Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Revolution through evolution

Happy in marriage? Genetics may play a role
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Some personal beliefs and morals may stem from genetics
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Face it. Our faces don’t always reveal our true emotions
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Savoring … It’s not just for dinner
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‘Star Wars’ characters’ costumes reflect shift from power to romance
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Rise of European populism and vaccine hesitancy
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Belief in conspiracy theories makes people more likely to engage in low-level crime
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É para aumentar o número destes broncos que há milhões investidos no Observador

Entretanto, isto de aparecerem testemunhas em tribunal que provam, recorrendo a factos e ao bom senso, que o Ministério Público inventou uma acusação contra Vara e Sócrates – Ex-dirigente da CGD sai em defesa de Sócrates em tribunal – não será motivo para reunir o Conselho de Estado? É que Marques Mendes, o mano Costa, a Manuela Moura Guedes e a Cofina já nos disseram tudo o que devíamos saber sobre o assunto; como, aliás, as inteligências do Observador não se cansam de repetir. E que cagada é essa do Ivo Rosa estar a querer ver uma auditoria do não sei quê, auditoria já apresentada oficialmente pela digníssima Joana Amaral Dias, antes de despachar os corruptos para juízes que saibam lidar com a escumalha socialista?

Por favor, não deixem que a integridade e coragem de um juiz atrapalhe a vingança em curso. O regime já transitou a condenação em julgado, o resto são as aborrecidas formalidades para TEDH ver.

E o povo, pá?

«Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, o partido enfrentou o momento mais difícil da sua história quando votou contra o PEC IV, durante o Governo de José Sócrates.

"O Bloco de Esquerda pagou por isso, até eleitoralmente", mas se fosse hoje voltaria a fazer o mesmo. "Teria de ser", diz.»


Fonte

Felizes com a lista de seguidores, ó “Observadores”?

Lembram-se do artigo inqualificável da médica Joana Rodrigues, que dizia que as mulheres felizes são as que “casam bem”, ganham menos mas vibram, enquanto “exercem plenamente a maternidade”, com os sucessos e o dinheiro dos maridos e muitas mais genialidades, todo um rol, do género? Pois bem, o artigo não mais foi visto* no siteObservador“, uma espécie de blogue gigante e bem financiado onde se aquartelou toda a direita passista, salazarenta, bafienta, ressabiada, queque, xuxofóbica, veneradora dos mercados ou simplesmente tonta deste país.

Hoje, o “publisher” do dito site, José Manuel Fernandes, vem prestar um esclarecimento, não sobre a retirada/ocultação do artigo, como se esperava, mas sobre a razão da sua publicação, o que já de si dá vontade de rir, porque o que se nota mesmo mesmo é que o artigo sumiu. Bom, mas o JMF vem então avalizar o artigo e ao mesmo tempo distanciar o corpo redactorial do seu blogue do conteúdo do dito artigo, remete para os valores fundadores daquela coisa e invoca a liberdade de opinião. Escusado será dizer que, perante o desaparecimento do artigo, este “esclarecimento” é obviamente abstruso. Pois isso mesmo, mas por outras razões, acharam os devotos seguidores desta trupe, em expressão de opinião na caixa de comentários. Para rir a bom rir, é preciso ir ler. Tudo furioso. J M Fernandes não tinha que esclarecer coisa nenhuma, o Observador está mas é a ficar como o Público (ah, ah), viva a dra. Joana e por aí fora.

Claro! Onde está, de facto, a agressividade da estupidez, hoje em dia tão na moda? Modernidade, dignidade? O que é isso? Alinhem-se lá, meninos, olhem a clientela.

