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Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Dominguice

O Ministério Público está desde Fevereiro a usar um esgoto a céu aberto para pressionar agentes judiciários e políticos com influência no desfecho do julgamento de Sócrates. Os caluniadores profissionais de serviço ampliam e extremam os boatos lançados, repetindo a enésima campanha negra desde 2004 contra o mesmo alvo. Sempre que isto acontece, quantos tipos de crime estão a ser cometidos? Pista: não é só um, nem só dois, nem só três. Ninguém fala nisso na imprensa, a cumplicidade é geral. Ninguém fala disso a nível partidário, a cumplicidade é geral. Ninguém fala disso no convívio social, a cumplicidade é geral.

Qualquer que tenha sido o crime cometido por Sócrates, se algum, inclusive eventuais crimes de corrupção enquanto foi primeiro-ministro, há muito se tornaram menos graves, e depois irrisórios, do que a quantidade e sistematicidade dos crimes cometidos por agentes da Justiça que gozam da conivência da corporação e do sistema político. Mas o mais provável é não ser possível provar lógica e directamente o que até hoje permanece sem demonstração – depois da mais absoluta devassa ter sido transformada num linchamento público e num julgamento de excepção.

E estas, hein?

Meloni acusa EUA e Israel de violação do direito internacional no ataque ao Irão

Joe Rogan keeps highlighting Trump’s biggest liabilities

Trump pensava que tinha em Meloni uma marioneta para atacar a Europa, a senhora mostrou que prefere o lado de Pedro Sánchez nesta guerra contra o Irão encomendada por Israel. Notável.

Joe Rogan, como se refere no artigo, foi muito importante para a reeleição de Trump. Pois isso não o impede de ser, desde 2025, um crítico implacável dos abusos grotescos da actual Administração. Isso é tão mais admirável quanto o seu patrão na UFC é Dana White, um dos mais próximos aliados mediáticos de Trump. Acresce à coragem de Rogan o facto de se ir fazer um espetáculo de UFC na Casa Branca em Junho, algo que anda a ser preparado desde o ano passado. Incrível parrésia.

Valha-nos o Garcia Pereira

«Para o magistrado, as mensagens em causa não constituem qualquer incitamento ou ameaça contra as minorias que visam. “Afirmar-se que determinado grupo de pessoas tem de cumprir a lei corresponde a uma evidência aplicável não só a esse grupo de pessoas, como a todos os cidadãos”, lê-se no seu despacho, que nega que o Chega estivesse a sugerir que a comunidade cigana viva fora da lei: “Não se afigura possível extrair essa conclusão. Quando muito, essa conclusão resulta de sucessivas declarações públicas de André Ventura, que ao longo dos anos terá caracterizado anteriormente os ciganos como uma comunidade que ‘vive de subsídios’ e à margem da lei. Todavia, os cartazes em momento algum afirmam que ‘os ciganos não cumprem a lei’."»


Cartazes do Chega: “Despacho do MP podia ter sido escrito por militante do partido”

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Actualização: Relação confirma ordem de retirada de cartazes de Ventura. Decisão “reduz a pó a do MP”, diz Garcia Pereira

Passos e as reformas estruturais

Se o que se passou na Câmara Municipal de Lisboa entre Moedas, o Chega e Mafalda Guerra Livermore – com Moedas a garantir que a senhora foi nomeada por ser “competente” – tivesse ocorrido com pessoas do PS haveria um bacanal ininterrupto nas televisões, jornais, rádios até rolarem cabeças.

O Chega atrai criminosos, o PSD sente-se atraído pelo Chega. Realmente, só falta o regresso de Passos Coelho para consumar esta reforma estrutural já em curso.

Revolution through evolution

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Learning to Slow Down: Cold-Water Swimming Benefits Explored in New Study
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When Populist Rhetoric is High, Entrepreneurs Are More Likely to Dodge Taxes
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Dominguice

Passos Coelho disse que Montenegro era irresponsável, incapaz e que andava a querer brincar com o País. Isto aconteceu, e aconteceu depois de outras declarações assassinas contra o actual líder do PSD nas últimas semanas. Que significa? Que Passos acredita no que a sua claque anda a repetir desde 21 de Novembro de 2014: com ele no comando, é possível derrotar o 25 de Abril. Basta estar disponível para ir introduzindo cada vez mais violência na sociedade portuguesa. O Chega e a IL são os parceiros ideais para isso, o primeiro com os broncos na mão, o segundo com os patrões a babar. Não faltam polícias, procuradores e juízes prontos para repetirem o que se tornou a praxe desde 2004 – crimes cometidos por quem tem acesso a poderes totalitários que ficam sistematicamente impunes. O resto está controlado, uma imprensa toda alinhada à direita, sem excepção. Passos quer levar a sua criatura para S. Bento, ela provou ser capaz de explorar com inaudita eficácia eleitoral os instintos mais sórdidos e desumanos. É a hora.

Como outros já disseram, vem aí o Diabo. No caso, um demónio que é a maior fraude da política portuguesa.

Coisas do Carvalho

O julgamento de Sócrates caminha para a eternidade, agora com a renúncia de advogados em defendê-lo

Quem é o jornalista que mais vezes cita o caluniador profissional pago pelo Público? É o Manuel Carvalho. Que não apenas o cita, mais ainda o apresenta como referência moral e farol intelectual nas matérias que envolvam Sócrates ou alguém do PS. Já diziam os gregos, os iguais atraem-se.

No episódio da chachada que assina, acima exposto, o Carvalho quis juntar-se pela enésima vez ao linchamento de Sócrates e resolveu mostrar que o problema do caluniador profissional que chegou a presidente do 10 de Junho não está nele, está em quem o foi buscar ao esgoto a céu aberto para encher o pasquim da Sonae com a sua obsessiva e venal pulhice. Assim, chamou a jornalista Mariana Oliveira, da casa e apresentada como especialista na Operação Marquês, para dizer coisas. A senhora cumpriu o que dela se esperava, informando os ouvintes de ser já indiscutível que Sócrates é tudo aquilo que os caluniadores acharem que é, opinou sem hesitar. Os anos passados a estudar o Processo Marquês, e a falar com procuradores e juízes, cimentaram nela a convicção de que a imprensa tem a missão de ajudar o povo a querer muito que Sócrates seja arrastado para um calabouço sem se poder defender.

O Carvalho entusiasmou-se com a sintonia da colega e lançou esperançoso a pergunta sobre a possibilidade de se oficializar ser este um julgamento de excepção. Hitler, Estaline e Mussolini criaram tribunais de excepção, são exemplos inspiradores que certamente conhece e que lhe poderão ter vindo à lembrança.

Quando Passos e o Ventura tomarem conta disto, o Carvalho irá a correr candidatar-se a juiz no tribunal dos “Portugueses de Bem”, onde os corruptos do PS já sabem o que os espera: condenações excepcionais.

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Eu não diria mal da Europa

A propósito do recente ataque ao Irão (e de outros acontecimentos), ouve-se muitas vezes “E a Europa? Não diz nada, não faz nada, não condena, não defende o direito internacional?” A essas pessoas eu digo “E o que querem que diga, que faça?”. Que é inadmissível alguém querer acabar com o regime do país do mundo que mais desestabiliza o Médio Oriente e mais além e não respeita ele próprio, nem de perto nem de longe o direito internacional nem os direitos humanos? Que discorda do método utilizado (quando não parece haver outro), depois das dezenas de milhares de mortos nas ruas das cidades persas por decisão do tal regime?

Como saberão os que aqui vêm dar uma vista de olhos, Donald Trump provoca-me asco e revolta. Narcisista nojento, ignorante e má rês. É uma besta a nível interno, corrupto até dizer basta, mentiroso e inqualificável na sua amizade com o assassino Putin. No entanto, eventualmente disruptor a outros níveis. Por exemplo, a Faixa de Gaza: a minha visão para a paz naquele canto do mundo seria transformá-lo num parque temático sobre as religiões “do Livro”, com hotéis de apoio, financiado por milhões de visitantes como os que visitam as pirâmides do Egipto ou os sítios arqueológicos mexicanos, vestígios de um passado ou glorioso ou cruel, mas passado e História. Claro que ainda não estamos aí, infelizmente. Talvez quando nos visitarem alguns extraterrestres. Mas a “Riviera de Gaza” do Trump e dos promotores imobiliários que o apoiam não anda muito longe disso. Seria bem mais útil que as pessoas de Gaza, permanecendo ali em casas novas e decentes, começassem a trabalhar no turismo do que passarem a vida a queixar-se dos judeus, a escavarem túneis para prepararem ataques e esperarem ajuda eterna da comunidade internacional. É evidente que, para isso, o Hamas, os Houthis e o Hezbollah terão que mudar de vida. Coisa que só pode acontecer se a torneira do financiamento se fechar e o sectarismo/fanatismo religioso violento secar em consequência.

Mas no que toca à Europa: é ou não é do seu interesse que o regime teocrático de Teerão mude e deixe de financiar os movimentos terroristas que pululam não só pelo Médio Oriente, mas também em células na Europa? E que deixe também de apoiar o regime russo? Se é do seu interesse, não seria de uma suprema hipocrisia, como parecem querer muitos, cortar relações com Washington ou levantar-se em peso, indignada com o que está a acontecer, como se isso não fosse sinónimo de solidariedade com o regime de Teerão e como se o ataque fosse também uma declaração de guerra à Europa? E os milhões de iranianos que anseiam e morrem pela queda do regime? Não merecem solidariedade?

Alguns dirão: Ah se assim é, então por que razão a Europa não se junta à causa americano-israelita e participa no ataque? Ora, porque não pode. Em primeiro lugar, ninguém lhe pediu ajuda e, segundo consta, nem conhecimento lhe deram. As relações Europa-EUA andam azedas, como sabemos, e com boas razões. Por outro lado, não possui forças militares e financeiras suficientes para se meter em mais outra guerra. Já basta a da Ucrânia. Em terceiro lugar, a rua árabe presente na Europa (culpa própria, eu sei) incendiar-se-ia num ápice. Sem força, por enquanto, resta à Europa o tempo. O que não interessa nem a Israel nem ao Trump (que não tarda morre). Pode correr muito mal esta operação “Fúria épica”? Não sabemos, mas compreendo que para Israel esta é uma oportunidade quiçá única.

Para concluir, é um facto que alguns conflitos recentes foram incentivados pelos Estados Unidos e que a União Europeia acaba a pagar as favas. Mas eu não diria mal. A Europa é um “work in progress”. E o belicismo há anos que está afastado da sua agenda, para nosso grande bem-estar.

Dominguice

Putin tem razão. Israel tem razão. Trump tem razão. A China terá razão se decidir invadir Taiwan. Os problemas devem-se resolver segundo a lei do mais forte. Matando e destruindo e matando. Foi assim ao longo de milhares, de milhões de anos. É muito mais simples, como ensina Tucídides: a culpa é sempre do invadido, o invasor é sempre a vítima e a força do bem. O invasor depois escolherá que verdade ficará mais bonita nos livros de história, merece.

A Europa pensa que vale a pena negociar e respeitar os direitos humanos. Há que tempos que não invade ninguém, só a reboque dos EUA e às mijinhas. Já não pertencemos ao mundo dos senhores da guerra. Temos andado ocupados com a reinvenção da liberdade e da democracia. Preferimos a lei do mais fraco: a civilização.

Passos pode ser o que quiser?! Esta agora

Rodrigo Moita de Deus, RTP Notícias, ontem, dia 26. Passos Coelho é o mais popular político português. Quando fala, provoca uma onda de enfeitiçamento, um homem extraordinário, o melhor dos primeiros-ministros, um portento, uma sumidade e, no entanto, mas dito numa forma ternurenta, “um mau político”, um tigre (ou será elefante?) à solta numa savana africana. Mais: se ele liderasse o PSD, o Chega não existiria! Rodrigo, ó Rodrigo, e porquê?

Se não acreditam em tanto entusiasmo, vejam aqui:

https://www.rtp.pt/play/p16207/e911811/estado-da-arte

Sinceramente, não percebo a direita portuguesa e a excitação com o Passos Coelho. Nem a cegueira que os leva a dizer que é muito popular e admirado e que, bastaria querer, para ser de novo primeiro-ministro. Devem ser chalupas. Para mim, a única coisa positiva que o homem tem nada tem que ver com capacidades intelectuais ou políticas, simplesmente nasceu com uma bela voz. E para aí. Tudo o resto é muito mau. Mentiu que nem um perdido na campanha eleitoral para 2011, achou giro “ir além da Troica” na austeridade, sem dó nem piedade, usou bastas vezes linguagem boçal para se referir aos portugueses como se ele próprio fosse um exemplo de empreendedor independente e incansável, mostrou zero empatia pelas pessoas que governava, provocou a manifestação mais sentida e abrangente da história da nossa democracia quando pretendeu aumentar a TSU para os trabalhadores e baixar a das empresas, enfim. Tudo isto no activo enquanto chefe do governo, fora o resto dos seus tempos de moinante, de líder da juventude social-democrata, de “empresário”: nada fez digno de louvor até decidir ir tirar um curso à Lusíada (ligada ao PSD) já perto dos 40, inventou uma empresa ligada a técnicos de aeroportos inexistentes para sacar dinheiro europeu (Tecnoforma), investigada pela Comissão, afirmou desconhecer o que eram contribuições para a S Social, era o amigalhaço de pândega política do Miguel Relvas, o homem das equivalências dadas pela escola da vida, e escreveu um livrinho básico neoliberal com a ajuda do António Borges para mostrar que tinha ideias e assim poder ganhar algum crédito junto de quem o poderia eleger para líder.

Na secção “regresso e polémicas” da Wikipedia pode ler-se em relação ao tempo actual:

Mais tarde, Passos Coelho, pouco tempo depois da tomada de posse de Montenegro como primeiro-ministro, aceitou apresentar um livro ultraconservador com ligações ao Salazarismo e à Opus Dei e com apoio de figuras públicas conservadoras tais como Manuel MonteiroDiogo Pacheco de AmorimAndré VenturaRita MatiasMaria João AvillezAntónio Bagão FélixFrancisco Rodrigues dos Santos e Nuno Melo. Nessa apresentação, Passos atacou os imigrantes muçulmanos, as ex-colónias, a eutanásia, o aborto, o feminismo de esquerda e as bases disciplinares atuais da escola pública, que este considera “sovietizada e esdrúxula”.

Que cartões de visita mais luxuosos. Péssimos. Não passará.

Portanto, Rodrigo, filho, o Passos é um tipo com bom timbre vocal mas medíocre, com uma evolução recente muito pouco recomendável, e que, além de gostar de regressar ao século passado, gostaria também de regressar ao poder mas não se enxerga: não tem noção da memória que a esmagadora maioria das pessoas guarda dele (nem ele nem tu), nem de quão fácil é demoli-lo pelo que fez, nem tem noção de que a sua simpatia e afinidade com o Ventura afugenta até grande parte do PSD, quanto mais os restantes votantes. A direita faria melhor em mudar de mito.

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