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Ventura, o adivinho

Apesar de saber que a lei não permite o adiamento das eleições, em todo o país, Ventura continua a insistir que deviam realizar-se na semana seguinte. Em que se terá baseado para fazer esta proposta? Obteve alguma garantia dos responsáveis do IPMA, ou da Protecção Civil, de que as condições meteorológicas vão melhorar nos próximos dias? Impossível. As previsões indicam mais adversidade. Ou seja, apesar de ser o líder do segundo maior partido, comporta-se como qualquer outro taralhouco, nas redes sociais, adivinha. Fundamentar as decisões que toma é coisa que não lhe assiste.

Vai terminar a campanha em Alcácer do Sal. Será que vai garantir àquelas populações que no dia 15 o território já se encontrará sequinho? Claro que não. Mas acusar os imigrantes e os ciganos de, em conluio com os socialistas, terem raptado o anticiclone dos Açores, e de serem os responsáveis por tudo o que estamos a viver, não me espantaria rigorosamente nada.

O Ventura salvou a Luzinha e ninguém comenta?

Não costumo acompanhar as redes sociais do Ventura,  mas nesta campanha tenho estado atenta. Estou estupefacta com o silêncio da comunicação social e do comentariado relativamente a um vídeo que o artista em questão publicou hoje. Então o tipo salva um cão abandonado, filma-se com ele ao colo à porta dos novos donos, no caso uma deputada do Chega, e ninguém tem nada a dizer?!

Qual seria o tema do dia,  na badalada bolha mediática, se o protagonista do tal vídeo fosse o líder do PS, por exemplo? Ou o Seguro? Passaria despercebido? O silêncio da comunicação social, perante este tipo de acções do líder da oposição, seria grave em qualquer altura, mas no meio do que o país está a viver é muito revelador.

Não espanta que muitos comentadores, mesmo os que o criticam, façam questão de salientar a espectacular inteligência deste artista. Pois, assim é fácil. Omitem-se episódios como este e destaca-se com medalhas de louvor a sua magnífica eficiência. Com esta benevolência qualquer outro líder partidário faria sombra ao Einstein.

Isto aconteceu no dia em que Ventura apareceu a criticar o Marcelo por se ter ausentado do País. Diz o roto ao nu. Mas diz porque pode,  porque o deixam.

Os gatafunhos da Clara Ferreira Alves e coleguinhas

Para esta ilustre intelectual da nossa praça, o impacto da tempestade Kristin foi maior na região de Leiria do que em Lisboa e no Porto porque Leiria é uma cidade pobre. Ficámos, portanto, a saber que as árvores da região centro tombaram por serem pobrezinhas e que as de Lisboa e do Porto se mantiveram de pé por pertencerem a outra classe, são árvores ricas. Pedir a esta senhora para falar sobre o fenómeno que atingiu o País é pior do que pedir a um analfabeto que pegue numa caneta e escreva um poema,  é que o analfabeto pode ter alma de poeta.

Os colegas de programa revelaram, igualmente, que não gastaram um minuto a prepararem-se para falarem sobre este fenómeno. Caso contrário, podiam ter explicado à Clara que o impacto foi maior na região de Leiria porque foi por aí que passou o núcleo da tempestade e que se o mesmo tivesse passado por Lisboa ou Porto, muito provavelmente, estaríamos perante uma catástrofe ainda maior.  Não só por haver mais edifícios e estruturas para destruir como muito mais pessoas a circularem na rua àquela hora. Em vez disso, tentaram convencê-la, sem sucesso, de que Leiria não é uma cidade pobre…

Isto fez-me pensar na mensagem que a Protecção Civil enviou à população. Perante este nível de ignorância e iliteracia, que é generalizado, será suficiente avisar que se aproximam ventos de 140 Km/h, como se a população soubesse o que isso significa?