 

*Correcção: o artigo não desapareceu, foi antes remetido desde muito cedo para a secção de Opinião (dia 24), deixando de aparecer na página principal. Por achar que era norma as ligações para os artigos de opinião manterem-se na primeira página uns dias, concluí erradamente que fora suprimido. Não foi. Ficou muito menos visível, mas continua lá. Além disso, em abono do “publisher”, registo que ele próprio pôs no seu Esclarecimento de hoje uma remissão para o dito artigo. Nada disto, porém, me impede de avaliar a clientela fiel daquele blogue, que protestou contra a “moleza” de um esclarecimento daqueles. Os admiradores dos articulistas do Observador gostariam que o JM Fernandes publicasse, destacasse e defendesse o artigo de Joana B Rodrigues. Há gente do tipo “Tea Party” cujas opiniões são bem acolhidas no Observador e há adeptos que se irritam com a dor de consciência do Fernandes. Foi isto que destaquei.

 

 

Caixas de cidadãos

«É que ao publicar nos seus sites e FB, sem qualquer filtro ou mecanismo de controlo, comentários como os descritos - e piores -, os chamados "media tradicionais", os jornais, rádios e TV, estão a colaborar na normalização acelerada da falsificação, da calúnia e do ódio. De cada vez que alguém é caluniado, ou ameaçado, ou alguém destila ódio nos comentários a notícias de um jornal ou no respetivo Facebook é esse jornal que está a veicular essa calúnia, essa ameaça, esse discurso de ódio, a validá-los com o seu carimbo, a acolhê-los sob a sua marca.

Não sou jurista; admito que em tribunal se possa ter dúvidas sobre a responsabilidade criminal e civil que esse comportamento acarreta. Mas do ponto de vista ético e deontológico não vejo como ter alguma. Até porque a existência de comentários nos sites e no Facebook de meios de comunicação visa "gerar tráfego", ou seja, proveito.

Combater as fake news deveria começar por aí: porque todos os media que permitem que os seus sites e FB sejam um festim de ódio, acusações falsas, devassas, ameaças, racismo e quejandos estão a contribuir para o ambiente em que elas, as fake news, medram e se tornam indistinguíveis, para parte do público, do jornalismo. Se está tudo no mesmo sítio, distinguir como?»


Fernanda Câncio – “Quando danças com o diabo”

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O argumento é facilmente aceite. Fechar as caixas de comentários pode ser a única solução para o ambiente degradante, se não for criminoso, que as caixas de comentários na imprensa (leia-se: os espaços de livre comunicação escrita por e para livres utilizadores de um dado canal digital) geram numa relação inversa entre a literacia e a violência verbal (mas há excepções para ambos os extremos do primeiro factor, podendo a alta literacia gerar extrema violência e vice-versa). Dando um exemplo recente, o Expresso tinha uma antiga e pujante comunidade de comentadores encaixotados, os quais geravam milhares de comentários mensais. Apesar disso, resolveu acabar com esse território mediático adjacente – ou, como defende a Fernanda, inerente – à entidade legal e respectiva marca. Terá sido por razões morais, deontológicas, legais ou meramente financeiras (custar dinheirinho manter esses dados)? Não faço ideia. Noutros casos, vemos o Observador a cultivar um estilo de pseudo-jornalismo que está em simbiose com o aproveitamento das suas caixas de comentários como elementos de uma dinâmica de propaganda e militância, ou assistimos a um autor (JMT, no Público) que participa nas suas caixas de comentários por razões estritamente narcísicas e megalómanas (ele fala de si nos artigos e continua a falar de si com os comentadores, está satisfeitíssimo com a sua pessoa, et pour cause). Se listarmos exemplos estrangeiros, a diversidade é a regra.

