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Santa hipocrisia

«Antes da primeira volta já eu tinha escrito um artigo em que dizia que não iria votar em André Ventura “porque sou um cristão substancial e não um cristão cultural". O cristão substancial sabe que as interpretações das Escrituras dão para quase tudo, excepto para isto: fingir que não se tem de amar o próximo como a si mesmo. O cristão substancial é simplesmente aquele que leva a sério a crença de que todo o ser humano tem em si uma centelha de divino – e por isso não pode ser humilhado, maltratado, desprezado.»

Caluniador profissional pago pelo Público

Se a pulhice pagasse imposto, teríamos o salário mínimo nos cinco mil euros, todas as escolas públicas com piscina e um hospital em cada bairro. Este fulano tornou-se numa estrela da indústria da calúnia precisamente porque escolheu a violência – muitíssimo bem paga – de atentar contra os direitos de personalidade, e outros, dos alvos políticos que lhe apareciam na mira. Para tal, foi explorador e amplificador de crimes cometidos por magistrados e jornalistas. Com isso provocou sofrimentos incomensuráveis nas pessoas que perseguia directamente, e que continua obsessiva e venalmente a perseguir, assim como nos seus familiares e amigos.

O exercício da difamação e da calúnia é permitido pelo Deus dos “cristãos substanciais”? A César o que é de César, pelo que se pode pecar à-vontadinha nos jornais e televisões e depois papar a hóstia e curar a diabolização em curso?

Na origem do Estado de direito democrático está o liberalismo como filosofia. Neste, nas suas origens, Deus é convocado para fundamentar os direitos inalienáveis de cada um, os direitos naturais. O que até então tinha sido um exclusivo privilégio de sacerdotes e reis passava a poder ser apanágio do mais miserável à nascença. Não é preciso acreditar em qualquer entidade divina para aceitar que o humanismo consiste em não fazer ao outro o que não queremos que nos façam a nós, por um lado, e em fazer ao outro o que queremos que nos façam a nós no plano dos direitos e garantias, a dimensão da liberdade, pelo outro. É o amor à lei, como expressão da civilização onde queremos viver juntos.

Ventura não tem hipóteses nem como PR nem como primeiro-ministro e, com o exemplo do Trump, o Chega só se desvanece

Se considerarmos o número significativo de notáveis e não notáveis que votaram em candidatos da direita democrática nas eleições presidenciais e o número de notáveis e simples votantes que vão mais uma vez rejeitar André Ventura (antigo comentador de futebol) liminarmente na segunda volta, é lógico apostar em que, numas legislativas, nem que os líderes dos partidos de direita sejam o equivalente à Miss Piggy os eleitores de direita irão votar no Ventura. Estas eleições presidenciais foram, bem vistas as coisas, uma espécie de armadilha em que Ventura se quis meter. Não presta para as instituições e demasiada gente vê, e viu, que não presta. E expressa-o nas urnas. Ventura vai para o palco e para todos os palcos para onde puder ir. No entanto, apenas mostra que o que quer é ludibriar, insultar, desestabilizar e utilizar a violência. E, pessoalmente, tornar-se ditador como o Salazar, esse indefectível das missas e da tortura aos contestatários. Voltar aos tempos do cardeal Cerejeira. Benzeduras por um lado e repressão e prisões por outro. Será isto um transtorno? Não sei. Ventura é um charlatão. Mas não vai ter sorte nenhuma.

