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Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Só se enganou na última frase

«Há alguma mão invisível que o PCP veja que esteja a funcionar em termos de Justiça?
Não sei se é mão invisível, mas uma gestão política destes casos acho que há. É uma evidência. Basta ver que, nas várias sequências de “casos e casinhos” que têm surgido, diferentes uns dos outros, nalguns casos são notícias requentadas com mais de dois anos que voltam a surgir com uma nova dimensão que não têm ou que podem não ter. Há aqui um problema mais de fundo.

Estamos perante uma situação que mina o próprio sistema democrático, mina a democracia e quer arrastar todos para o lamaçal. Essa é que é a questão de fundo com que estamos confrontados. É preciso, primeiro, que a Justiça cumpra o papel que tem — e está a fazê-lo —, que tenha meios para isso, mas simultaneamente, também não procurar desviar a atenção para o centro destes casos que todos os dias vão surgindo, desviando daquilo que é fundamental, que é a situação das pessoas e a situação do país.»

Fonte

“Ser o centro do mundo?” Ó Moedas, não acertas uma

Moedas assume que vai gastar rios de dinheiro com a Jornada Mundial da Juventude católica. Tudo bem, ou tudo mal, porque o que é certo é que o evento já fora agendado antes do início do seu mandato e, com a pressão e o entusiasmo do Presidente da República, já se tinham previsto gastos de milhões desta forma incompreensível. Mas esses rios de dinheiro, sabemos agora, deverão muito do seu caudal, seguramente aumentado, a um palco-altar cravejado de diamantes (ou assim parece), este sim, da exclusiva responsabilidade do Moedas, que, apertado, diz agora que é o preço a pagar para sermos “o centro do mundo” numa semana de Agosto.

 

Alto lá! O centro do mundo? – pergunto eu e perguntar-se-iam, se ouvissem, os atónitos asiáticos, indianos e africanos que nem sabem do que se trata.

Convém esclarecer este autarca por acidente que dos milhares de milhões de habitantes deste planeta Terra (7.667.136.000 de pessoas no final de 2020), apenas 1.359.612.000 são considerados católicos, isto segundo contas da própria ICAR, que deve tomar por base o número de baptizados. A este número há naturalmente que subtrair os que, apesar de baptizados (numa idade em que não tinham escolha) nada têm que ver com a Igreja ou o catolicismo ou sequer qualquer religião.  Suponhamos então que serão, com uma boa dose de generosidade, um milhar de milhão de almas. Se considerarmos que neste número se inclui toda a hierarquia da Igreja, os “pastores” e equiparados, ou seja, os funcionários da máquina, não há qualquer hipótese de as Jornadas da Juventude católica fazerem da cidade onde se realizam “o centro do mundo”. Apenas entusiasmarão e interessarão, eventualmente, a menos de 15% da população mundial. Eu, baptizada em bebé, nunca jamais em tempo algum ouvira falar destas jornadas, estou zero entusiasmada com elas, a bem dizer estou indignada com o desconhecido contributo da Igreja portuguesa para as despesas, e, se possível, estarei longe daqui nessa altura.

 

Tomemo-las, pois, pelo que são: eventos da Igreja (em todos os casos chamados “celebrações”) para angariação de adeptos jovens (como Fátima é para angariação de fundos e propaganda), dada a escassez de sacerdotes e também de fiéis, estes sobretudo na Europa civilizada (a par de embrionariamente islamizada, dirão alguns). Não há, pois, razão para serem todos os cidadãos contribuintes a pagar isto, nem centro do mundo nenhum que justifique tal coisa carérrima em forma de rampas a que chamam altar e palco.

Ficará para a cidade? Como? As Misses Mundo, uma possibilidade em tudo profana e talvez escandalosa para se rentabilizar de futuro o investimento de 5 000 000 € num altar religioso, não costumam desfilar em planos inclinados. Não há uma boa justificação para este gasto. Só pode haver uma má, portanto.

Vamos lá a saber

Como é que a marca “Pedro Nuno Santos” ficou após assumir que no começo do caso — e até à ida de Christine Ourimières-Widener ao Parlamento, onde garantiu ter provas por escrito da concordância do Governo — “não se lembrava” de ter aprovado, por WhatsApp, a indemnização de Alexandra Reis na TAP?