A literatura sobre o fenómeno é tão antiga quanto a WWW, pois desde o início da massificação do acesso à Internet foi sempre assim (aliás, já o era antes, no tempo dos BBS, mas de forma quantitativa e qualitativamente distinta). O facto de se usar a linguagem escrita para comunicar gera inevitavelmente disfunções emocionais na interpretação, por um lado, e permite excessos de agressividade que não se teriam face a face, ou mesmo ao telefone, por outro. Por cima disto, temos depois as diferentes idades (alguém de 84 anos e alguém de 13 anos podem estar a insultar-se mutuamente sem terem noção da diferença etária), a diferente escolaridade, as diferentes literacias, a diferente informação e formação, a diferente motivação e maturidade, a diferente intencionalidade, a diferente capacidade cognitiva, as diferentes personalidades e os diferentes estados de saúde (corporal e, especialmente, mental, mais os eventuais quadros farmacológicos). Finalmente, temos os elementos idiossincrático e existencial, isso de cada um ser único e estar numa situação única a cada momento. Se nem numa junta de freguesia, numa reunião de condomínio e numa família é fácil, sequer provável, chegar a acordo em tudo com todos, ainda menos a consensos, por que raio se vai para uma caixa de comentários de um meio de comunicação generalista esperar tal coisa no que não passa de um baile de máscaras desopilante e/ou alucinado? Só se estivermos completamente avariados da corneta sem arranjo possível.

Dá-se é o caso, substantivo, de ser civicamente importante o que cada um dos participantes nas caixas de comentários dos meios ditos de “referência” está a fazer mesmo quando o que faz é só merda atrás de merda. A importância começa por vir da decisão em participar numa interacção social. Este é o fundamento mesmo de qualquer experiência e instituição políticas. Ora, o que se faz ao participar numa caixa de comentários é lutar para ser o centro das atenções, lutar pelo estatuto, pela posição na hierarquia, pois é isso que antropologicamente se aprende assistindo ao que fazem as celebridades da opinião, essas a quem os mesmos órgãos dão o palco cimeiro. As vedetas, aliás, tendem a queixar-se das “redes sociais” precisamente por causa dessa imitação e concorrência. As vedetas também sonham com audiências caladinhas e em êxtase, só interrompendo a adoração para os aplausos e aclamações do seu brilhantismo, não com o pesadelo de lidarem com uma infinidade de opiniões tão aparente e democraticamente válidas ou vocais como as suas.

No palco onde se passeiam os profissionais comentaristas, como nas catacumbas onde se reúnem os amadores e rebeldes comentadeiros, a lógica e pulsão do antagonismo, e seu cortejo de recursos retoricamente bélicos e assassinos, moldam os conteúdos transmitidos de acordo com as capacidades de cada um. O nivelamento por baixo, essa ecologia da estupidez e da brutalidade, será tão mais fatal quão mais larga for a participação (mas atenção à inversão desta lógica na indústria da calúnia, onde prosperam selectos caluniadores profissionais). Porém, a participação em si mesma da ralé, essa multidão de “anónimos”, é não só bondosa como traz a semente de um crescimento psicológico e cívico – portanto, um crescimento cultural e político. Quem se expõe através da escrita, enviando uma qualquer expressão do seu entendimento (ou falta dele) de uma qualquer realidade, fica excitado com o poder à sua disposição. Trata-se do poder da própria linguagem verbalizada, poder multiplicado pela potência social do meio de comunicação em causa. Poder que se torna meio para uma ontológica necessidade de inclusão. Somos o “zoon politikon”; cuja melhor tradução não é “animal político”, antes “animal da cidade”. E o que é uma cidade? É aquele espaço rodeado de muralhas, feitas de pedra ou de leis, onde a Natureza dá à luz a Civilização.

Os jornais vindos do papel assistem desorientados e em pânico à falência do antigo modelo de negócio sem saberem se existirá um outro substituto. A trágica ironia é a de não terem falta de leitores, talvez até nunca tenham tido tantos. Só que este novo tipo de leitor não pretende pagar por um bem que se tornou ubíquo e com o custo residual igual ao do acesso à Internet, a informação. Daí o triunfo do tabloidismo, o qual vende circo, sexo e sangue, impotência, ópio e ódio. Simetricamente, a irónica tragédia é a de os jornais ignorarem olimpicamente aqueles que os procuram e se expõem na sua ânsia de pertença e crescimento. As tais caixas de comentários infectas, que não passam de becos escuros onde bêbados urinam e miseráveis defecam, resultam da ausência de autoridade. Os jornais abdicam de governar esses espaços, ou quando o fazem são apenas censores, deixando os frequentadores comportarem-se como feras e Quixotes numa guerra civil cuja maior vítima é a inteligência comunitária. Mas seria logística e financeiramente viável fazê-lo, quando nem para os jornalistas há dinheiro? E como? E para quê?