Ao contrário do que se lê de vez em quando em escritos de pessoas muito sérias que acham que há razões políticas e sociais ponderáveis para muitos cidadãos apoiarem um aldrabão daquele calibre e que, se forem corrigidas as desigualdades o problema do populismo desaparece, os eleitores do Chega não são os ressentidos do sistema. Ressentimentos toda a gente mais ou menos tem e não é por isso que se olha para o autointitulado “quarto pastorinho” e se vê nele um personagem promissor enquanto primeiro-ministro, capaz de melhorar a vida de quem quer que seja. O mais provável é que, quem olha para ele com interesse, ache que ele é um justiceiro a puxar para o carniceiro e isso é bom (há muito sádico), ou que terá um emprego garantido ou lucros chorudos (ver o que se passa com Trump e os seus financiadores) ao apoiar a criatura e ao ser visto a berrar ao lado dele. Ventura e os seus equivalentes noutros países dedicam-se à venda de banha da cobra e encontraram na questão da imigração (que tem algo que se lhe diga, na verdade, tendo sido levianamente tratada em muitos países) e nos casos de transgressões de alguns políticos uma oportunidade para dizerem que são diferentes para melhor (mas na verdade para pior) da chamada “corja que nos governa desde o 25 de Abril”, prometerem o paraíso (militarizado), suscitarem raivas e ódios, despertarem o pior de cada um, e conquistarem votos entre os mais desinformados. Isto apesar de um olhar atento ao séquito do grande chefe não poder tranquilizar ninguém quanto à lisura dos respectivos comportamentos nem quanto às suas qualidades intelectuais e humanas. São maus e qual deles o pior. As redes sociais ajudam estes populistas por serem as plataformas de excelência para o escárnio e maldizer e por terem trazido à tona, e dado voz, a todo o lixo humano e ignorância que sabíamos existir.

Quanto lixo existe em Portugal além de 23% não sabemos ainda, mas diria que não haverá muito mais. A tal Miss Piggy da direita portuguesa coligada ganhará sempre ao Ventura. Como a possibilidade de aparecer na direita tradicional um Ventura dissimulado e com boas maneiras é remota (para já porque não teria a sua audiência, que gosta da má-criação) e, mesmo que surgisse, seria muito mal recebido pelo já declarado candidato a ditador, o Ventura estará condenado a liderar o Chega e a sonhar com a ditadura enquanto o problema da imigração se vai resolvendo. Os “ressentidos”, já agora, incluem muitos bolsonaristas brasileiros, como a advogada do grupo 1143.

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Dominguice

Se tivéssemos de identificar uma autoridade moral em Portugal, quem seria? O problema começa a montante: seria possível chegarmos a acordo do que significaria ser-se uma autoridade moral? Obviamente que não. Mas imaginando esse impossível, e calhando a definição ter fundamento e coerência, resultaria fatalmente inglório ir à procura de tal ser. Moralmente, não se conhece quem seja confiável, constante, corajoso. Há exemplos que se aproximam, cada um se lembrará dos seus, mas não existe uma figura que tenha reconhecimento comunitário nessa dimensão por palavras e actos. Não existe nas religiões, na justiça, na academia, na política, nas artes, no mundo das empresas e do trabalho, na imprensa.

Grave? Não. Grave é ir à rua, perguntar a quem passa o que seja a moral, e descobrir que quase ninguém elaboraria uma resposta acima da indigência intelectual.

Puta que pariu foda-se caralho

Advogados rejeitam proposta do Governo sobre multas por atrasos na justiça

Isto está a acontecer contando com o silêncio cúmplice do sistema partidário, do editorialismo e do comentariado.

Um Governo propõe uma medida lesiva dos direitos dos cidadãos e da prática da advocacia só para tomar partido perante um processo na Justiça que está a decorrer. A Operação Marquês sempre foi um processo político por decisão dos poderes políticos na Presidência, Governo e Parlamento em 2013 e seguintes. Em 2026, atinge o zénite do despudor.

Como tal se tornou possível? Porque o regime e a sociedade não só aceitam como querem que haja uma condenação independentemente de ter ou não sido feita a defesa de Sócrates num processo justo em que se cumpra o Estado de direito democrático e a Constituição.

Amor de pai

«O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho vai manter-se em silêncio na segunda volta das eleições presidenciais, que vão ser disputadas por António José Seguro e André Ventura a 08 de fevereiro.

"Não desejo fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais", escreveu o ex-líder do PSD e do Governo em resposta a uma pergunta escrita da agência Lusa.

Passos Coelho não fez qualquer declaração sobre as eleições presidenciais até domingo, dia das eleições, devendo manter a mesma postura relativamente à segunda volta.»

Fonte

Porquê? Porque Passos não pode dizer “Votem Ventura”. Nem pode dizer “Votem Seguro”. Nem pode dizer “Não votem Ventura”. Nem pode dizer “Não votem Seguro”.