Chegou a este ponto

Chegou ao ponto de Ana Drago, que não gasta uma caloria de simpatia com o PS, sentir que tem de denunciar a politização do Ministério Público, o qual está a interferir conspirativamente contra o regime, contra a democracia, contra a liberdade dos cidadãos: Há perguntas a que o Ministério Público deveria responder

Claro, Ana Drago poderia ter publicitado a mesmíssima denúncia a respeito de tudo o que foi feito contra Sócrates, logo a partir de 2008, em cima da chegada de Ferreira Leite ao PSD e ao lançamento da bandeira da “verdade” por Cavaco e pelo laranjal. Foi esse o contexto político do Face Oculta, uma operação desenhada para perverter as eleições de 2009 através da colocação do então primeiro-ministro como arguido de um crime inventado em Aveiro por um Vidal. Especialmente, é impossível a quem agora regista o óbvio ululante das coincidências dos calendários de certos agentes da Justiça com os actos eleitorais, e a quem denuncia o deboche dos crimes cometidos por magistrados e jornalistas na violação do segredo de justiça, não ter percebido a completa utilização do poder policial e judicial para montar o que é, essencialmente, um linchamento político e uma tentativa de criminalização de um partido.

A Mota-Engil não é católica, pelos vistos

Um palco/altar de diamantes. Assunto por excelência para o Marcelo comentar. Vou estar atenta:

O altar-palco onde o papa irá celebrar uma missa este Verão vai custar mais de 4.2 milhões de euros à Câmara Municipal de Lisboa (a nós, portanto) e não há ingressos nesse evento (de católicos) que o paguem, nem contribuições de empresários católicos. Ao mesmo tempo, lembramo-nos de como o Presidente da República ficou ufano com a realização da chamada Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, que obrigaria a gastar milhões. Agora, só com o palco é que nunca imaginaríamos.

 

A Câmara Municipal de Lisboa já se comprometeu a gastar até 35 milhões de euros em vários custos associados à organização da JMJ 2023.

O valor pago pelo altar-palco é muito superior ao que foi pago em 2010 para a instalação do palco para a missa do então Papa Bento XVI. Na altura, a obra custou entre 200 e 300 mil euros, tendo sido paga através de uma angariação de fundos entre empresários amigos da Igreja.

 

Mais adiante na notícia dizem que o palco ficará para a cidade. Mesmo assim, um novo palco que ninguém pediu por 4.2 milhões? E por ajuste directo?   Onde anda a PJ quando é precisa?

Saberão aquelas pessoas que lá irão estar que não vão para céu nenhum quando morrerem a não ser o dos pardais?

Coitadinha da Joana Marques Vidal

Sinto as dores de Joana Marques Vidal. Foi escolhida por um certo primeiro-ministro e um certo Presidente da República para apanhar um certo homem e cumpriu exemplarmente. Ao sair, em 2018, o homem já tinha sido posto no chilindró durante dez meses e estava política e socialmente destruído. É agora um pária em terras nacionais, à espera que a Justiça enterre o mais fundo que conseguir o trabalhinho feito por Carlos Alexandre a mielas com o mandato da santa Joana.

Mas não só, a missão era extensível a todo o PS. Quando Paula Teixeira da Cruz, então ministra da Justiça (!!), resolveu associar as buscas feitas pela Polícia Judiciária nas casas de Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos — buscas que tiveram cobertura mediática em direto — com a bandeira passista do “fim da impunidade” estava, acto contínuo, a julgar e a condenar sumariamente esses ex-governantes socialistas. Passados 10 anos do início da operação “Buraco no Asfalto”, a única coisa que o Ministério Público conseguiu provar foi que todos os investigados não tiveram qualquer recebimento financeiro ou de vantagem pelas decisões tomadas para a construção das auto-estradas do Norte e Grande Lisboa. O processo ainda não foi fechado nem deu origem a uma acusação porque é útil politicamente, aparecendo notícias dele em períodos eleitorais ou se algum alvo tiver protagonismo que possa ser explorado contra o PS ou um Governo socialista. A Senhora da Cruz fez o que não há memória de mais nenhum governante ter feito em democracia, para mais sendo a responsável da pasta onde ainda menos o poderia fazer em nome do juramento que proferiu na sua tomada de posse, e não sentiu sequer uma leve brisa de escândalo. À sua volta, os impérios de comunicação da direita rejubilavam com a pulhice, espalhavam e amplificavam as calúnias em subtexto, enquanto o PS de Seguro concordava calado e a esquerda pura e verdadeira concordava sorrindo.

