Vinte Linhas 314

Ruslam Botiev dá um «bom dia a Portugal»

Esta chuva que parece não ter fim é trazida por uma frente polar fria que nenhum anticiclone açoriano detém. Pode encher barragens mas prejudica a vida de muita gente. O meu amigo Ruslam Botiev, artista plástico mongol apaixonado por Lisboa, costuma fazer do passeio ao lado da porta da Basílica dos Mártires o seu atelier-exposição. Esta chuva só o prejudica a ele e aos seus quadros de pequeno formato. Um destes dias tenho que lhe dizer que os seus desenhos sobre Lisboa, suas ruas e suas gentes, seus transportes públicos e suas estátuas, seus telhados e seus gatos, me faz recordar o traço de Nuno San Payo. Parece-me óbvio que Ruslam Botiev, o sorridente artista plástico que veio da Mongólia, só por mero acaso poderá ter ouvido sequer falar dos desenhos de Nuno San Payo que integram um álbum intitulado «Calendário de Lisboa», editado em 1948 pela Livraria Popular de Francisco Franco. Ruslam Botiev entra todos os dias em Lisboa pelo comboio da ponte 25 de Abril. E, porque gosta da cidade dos alfacinhas apesar de ser natural da Mongólia, chamou «bom dia a Portugal» a uma série de desenhos seus feitos sobre Lisboa. Depois de ter vivido em Murça onde trabalhou sob diversas formas a figura da «porca de Murça», Ruslam Botiev veio para Lisboa e veio para ficar na Rua Garrett. Quando a tempestade passar, quando o sol chegar com a sua força contra a frente polar fria, eu hei-de oferecer ao meu amigo Ruslam Botiev uma reprodução da série «calendário de Lisboa» de Nuno San Payo provando nas parecenças do traço com a sua série «bom dia a Portugal» porque quando se ama uma cidade todos os desenhos de todos os artistas acabam por ser, afinal e no fim de contas, muito parecidos entre si.

18 thoughts on “Vinte Linhas 314”

  1. temos de ter paciência, ficam as barragens cheias e os aquíferos carregados, achei graça a essa dos desenhos ficarem todos parecidos porque o amor transforma o objecto em sujeito, sujeito do verbo

  2. Deixa-te de niquices Nick não sejas maldoso porque eu escrevi exactamente o contrário – eu quase tenho a certeza que o Ruslam Botiev nunca ouviu falar do Nuno San Payo ainda por cima um trabalho de 1948. Não sejas garrafão de veneno, pá.

  3. Zé do Carmo, a ti é preciso explicar-te tudo muito direitinho como se fosses muito burro, coisa que eu “quase tenho a certeza” que não és. Estava a citar-te, entre aspas, caso não tenhas percebido, mas quase tenho a ceteza que percebeste.

    Primeiro, não se diz de um artista amigo que o que ele faz é muito parecido com o que outro artista fez.

    Segundo, se quisesses falar das semelhanças entre dois artistas, um dos quais teu amigo, nunca deverias insinuar, já que te dizes amigo do Ruslam, que ele pode ter conhecido e copiado o trabalho do outro. Quando dizes que QUASE TENS A CERTEZA que ele não conhece o San Payo, é porque não tens a certeza e estás a admitir que pode ter conhecido e copiado o trabalho dele.

    Terceiro, quando dizes que escreveste exactamente o contrário do que aquilo de que te acuso, fazes-me lembrar a anedota dum gajo “bem intencionado” como tu que, para desculpar uma senhora que tinha deixado escapar uma ventosidade num baile, disse bem alto: “Fui eu que me peidei, não foi esta senhora!”

    Agora vai prá cama e dorme bem, que eu não te quero mal. Nem sequer te conheço, pá.

  4. “Primeiro, não se diz de um artista amigo que o que ele faz é muito parecido com o que outro artista fez.”

    Wrong. Não te queria para amigo, meu hipócrita.

  5. claudia: o que o Nik está a dizer é que não se diz de um amigo aquilo em público, pelo menos como primeiro instinto, mas ao amigo diz-se claro, ou pelo menos foi assim que pensei,

    ando no tempo sagrado que enjoei do profano

  6. O melhor nisto tudo é que eu pensava estar a responder ao jcf. Coitado do Nik. Ele há-de me perdoar devido à hora…
    Nik, já devias estar habituado ao pedantismo do jcf. Aquilo não tem remédio.

  7. Estás enganada mais uma vez Cládia. Não sou hipócrita, o meu CV (mesmo abreviado) fala por si. Há 30 anos no Diário Popular ouvi uma frase chave que nunca segui à letra: «Se quer ser alguém não perca tempo a escrever sobre os livros dos outros, preocupe-se apenas com os seus!» Mais uma vez não percebeste a diferença entre o essencial e o acessórip.

  8. Se fosses amigo do Ruslam, em lugar de vires para aqui gabares-te dos generosos presentes que lhe dás, punhas aí um boneco dele, que talvez surgisse um comprador.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.