Estudantes, reformados e carolas poderiam, a troco de recompensas simbólicas umas e sem custos monetários outras, passar a exercer a autoridade legal, deontológica e cívica do órgão respectivo em todas as suas caixas de comentários. Em vez de apagarem os comentários que justificassem a sua intervenção, entrariam em diálogo com esse utilizador seguindo protocolos a desenvolver por cada entidade. Um modelo que se baseasse nas regras do pensamento crítico bastaria para o essencial do que está em causa. Aproveitariam os conteúdos enviados para as caixas para o criticarem, mesmo que fossem barbaridades insanas, justificando por que razão, ou razões, tais declarações eram motivo de reparo e dando informações para que o utilizador em causa – e todo o grupo de utilizadores ali de passagem a participar ou só a assistir – pudesse usar a sua própria cabeça, pudesse aferir, pudesse investigar. Pudesse, enfim, tomar consciência das consequências do que tinha escrito, pensado, sentido a partir de um ponto de vista oficial da entidade para onde tinha ido gastar o seu tempo e cujo espaço estava a utilizar de forma tão pessoal. Nesse ambiente, os boatos e as calúnias teriam vida muito curta, por exemplo. Na enormíssima maioria dos casos, esses utilizadores modificariam a sua atitude, abandonando o infantilismo ou desvario iniciais e passando a participar de acordo com as regras explícitas e implícitas assim instituídas pedagogicamente. Nos casos patológicos, em que a proposta dialógica não fosse eficaz, então a censura seria uma solução de higiene inevitável. Finalmente, os jornais teriam oportunidade de entender que cada um se poderia distinguir da concorrência pela qualidade e extensão das comunidades de participação livre que estavam a criar no seu espaço. E ainda que esses quantos representavam muitos mais que precisam que os jornais continuem a ser fontes de inteligência, pois a democracia é de todos os sistemas políticos aquele que mais carece de inteligência – dado tanto a exigir a quem governa como a quem se deixa governar.

Lirismo? Sim, claro. Lirismo, ingenuidade e optimismo. É por aí, ou para aí, que vão os construtores de cidades.

Não é o país que está sonâmbulo, é o J M Tavares que padece de doença incurável

A crítica política anda nisto: parece que, na falta de outro assunto para atacar um bom governo, a direita ressabiada brande agora a suposta endogamia do actual elenco governativo (ver Observador e uma ou outra ovelha ainda dispersa, uma das quaisFilhinhos do papá – aqui me traz). O mais ridículo disto tudo é o facto de as mesmas pessoas (quatro, uma multidão, portanto) que possuem laços familiares (e nenhum deles com António Costa) e fazem parte do Governo já fazerem parte do mesmíssimo governo desde o princípio da sua formação, há quatro anos. A única diferença, pelos vistos a que fez eruptir a turba, foi a gravíssima transição de Mariana Vieira da Silva do cargo de secretária de Estado para o de ministra da presidência e da modernização administrativa. Claramente, estes comentadores estiveram a dormir até agora, ocupados já não sei com quê, possivelmente o afundamento iminente do país. Grande Mariana. Deve ser mesmo boa.

 

O segundo aspecto ridículo é estes indignados apresentarem-se muito escandalizados pelo facto de um chefe de governo escolher rodear-se de pessoas que conhece bem e considera competentes. Parece que, para eles, o primeiro-ministro deveria rodear-se de pessoas que conhece mal e de cuja competência apenas ouviu falar. Fingem desconhecer a existência de partidos, os quais possuem, por definição, dirigentes e militantes, que se vão conhecendo ao longo do tempo e estabelecendo relações de confiança e definindo funções “sombra”. Com falsa e exagerada preocupação, e à falta de melhor, alegam, por exemplo, que, em determinadas decisões, Ana Paula Vitorino e António Cabrita (o casal, o único) estarão condicionados pelo facto de serem casados. Isto é tanto mais cómico quanto toda a gente sabe que se há coisa que não falta num casal são divergências e discussões. Tenho para mim que esse condicionalismo matrimonial é capaz de ser bastante irrelevante face ao condicionalismo que um chefe de governo, pela autoridade e pelos poderes que tem, exerce sobre qualquer dos seus ministros.