Este o ecossistema decadente onde Joana Marques Vidal se tornou uma estrela brilhante das capas do esgoto a céu aberto e restantes imitadores. A Vidal, o Calex, o xerife da bigodaça, qualquer um que mostrasse serviço na caçada aos “socráticos”, foram festejados como heróis de uma luta contra um partido tratado como agremiação criminosa à boca cheia. No final do seu mandato, viu um ex-Presidente da República e um ex-primeiro-ministro a dizerem que só a santa Joana é que conseguia lutar contra o polvo socialista, só ela é que era íntegra e corajosa o suficiente para lidar com tão perigosos agentes do mal. Pelo que devia ficar pelo menos mais seis anos a engaiolar essa bandidagem com covil no Rato, de preferência tornando-se a procuradora-geral da República vitalícia. A campanha não teve sucesso mas foi todo um programa.

Chegados a 2023, o Ventura nascido no e do passismo radical é o herdeiro mais eficaz da aposta no “fim da impunidade”, enquanto Lucília Gago comanda uma máquina de entalar governantes socialistas que ameaça derrubar de um dia para o outro o Governo de maioria absoluta daquela gente tão odiada pela “gente séria” e pelos “portugueses de bem”. Isto enche Joana Marques Vidal de dolorosa inveja. Afinal, ela precisou de uma maioria parlamentar, de um Governo e de um Presidente da República para erguer a sua obra, soltar os cães.

Revolution through evolution

Negative marital communications leave literal, figurative wounds
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Separation leads to significant but temporary gender differences in parent-child time
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HRT could ward off Alzheimer’s among at-risk women
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Deep meditation may alter gut microbes for better health
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Strict-sounding teachers worse in the classroom than kind colleagues
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Frequent visits to green space linked to lower use of certain prescription meds
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Can’t sleep? Try watching a suspenseful thriller
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Dominguice

As coisas mudam. Vemos as coisas a mudar desde que começamos a ver. Mudam à nossa volta, mudam dentro de nós, mudamos. E não temos qualquer garantia de que as coisas estejam a mudar para melhor, nem de que as coisas estejam mesmo a mudar para pior. Claro, o melhor e o pior podem surgir evidentes, fulgurantes. Como quando ou quando. Mas, porque as coisas mudam, o melhor pode levar ao pior, o pior ao melhor. O mais certo é levar a algo que não é o melhor nem o pior. Algo que é apenas o resultado mutável de as coisas mudarem. A mudança em mudança.

Neste sentido, as coisas não mudam.

Exactissimamente

«Um leitor defende que, sendo o PR eleito diretamente, ele deve poder interferir na composição pessoal do Governo. Mas não tem razão. O direito constitucional comparado mostra que a eleição presidencial direta é compatível com sistemas de governo presidencialistas (onde o PR governa), com sistemas híbridos (em que o Presidente compartilha da função governamental com o primeiro-ministro, responsável perante o parlamento) e com sistemas de índole essencialmente parlamentar, como o nosso (em que o PR não governa nem participa no governo, que é reserva do primeiro-ministro). Entre nós, o PR não é eleito para a função governamental, pois não é proposto por partidos nem na base de um programa de governo; aliás, quando um novo PR é eleito, ele "herda" o governo em funções, cujo mandato se mantém, que ele não pode demitir e em cuja composição não pôde obviamente interferir. A legitimidade política do Governo não deriva do Presidente, mas sim das eleições parlamentares, justamente disputadas entre partidos e na base de programas de governo.»


Vital Moreira

Mas qual é a razão para tão enviesado texto?