 

 

As empresas de sondagens já ganharam

Até há relativamente pouco tempo, uma sondagem que apresentasse um número de indecisos superior a 10 por cento não era levada muito a sério. Nesta campanha, o número de indecisos passou a ser irrelevante. Ontem, na CNN, no fim de apresentar as projecções para hipotéticos cenários de segunda volta, o jornalista afirmou com toda a descontracção que 50 por cento dos inquiridos tinham admitido alterar o sentido de voto. 50 por cento?! Que raio de valor tem o tal inquérito? Ora, para os comentadores, é como se se tratasse do resultado oficial das eleições. E, por estranho que pareça, os próprios candidatos também não as desvalorizam com muita veemência.  Se os resultados eleitorais confirmarem as projecções relativamente ao taralhouco do Cotrim de Figueiredo até eu me renderei a estas magníficas empresas.

Posto isto, por exclusão de partes, irei votar em Gouveia e Melo. Caso se confirme a necessidade de uma segunda volta, gostaria que o confronto fosse entre ele e o Seguro. Voltaria a votar nele.

Vergonha alheia

Vi apenas os minutos finais do último Eixo do Mal. Pedro Marques Lopes falava sobre o gravíssimo processo do juiz Ivo Rosa. Basicamente, repetiu o que escreveu no artigo da Visão, que o Valupi partilhou há dias. Ninguém o interrompeu, ninguém riu. Afinal, o assunto é sério, muito sério.

No minuto seguinte, o Luís Pedro Nunes escolheu falar sobre o julgamento da Operação Marquês. A risada começa imediatamente. Não tem nada para dizer a respeito do julgamento, quer apenas esclarecer que nem mil processos semelhantes ao do Ivo Rosa os impedirá de rebolar a rir com o julgamento de Sócrates.  Pelo meio, ainda insinuou que Sócrates anda fugido à justiça. Alguém sugeriu que ficou no Brasil para assistir ao espectáculo da operação policial, que tem sido notícia, e riram ainda mais. Porque, lá está, é outro assunto com muita piada.

Não sei qual foi o assunto escolhido pela Clara Ferreira Alves, mas pode muito bem ter voltado a falar sobre o insuportável ambiente nas caixas de comentários das redes sociais. Pois, o ambiente nos estúdios de televisão é outra loiça.

É virar os edifícios do avesso

Uma das recomendações que é feita ás pessoas cujas habitações calhem ficar na rota de um incêndio é que liguem os sistemas de rega. Ora, os únicos sistemas de rega que costumamos ver ligados, nessas circunstâncias, são as mangueiras e os baldes, usados à pressa por pessoas em pânico.

Vivemos numa época em que quase todas as tarefas estão automatizadas e a rega seja do que for não é excepção. Por que razão a tarefa de molhar as casas e terrenos circundantes não está também automatizada e, pelo contrário, continua a ser o mais manual e rudimentar que se consegue imaginar?

Não seria muito mais eficiente e seguro recomendar a instalação de aspersores nos telhados das habitações? Tal medida não facilitaria a evacuação das aldeias, uma vez que os que resistem o fazem para se certificarem que as casas estão molhadas? É ainda mais incompreensível se pensarmos que os aspersores são usados há décadas para prevenir e combater incêndios, mas apenas no interior dos edifícios, porque não no exterior?

Compreende-se que haja, e bem, leis que obriguem as construções a respeitarem regras anti-sísmicas, e nenhuma lei que obrigue casas isoladas e explorações pecuárias, no meio do mato, a terem sistemas de protecção contra incêndios? A lei apenas obriga a que se limpem os terrenos em volta, medida manifestamente insuficiente para travar incêndios cada vez intensos e velozes.

Se conseguimos levar água a todo o lado e regar hectares e hectares de culturas agrícolas com recurso a sistemas de rega cada vez mais sofisticados também conseguimos molhar aldeias minúsculas, de forma autónoma. Ou não?!

Carneiro, já mediste bem a bocarra deste Leão?

Acabo de ouvir Ricardo Leão a justificar a acção da Câmara que lidera, no Bairro do Talude, com o argumento de que há pessoas a vender barracas por 2 e 3 mil euros. Até custa fazer esta pergunta, mas a câmara prejudicou em alguma coisa quem andou a fazer barracas para vender?