 

Outra coisa que descobriram agora foi que é mais fácil encontrar pessoas com formação superior que sejam filhos de pessoas com formação superior, ou pessoas com formação e apetência políticas que sejam filhos de políticos, do que o seu contrário. Descobriram agora. Por causa da Mariana, note-se. Mas também se diga que descobriram de uma forma algo míope. Por acaso, há vários ministros no Governo, quase todos, se não 90%, que fogem a essa suposta norma, como Pedro Marques ou Pedro Nuno Santos ou ainda Mário Centeno, que, penso eu, nem fazia parte do círculo mais chegado de António Costa e é filho de um bancário e de uma funcionária dos CTT. Era socialista, porém, olha a chatice.

 

Por fim, um chefe de governo rodear-se de pessoas amigas e bem conhecidas não é de todo apanágio do actual executivo. Os amigos de Cavaco (desgraçados) lá estavam todos, para nossa vergonha e tragédia nalguns casos. Os de Passos idem. E que amigos: o Relvas, o Marco António. Adeus a todos, é o que tenho a dizer. Trezentas mil vezes os amigos do Costa e respectiva prole, não é? Quantos filhos tem mesmo o Vieira da Silva?

A teoria muito fresca de que devemos ser governados por pessoas que nada percebem de política, que estejam distantes dos círculos de poder e que venham da Póvoa de Varzim ou da Amareleja sem nunca terem militado em nenhum partido só porque sim é populismo puro, é uma ideia propositadamente falsa, e leva-nos a aberrações que apenas tornam o mundo mais perigoso.

 

O João Miguel Tavares é um caso perdido. Quem o ouviu falar no último Governo Sombra não pôde deixar de constatar, mais uma vez e ainda, o mal que lhe remói as entranhas, apesar de tudo o que lhe resta de são. Pessoas que conheceram, conviveram, cheiraram ou meramente estiveram perto de Sócrates (que, em política, são maioritariamente socialistas) despertam neste homem um ódio irracional. Nem que lhe fuja muitas vezes a boca para a objectividade e por isso se embrulhe em contradições – Tavares diz que gosta de António Costa, diz que o acha competente e diz que os seus ministros são competentes (vão ouvir o último programa, na Póvoa de Varzim) – o trauma “Sócrates” acaba sempre por vir ao de cima. Pelo que, a bem dizer, este homem faz de si mesmo palhaçada constante. Está, de facto, bem enquadrado num programa de humor como o Governo Sombra. Embora dê pena. Neste tema, nem os outros dois o acompanharam e o homem falou, falou e falou e desabafou, desabafou e nós… eh pá, coitado.

José Gomes Ferreira também sabe mostrar compaixão

José Gomes Ferreira é um dos melhores jornalistas portugueses de sempre e para sempre. Ninguém melhor do que ele é capaz de explicar o mal que o PS tem feito ao País, sendo capaz de o demonstrar com o mesmo desembaraço tanto no plano da economia, como na dimensão policial e judicial, como na esfera metafísica. Para além de ter um excelente programa governativo de Portugal já devidamente impresso e encadernado desde 2013 para educação do povo e morigeração das elites, a sua coragem no combate sem quartel contra os socráticos corruptos (passe o pleonasmo) ficará lendária nas gerações seguintes.

