Vinte Linhas 319

Recado a António Rebordão Navarro (ainda a tempo)

Soube pela Revista da Sociedade Portuguesa de Autores que o seu próximo livro tem o título de «As ruas presas às rodas» embora apareça por lapso «As luas presas às rodas». Quando fiz parte do júri de um prémio literário não sabia (obviamente) quem era o autor daquele texto e houve um lapso por parte da secretária do vereador da cultura que na listagem escreveu o nome do seu original como «As ruas presas às rosas» e deu-lhe o número «28» quando na verdade era o original nº 38. Como vê o nome do livro está e continua embruxado.

Todos nós gostamos de ter razão e somos felizes naqueles breves instantes em que temos razão no momento próprio. Ter razão fora do tempo já não é a mesma coisa. O seu livro agradou-me de tal modo que escrevi nas notas «Bom +++» mas na vida, tal como no futebol, há três resultados possíveis: vitória, derrota ou empate. Eu perdi, fui derrotado, porque o seu livro não ganhou mas agora que a publicação está anunciada, meu caro António Rebordão Navarro, permito-me enviar-lhe um recado: não se esqueça que há uma troca de linhas entre as páginas 127 e 129 do original. Uma pessoa com jeito para mexer em informática facilmente «recorta e cola» essa meia dúzia de linhas passando-as da 127 para a 129 com uma perna às costas. Não recorra a um «sem-abrigo informático» (assim como eu) que só piora as coisas.

Como vê continuo a ter uma memória razoável. Não é para todos ter estas referências tanto tempo passado sobre o concurso literário. O seu livro merece ser feliz mas não se esqueça da troca de palavras entre as páginas 127 e 129. Isso é «fundamental».

13 thoughts on “Vinte Linhas 319”

  1. Membros de júris não revelam as classificações que dão, a não ser em casos excepcionais. É uma deslealdade para com os outros membros do júri.

  2. Delicioso o recado, bem embrulhado, com a genuína esperança que o “concorrente” recupere no público o sucesso que não conseguiu no concurso. Mas o que me intriga, mesmo, não foi só a descoberta da troca dessas palavras, mas também a identificação precisa das páginas onde isso ocorreu… ou era demasiado óbvio, e grave, ou subliminar, sendo assim parte da história. Mas quem sou eu, ignorante, que não me quero por jurado nem concorrente! Agora, como leitor, vou ficar preso a essas páginas.

    Abraços

    P.S. Tenho este blogue adicionado ao meu. Gosto de por aqui passar. Acho que o delate da posição de voto se deveu ao recado que urgia dar. Menos mal. Mas se me permite a sugestão, telefone-lhe! Ele poderá não ter a oportunidade de ler o seu recado.

  3. Tu ou és mesmo maldoso ou muito ignorante. Não me digas que não percebes que a decisão foi de «2-1» para outro livro e que o meu favorito perdeu… Estás a querer inventar uma «história» por alma de quem? Onde é que queres chegar a falar em pseudo «deslealdade»? Não percebes que se o autor não tivesse dado a entrevista à revista da SPA eu nunca saberia a sua identidade??? Não sabes que os vereadores só abrem o envelope com a identidade do autor do texto vencedor??? Onde é que julgas que estás e com quem julgas que estás a contactar???

  4. Admito que o recado seja para o primeiro comentário que não é meu. Mas como não identifica o destinatário e por ter mencionado a palavra ignorante, fico com a sensação que foi a mim que respondeu. Se assim foi, e só assim, devo dizer-lhe que foi vossa senhoria quem não me percebeu . Pode tetuar-me, aceito isso até das crianças, mas julgo estar num blogue de alguém que tem comentários abertos aos leitores, tal como eu. E no livre espírito do contraditório, saudável e inteligente, devo dizer-lhe que entendi tudo muito bem (herança genética) e que não o critiquei. Aliás, justifiquei o pretenso delate face ao comentário anterior ao meu. Fiquei, isso sim, confuso com a precisa identificação do erro do candidato; procurava na resposta a solução para este enigma. Quanto à sugestão do telefonema, era genuína e de quem não sabe onde está e com quem está a falar. Pela sua resposta, continou a entender que é uma boa sugestão.

    Melhores cumprimentos,

    O Aprendiz de Ignorante

    P.S. Por vezes confunde-se a ignorância com maldade; no meu caso seria difícil ser a segunda, mas entendo o desabafo pois não sabe vossa senhoria com quem está a falar. Sou mesmo ignorante e recomendo-me.

  5. E tu, és burro ou fazes-te? Saberás que os membros de um júri não revelam (unilateralmente, pelo menos) o seu voto, pois com isso estão a revelar indirectamente o voto dos outros membros?
    Mas tu aqui só querias era falar de ti, como de costume.
    Ah, e não precisas de me responder. As tuas respostas nunca me elucidam.

  6. O Nik tem razão. Nunca um elemento do juri revela o seu voto. Claro que implicitamente estás a denunciar os votos dos restantes.

    E calma aí com os pontos de interrogação. Em vez de demontrarem uma pseudo indignação, só demontração uma vulgaridade adolescente na tua escrita.

  7. O Nik não tem razão porque obviamente no momento da votação revelei o meu sentido de voto. Perdi e muito tempo depois descubro que aquele livro é de um autor que o anuncia e fico feliz. Revelo essa alegria. não estou contra ninguém, apenas contente porque a minha intuição não me enganou – uma vez mais.

  8. Não brinques com coisas sérias Zeca. Mal de quem escreve se estivesse à espera de copos. A única coisa que quero (e quis) foi dar conta da minha alegria por ter «acertado». Perdi na votação para o vencedor mas descobri agora que o «não vencedor» é um escritor de corpo inteiro. Copos não – basta a alegria de a intuição ter funcionado uma vez mais…

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