
A Visão – ou seja, Mafalda Anjos – criou uma capa onde se faz paródia com a imagem e algumas palavras de António Costa. O efeito pretendido foi verbalizado e expandido no próprio PS por um idiota inútil: Siza Vieira sentiu “desconforto” com “hubris” demonstrada por Costa em entrevista
Ora, logo a seguir ao jocoso “habituem-se”, fórmula retórica e sarcástica com décadas de uso na política nacional, de imediato Costa acrescentou duas ideias pedagógicas face à descontracção anterior:
1ª – “A democracia é isto: é respeitar os resultados e a vontade dos portugueses.“
2ª – “Devia haver um esforço maior para viver menos na comunidade virtual e mais naquilo que é a realidade da vida dos portugueses.“
Nenhuma dessas ideias poderia chegar à capa da Visão, ou de qualquer outro órgão de comunicação social, porque não têm conteúdo derrisório — para além de serem apelos à defesa e promoção do bem comum. Já o “habituem-se” faz a felicidade dos comentadeiros e dos direitolas (passe a tautologia) porque lhes permite despachar serviço com cagadas tecladas em 15 minutos ou menos. Uma cómica de um partido ridículo chegou ao ponto de fazer este número circense: Habituem-se? Pensava que Portugal era uma democracia
Mas há motivos para recear Costa, sem dúvida. É que ele continua a ser o preferido para governar o País, enquanto a direita chafurda no messianismo passista, no protofascismo venturino e na coisa-nenhuma liberal.