O nosso herói esteve há dias a entrevistar Carlos Costa. Há quem diga que este Sr. Costa partilhou com Armando Vara não sei o quê na Caixa Geral de Depósitos. Ora, Gomes Ferreira é pago pelo mesmo patrão que paga a um conselheiro de Estado para dizer que Vara era o “todo-poderoso” na CGD, o mesmo patrão que paga à magnífica Manuela Moura Guedes para dizer que Vara é o culpado pela recapitalização da CGD em “quatro mil milhões”, entre outras desgraças a pedir o regresso da pena de morte. Seria de esperar que o aquilino e implacável jornalista não perdesse a oportunidade para finalmente revelar à Nação como é que as coisas é, ó Zé. Inevitavelmente, Carlos Costa sabe como foi possível roubar tantos milhões à frente de toda a gente, gente do PSD e do CDS na sua maioria, com responsabilidades na administração desse banco público. Será que Vara chegava mais cedo às reuniões e metia droga nos bules de café e jarros de água, provocando um estado de submissão e amnésia aos restantes administradores? Será que na noite anterior enviava fotos comprometedoras a cada um dos participantes nas comissões alargadas de crédito, ameaçando publicar os vídeos se eles não aprovassem a roubalheira? Ou será que ia para os conselhos de crédito com um colete de explosivos e ficava de pé junto à porta a ouvir instruções de Sócrates até o pessoal aprovar o que ele queria? Carlos Costa sabe e José Gomes Ferreira sabe que ele sabe, porque José Gomes Ferreira sabe tudo o que se deve saber.

Pois. Só que a entrevista chegou ao fim e ficámos na mesma. Na mesma não, sejamos justos. A fazer fé em Carlos Costa, nada de ilícito se passou na CGD, sendo que até teve tempo para lembrar que o banco era auditado por entidades externas que nunca viram aquilo que a gente séria que frequenta a Cofina, o Grupo Impresa e o Conselho de Estado jura ter visto, provado e comprovado. E o valente José Gomes Ferreira lá deixou o fulano ir embora sem o ter obrigado a responder a uma única pergunta sobre a colossal corrupção que Vara espalhava diariamente na CGD. Como explicar o fenómeno? Talvez recorrendo a uma declaração do estupendo e isento Carlos Costa, algo com que ele tem comprado a protecção da gente séria:

«Nós só temos a retoma que temos hoje porque tivemos um programa aplicado de forma rigorosa e com convicção»*

Carlos Costa, cúmplice principal de Passos e Cavaco no afundanço de Portugal em 2011

* Tradução:

Foi graças à entrada do FMI castigador dos estróinas e dos madraços lusitanos, e ao fanatismo de Passos Coelho na sua fúria para ir além da Troika custasse o que custasse, que hoje andam para aí uns socialistas armados ao pingarelho a gozar-se do tratamento que demos aos piegas instalados na sua zona de conforto nesses gloriosos anos da austeridade salvífica, 2011 a 2015.

Encontrar um marido rico

Directamente do livro de leitura da terceira classe (o do Salazar) e, para uma experiência zombie máxima, aconselho a leitura integral do que a dra. Joana Bento Rodrigues tem para nos dizer no Observador. Eu penso, que, depois disto, até o Alberto Gonçalves é capaz de se pisgar do Observador.

[…]O potencial feminino refere-se a tudo o que, por norma, caracteriza a mulher. Gosta de se arranjar e de se sentir bonita. Gosta de ter a casa arrumada e bem decorada. Gosta de ver ordem à sua volta. Gosta de cuidar e receber e assume, amiúde, muitas das tarefas domésticas, com toda a sua alma, porque considera ser essa, também, a sua função.

