Os básicos

Noventa minutos distam entre dois emails que permitiram à oposição acreditar, por breves instantes, que existe e serve para alguma coisa. A tonteira alastrou, conseguindo envolver o Primeiro-Ministro. Fernanda Câncio explica.

Os que saíram à rua em ceroulas e entraram felizes no berreiro, protestando contra a mentira e propaganda miserável que nos oprime, devem ser louvados. Consciente, subconsciente, inconsciente ou asininamente, esta malta imagina que o Governo, ou parte dele, quis mesmo enganar a populaça. E que não teria encontrado melhor área para o fazer do que a da Educação, nem melhor forma do que através dum estudo que ficaria ao dispor de qualquer mariola para ser analisado e servir de prova condenatória. Parece que os estou a ver, os olhares malignos desses diabólicos governantes soltando fagulhas, a congeminar o genial plano. Primeiro, mandar um email onde se diga que o estudo é da OCDE. Depois, esperar hora e meia para enviar a versão corrigida. Pronto, ’tá feito. Mais uma brilhante manipulação do grande mentiroso – o qual, como é óbvio, óbvio e evidente, do que precisa é de repetidas situações onde se veja confrontado com insultos e ataques à sua imagem. Especialmente agora, particularmente na Educação e precisamente com peças propagandísticas com a tipologia do relatório em causa.

Parabéns, estais aptos a frequentar o ensino básico.

22 thoughts on “Os básicos”

  1. Abraço Valupi, a luta continua…

    sabes,

    eles não sabem
    que o mundo pula
    avança

    sempre que um homem sonha
    trabalha
    constrói…

    não podem saber

    estão congénitamente limitados suas analises
    cornudas

    de um poder de enganar

    cada vez mais dificil

    exactamente
    porque educação e a cultura
    se consolidam em esforços de medio e longo prazo…

    eles não sabem que o mundo já não é só deles

    e berram, estremecem, gemem por isso

    por seu passamento
    de que, baixinho,
    eles ainda não tem clara consciencia…

    abraço Valupi

  2. Na política há muita sujeira, podemos estar perante um boato abonatório do governo. A F.Câncio diz que não, usando ironia e sarcasmo, que são duas armas importantes para convencer a populaça, apelando à crença, mas carecem de rigor factual. Quem redigiu o primeiro e-mail? Quem passou cópia do e-mail ara os jornais? Quando esse e-mail foi divulgado já o segundo tinha sido entregue aos jornais? Se sim, quais os jornalistas que publicaram o primeiro conhecendo já o segundo?
    Peter Matthews é um perito da OCDE? Ele é que fez a avaliação. A Deborah (da OCDE) foi só convidada a comentar.
    Eu, como pessoa comum, não estou convencido de não se tratar de um acto de propaganda, porém tão toscamente elaborado que mais parece ser obra da oposição do PS.

  3. Caro Valupi, o bom do meu amigo está no seu papel que muito presa de limpar o terreiro da democracia de pavões.
    Dá chumbo quanto basta naqueles que considera e julgo que bem, os enfatuados que tudo sabem e muito mais opinam. Vivem disso todos sabemos, eles melhor do que nós.
    Mas, meu caro, porque lhe admiro a verve e a inteligência, permita que lhe diga que se desgasta em vão com caça menor. É tempo de elevar a mira e apontar ao verdadeiro problema. Que é este que anuncia,
    “E ver esta questão como um problema de segurança nacional não será exagerado”.
    Em bom rigor o que será a segurança nacional?
    Há muito boa gente que não sabe a diferença histórica entre o Conde de Andeiro e o Miguel de Vasconcelos. Há sapiente que responde “é o mesmo”.
    “Até apareceu uma autoridade como Freitas do Amaral a validar o processo”.
    Ora ai tem com que elevar o tema do regime, não lhe dá formigueiro ver tamanha personagem arrogar-se os méritos de ser o único que sabe discorrer sobre as competências dos governos de gestão? O Deputado Paulo Rangel com o livro bem aberto diz que se contradiz. Será? Que também é um Constitucionalista…
    Como diz o meu amigo que serve “bicas”, isso é muita areia para a minha carroça.
    Para o meu caro Valupi creio que, com seu elevado amor pátrio e genialidade em desfeitear os intrujas cá da terra, será como quem cuida de meninos porquinhos.
    Mas de todos. O drama não é ter quem nos governe é mais não ter quem bem governe.

  4. Histeria é o termo técnico mais adequado para descrever o frenesim descabeçado que a turma do bota-abaixo tem andado a patentear. Cheira-lhes que tudo pode ajudar neste momento para traçar um retrato odioso de Sócrates, que permita a curto prazo a Cavaco dissolver a AR e convocar eleições contra um PS abalado, desorientado e sem líder. Pensam, coitados, que foi por razões idênticas e em circunstâncias semelhantes que o Santana foi varrido de cena em 2005. Acham que é a única maneira de a Manuela poder ganhar as eleições em que vai arriscar o coiro.

  5. Nik, concordo consigo mas não no último parágrafo. Se o caso Freeport tiver de facto a finalidade de destruir politicamente Socra, as coisas vão arranjar-se para o PS ter nova maioria absoluta mas com outro lider, que aparecerá do nada, à última da hora, e que será alinhado com a adm. Obama. Tenho dito!

  6. acham e vão fazer tudo nesse sentido. Há uma diferença entre a direita e a esquerda no nível de baixaria de que são capazes, a direita é muito pior não olha a meios para alcançar os fins, e os fins são poder e carcanhol, legitimados nessa história da sobrevivência dos mais aptos, dos sacanas. A esquerda é púdica, reflexos da ética republicana. Qual será o património do filho da manela em Inglaterra? Investiguem, vá.