Porquê? Porque Passos criou o Ventura, o qual criou o Chega. E depois Passos olhou para a sua criação, directa e indirecta, e gostou do que viu. Passou a proteger as suas crias, as quais correspondiam ao amor do pai com paixão fervorosa.

Não se peça a um pai para fazer mal ao seu filho. Só Deus se lembraria de crueldade tamanha.

O novo líder da direita? Não, não és, André Ventura (à atenção dos 39% que, não tendo votado Seguro, não votaram no Ventura)

Com a ida à segunda volta, André Ventura, o demagogo, rodeado de gente boçal que não se recomenda, vai apelar a que a restante direita vote nele para, se isso acontecer, poder dizer que é o grande líder e que Montenegro já era*. A verdade, porém, é que os votos somados do Marques Mendes, do Cotrim e do Gouveia e Melo dão 39% do eleitorado. Ventura não foi além dos 24%/25% (se tomarmos em consideração os votos da emigração, ainda não conhecidos). É certo que nem toda a gente que votou no almirante, como eu, ou no Cotrim pertence à chamada “direita”, mas, para efeitos deste post e do que Ventura deseja, chamemos-lhe assim.

Sem grandes simpatias pelos votantes no Marques Mendes e no Cotrim, penso, no entanto, que a afinidade deles com Ventura será pouca e, se alguma há, não será suficiente para os levar a votar nele massivamente. António José Seguro deverá, pois, ter a Presidência ganha.

Ora, olhando para a actuação do grande ídolo dos populistas aldrabões de hoje em dia e ídolo confesso do Ventura, Donald Trump, olhando para a violência, as injustiças, a corrupção (sobretudo a corrupção desbragada), o fascismo que instaura na América e que saltam à vista de todos, espero sinceramente que os votantes naqueles três candidatos tenham juízo e não alimentem, na segunda volta, as ambições e o ego perturbado do Ventura. Um tipo que mistura idas fiéis à missa e a imitação/inveja de “videntes” de aparições do outro mundo com saudações nazis e apelos a intervenções musculadas das polícias, com uso facilitado de armas, insultos soezes e convites a decapitações de adversários políticos, sem freios na linguagem, sem problemas em apelar ao que de pior existe no ser humano. Um demagogo perturbado. Não alimentem o Ventura, por favor. Também eu votarei em Seguro na segunda volta sem motivos de monta para o admirar (a não ser, para já, a sua incontestável coragem). Qualquer candidato que, ganhando, evite a chegada a um cargo de poder da aberração Ventura tem que merecer o nosso voto. Mesmo que o motivo seja apenas esse.


*Não lamentarei nada o dia em que Montenegro “se vá”. É um incompetente e, com o que se conhece da Spinumviva, um vigarista sem perfil para o cargo. Mas estará sempre vários pontos acima do Ventura, enquanto for democrata.

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Dominguice

Corina Machado entregou mesmo a sua medalha do Nobel da Paz a Trump. Em simultâneo, ambos ofereceram à História um dos momentos mais absurdos e patéticos de que há memória. Mas a coisa teve um epílogo que eu não teria sido capaz de imaginar. É que ela saiu da Casa Branca com um saco daqueles que se dão em qualquer pronto-a-vestir – onde no exterior se via a assinatura de Trump, e no interior transportava bugigangas. Ou seja, a senhora trocou uma medalha de ouro com o seu nome gravado, símbolo de uma das mais prestigiantes honras mundiais, por um saco cheio de quinquilharia do marketing MAGA.

Fiquei a admirar Trump neste episódio. Porque tratou Corina Machado como um dejecto ambulante, sorridente e de saco na mão. Fez-lhe justiça.

Seria lindo

Concordo a 300% com a Guida: a melhor segunda volta possível é Seguro-Gouveia e Melo. Mendes-Ventura, Cotrim-Ventura, Mendes-Cotrim, seriam experiências traumáticas. Seguro contra outro qualquer da direita, é apenas triste. O confronto interessante, com potencial para ser fascinante, seria entre o fulano com dificuldade em se dizer de esquerda, apoiado por passistas e com excelente imprensa entre os direitolas, e o outro fulano que promete, que lança uns fogachos, mas que continua a ser uma incógnita.

