Um livro por semana 103

«Mata – um falar peculiar e outras curiosidades» de Manuel Barata

Houve tempos em que as localidades portuguesas aspiravam a ter uma Monografia. José Cardoso Pires fez da Monografia da Gafeira personagem do seu romance «O Delfim». Este livro de Manuel Barata, publicado por Edições Alecrim poderia ser a «Monografia da Mata». Existe na Mata (Castelo Branco) um falar peculiar. Esse é o ponto de partida. Na Mata diz-se acajadar por guardar, apalamado por adoentado, arrezoar por murmurar, assedento por mau-olhado, baldão por desleixado, banquinha por mesa-de-cabeceira ou burra por picota. Seguem-se algumas expressões populares (como sardinha no ar em vez de levar um estalo) e as alcunhas, os ofícios e as profissões do campo. Depois surgem os lagares de azeite, as mercearias, as tabernas, os cafés, as forjas, as oficinas., os sapateiros, os alfaiates, os barbeiros, os talhos, as serrações, os moleiros. Noutro capítulo recorda-se a festa do casamento que incluía o cortejo, os rebuçados, o copo de água e a terrina de sopa para as crianças. Segue-se a memória das casas: «uma porta de entrada e um corredor, no início deste uma porta que dava acesso a uma salinha e esta dava comunicação a dois quartos, um destinado ao casal e o outro aos filhos e/ou às filhas.» Também a memória das festas e procissões, danças e cavalhadas. Por fim os jogos e a culinária, o posto da GNR, a prática religiosa e a difícil sociabilidade dos seus habitantes: «A Mata esteve isolada durante séculos. A construção da actual estrada, que liga a povoação à EN 240 ocorreu já nos anos cinquenta. A anterior ligação era de terra batida. A Castelo Branco ia-se ao médico quando a coisa não passava com os remédios caseiros e rezas ou para tratar de assuntos importantes».

(Editora: Alecrim, Patrocínio: Junta de Freguesia da Mata e Intermarché (Os Mosqueteiros), Paginação e Design Gráfico: RIP 2000 Valentim Costa e Lourenço Lda.)

19 thoughts on “Um livro por semana 103”

  1. Obrigado Teresa! Amanhã espero não falhar com um abraço caloroso a tempo e horas. O Agostinho da Silva também nasceu a 13-2 e a Catarina Eufémia idem. Boa gente.

  2. numa 6ª feira 13? vai ser um ano marcante, faço votos de que seja um ano feliz pá, com saúde, alegria e afecto,

    Teresa: amanhã falamos mas até fiquei coradinho, aproveitares a deixa pra pumba, mas deixa eu é que sou misfit, e gosto da Carmen Miranda,

  3. Obrigado mas em 1951 calhou a uma quarta-feira, isto da sexta-feira treze é uma treta. As pessoas é que devem procurara a sorte com muito trabalho…

  4. Com tantos parabéns ao jcf – parabéns por ter ficado 1 ano mais velho? – não sobra nada para o Mata à Barata.

    Quando escreves “Na Mata diz-se (…) burra por picota”, que significado atribuis a picota?

  5. Não posso responder pelo autor mas o que eu percebi é que na Mata chamam burra àquilo que nas outras terras se chama picota – «engenho para elevar água» Também chamado «cegonha». Na minha terra Santa Catarina (C. Rainha) coloca-se uma pedra grande na ponta da picota para ser mais fácil a subida do balde cheio de água. E uma pedra pequenina no balde para ele entrar na água já torto e assim começa logo a encher…

  6. E na minha terra, no Alto Douro, chama-se mesmo um burro, assim mesmo no masculino, e continuamos a falar da picota dos mouros.
    Jnascimento

  7. Parabéns aos aniversariante: ao de ontem e também à de hoje. Longas e frutuosas vidas para ambos.
    Na Mata, chama-se burra à picota. Tal como o JCF a descreve, mas sem pedra no caldeiro. Para encher dava-se um jeito e a coisa fazia-se. Os meus avòs regavam as hortas tirando água dos poços pelo processo já descrito. Era muito duro. Eu próprio me ensaiei bastantes vezes.

    Abraço

  8. Obrigado. Só conhecia as palavras burra e cegonha para designar esse engenho e sempre me pareceu que picota era um lugar alto.
    No dicionário Houaiss vem picota como “pau a prumo que se usava como pelourinho e no qual se expunha a cabeça decepada dos condenados”.

    jcf, um tipo das Caldas é um caldeu?

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