Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Eixo do Bem

Nesta emissão, a propósito do convite a Mário Machado para aparecer como atracção de feira num programa de diversão matinal na TVI, temos para a posteridade um grande momento de televisão da autoria de Daniel Oliveira. O efeito de dramatização foi conseguido numa mistura perfeita de ethos e logos onde o Daniel falou em nome das vítimas dos crimes do criminoso. Falou como um verdadeiro jornalista, daí o poder da sua intervenção. E que faz um verdadeiro jornalista? Usa a sua credibilidade para transmitir os factos e só os factos – sendo que também pertence ao domínio factual repudiar o que é ameaçador e abjecto e emocionar-se na defesa do que mais importa, assim tendo criado um pathos de natureza e alcance cívico. Pode-se carimbar como corajosa a sua intervenção, pois sim, mas para mim foi outra coisa congénere: foi bela.

Todavia, atribuo ao Luís Pedro Nunes o maior mérito no trio. É que o Pedro Marques Lopes esteve igual a si próprio, exemplar na muralha da cidade a combater em nome da decência e da liberdade. Não veio dele surpresa alguma. Veio foi do bronco, o qual provou que só é bronco quando quer. O Nunes apresentou um raciocínio que foi ao cerne da questão com precisão cirúrgica: o Machado é alguém completamente desqualificado para representar num espaço mediático generalista e sem enquadramento biográfico rigoroso qualquer ideia, donde tinha sido convidado exclusivamente pelo seu currículo criminoso. Tudo o resto que se dissesse sobre a questão, especialmente as manobras para confundir e perverter a discussão ao agitar a liberdade de expressão e ao atacar quem se tinha indignado, não passava da cumplicidade com a intenção de promover a figura ou o ganho de a ter utilizado comercialmente.

Impressiona nele a complexidade da análise por não ter comprometido a sua eficácia; pelo contrário, enriqueceu-a. Ora, o crânio donde saiu o naco de inteligência e honestidade intelectual acima em exibição é o mesmo que a propósito de Sócrates, pessoas com ligação a Sócrates, e ainda ao PS e a quem nele se realiza politicamente, só consegue despejar ódio e estupidez incontinente e inaproveitável. Porquê? Porque se apaixonou por Sócrates, porque tem medo de Sócrates, porque se casou com o papel público de carrasco de Sócrates e não se admitem divórcios nessa seita do fanatismo mediatizado paga pela indústria da calúnia.

Revolution through evolution

The distance between our values and the people we are is greater than we might think
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Make Taking Care of Your Brain Your New Year’s Resolution
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Loyola Medicine Physician Offers Top Ten Holistic Health Tips for the New Year
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When New Year’s Resolution Excitement Wanes, Social Media Can Boost Motivation
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Researchers locate the body’s largest cell receptor
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Canine volunteers contribute to patients’ care and comfort
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In Fimo, We Trust: Finally a Name for the Experimental Examination of Poop
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Exactissimamente

«Não passou assim tanto tempo para que os portugueses não reconheçam um fascista quando o ouvem falar e quando observam os sinais e os rituais de que se rodeia. Honra lhe seja feita, Bolsonaro não disfarçou coisa alguma: no seu discurso de posse disse exactamente ao que vinha, as suas ameaças foram claras, o seu instinto de ódio e perseguição, em nome de Deus e da “cultura judaico-cristã”, foi tão óbvio que não há disfarce possível. Antes assim: mais tarde, num futuro que só por sorte não será tenebroso, ninguém poderá dizer que foi ao engano. Não é por ser evangélico, por repetir à exaustão o mantra de “Deus acima de todos”, que o fascismo se torna cristão. Pinochet, Franco, Salazar eram todos devotos católicos e também eles gostavam de invocar o nome de Deus em vão — que, como se sabe, é pecado que brada aos céus. Não é por esgrimir a fé contra as “ideologias” — isto é, contra as ideias, contra a liberdade de pensamento — que o programa político de Bolsonaro deixa de ter a sua própria e sinistra ideologia. E é por isso que o ministro da Educação, indicado directamente pelos evangélicos, tem como tarefa limpar “o lixo ideológico” das escolas e servir às criancinhas a fé evangélica — esse embuste religioso inventado à medida de um país com largas camadas da população semianalfabeta. Se isto não é todo um programa político e ideológico, em tudo semelhante ao das madraças islâmicas, é só porque há quem o não queira ver.»

