Um livro por semana 24

«A sagração da Primavera» de Aurélio Lopes

Depois de «Devoção e poder nas Festas do Espírito Santo» em 2004, o antropólogo Aurélio Lopes (natural dos Cunqueiros) volta a publicar um trabalho de grande fôlego: perto de 300 páginas nas quais pretende «levantar pistas de investigação para a compreensão das raízes remotas de muitas das nossas tradições primaveris, ainda existentes ou de recente desaparecimento.»

Organizado entre o Domingo de Ramos e o São João, este estudo incide também sobre o 1º de Maio e o Dia da Espiga. E começa por responder a três perguntas: «Porquê, ainda hoje, um pouco por todo o país, se enchem, nestes tempos, as igrejas de flores e ramagens e, em tempos passados, de andorinhas? Porque se apanham giestas (maias) e com elas se enfeitam e protegem habitações, animais e pessoas? Porque persistem práticas como o colher da espiga nos nossos campos, bosques ou searas?»

Ainda hoje em muitas povoações portuguesas se usa colocar maias (ramos de flores, cruzes e coroas) nas portas das casas e dos currais mas, explica o autor, «maias ou maios são igualmente as efígies ou as crianças que neste dia são adornados e coroados com flores, e também a árvore (árvore de maio) em redor da qual se dança e canta. Maias são ainda as mais comuns das flores silvestres da época, as giestas e, até, no norte transmontano, os cânticos (cantar as maias) que presidiam, em tempos idos, à solicitação de dádivas. Maio é o tempo que decorre, as personificações que o corporizam, as subversões daí emanantes e as conexões florais que aí se interligam em fecunda simbiose.»

(Editora: Edições Cosmos, Capa: Brian Sroud, Apoio: Câmara Municipal de Santarém)

6 thoughts on “Um livro por semana 24”

  1. também sou gamado em Maio que o Zeca tão bem canta,

    coragem que já estamos quase em Fevereiro e aí ou em Março costuma vir um verãozinho retemperar-nos

  2. Isso não é problema. Importante é as pessoas conhecerem cada vez mais livros seja por semana seja por dia seja por mês. O cabeçalho é o menos – importa o centeúdol.

  3. “Importante é as pessoas conhecerem cada vez mais livros”

    Olhe que por acaso não concordo. O que importa é ler bem. Vale muito mais ler poucos livros muito, e bem, do que ler muitos livros como toda a gente lê. Pode crer.

  4. EStamos todos de acordo – eu referi-me ao facto de ser importante «divulgar» e aí nesse ponto pouco interessa se é diário semanal ou mensal. Apenas isso. Nada mais.

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