  7. A vovó nelita não tem a mínima hipótese. Em situações de crise só o PS tem possibilidades de dar a volta, porque dentro dele é que estão os políticos minimamente capazes de governar, à esquerda e à direita, que é como quem diz, os políticos que sabem interpretar melhor as directivas dos “investidores estrangeiros” dando a sensação que estão do lado do Povo. O PSD é muito “nacionalista”, muito do tipo “empresários do Norte”, casca-grossa.

  8. Caro Valupi,

    não te canses, pois dizer mal é sempre mais fácil do que enaltecer.

    O Sócrates, tem porventura a sina de todos aqueles que sobem acima da vulgaridade, e essa é por demais conhecida.

    Nunca vi ninguém escrever uma palavra apenas para enaltecer a coragem e o sacrifício de Guterres durante parte da sua passagem pelo governo no período em que atravessava uma crise familiar que não desejo a ninguém.

    Não encontras com facilidade gente que se reja por critérios de honra ou éticos no meio dessa matilha desenfreada que se atropela na ânsia de dizer mal de quem não comunga das suas ideias ou poderes.

    Muitos são os que hoje deixam cair lágrimas de crocodilo e que antes se sentavam à mesa do poder ou comeram das suas sobras, alguns até muito antes de 74.

    Por isso meu caro, espera com calma, pois a verdade é como o azeite vem sempre ao cimo, pena é, que na maior parte das vezes a bosta também consiga sobrenadar, mas tem sempre um fim a prazo, pois dilui-se no liquído em que o faz, e quanto mais puro, mais rápido é o seu desaparecimento.

  9. Valupi, já há uns aninhos que fiz o ensino básico. Ainda assim. Manobra de propaganda deliberada não terá sido. Como contou a FC, houve falhas na informação, e algum adepto da ministra mais entusiasmado com as políticas da dita terá confundido um estudo encomendado pelo governo com um relatório da OCDE. A questão não é, porém, essa. A questão é que em todo o lado apareceu essa informação (incluindo na pág. online do PS) e ela só foi desmentida quando a fraude foi denunciada… por outros. Se é tanta a bondade dos responsáveis políticos, deveria ter sido o ministério a esclarecer a confusão no imediato (talvez a própria ministra, quiça, durante a eufórica conferência de imprensa). De qualquer maneira, estamos perante uma situação caricata.
    Se era propaganda, só um parvo podia pensar que passaria impune
    Se foi erro de comunicação, só um parvo confunde um estudo menor com um relatório oficial da OCDE
    Se o erro de comunicação persistiu sem que ninguém ligado ao governo desse por ele, então há demasiados parvos ligados ao governo
    Seja qual for a hipótese, estamos entregues às plantas.
    Para além disso, a forma como no site do PS a notícia foi alterada (sem qualquer explicação) denuncia métodos demasiado revisionistas, pelo menos para o meu gosto

  10. Desculpa , V . Suponho que devo aclarar que não gosto de partidos. A minha visão das coisas não está paletizada por apoios a A ou B , está focada em ser bem governada ( já que tenho que gramar ser governada) e estas tuas incursões no mundo da defesa do indefensável , chateiam-me. Chamar a suposta namorada à defesa , então ?…Nunca ouviste falar em parcialidades?
    Em boca fechada não entra mosca. Resiste à tentação de responder imediatamente aos gritos. Deixa-os poisar. Entretanto até vês que estavas errado ( ou não) e respondes sensata e reflectidamente , sem bengalas manhosas.

  11. Ui, que há tanto tempo não me ria tanto, Z. A esquerda é mais púdica do que a direita por causa da ética republicana? Oh homem, até os anões fractais lhe devem perguntar o que andou a fumar

  12. e então Amilcar já que provém de Carthago e que percebe tanto de espirais de fumo incluindo dimensões de Hausdorff, fico curioso sobre o que poderá acrescentar, se é que pode,

    de resto folgo muito em fazê-lo rir, é do melhor que há para a saúde,

    fico à espera, mas cheira-me que o seu filho Anibal é melhor

  13. Dina, acertadíssima observação.
    __

    aires bustorff, nem mais: a luta continua.
    __

    Manolo Heredia, essa do boato abonatório do Governo pede uma estupenda imaginação. Parabéns.
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    ramalho santos, as problemáticas jurídicas estão sempre sujeitas a interpretações e alterações. Isso não significa que duas partes em confronto não estejam ambas de boa-fé e a dar o seu melhor.
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    Nik, a tese da dissolução da Assembleia é fascinante, porque aposto que ninguém sabe o que calendário seja melhor para quem.
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    Z, há boa e má direita, idem para a esquerda. A antropologia explica.
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    Exsocialista, minto em quê?
    __

    teofilo m., a calma é boa conselheira, inquestionável. Mas a fúria também pode servir a causa da justiça.
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    Ana, há também uma explicação simples, tão do agrado dos cientistas: o Governo é constituído por pessoas, e as pessoas erram. Estou certo em como concordarás que este caso é também uma originalidade, não nos recordamos de outros igual. Quer dizer, pois, que foi excepcional.

    Fazer do episódio mais uma ocasião para ofender pessoas na sua honra é que não tem nada de excepcional, antes tudo de ordinário.
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    mf, a que chamas de “indefensável”?

  14. para mim não há boa direita Valupi, a não ser como abstracção. Agora reconheço que a existência de direita faz parte da democracia, espero que seja minoria.

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