Deus deve estar zangado

O pior de 2018

O pior de 2018 foi não termos alguém do PSD (tanto fazia) e a Assunção Cristas a governar a malta. Com esse pessoal a despachar decretos-lei, os professores já tinham recuperado todo o tempo de serviço e o mais que se lembrassem de pedir, os enfermeiros passariam a tirar os pensos com muito maior delicadeza e carinho e quem pensasse em fazer greves a cirurgias (ou que fosse ao corte das unhas) seria tratado como efectivo criminoso, os magistrados do Ministério Público teriam Joana Marques Vidal firme no comando da PGR por mais 6 ou 60 anos (o tempo que levasse a exterminar a praga de corruptos com ninho no Rato), o valente Ventinhas poderia dedicar-se a tempo inteiro a comentar processos judiciais em curso e caluniar certos arguidos que ele não grama, e, claro, as 20 estações de Metro da Cristas (com um custo simpático de dois mil milhões de euros) estariam quase prontas.

Os direitolas, quando vão para a oposição, transmutam-se em paladinos do Estado, da coisa pública, do investimento nos serviços sociais em favor dos mais desfavorecidos. Ou seja, a direita na oposição mal se distingue das pessoas decentes. É, pois, lamentável que o PS não tenha deixado entrar à socapa nos Conselhos de Ministros alguém do PSD (tanto fazia) e a Assunção Cristas (ou deixá-la participar por SMS, feito artístico em que se terá especializado nesses dias de canícula em que só apetece piscina ou beira-mar).

Revolution through evolution

Nutrients in blood linked to better brain connectivity, cognition in older adults
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Getting the most out of spinach: Maximizing the antioxidant lutein
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Exercise may be as effective as prescribed drugs to lower high blood pressure
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What helps people live well with dementia
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Older adults make the same financial decisions for themselves and others, while young adults take more risks when making financial decisions for others
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Our universe: An expanding bubble in an extra dimension
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Science-Based Tips for a Better, Happier New Year
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Excelente ideia

O que aconteceu no dia em que nasceu? Saiba na capa do DN. E leve para casa

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Aproveito para dizer umas banalidades sobre a crise comercial do jornalismo, a qual amplifica e agudiza a crise deontológica da imprensa, a partir deste serviço do vetusto Diário de Notícias.

Começando pelo óbvio, só uma entidade com o passado do DN poderia cruzar a longuíssima duração (mais de século e meio) com a temporalidade personalizada (data de nascimento dos viventes). Quantos projectos comerciais podem oferecer o mesmo produto, a mesma experiência? Há anos e anos que o DN o faz mas, como a notícia acima ligada mostra, há espaço para alguma inovação. Depois, o serviço tal como actualmente está concebido não passa do triunfo da lei do menor esforço: limita-se à reprodução de uma capa, a que acrescem umas brincadeiras de composição, é um serviço estritamente mecânico quanto à sua logística e conceito. Ora, podia-se ir mais longe e criar um produto, em forma de livro, que fosse um resumo dos principais factos jornalísticos (portanto, sociais, culturais, históricos) que acompanham a biografia de qualquer pessoa, seja qual for a sua idade. Esse álbum diacrónico feito à medida de cada um poderá ser composto sem dificuldade a partir de diferentes critérios de personalização, criando um museu individualizado dos mundos exteriores dentro do nosso mundo interior, por um lado, e construindo e reforçando uma identidade comunitária e uma vocação cidadã. Finalmente, o DN poderia celebrar todos os centenários que adquirissem ou recebessem de presente a capa do seu dia de nascimento com reportagens sobre eles e até organizando uma festa/espectáculo onde, a cada ano, se visitasse o Portugal de há cem anos visto a partir do legado histórico do jornal. O património do DN, e de qualquer outro órgão de comunicação social longevo, é um incomensurável tesouro a ganhar pó por falta de inteligência estratégica dos donos e directores desses meios.

Assim como fico com a alma toda dorida ao ver a estupidez com que o jornalismo lida com o lixo intelectual, moral e cívico que enche as suas caixas de comentários (pista: a boa solução não é acabar com elas; precisamente ao contrário, deviam ser terrenos prioritários de intervenção dos jornalistas), assim me parte o coração assistir ao desnorte de quem está sentado em cima de uma das indústrias do sentido que nos liga uns aos outros e parece ignorar os famélicos que se encharcam com produtos de paupérrima qualidade, quase todos, e tóxicos, muitos.

É Natal, nem o Presidente leva a mal

Quase uma semana passada sobre as declarações de António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, na SIC Notícias (na terça-feira) e reiteradas na Sábado no dia seguinte - acusando PSD, PS e "os políticos" em geral de quererem "exercer represálias" sobre o MP devido "às investigações que visaram pessoas colocadas nos patamares mais elevados da nossa sociedade", e considerando tratar-se as ditas "represálias" de "uma reação normal do poder político ao combate à corrupção" -, não se ouviu dos partidos ou do PR um ai.

