Vinte Linhas 358

«Um ramo de amendoeira» de António Rego

Qualquer jornalista aspira ao recolher em livro da prosa corrida do efémero do jornal. António Rego (n. 1941) é jornalista e padre; daí este seu terceiro título (Edições Paulinas) que se junta a «Palavra entre palavras» e a «Deus na cidade». O ponto de partida é um olhar sobre o Mundo: «Parece mais fácil semear o terror que a esperança. E o caos pode tornar-se mais sedutor que a harmonia». Esse olhar começa por Portugal («Portugal não é uma repartição para envio de relatórios para Bruxelas. Somos pessoas, um povo») embora não se limite ao nosso canto na Europa: «A esperança de vida como que se voltou contra a própria vida ao oferecer tempo de sobra para nada fazer». Perante a informação diária negativa («Como povo parecemos cabisbaixos, sem perspectiva») urge «discernir os sinais para melhor se ler os acontecimentos que perturbam o olhar imediato dos homens e das mulheres, mergulhados na perplexidade desconcertante dos nossos dias». É que há sempre novos e diferentes aspectos numa realidade como, por exemplo, o futebol: «As coisas não são apenas o que são. São o que simbolizam mais as metáforas que escondem, os sentimentos que expressam, as explosões de apreço ou fúria que acordam num clube, numa equipa, num país, numa pátria». Ou então o mundo da justiça: «O Cristianismo liga o eterno ao quotidiano, inspira leis e gestos, sugere a conversão do real sem se enredar no peculiar que compete a cada profissão e a cada construtor da cidade terrestre. A justiça não é um problema prioritariamente burocrático». Fiquemos com uma nota final do jornalista/padre António Rego: «Cada um vê o mundo como quer. Conta-o como entende. Mas a nossa vocação é mais alta que as nossas histórias mesquinhas».

2 thoughts on “Vinte Linhas 358”

  1. Estes apanhados estão-no muito bem. Isto é que foi trabalho para, por exemplo eu, não ter trabalho nenhum a ler o livro. Como eu gosto.
    :)

  2. Ainda bem «lenor» basta um leitor ou uma leitora para ter valido a pena ter escrito. Porreiro, jovem.

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