«Vida e Morte dos Santiagos» de Mário Ventura
A partir de uma invasão espanhola no Alentejo em 1802 (liderada pelo conde de Godoy) começam os problemas de uma família que deixa de poder comprar e vender livremente cavalos nas feiras da raia de Espanha. Trata-se de uma saga familiar que envolve mais de cem personagens e um arco temporal de três séculos. Mário Ventura recebeu com este romance dois prémios literários: Município de Lisboa e Pen Clube Português. Há edições na «Caminho» e na «Casa das Letras» além do «Círculo de Leitores» desta história que não é apenas a história de uma família e da sua busca pela posse da terra mas também uma profunda reflexão sobre a condição humana: «Ter muita terra já é sinal seguro de riqueza mesmo que nela só cultives pedras. Terra é poder e contra ela ninguém pode nada. Tão certo como eu me chamar Custódio Santiago. Quando se começa a mexer na terra, só para a obrigar a dar o que ela muitas vezes não pode ou não quer dar, nunca se sabe que males nos vão acontecer.»
Sobre este livro opinaram António Mega Ferreira (Expresso), Baptista-Bastos (J.L.), Fernando Dacosta (O Jornal), Urbano Tavares Rodrigues (Colóquio/Letras), Fernando Assis Pacheco (O Jornal) além de Júlio Conrado que, no velho Diário Popular escreveu o seguinte: «Torranjo passará à História como território feudal de que se apropriou, na voragem de turbilhonantes contendas políticas, um cigano de apelido Currales, por força dos acasos do amor conhecido mais tarde, solenemente, por Custódio Santiago».
A propósito do livro de Brito Camacho surgiu a sugestão de Manuel Barata para que se recordasse melhor este belo livro, esta acontecimento literário. Fica a breve nota.



