Vinte Linhas 320

Brito Camacho ou Memórias felizes na A.P.E. com Óscar Lopes, Fausto e Seizette

Fui feliz a partir do momento em que recebi o prémio de poesia da A.P.E. em 1981: fiquei amigo de Raul Marques (o outro premiado), de Armando Silva Carvalho, Fernando J.B. Martinho e Pedro Támen (júri) e de José Correia Tavares e Urbano Tavares Rodrigues que assinaram a filiação na Casa. Depois David Mourão Ferreira e Orlando da Costa receberam-me como um igual sem cuidarem se eu era «licenciado». Acaba de chegar à minha mão o livro «Quadros Alentejanos» de Brito Camacho e, num relâmpago, recordo os nossos fins de tarde na A.P.E. com Óscar Lopes a falar dos grandes clássicos esquecidos que era urgente reeditar. Eu e Fausto Lopo de Carvalho éramos ouvintes atentos. Bebíamos as palavras do nosso querido professor mas bebíamos às vezes um vinho licoroso de Carcavelos que o Fausto trazia do seu escritório na Rua do Comércio. Atenta e simpática, Seizette, a eterna secretária, adiantava a bolachinha. Eram aulas grátis do professor Óscar Lopes. Este «Quadros Alentejanos» figura ao lado dos grandes livros do Alentejo: entre a poesia do Conde de Monsaraz («Musa alentejana») e a prosa de Manuel da Fonseca («O fogo e as cinzas»), entre os ceifeiros e carreiros de Francisco Bugalho e os feitores e negociantes de gado de Mário Ventura em «Vida e Morte dos Santiagos». Sei que a Seizette vais ser homenageada num jantar no Martinho e como não posso estar presente quero ir à A.P.E. levar este livro para nos lembrarmos melhor dos fins de tarde com Óscar Lopes e Fausto Lopo de Carvalho. Há nesta prosa a força da alma das pessoas da infância de Brito Camacho – «Vive-se tanto a recordar!». É bilhete para um certo tempo português em Portugal e em Aljustrel de 1862 a 1943.

34 thoughts on “Vinte Linhas 320”

  1. Obrigado pela sugestão. Já agora faltou dizer que a capa é um quadro de Silva Porto o que ainda vem dar mais beleza ao livro… Outro abraço

  2. És um homem de valor, isso é inegável, sem estar a fazer jeito. Vieste lá dos confins da Estremadura, mais humilde que um prato de favas com chouriço caseiro, e passados uns anos, já andavas a orbitar o planeta dos macacos (APEs).

    Isso dito, também convém lembrar-te que não precisas martelar-nos as memórias, dia sim. dia não, com o teu desgosto de não teres nada para escreveres sobre experiência humana, social e académica entre os universiburros ou até das tabernas que lá haveria, onde terias podido saciar a tua sede de palavras. É a vida, filho. Se tivesses emigrado para a Austrália e um dia fosses raptado, mal assado e comido por um grupo de canibais da Polinésia, ainda teria sido pior, né?

  3. Eu acho que a tua ambição é seres também um grande clássico esquecido. E tens feito por isso. Vá lá, chama-me maldoso que eu não me importo nada.

  4. Carlos Santos,

    I mean it. As tuas análises políticas são do mais chato que há. No comprimento e largura e nos espaços regulares entre cada palavra que utilizas, e não são poucas, fazem-me lembrar os parques de estacionamento ao lado das fábricas da GM ou doutras colegas internacionais da indústria. No conteúdo, bom, nisso nem merece a pena falar muito, é tudo goela de menino de kibutz, de professor de economia destacado na blogosfera para mascarar a desinformação com confusão. Com mais uns caldos como este, ainda chegas a primeiro ministro!

    E que trabalhão me deu a descobrir este mimo de sinceridade que define bem o tipo de soldado que és: “a nova ordem mundial que defendo terá que nascer da crise”. Foi o que tu disseste (não sei se li bem) no artigo onde te espreguiçaste ofegante sobre o “carismático” Obama. Não digas mais, senão interrompes as continências voluntárias das expressões malcriadas que andam por aí muito comprimidas nos peitos das pessoas.

    Ler-te é ver que a Rússia te incomoda bastante. Tá na cara. Por isso não descansas quando a “analisas” com o intuito de a deitares abaixo em todos os aspectos. Não é para admirar. Esses eslavos nacionalistas do catano andam a dar muitas dores de cabeça aos gajos da Nova Ordem Mundial que é exactamente a mesma que a Nova Ordem Mundial do Susto Geral do Dióxido de Carbono. Falas de mais oligarcas, o chavãozito-rei que se tornou argumento numa noite de luar para dar um ar mafioso aos gajos que encontraram impressões digitais israelitas entre o debris que resultaram da agressão da Geórgia há uns meses atrás, mas do que não falas é dos oligarcas que andam andam escondidos em países como Israel e a Inglaterra, fugidos aos tribunais da Russia que lhes querem fazer umas perguntas muito delicadas, com cana à vista. Lá inocência não te falta, professor de economia. Assumo que será porque não queres misturar alhos com bogalhos.
    E a certa altura lá neste teu artigo muito comoprido largas esta, naquele estilo de menino de kibutz que lê o Foreign Relations e considera o World State, um dos seus blogues preferidos:

    “Medvedev é …um fantoche de Putin”.