Ricardo Costa é um dos maiores especialistas mundiais em tudo o que diga respeito ao socratismo, provavelmente o maior tendo em conta a sua aquilina inteligência. Daí ter sentido a obrigação jornalística, e ética, de vir explicar o inexplicável, trazer a luz para dissipar as mais densas trevas que afligem o cidadão e o povo outra vez vítimas desse demónio ainda à solta: Sócrates foi à posse de Lula. Mas qual é a razão para tão estranho convite?

Quem perder os dois minutos necessários para ler a prosa vai chegar ao fim com a certeza de ter sido enganado. O título prometia dar resposta ao pungente enigma da presença do mais importante acusado pela Justiça portuguesa na posse de Lula e népias. Em vez disso, é servida uma das cassetes favoritas do mano Costa, a pugna para garantir que as audiências balsemadas jamais duvidarão da integridade, exemplaridade e perfeita justiça com que se montou, desenvolveu e concluiu a Operação Marquês. Eis o bastião donde dispara feliz da vida contra Sócrates:

«As semelhanças entre o processo Lava Jato e a Operação Marquês são inexistentes, exceto no facto de terem como arguidos um ex-Presidente e um ex-primeiro-ministro. No resto, são casos muito diferentes. Mesmo as enormes discussões jurídicas que originaram são muito diferentes. A acusação a Lula sempre foi muito frágil e acabou por ser anulada em instâncias superiores; a de Sócrates tem fragilidades no tema da corrupção mas é extremamente sólida, graças aos fluxos financeiros, no que diz respeito a branqueamento e potencial fraude fiscal.»

Ora, será escusado procurar na obra deste insigne jornalista, neste texto ou em qualquer outro, umas míseras linhas sobre a substância dessas “fragilidades” que admite existirem na acusação a Sócrates. Apenas deixa como pista serem relativas ao tema da corrupção. Tal, de imediato, nos leva a concluir que o mano Costa se está realmente a marimbar para as aludidas fragilidades pois os seus neurónios e coração estão focados naquilo que é a versão do Ministério Público. E que reza assim: “Mesmo que não tenhamos conseguido provar qualquer acto de corrupção, isso não impede que o alvo seja condenado por branqueamento, um crime que implica necessariamente a corrupção mas que aqui fica implícito para que se consiga levar até ao fim o auto-de-fé.”

Imaginemos que num universo paralelo existe um outro Ricardo Costa em tudo igualzinho a este, apenas diferindo na honestidade intelectual. Esse outro com ela, este sendo o que se sabe. Nesse universo o parágrafo citado ficaria assim:

«As semelhanças entre o processo Lava Jato e a Operação Marquês são poucas ou muitas, dependendo do critério valorativo aplicado na sua comparação. Começam em terem como arguidos um ex-Presidente e um ex-primeiro-ministro, e esses arguidos serem políticos de esquerda, e esses políticos serem líderes carismáticos com vitórias eleitorais históricas, e ambos terem sido investigados e presos com a febril excitação de uma direita radicalizada, e em terem sofrido as decisões de procuradores e juízes politicamente motivados para os limitar nos seus direitos de defesa e julgamento justo, e em nunca se terem provado as suspeitas e acusações que os levaram a passar meses na cadeia, e em terem sido ambos os casos explorados pela comunicação social de modo a que se efectivasse um julgamento popular em forma de linchamento. No resto, são casos obviamente diferentes no que respeita aos factos em causa e aos enquadramentos jurídicos respectivos. Mas até as enormes discussões jurídicas que originaram oferecem similitudes na forma como se tentou a condenação sem prova. A acusação a Lula sempre foi muito frágil e acabou por ser anulada em instâncias superiores; a de Sócrates tem fragilidades no tema da corrupção mas é extremamente sólida, graças aos fluxos financeiros, no que concerne ao assassinato de carácter do ex-primeiro-ministro e ao aproveitamento político contra o PS.»