Fernanda Câncio

Se não me espanta a habitual falta de coragem do Partido Socialista e do primeiro-ministro em enfrentar os problemas do nosso sistema judicial, sobretudo em tudo o que diz respeito ao Ministério Público, fiquei surpreendido não só com as primeiras reações do Presidente da República (de primeiro ter falado em possível inconstitucionalidade da proposta e depois com a ameaça de veto), mas também com a ausência de condenação das declarações do presidente do SMMP. Se as acusações de António Ventinhas e as suas tentativas de condicionamento do trabalho da Assembleia da República não são um ataque ao regular funcionamento das instituições, o que será um ataque a esse regular funcionamento?

Pedro Marques Lopes

Revolution through evolution

Dancing may help older women maintain the ability to perform daily tasks
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Incidence of arthritis, heart disease, stroke – but not cancer – strongly swayed by psychological status
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Feeling alone linked to psychological and physical ills, but wisdom may be a protective factor
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Looking on Bright Side May Reduce Anxiety, Especially When Money Is Tight
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Certain Moral Values May Lead to More Prejudice, Discrimination
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Beyond the black hole singularity
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Low Skilled, Low Paid Workers of the World Don’t Unite, Research Shows
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Qual é o verdadeiro PSD?

1 – Questão principal: esta farsa grotesca montada pela tropa manhosa de instalados inescrutináveis que se alapou e usurpa a “centralina” da Justiça portuguesa – e que na realidade comanda hoje, em conluio descarado com a alavanca da comunicação social tablóide e mercantil, a Reação salazarenta à Democracia e aos genuínos valores cívicos de Abril (aqueles que não cabem em nenhum Partido, nem em nenhuma Ideologia política) -, pretensamente para lutar contra a politização da Justiça, não passa de um disfarce, com um enorme rabo de fora, duma estratégia raivosa e desesperada para defender a manutenção duma INSUPORTÁVEL judicialização da Política.
2 – Questão aparentemente secundária: as Instituições democráticas de facto não demonstram estar à altura deste magno desafio, nem nunca demonstraram estar, ao longo dos quase 45 anos consecutivos de Democracia que já levamos em Portugal.
Senhores Prof. Marcelo e Dr. Ant.º Costa: como dizia Sampaio (que também nada conseguiu neste domínio…), HÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DO DÉFICE e, no caso presente, para além do providencial Mário Centeno e do nosso (aparente?) “milagre” económico, sem dúvida! E a vossa ação, não se iludam, será julgada pela História muito menos pelas efémeras questões conjunturais e muitíssimo mais pelas consequências verdadeiramente estruturais do vosso Poder – de que esta questão da Justiça é inequivocamente a mais decisiva para o nosso Futuro como País, aprendam isto de vez.
3 – Questão aparentemente inexistente (mas “nada existe mais do que aquilo que não existe”): o PSD, em bom rigor, nunca passou de um Partido instrumental para a Reação, desde Sá Carneiro. O populismo foi sempre a sua marca identitária e todos os que não se conformaram com essa fatalidade foram-se afastando, desiludidos – Sousa Franco, Magalhães Mota, Sérvulo Correia, Mota Pinto, Helena Roseta, António Capucho e muitos outros nomes menos sonantes.
Na última incarnação desta cíclica realidade, o PSD foi tomado de assalto pelo pior ultra-liberalismo de raiz financeira e especulativa que, a coberto da (aparente) liderança de um fantoche agarotado e inimputável, rodeado de facínoras sem escrúpulos e “aPadrinhado” por um patriarca maganão e arrogante, amesendado em Belém, levou o País à beira da bancarrota económica, financeira e social, provocando uma perigosa situação de guerra fria civil.
Que ninguém se iluda, pois, com este hiato de decência protagonizado por Rui Rio: o verdadeiro PSD, o único que existe e sempre existiu, o único que conta, para além do folclore, é o que está subjacente aos Marques Mendes e Andrés Venturas de todos os tempos e de todas as épocas e que, mais tarde ou mais cedo, há-de regressar, sim, sob a batuta de um novo jogral, tipo Paulo Rangel, ou então de novos finórios bem respaldados pela “força”, como a Marilú Albuqueca, o Montenegro, um Carlos Alexandre, ou até, na pior das hipóteses, um Bruno de Carvalho ou um Mustafá.
Para quem sempre usou o PSD como disfarce democrático, o Rui Rio não passa de um empata, um pobre anjinho, pois claro…


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