    E depois um parêntese de roberto moderno, não vá alguém ter compreendido mal:
    “…Medvedev … ousou condenar o excesso de repressão usado por Moscovo contra a manifestação em Vladivostock de que dei nota aqui. Segundo Simon Tisdall, as conversas com Putin já são gravadas, algo que Medvedev nunca sonharia exigir há alguns meses atrás”.

    Então, o títere já está a virar o dente, já grava as conversas que tem com o titereiro? Que fantochada é esta sr. professor de encomia(cum)analista político?

  5. Já há comentários cortados no blog do Carlos Santos. O professor de americanofilia quando não gosta, censura. Na América também há censura?

    Se o Medvedev é fantoche do Putin, o Carlos Santos é fantoche de quem?

  6. O professor de americanofilia chora a perda da base americana no bom Quirguizistão (ou Quirguízia), só que lhe chama duas vezes Quirziguistão. Mas para o professor tanto faz, desde que tenha lá bases do Americanistão.

  7. é impressionante a falta de vergonha dos economistas perante uma coisa que estava no ar desde 2000, garantidamente desde 2003 com a invasão do Iraque e a espiral de embuste, e mesmo ao dobrar da esquina o ano passado com o tricheur a jogar na imparidade e a puxar os juros para cima. E tudo caladinho.

    Ainda estou rouco de tanto ladrar, sobretudo aqui no Aspirina – um gato travestido de cão não dá jeito nenhum aviso já aos mais desprevenidos, ainda por cima fica-se com problemas de identidade que agora as minhas unhas extensíveis já não são o que eram antigamente e ainda me arrisco a ter de fazer ungueoterapia. Enfim, tal algazarra fica dedicada ao cão chileno anónimo.

    entretanto o down Jones,

  8. Meu estimado Chico Estaca,

    Antes de mais tenho que te agradecer a atenção com que me lês. Em todo o caso, aspectos há que não terás compreendido plenamente. Mas estamos aqui para ajudar.
    1. Eu desconheço o significado que atribuís à expressão “menino de Kibutz”, mas suponho que me tomas por peão numa secreta conspiração sionista para dar cabo da Rússia. O que me leva a duas conclusões: a primeira é que decidiste, por alguma infundada razão, que me interessaria promover a causa judaica no mundo; segundo que não gramas mesmo nada a causa judaica. Ora se a segunda te aproxima perigosamente do Hitler, a primeira dá-me vontade de rir. Porque se te desses ao trabalho de ler em condições e te informares um pouco mais saberias que eu sou daqueles gajos de esquerda que não tem vergonha de escrever num livro que a questão de Israel só lhe interessa pela geopolítica: porque até sou católico, calcula. Admito que seja aversão ao Léon Aron e ao American Entreprise Institute. É pá, mas pelo menos o país tem think tanks até dizer chega. Não conheço muitos na Rússia. Manifestamente paraste no tempo. Numa página de um livro de História e faltaram-te as forças para continuar. Noutro caso, repararias que a Rússia de que eu falo é de um tal de Vladimir Putin. Achares que aquilo ainda tem alguma coisa a ver com comunismo é de rir. Antes tivesse: se calhar os 114 desgraçados que morreram no Kursk podiam ter sobrevivido.
    2. Aparentemente tens uma fé grande nos tribunais da Rússia. O Xanana também tinha nos tribunais indonésios.
    3. Suponho que estás a querer dizer que a agressão partiu da Georgia? Presumo que reconheças unilateralmente a independência da Ossétia e da Abkhazia? E lá está, lê um bocadinho mais: eu até defendo no meu livro que a Rússia actuou no legítimo interesse das populações de ascendência russa nesses territórios. E aquilo não teve nada a ver com sinais das consequências eventuais de uma adesão hipotética à NATO portanto?
    4. Se tu não achas que o Medvedev é uma criação do Putin louvo-te a fé. É consenso entre analistas de países que nada têm de comum entre si. E, se te lembrares, quem apareceu na Georgia foi o Putin. Não o manietado fantoche. Mas se tivesses lido o artigo que referencio, e explico de forma clara, sabias que existe hoje um nível de contestação política na Rússia a Putin, que não havia quando o petróleo estava a 147 dólares: pela primeira vez o Medvedev ousou desafiar o Putin na história de Vladivostock e gravando as reuniões. Porque o Putin perdeu leverage político. Sabes o que é? A duma já o contestou. Tudo isto é mais fácil quando o regime está a cair de podre. Porque assentou monoliticamente nas exportações de petróleo. Quem não tem dinheiro não tem vícios.
    5. Quanto à extensão das minhas análises eu sugeria que fosses para o Twitter. Mensagens de 140 caracteres com espaço devem ser mais adequadas ao que gostas. Se não aprecias o estilo de escrita…há quem goste. Escreve tu um blogue sobre geopolítica. Devia ser engraçado: mensagens como “Rússia. Crise. Culpa Ocidental e Mossad”. Mas tens bom remédio: não vás lá!!
    6. Como considerações finais, a Rússia não me podia incomodar menos. Acho é que a reflexão sobre a crise tem por vezes que olhar para fora dos EUA. Como o Putin admitiu em Davos. Ou também achas que isso é uma cabala dos EUA. Países como a Rússia, a Venezuela e o Irão padecem de um problema comum: endividaram-se demais quando o petróleo estava em alta.
    7. Segunda consideração final: sim, eu acho que há um realinhamento da ordem mundial depois da crise. Já ouviste falar na China? Eu acho que se a Califórnia tiver salvação, o Pacífico será o novo eixo da economia mundial. O Chile e o Equador já perceberam isso. Há mais gente a defender isso. Defendi-o na blogosfera, e em intervenções em diversos media. Achas que quero lixar a Rússia? Não sei se estás a perceber, mas a Europa é a primeira excluída. Se lesses o blogue mais vezes sabias o que o Obama fez ao busto do Churchill na sala Oval.
    8. Finalmente, quando aos meus títulos académicos. É pá, eu identifico-me pela profissão que tenho. Podia escrever mais coisas: Doutorado pela Universidade de Oxford, trabalhei no BCE, e mais umas linhas. Mas era um bocado presunçoso. Fica entre nós.

    Quanto a essa criatura que assina como Nik:
    – a censura pressupõe o apagamento de posts. Não o fiz. O blogue tem comentários moderados. Como aí uns 50% dos blogues em Portugal. E até hoje só não deixei passar dois ou três. Porque podes mentir à vontade, mas nós sabemos que o comentário tinha insultos. E esses usam linguagem que eu não tolero no blogue.
    – eu não sei de onde tiraste a ideia de que eu queria os americanos a usar a base em Manas. Mas que houve uma interferência russa, é público.

  9. Carlos

    Eu não tenho problema nenhum em juntar letras. Você é que tem um problema, sendo académico, se ainda não percebeu que muitas palavrinhas não são sinal de muito conhecimento. Pelo contrário.

    A aprendizagem está directamente relacionada com a capacidade de síntese.

    (mas gostei dessa resposta em duas linhas. estamos a evoluir!)

  10. Ó equus asinus Oxoniae, que assina Carlos Santos, agora é que te insulto, porque me chamaste “essa criatura que assina como Nik”. Não podes com uma crítica, estala-te logo o verniz.

    Não passas dum pedantezeco verborreico, geoestratego a metro que bebe na pia dos oligarcas judeus da Wall Street. E ridiculamente vaidoso da sua sabedoria traduzida da net.

    És mentiroso: eu não te insultei, apenas te chamei americanófilo. Não volto ao teu blog nem para mijar.

  11. Estimado Carlos Santos,

    Não, não te leio com muita atenção, não dizes bem, porque se lesse estaria, de certa forma, a aceitar que haverá tesouro ou mel informativo para descobrir entre a tua prosa de analista político. Não és Walter Lipman, nem nada que se pareça, fica ciente. Por enquanto. Mas tens de desfazer-te desse tipo de malha, que a meu ver é muito densa.

    O “menino de kibutz” foi uma piada que na altura me pareceu bastante engraçada para te acordar do estado de marasmo sinfónico em que na altura me pareceste mergulhado. Agora, já frio, estou cheio de remorsos perante a gravidade dos detalhes em que embrulhas as tuas conclusões. Não acredito que te compete revelares neste blogue ou noutro qualquer o teu interesse em promover coisa nenhuma, e muito menos essa da “causa judaica”, que eu, digo-te já, não “gramaria” de certeza caso existisse. Coisas dessas não se confessam a ninguém. Mas se houvesse uma causa cristã, ou islâmica, eu não teria o menor pejo de trazer isso a terreiro aqui neste blogue. Infelizmente, há algum contencioso entre mim e essas duas formas menos zaragateiras ou violentas de reclamar direito a grandes postas do planeta ou o planeta inteiro. Não te rias.

