actual crise internacional veio demonstrar de forma ainda mais evidente a fragilidade da nossa economia e a inadequação da nossa política económica.

Não é possível concretizar o enorme potencial da economia portuguesa e restaurar a prosperidade e o dinamismo empresarial enquanto se persistir na ideia de que é o Estado que deve tudo controlar, orientar e financiar. Esta visão dirigista da política económica não é compatível com a inovação e o progresso tecnológico, com a recuperação das nossas empresas no contexto internacional, com a criação de emprego à medida das nossas necessidades. Conduz apenas a um endividamento cada vez mais preocupante do País, sem que se veja para que serviu afinal tanto crédito externo.

Em paralelo, assiste-se a uma perversa concentração de riqueza e de poder económico nas mãos de muito poucos, a um aumento do grau de controle das empresas pelo governo, a uma administração pública incapaz de se modernizar e de responder às necessidades dos portugueses.

Este trabalho do Gabinete de Estudos do PSD documenta, para além de qualquer dúvida, o caminho desastroso que a nossa economia vem percorrendo, a injustiça gritante da distribuição de rendimentos, o peso crescente do endividamento externo. Os dados são objectivos e, na maior parte dos casos, de fonte independente.

Que cada um dos nossos concidadãos tire as suas conclusões.

Gabinete de Estudos PSD

Informações: gepsd@gepsd.org

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Vamos lá, então, tirar as nossas conclusões. Por exemplo, eu concluo pela impossibilidade de encontrar uma única proposta política nesta cacofonia de generalidades parcelares e adjectivação manhosa.

14 thoughts on “PSD, quem te viu e quem te vê”

  1. Uma ideia: vender os impostos a cobrar dos próximos 100 anos ao City Bank. MFL já tem prática destes negócios e pode apresentá-la a abrir o “Portugal de Verdade”. Juntamente com os Pagamentos Especiais Por Conta das Piquenas e Médias Empresas de 4 ou 5 anos adiantados.
    Ah, não levo nada pela ideia…

  2. “Desafios para Portugal em 2009”
    que sonante.
    Er.. alguém me ajude por favor..
    Onde é que está o desafio ?
    ah! já sei..

    Perante esta situação..
    Desafio-te a fazer uma cruzinha no psd !

  3. achas bem isto, Valupi?

    para mim que a igreja católica diga aos seus fiéis gay que não devem casar ainda é lá com eles, agora que venha dizer que mobiliza a indicação de voto em partidos é intrusão no Estado laico e direitos constitucionais – para mim arrisca-se a fazer-me entrar em guerra, a igreja católica não pode fazer isso. Gostava de ouvir-te a propósito.

  4. «A Deus o que é de Deus a César o que é de César»
    Tão simples quanto isso. O resto são outros interesses que de religioso têm muito pouco e que levam cada vez mais as consciências mais críticas a se afastarem das Igrejas.
    Claro que o que está em causa é algo que só diz respeito à sociedade civil.
    A igreja não se consegue libertar de vícios antigos.

  5. Não sugiro nada. E tu não tens absolutamente qualquer responsabilidade na saída dele.

    Sempre te portaste de forma impecável com toda a gente.

    Li a notícia e apeteceu-me recordar que foi este o motivo (sublino- motivo) pelo qual ele atirou com a porta.

    E este motivo nada tem a ver com democracias ou liberdades do c***** mas pura e simplesmente com fanatismos.

    Acredito que ele, como os vive, não tivesse pachorra para ainda ter de aturar propaganda a estas trampas.

    Razão pela qual também deixei de vir aqui por uns tempos. E agora volto apenas lendo os posts onde não falas nem de política, nem de “laicismos” nem de “liberdades de expressão”.

    Poucos, está visto

    ehehehe
    Mas é a única forma de nos aturarmos reciprocamente na blogo. Está visto que quando o “material” é bichoso, ninguém precisa sequer de perder tempo (o que não é este o caso).

  6. isto porque estava a pensar como há tantos conceitos que foram adulterados e que hoje em dia acabam por se negar, precisamente quando se apregoam.

    Um deles é esse da “liberdade de expressão”. Sou verdadeiramente defensora dela. Com a diferença que a sua defesa passa sempre por uma liberdade contra o Poder.

    E nunca o inverso- A liberdade do Poder.

    O laicismo vai dar ao mesmo- também se tornou mais uma inversão das liberdades de crença, pela Liberdade do Poder impor as suas crenças (leia-se ideologias)

    E idem para a palavra mais adulterada de todas e que serve para vender as maiores barbaridades- Democracia.
    Exportada e imposta, pela semântica do poder- à Napoleão.

  7. Pareces esquecer, zazie, que a democracia não existe isolada, que não é regime. O filme de Geert Wilders não matou, feriu, roubou ou destruiu fosse o que fosse. Pelo contrário, passou indiferentemente pelo rio heraclitiano. E até contribui para uma racionalização do fenómeno dos fanatismos, sejam eles quais forem. Ao tempo do lançamento do “Fitna”, no ano passado, já a montanha da resposta cultural ocidental estava crescida. Essa resposta assumiu várias formas. Teve, e tem, vários representantes, vários momentos, várias obras, faces várias de um complexo polígono. E nesse leque há espaço para um radicalismo como o do Geert.

    Claro que o teu narcisismo defende-se, legitimando reacções emocionais que não passam do medo transferido em agressão para a vítima. Enfim, cenas maradas, mas cenas normalmente maradas.

  8. O gabinete de estudos do PSD, que é um conhecido partido igualitário, pensou, pensou, pensou, pensou, pensou e saiu-se com uma denúncia da concentração da riqueza nas mãos de muito poucos… Poucos e, por acaso, apoiantes do PSD. Realidade antiga, para a qual o PSD trabalhou mais do que ninguém. Mas sempre dá um arzinho de esquerda vir com esta denúncia gratuita, porque não lhes custa absolutamente nada nem se comprometem com coisíssima nenhuma. Útil quando há muitos descontentes com a crise.

    E o programazinho alternativo do PSD, onde está? A privatização da CGD, a descida do IRC e IRS para os mais ricos, a entrega da melhor fatia da segurança social às seguradoras privadas, a defesa do plano Cadilhe para o BPN, etc?

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