Seguro conseguiu recuperar votos no PS e consolidar quem vota PSD pragmaticamente porque não se comprometeu com nada que tivesse alguma importância para a República. Disse merdas convencionais, inanes, e isso agrada a quem vê nele a escolha sem risco. Seguro é conhecido, faz parte da fauna política, pode ficar em Belém a brincar aos estadistas corta-fitas. Já o almirante não foi carne nem peixe, mostrou muita dificuldade em perceber qual era o seu papel (talvez ainda assim continue) e para as pessoas que não querem perder tempo com a política aparece como um tipo esquisito. Se fosse só uma farda a salvar-nos do virus, poderia ter colhido o fervor messiânico. Tendo que tomar posição sobre a miséria institucional que atravessamos, perdeu o voto dos borregos.

Vai acontecer? Não, infelizmente.

As empresas de sondagens já ganharam

Até há relativamente pouco tempo, uma sondagem que apresentasse um número de indecisos superior a 10 por cento não era levada muito a sério. Nesta campanha, o número de indecisos passou a ser irrelevante. Ontem, na CNN, no fim de apresentar as projecções para hipotéticos cenários de segunda volta, o jornalista afirmou com toda a descontracção que 50 por cento dos inquiridos tinham admitido alterar o sentido de voto. 50 por cento?! Que raio de valor tem o tal inquérito? Ora, para os comentadores, é como se se tratasse do resultado oficial das eleições. E, por estranho que pareça, os próprios candidatos também não as desvalorizam com muita veemência.  Se os resultados eleitorais confirmarem as projecções relativamente ao taralhouco do Cotrim de Figueiredo até eu me renderei a estas magníficas empresas.

Posto isto, por exclusão de partes, irei votar em Gouveia e Melo. Caso se confirme a necessidade de uma segunda volta, gostaria que o confronto fosse entre ele e o Seguro. Voltaria a votar nele.

Declaração de voto

Estas eleições presidenciais são uma desgraça, mas evoluíram para se evitar a tragédia, segundo as sondagens. A tragédia seria termos uma segunda volta com Marques Mendes e Ventura (entretanto, viemos a saber que seria igual tragédia calhando passarem Ventura e Cotrim de Figueiredo). Assim, passando Seguro, como parece ser o mais provável, evita-se o mal maior, pode-se ir votar sem ser branco ou nulo.

Seguro é uma desgraça. Se ganhar, vão ser 10 anos de nulidade intelectual e empáfia moral na Presidência. Irá vingar-se do PS, ou de algum PS, e fará da função um exercício puramente narcísico, vácuo, espelho do seu percurso político.

Gouveia e Melo talvez também se revelasse uma desgraça em Belém, tendo largado grossos disparates na campanha à mistura com declarações muito relevantes. Mas nele reside a única esperança de levar para a função a defesa do Estado de direito democrático. Não por mérito próprio, tão-só por ter ao seu lado vários que têm sido paladinos corajosos dessa causa fundamental. Por essa razão, porque numa primeira volta o voto deve ser apenas guiado pela convicção, votarei nele. É o mal menor no boletim de 18 de Janeiro.

Pensei o mesmo quando vi

«Ao longo de demasiados anos as pessoas com experiência de doença mental ou défice cognitivo deparam-se com estereótipos e preconceitos que condicionam a sua integração social. O impacto do estigma na vida da pessoa com experiência de doença mental pode ser tão prejudicial quanto os efeitos diretos da própria doença. Muitas formas de os discriminar têm sido usadas, incluindo frases pejorativas, abundantemente também usadas para insultar quem tem ideias e comportamentos diferentes.

Estigmatizar não esclarece, não protege e não transforma. Pelo contrário, afasta, silencia e perpetua o sofrimento. Se queremos sociedades mais saudáveis e justas, é preciso acabar com este tipo de campanhas, substituir o rótulo pelo encontro e o preconceito por responsabilidade coletiva. Combater o estigma é, em última análise, um exercício de humanidade, a favor da causa ambiental e da saúde mental.»

“Atrasados ambientais”: quando a linguagem adoece

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