    Pior é quando conclues, todo intrigado com o “menino de kibutz”, que me estou a aproximar “perigosamente do Hitler”. Nisso bates palmas em uníssono com a maioria dos judeus, ortodoxos ou modernistas, mesmo daqueles que têm problemas de vária ordem, histórica e política, com o sionismo e a sua apresentação da narrativa histórica do Hitlerismo e Nazismo. Deixa-me fazer-te outra acusação suplementar: então essa do anti-semita já passou de moda?

    A Russia não tem “Think Thanks”!, olha que desgraça nas margens do Don! Mas quem é que precisa desses comités de opinião para onde os presidentes e primeiros ministros “desterram” os seu amigos para um bom tacho quando todas as vagas nos gabinetes já estão preenchidas? E qual livros de História, qual carapuça, Sr. Professor, os poucos que merecem a pena ler lei-os até ao fim e com muito gosto se a oportunidade se apresentar, o resto que interessa – e que a ti não deve ter passado por sob o bigode de trinta e dois anos aque nem sequer ganhou um Nobel – é tudo velho e conservado longe do perigo de “reprints” ou nas arcas frigoríficas da Nova Ordem da Estupidez Decretada. Tens, contudo, razão quando mencionas a minha “falta de força”: é da tristeza, garantem-me os médicos..

    Ái, o Kursk, Jesus! O Kursk, meu filho, é irmão do Trescher, não sabias? Primo do Liberty, atacado pelos Israelitas, parente afastado do Lusitânia, torpeado pelos alemães numa ratoeira preparada por outros interessados na entrada dos USA na Grande Guerra, e tanto quanto sei (o Kursk) não teve nada a ver com terrorismo tout court, ou terrorismo de estado, ou de falsa bandeira. Aproveita estas castanhas, que é o que me resta da minha experiência de marinheiro..

    E quem sou eu, pobrecito, para reconhecer “unilateralmente a independência da Ossétia e da Abkhazia”? Só se for por correspondência. Enfim, parabéns por teres escarrapachado no teu livro – montes de meses depois de verificarmos isso, mesmos os moderados – que a Mãe Rússia afinal não tinha intenções nenhumas de invadir a Geórgia, como foi apregoado constantemente pela media no aquecimento dos combates. O que seria talvez mais interessante, util e etc., era saber o que estaria a viajar-te pela cabeça no calor da altura desses acontecimentos.

    E o regime na Rússia está a “cair de podr”e, né, de acordo, suponho, com as opiniões de “analistas de países que nada têm de comum entre si”. Que raio de países serão esses, deixa-me coçar o queixo. O regime de Salazar levou trinta e tantos anos bem puxados para caír de podre, e mesmo assim foram precisos vários ramos de cravos, capitães, majores e uns salpicos razoáveis de maçonaria, o Putin, sentado no trono há meia dúzia, já anda a cheirar mal e aquilo está por um triz. Será que as cambadas, para as quais a maior parte dos economistas trabalha, estiveram mais interessadas em prolongar a vida política de Salazar que a de Putin, agora? Parece que sim.

    E é o Petróleo, pois. 147 dólares por barrilito que não é brinquedo, a fugir à lei da oferta e da procura como um catavento, e a macroeconomia que a micro já está velha, e a Duma russa a contestar o potencial hitler, que desgraça, o gás, o milhão de novos cancros de pele nos USA cada ano e todos os anos, os diabetes e tuberculoses em concomitância com esses caranguejos especialemnte na tua India com problemas com os vizinhos, a química, essa malvada, as quatro mil e tantas mutações genéticas que implicam com a nossa maneira de sorrir e de fazer força na sanita, a China, a dívida, os Fagins bancários, cus muito gordos e luzidios, e a Humanidade a ler os teus artigos, livros e panfletos nas férias forçadas deste Carnaval, que dores….

  12. 1967,

    jcf: se calhar nunca tiveste tantos comentários num post, chama-se a isto o espaço dual, no caso da ausência do Valupi, difo eu que mijo fora do penico em qualquer lado,

    Estaca: é impressionante como consegues saber essa factologia toda, mas fico contente que vcs atinem nisso, vou-vos lendo, eu aí sou um nabo, só em abstracto é que acerto na mouche; enfim não preciso de te dizer o que é mais provável que aconteça no MO, a pegar com a Russia a Norte e talvez com a Índia e o Paquistão a Oriente, se a crise não for invertida, e vai ser uma grande tristeza. Tomara enganar-me.

  13. mas essa porra dus juros pagos pelo serviço da dívida não baixa com as taxas de juro do BCE?

    Quero a taxa a 1% e isso a ficar negativo, ou seja passa a render em vez de pagar, em nome do acerto de contas de tudo o que já pagámos nestes anos todos.

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