O que o Leão nos está a dizer é que, perante este negócio ilícito, a câmara decidiu castigar quem em desespero de causa pagou um balúrdio por uma barraca. Ora, estas pessoas continuam a não poder pagar por uma casa, no concelho de Loures, ou nos concelhos vizinhos. É, portanto, legítimo pensar que alguns terão de voltar a pagar por outra barraca, ali ou noutro local. Estará o Leão a dar um empurrãozinho a este negócio local?

Qual é o prazo de validade do “não é não”?

Tudo indica que nesta campanha eleitoral voltaremos a ouvir juras de Montenegro, e de todos os militantes do PSD, que o “não é não” é a coisa mais sagrada do mundo. Contudo, o nome que mais entusiasma os mesmos militantes para substituir o actual líder é o de Passos Coelho.  O ex-deputado Duarte Pacheco garantiu há dias na RTP3 que se ele decidir voltar terá o partido a seus pés. Não é coisa pouca.

Ora, todos sabemos que para esse magnífico ex-governante uma aliança com o Chega é a coisa mais provável de vir a acontecer.

Em que é que ficamos? Porque os líderes passam, mas os militantes ficam, por que raio não assumem já a possibilidade dessa aliança, em vez de se armarem em virgens ofendidas se confrontados com tal hipótese?

Assim Montenegro tivesse um plano para o País

Confesso que pensei que o primeiro argumento que Montenegro usaria relativamente à sua actual participação na empresa da família seria o da falta de tempo. Afinal, é o primeiro-ministro de um país,  um cargo com uma agenda bastante preenchida. Mas não. Em vez disso, resolveu partilhar as ideias que tem para o futuro da empresa.  Não teria mal nenhum não fosse o caso de nunca o termos visto tão entusiasmado a partilhar as ideias que tem para o desenvolvimento do país que governa. Só lhe conhecemos as críticas ao governo anterior, denunciando a dificuldade que tem tido em despir o fato de líder da oposição. E o seu maior empenho tem sido o de alimentar a percepção de que os imigrantes, embora necessários, calculo que até na manutenção das suas vastas propriedades, são uns bandidos.

Mas, enfim, se calhar,  a culpa é do raio da lei que o impede de alterar o contacto telefónico associado à empresa.

Terá Montenegro reconduzido no cargo de director da PJ um perigoso extremista?

Luís Neves, actual director da Polícia Judiciária, recentemente reconduzido no cargo pelo Governo, desmentiu hoje, categoricamente, a teoria de que há uma relação entre a imigração e o aumento da criminalidade, em Portugal. Num universo de mais de 10 mil reclusos, apenas 120 são estrangeiros. Vivem, neste momento, mais de um milhão de imigrantes no nosso País.

O que levanta uma dúvida, onde é que o Governo obtém os números da criminalidade? Nas redes sociais do partido daquele senhor que hoje apareceu disfarçado de comandante da TAP? Aparentemente, nos dados das autoridades é que não é.

A direita boazinha

Foram várias as pessoas que, nos últimos dias, vi duvidarem das contas públicas que o novo Governo herdará. O primeiro que vi duvidar descaradamente da existência de um excedente orçamental foi Pinto Luz, actual vice-presidente do PSD. O último foi Braga de Macedo, ontem, no Tudo é Economia, esse brilhante ministro das Finanças de Cavaco, que tantas saudades nos deixou, a dizer que isso das contas certas… enfim, logo se verá.  Pelo meio, vários comentadores e jornalistas a deixarem no ar a mesma dúvida.

Estas pessoas não estão apenas a denegrir o Governo de António Costa, estão a pôr em causa várias instituições nacionais e estrangeiras que fiscalizam as contas públicas.

Depois questionamos por que razão um partido populista como o Chega teve o resultado que teve nestas eleições. Porque será? Culpa destas personalidades da direita boazinha é que não é!

Deixem o Montenegro em paz, coitado

É mais do que previsível que o tema central do debate, de logo à noite, será o dos cenários pós-eleitorais. Pois, mas o que importa saber não será discutido, que é saber quem será o próximo líder do PSD. Isto porque só no caso de a AD conseguir uma maioria sem o Chega é que Montenegro permanecerá à frente do PSD. Sucede que este cenário é altamente improvável. E em qualquer dos outros o mais certo é que o partido o substitua muito rapidamente.