Revolution through evolution

Call to address women’s reproductive needs holistically
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Managing emotions better could prevent pathological aging
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Fewer cases of melanoma among people taking vitamin D supplements
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Six minutes of high-intensity exercise could delay the onset of Alzheimer’s disease
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Placebo reduces feelings of guilt
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Feeling depressed? Performing acts of kindness may help
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Why chocolate feels so good – it is all down to lubrication
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Dominguice

Que acontece a quem se interessa por História? Acontece ver muitas vezes o mesmo filme. Sendo verdade que a História não se repete, apesar do que disse o outro, as histórias repetem-se. Algumas sem tirar nem pôr no que ao sentido e significados diz respeito. Eis a história mais repetitiva de todas, desde que há registos escritos, medalha de ouro do vira o disco e toca o mesmo: “Esta merda é do pior, sou o único que a pode resolver.” A medalha de prata vai para: “Esta merda está muita mal, está quase a rebentar.” E também temos uma medalha de bronze: “Esta merda está péssima, dantes é que era bom.”

A História é o antibiótico a usar quando somos infectados pelas histórias de merda.

Obviamente, pá, atão não

«Sempre me impressionou o seu racionalismo crítico e sempre me fascinou como se pode chegar à fé através da razão.»

Henrique Monteiro

Henrique Monteiro é, a par do Pacheco Pereira, outro especialista em Bento XVI que ocultou essa gnose catolicíssima durante décadas. Durante décadas, período em que foi director do Expresso e nesse estatuto se recusou a denunciar a Inventona de Belém, deixou que se cultivasse a imagem pública de ser apenas um bronco ilustrado. Afinal, secretamente, nas catacumbas da sua atormentada existência avessa a telefonemas com primeiros-ministros, tremia ao contemplar o “racionalismo crítico” com a chancela de Ratzinger, vivia fascinado com o choque entre Atenas e Jerusalém. Pimba, embrulhem.

Este Universo prega-nos muitas partidas, poucas tão de rebimba o malho como esta.

À atenção da academia

O presidente do PSD esteve 45 minutos a falar na SIC e é impossível reproduzir uma singular ideia laranja para os cidadãos que valha a pena discutir — culpa repartida com o jornalista que gastou grande parte do tempo apenas com a intriga. Isto, claro, se excluirmos a sua promessa de alinhar com o Chega calhando ter ocasião para o enlace.

São inúmeras as formas de fazer um resumo dessa chachada entrevista a Luís Montenegro. Escolho uma citação para tal: "Eu acho que o dr. Pedro Passos Coelho tem uma qualificação, eu posso dizer, quase única no País que o habilita a ser quase tudo aquilo que se pode ser numa sociedade, seja no sector público ou no sector privado. Neste momento está na docência universitária. Não tenho dúvidas que ele será um professor exímio. Eu acho até que a academia portuguesa devia aproveitá-lo melhor."

Também acho que o Pedro tem uma qualificação única no País, sem dúvida, e que a academia portuguesa o devia aproveitar melhor. Realmente, os sábios nacionais podiam montar equipas multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares para investigar com urgência o fenómeno do Entroncamento que consiste em ele ter sido o político que mais gravosa e debochadamente mentiu aos portugueses e ser hoje o D. Sebastião da direita decadente. Coisa tão abstrusa promete levar a descobertas científicas que espantarão o mundo e mais além.

Coisas do Carvalho

«Se é difícil prever o futuro, é possível constatar que a auto-suficiência ou a arrogância do primeiro-ministro nas últimas semanas, cristalizadas no “habituem-se” em pose de Luís XIV, estão em pousio.»


Director do Público

Manuel Carvalho usa um editorial para explorar e amplificar a armadilha de que Costa foi vítima quando deu a entrevista à Visão. O seu propósito é carimbar o primeiro-ministro como “arrogante”, agitando em prova aquilo que não passa de uma encenação totalmente da responsabilidade de um outro editor, no caso uma editora. Nem as palavras usadas na capa, nem a imagem de Costa captada pelo fotógrafo da revista, têm qualquer correspondência com o sentido do seu discurso e da sua prática política.

Se os editoriais ainda forem o que é suposto que sejam, gostava de saber daqueles que dão dinheiro para isto qual é o benefício que retiram de serem patrocinadores do sectarismo mediático e da fraude jornalística.

Minto, não gostava de saber. Não se deve perder o rico tempo com fanáticos.

Este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório