Ao que o Pacheco ripostou: “O Sócrates foi protegido durante muitos anos pelo PSD!”. O jornalista não tugiu nem mugiu.
Gostei deste episódio com uma hora e tal de bons diálogos, boas representações e drama absorvente. Tenho pena se ficar apenas pelo piloto.
Há quem viva sem dar por nada
Há quem morra sem tal saber
E há perca tempo a ver a casa dos segredos e dos enrabados á primeira vista.
Não é difícil roubar mais que Salazar, roubar mais que zero qualquer um, até eu.
a yo só pensa em dinheiro, porra. quantas vidas roubou salazar? nas colónias, na fuga pra frança e afins, na simples discordância política?
e quanto dinheiro ganho com o suor do corpo impediu ele que fosse justamente retribuído aos que trabalharam, com leis injustas de proteção dos patrões? roubo mais roubo não há.
diz que o velhote que nem sentar-se sabia, não ficou com ele? problema dele, além de ladrão era burro que nem uma porta
não vi o programa em causa, mas a ideia que tenho visto passar é a de que o pacheco foi ridicularizado como merece porque a sua intelectualidade é vazia, superficial e sem princípios.
isto parece em tudo uma reposição dos debates nos eua entre malta de extrema direita e liberais centristas, que invariavelmente revelou este ultimos como uns papagaios de espinha gelatinosa que não compreendiam minimamente aquilo que diziam defender e na prática estavam a esvaziar de poder político as forças sociais que diziam querer exaltar. não posso dizer que fique surpreendido por agora estar aqui em exibição, até porque os resultados, no que à classe dirigente diz respeito, foram fantásticos.
“Eu mereço respeito” diz Pacheco para Ventura (a certa altura lá pró fim da discussão).
E Ventura até pareceu dedicar algum respeito pelo seu antigo correligionário de partido; Pacheco, o intelectual e ideólogo do cavaquismo quer ser o intelectual do regime pós Revolução a quem se deve, respeito.
Mas não é, nem mesmo remotamente o conseguirá ser alguma vez quer hoje quer historicamente. E este despique frente a frente travado entre Pacheco e Ventura é a demonstração de que ambos serão nota de roda-pé de qualquer respeitada História de Portugal. Porque ambos são provenientes da mesma “escola cavacoisoide” onde se formaram e conviveram lealmente como amigos defensores do “mesmo” politicamente.
Pacheco conviveu com Ventura como com Duarte Lima, Durão, a Manuela, Marco António, o Miguel (vai estudar malandro) e todos os vígaros do BPN sem nunca dar por nada para além de ter farejado a existência de bombas nucleares no Iraque. E Ventura nunca deu por nada, nem por Pacheco ou alguém a não ser ele mesmo, até ao dia em que Passos o descobriu para uma missão em Loures e dessa experiência “descobriu” o seu predestino e modo de vida.
Saíram ambos da mesma ninhada política mas, como humanos e oportunistas, cada qual tratou da sua vidinha individual e particularmente; Pacheco, falhado político total, dedicou-se ao intelectual historiador e anda a armazenar papéis da pequena história portuguesa; Ventura, pelo contrário, viu-se predestinado político e vestiu a pele de Salazar de falso impoluto para obter o apoio do povo descrente de tudo e vai de vento em popa.
O destino de ambos, neste tempo, está traçado. Pacheco será historicamente um falhado político; Ventura, se vencedor, será uma imitação-cópia do salazarismo para pior e o seu eventual regime terá o mesmo fim de todos os grandes e pequenos ditadores face a uma qualquer revolta ou Revolução à séria, do povo.
No fundo, são ambos figuras representantes da mesma moeda e o seu posicionamento face a Sócrates é a representação da sua face única, original.
No essencial, no que respeita a passividade na defesa das liberdades, indiferença perante a arbitrariedade judicial, falta de noção de separação de poderes e manipulação por insinuação, Pacheco Pereira mal se distingue de André Ventura. Ser menos brejeiro não disfarça a mesma presunção de superioridade moral bacôca.
Comentário das 13:51- tenho que o dizer: Excelente!
Ora digam lá se o volupi não é masoquista: trazer aqui a comparação entre Salazar, na cabeça de 99% dos tugas O Ditador Honesto, com o 44 – O Trafulha Parisiense.
Sim, como já se disse acima, Salazar roubou vidas, censurou jornais, encheu mamões. Mas não se encheu. Então e o 44? Quantas vidas arruinadas, algumas até certamente perdidas pelos seus calotes criminosos? E não tentou ele silenciar críticos, e até conseguiu no caso da Boca Guedes? Não perseguiu até bloggers? E algum PM terá enchido mais mamões, a começar pela banca?
Claro que antes um PM mafioso e ruinoso do que um ditador; mas o 44, parolo pesporrente e mandão, de bom grado seria também um ditador. Teve azar na época que lhe calhou: ‘democracia’ em vez de ditadura. Por outro lado, teve sorte: Salazar chegou ao poder por ser um tipo sério e competente; o 44 até o curso aldrabou. Só numa partidocracia abandalhada chegaria tão alto.
Ou seja, só por um ângulo se pode comparar favoravelmente o 44 a Salazar: o primeiro, que se saiba, não mandou prender ou matar ninguém; não presidiu a uma ditadura; não foi responsável por nenhuma guerra. Mas até que ponto isto foram escolhas dele ou meras circunstâncias da época e do papel que lhe calhou? Certo, certinho é isto: em qualquer época roubaria sempre mais.
Há Associações de ajuda em múltiplas áreas. Um dia, em 2020, devido a internamento 34 dias de enclausuramento no Santa Maria, com Covid, deixei de fumar, o que fazia desde os 14 anos (já tinha ido para o inferno…). Espetacular! Tinha recusado, por duas vezes, solicitar apoio a uma dedicada à coisa. Felizmente, há por aí Associações de entreajuda muito úteis; algumas nem tanto, é só fachada. Sou familiar muito chegado de uma jovem que sofre de Endometriose, que os médicos detetaram muito tarde. Dos pouquíssimos médicas/médicos que a assistiram no SNS, nomeadamente no Santa Maria, uma zarpou para o privado e um abriu um consultório – privado já se vê. Nem imaginam os dramas que esta doença causa, nomeadamente de cariz sexual. Terrível. A associação da coisa não dá muitas saídas – desde logo porque existem poucas.
Vem isto a propósito de há um certo tempo me preocupar em descobrir uma Associação que preste apoio (não sei se na área da psicologia ou da psicanálise) a tipos com a cabeça a zunir persistentemente em questões políticas nacionais – portuguesas.
Passarei logo a informação.
Obrigado, Fernando. Em troca vou procurar algum tipo de apoio para vítimas de cultos xuxo-políticos que idolatram corruptos, sobretudo os mais aldrabões e ordinários.
Nem todos os casos têm salvação – basta ver o volupi – mas há que tentar. Não se preocupe com o custo: a minha velha mãe e um meu amigo rico arranjam as fotocópias.
https://www.auchan.pt/pt/produtos-frescos/fruta/banana-e-frutos-tropicais/mamao-kg/98127.html?srsltid=AfmBOopUUMOjSwVBmU0Pn4qJcn4anFYj9BL5N4Y3-9oO1QSz0g2tkNZh
<<Nem todos os casos têm salvação – basta ver o volupi – mas há que tentar. Não se preocupe com o custo: a minha velha mãe e um meu amigo rico arranjam as fotocópias.<<
Este sitio devia ser transcrito num programa de tv. É que consegue fazer rir escrevendo sobre assuntos interessantes.
Só é pena não se poderem colocar umas ilustrações nos comentários, atão é que seria de mijar.
Um exemplo que vi num blog, -sobre a chega de ontem- feito por ia da moda.
O pacheco num chiqueiro a tentar agarrar o bácoro escorregadio.
Nojo de “debate”, contra a Democracia, provocado por um defensor da espécimen “democracia liberal”, vaidoso incorrigível. Ao dizer, expressamente, que não considerava o Chega um partido fascista preparou o chiqueiro em que haveria de sujar-se. Bem feito, merece!
Nunca lutes com um porco. Ficas todo sujo e ainda por cima o bicho gosta. Foi isso que o Pacheco fez e, claro, deu uma festa ao porco.
Quanto a “honestidade” do Salazar.
Vivia como um miserável mas a verdade e que fez de todos os portugueses um bando de larápios.
Isto porque os salários eram também miseráveis que funcionário que se desse ao luxo de ser honesto e não levar um por fora passava a fominha toda junta ele e a família que formasse.
O pequeno furto era generalizado em feiras e mercados.
As fábricas de produtos alimentares tinham apalpadeiras para revistar as operárias a saída porque as famintas criaturas roubavam o que podiam.
O mesmo nos empregados de mercearias e outros estabelecimentos de retalho alimentar.
A corrupção ia do mais alto funcionário ao mais obscuro guarda fiscal. Porque e que o contrabando procurava?
O tempo de Salazar não foi uma idade de outro.
Foi um tempo de miséria negra e corrupção generalizada sob o mando de um ditador que pregava a miséria e uma religiosidade bafienta como modo de vida.
Não precisamos de três porque um chegou e sobrou.
O Salazar meteu nos na guerra não por causa das circunstâncias mas por persistir num modelo de dominação de outros povos que não era viável.
E quem defende esse tempo e o traste do Salazar devia tentar a sorte nos Estados Unidos de Trump.
Porque e que o contrabando prosperava?
Não foi uma idade de ouro.
¿y perro sanxe mas que el caudillo?
«Quanto à “honestidade” do Salazar. Vivia como um miserável»…
Não exageremos: viver austeramente não é miséria. E mesmo a austeridade é, no mínimo, questionável: o Botas vivia num palacete, tinha casa de férias, carro com motorista, criada, cozinheira, ajudantes, médicos, uma bolha de comodidade inacessível a 99.99% da população.
O facto de ainda hoje ser admirado por não usar o cargo para obter ainda maiores luxos, ou para se encher à grande como o 44 e tantos outros, diz mais sobre quão normalizado está o saque, o roubo e a mama do que sobre a honestidade dele, que devia ser o mínimo exigível.
Há uns dias dei o exemplo de Sankara, presidente do Burkina Faso nos anos 80, que trocou Mercedes por Renault 5s e recusava ter ar condicionado por lhe parecer um privilégio excessivo. A ser verdade, é isto que se exige a representantes do povo – que vivam como o povo.
Acresce que o país do Botas, como bem diz, era miserável – o país sim, ele não. Por isso lhe parecia a ele tão tolerável, até admirável, a pobreza modesta, católica e cheia de respeitinho do regime que criou: não tinha de sofrê-la. Era um privilegiado. Nunca lhe faltava nada.
Ainda acerca da pequena amável discórdia entre Pacheco e Ventura. Afirmava este que a Democracia nada tinha feito pelos ex-combatentes do Ultramar, que os abandonara completamente: que nem os corpos dos mortos havia resgatado para Portugal.
Claro que o Pacheco, que sabe da guerra pelos livros, não tinha argumento para dar a resposta devida ao enviesado ideólogo salazarista. Devia ter-lhe dito que;
Salazar era tão mesquinho, miserável e desumano que, tendo sido quem ditou a ordem, “para Angola rapidamente e em força” depois, lá em Angola, ditou aos comandos das tropas, que os mortos em combate eram enterrados no mato e não podiam ser transportados em nenhum meio aéreo militar. Os oficiais pilotos recusavam levar os mortos para Luanda e isso deu aso a bravas atitudes de Médicos e Soldados contra pilotos de Helicópteros e Dorniers; os Médicos garantiam que o Soldado ainda estava vivo e o Soldado amigo do morto puxava da arma e apontava-a ao piloto, ambos queriam o morto enterrado em Luanda no cemitério e não no mato dentro de um caixote feito de tábuas de caixas de munições à sombra de algum imbondeiro no acampamento.
O regime salazarista sempre tratou os portugueses como cães que tanto podiam passar fome como morrer pela “pátria” sem o mínimo de atenção e respeito à crueldade que lhes impunha; o exemplo modelo de desumanidade salazarista arrepiante foi a ordem de querer sacrificar milhares de homens na Índia para ilustrar a “grandeza” do regime e seu chefe, dito o “Esteves”, porque nunca tirava o cu de S. Bento e se o fazia era pela calada da noite como os lobos.
A minha Cia. Independente de Intervenção esteve 14 meses (1967/68) nos Dembos, norte Angola (Santa Eulália, Muchaluango, Beira Baixa, 1,5 mês em Quipedro, 1 mês em Nambuangongo).
Em Nambuangongo “quartel”, no cimo do morro, havia um cemitério improvisado, cujos mortos, cerca de 15, eram militares portugueses mortos em combate nos primeiros anos do “Angola é nossa “. Alguns nem já identificação tinham.