Ao recusar-se a falar de cenários pós-eleitorais, que vinculariam o partido, Montenegro revela que sabe bem que o seu papel nesta campanha é o de ser o palhaço de serviço, algo que aparentemente não o incomoda.

Significa que, no dia 10 de Março, os eleitores que votarem na AD estarão na realidade a passar um cheque em branco à direita, Marcelo incluído.

 

Lágrimas de crocodilo

No Eixo do Mal, de ontem, o Daniel Oliveira afirmou, muito condoído com o que se está a passar na Justiça, que os comentadores deviam fazer uma “reflexão colectiva” sobre a forma como os casos judiciais têm sido tratados na comunicação social. Se não fosse trágico daria para rir. Ele e os colegas passaram o programa a repetir o que Sócrates anda a denunciar, há anos, relativamente à actuação do Ministério Público e do juiz Carlos Alexandre, em conluio com a comunicação social. Sucede que para estes isentos comentadores, na Operação Marquês, o Ministério Público e o famoso juiz fizeram tudo bem. Lá vão dizendo que não havia necessidade da detenção no aeroporto e de o terem prendido para investigar, mas nenhum deles tem dúvidas de que é culpado, não precisam do julgamento para nadinha e a presunção de inocência não se aplica a esta pessoa. E nem dão pela triste figura que fazem.

No caso das suspeitas de corrupção na Madeira, não hesitam, o Ministério Público esteve mal e o juiz de instrução esteve bem. Mas se o arguido se chamar Sócrates e o juiz for Ivo Rosa a coisa muda de figura e de que maneira. Que raio estará a impedir o Daniel Oliveira de reflectir sobre esta flagrante contradição?

Temos os comentadores mais isentos da galáxia!

Longe de mim duvidar do rigor e da isenção com que os comentadores analisam os debates. E só mentes perversas podem pensar que as notas que atribuem aos líderes dos partidos são dadas antes mesmo dos debates acontecerem.

Ainda assim, o meu palpite é que nos debates, de logo à noite, entre o Montenegro e o Paulo Raimundo, o Ricardo Costa, que escolho por me parecer de uma isenção à prova de bala, vai dar 8 ao Montenegro e 3 ao Raimundo. Já no debate entre Pedro Nuno Santos e Inês Sousa Real, 5 para o PNS e 8 para a Inês.

Quanto às avaliações dos restantes comentadores, não é nada fácil, mas aceitam-se apostas.

Nem o mundo da Barbie é tão fácil de governar como o da IL

Os comentadores estão encantados com a prestação do Rui Rocha nos debates. Tendo em conta a forma como o avaliam, estão satisfeitíssimos com as suas explicações relativamente à forma como pretende executar o seu programa eleitoral. Tira daqui, põe acolá, tudo simples e fácil.  O problema é o que fica por explicar. Dois exemplos:

Diz esta competentíssima pessoa que vai aumentar a produtividade. Seria de esperar que enumerasse algumas das causas que estão na origem deste problema. Que explicasse como as vai eliminar e quanto é que isso custará. Mas não. Esta medida executa-se por decreto.

Garante que vai reduzir o prazo dos licenciamentos. Como? Não explica. E se calhar é coisa para não sair barata. A menos que pense que os técnicos das câmaras municipais e de outras instituições envolvidas nos processos de licenciamento aceitem de bom grado trabalhar o dobro ou o triplo e que ainda lhe agradeçam no fim.

As questões para as quais não tem qualquer resposta nem sequer lhe são colocadas. Assim, de facto, vai continuar a encantar o comentariado.

Ventura, o cobarde

Não fosse alguém andar distraído, Ventura esclareceu ontem, no debate com a líder do PAN, que apoia a luta dos agricultores. Ou seja, este fanfarrãozeco de feira, que tem como bandeira principal o ódio aos imigrantes, diz que apoia quem os contrata.

Os imigrantes não vêm para cá para irritarem a chungaria. Vêm porque há empresários, dos mais variados sectores de actividade, que os contratam e que deles dependem para continuarem a actividade. Mais, estes empresários afirmam que são necessários muitos mais imigrantes.  Ora, alguém ouviu alguma vez o corajoso e carismático líder do Chega vociferar contra estes empresários?

Uma vez que apoia a luta dos agricultores, por que raio não passa por um ajuntamento de tractores e aproveita para evangelizar os seus donos? Avisar que com ele a mandar os imigrantes são para esquecer. Que pode abrir umas excepções mas apenas para imigrantes que falem português fluentemente. Que nem pensem em islamizar a agricultura!

Pagava para ver isto.

O crescimento do Chega, nos Açores, também se deve à má governação?

Para a direita, a culpa do crescimento do Chega é exclusivamente do PS. São os descontentes com a governação socialista que têm feito crescer a extrema-direita.

Claro que com esta lógica estão a passar um atestado de incompetência a si próprios, mas como ninguém lhes pergunta por que razão esses descontentes decidem não votar PSD, pode ser que ninguém repare.

Ora, nos Açores, o Chega foi o partido que mais cresceu. Tudo indica que na Madeira o cenário é idêntico. Que explicação tem a direita para o crescimento do Chega nestas regiões? Má governação?

A Direita já pode dormir descansada, o 25 de Abril é nosso e só nosso!

Para o líder do PSD é “inaceitável” que um chefe de Estado estrangeiro discurse, na Assembleia da República, na sessão solene do 25 de Abril. Parece que é uma coisa só nossa, estrangeiro não entra. Pois, devia ser ao contrário. Todos os anos, devia ser convidado um chefe de Estado estrangeiro para discursar nas comemorações do 25 de Abril. Qual é o problema de se juntarem à nossa celebração os representantes de outros povos? Povos esses que inspiraram os que tanto lutaram pela nossa Liberdade. Ou foi o nosso Povo sozinho que inventou a Democracia?

Tratando-se do Presidente brasileiro, a recusa da Direita é ainda mais absurda. Só em dois anos, 2020 e 2021, mais de 100 mil brasileiros adquiriram a nacionalidade portuguesa. Aquilo a que o Montenegro chama povo também os inclui. Muito provavelmente, muitos desses brasileiros votaram e ajudaram a eleger os deputados que nos representam, incluindo os dos partidos de Direita. Será que são bons para votar mas para celebrar o 25 de Abril têm de ficar à porta? É que Lula da Silva também os representa.

O impacto ambiental da construção civil não é para aqui chamado?!

Se as casas desabitadas, em Portugal, estivessem todas juntas, estaríamos perante uma cidade enorme, com capacidade para alojar um quarto da população portuguesa. A questão que me ocorre é a seguinte: mesmo que não estivéssemos a viver uma crise habitacional, seria ambientalmente sustentável a manutenção desta autêntica cidade fantasma? A direita acha que os proprietários não só têm o direito de a manter tal como está, como pedem mais construção nova. Ou seja, os proprietários têm o direito de a ampliar se assim o desejarem.

Vivo numa zona, como tantas outras, cheia de crateras gigantes devido à extracção de areia e pedra. E estes recursos são só uma pequeníssima parte da matéria-prima necessária para construção da tal cidade fantasma. Basta pensar na quantidade de metais, de betão, de madeira, de plástico, de tintas, e de mais um sem fim de materiais. Mais toda a maquinaria usada para a extracção, transformação e transporte de todos estes materiais. Quantas pedreiras, minas, florestas, indústrias altamente poluentes, alimentam a construção civil? Qual é o impacto ambiental de tudo isto? Para a Direita, deve ser zero.

Já é penoso ver a minha serra, e tantas outras, a desaparecer, mesmo que a finalidade seja construir cidades para as pessoas habitarem. Mas saber que também é para construir edifícios que não passam de mais um investimento, dos respectivos proprietários, é revoltante!

Em resumo, o lucro do investimento em imobiliário é dos proprietários, o prejuízo ambiental associado fica por nossa conta. E, para a Direita, assim é que está bem.