O potencial matrimonial reside, precisamente, no amparo e na necessidade de segurança. A mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido. Esse sucesso é também o seu sucesso! Por norma, não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido, até pelo contrário. Gosta, sim, que seja este a obtê-los, sendo para si um motivo de orgulho. Porquê? Porque lhe confere a sensação de protecção e de segurança. Demonstra-lhe que, apesar poder ter uma carreira mais condicionada, pelo facto de assumir o papel de esposa e mãe, a mulher conta com esse suporte e apoio do marido, para que nada falte. Por outro lado, aprecia a ideia de “ter casado bem”, como se fosse este também um ponto de honra. […]

[…]A sabedoria popular bem o diz: “Não se pode ter tudo”! Não espanta, assim, que haja menos mulheres em cargos políticos e em posições de poder. A mulher escolhe-o naturalmente, ao dedicar menos tempo que o homem às causas partidárias e ao estudo da História e da actualidade, enquanto conhecimento necessário para defender e representar uma Nação.[…]

Revolution through evolution

Women with more social support are less likely to die prematurely
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Natural resources valued differently by men and woman
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Consuming garlic and onions may lower colorectal cancer risk
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Live better with attainable goals
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Like humans, dogs’ personalities likely change over time
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People who cunningly use cooperation and egoism are ‘unbeatable’
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Talking Ourselves Into It: How We Rationalize Bad Choices
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O líder que arruina a liderança

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Quem não sabe colocar vírgulas tem competência suficiente para governar o País? Infelizmente, esse não é o maior problema que a conta de Twitter de Rui Rio levanta. Ao ser um veículo de posicionamento e mediatização directa como líder partidário à mistura com ser um canal de expressão pessoal e espontânea para as mesmas temáticas, o resultado é uma imagem ingénua, amadora e ineficaz para a sua valorização como candidato a primeiro-ministro. Acima temos um exemplo – paradigmático – do nó cego que lhe está a tolher a dinâmica de afirmação e crescimento eleitoral.

A dimensão da Justiça é das mais importantes para a qualidade da democracia, para a segurança dos cidadãos e para o desenvolvimento económico. Por cima desta consensualidade à direita e à esquerda, temos desde 2009 a evidência de se estar a usar a Justiça como arma política. Os abusos e crimes cometidos no Ministério Público na perseguição a políticos do PS e ao próprio PS, em conluio com a escolha de Joana Marques Vidal para PGR e a campanha política que protagonizou e alimentou, ocorrem com a cumplicidade do regime; portanto e por tanto, do próprio PS que paradoxalmente consegue recolher benefícios internos do cerco externo. Este o quadro onde as proclamações de Rio a pedir menos corporativismo e mais democracia e soberania na conduta dos magistrados do Ministério Público são uma prova da sua coragem como líder dado o contexto onde a direita decadente e a indústria da calúnia triunfaram e perderam qualquer prurido na exibição do seu poder ilícito. Mas mais, e mais importante para a comunidade: é uma proposta que só se justifica existir por causa do interesse nacional, do bem comum, da defesa da liberdade.

Ora, como destruir a promessa de radical inovação na direita portuguesa, que recupera o melhor da tradição liberal e, de caminho, perder uma posição cimeira donde Rio poderia chamar a atenção para outras propostas políticas do seu PSD? Pois da maneira que acima pode ser desfrutada. Ao vir com a cassete de que o PS “arruinou” a economia e foi o responsável pela vinda da Troika e suas consequências fanática e violentamente penalizadoras dos pobres e da classe média, Rio não está apenas a mentir, nem está apenas a deturpar, nem está apenas a esconder o que o seu partido de braço dado com Cavaco escolheu fazer em 2011 e nos anos seguintes até ser corrido por um novo Parlamento. Acima e antes de tudo, o que ele está a fazer ao tuitar boçalidades típicas da chicana é a exibir a sua mediocridade política. Que não espante, então, encontrar a sua assinatura nesta inanidade:

Só se esqueceu de chamar o Ku Klux Klan*

«1. Lentamente, mas de forma segura, o PS António Costa vai aumentando a sua influência sobre o aparelho do Estado e sobre a sociedade civil. Com o Presidente Marcelo concentradíssimo nas suas taxas de popularidade, os socialistas vão atacando tudo o que mexe que não seja do seu agrado. Ora atacando a independência das entidades reguladoras, ora controlando órgãos incómodos como o Conselho de Finanças Públicas, ou preparando a nomeação de um fiel compagnon de route ou até mesmo de uma camarada do PS para o Banco de Portugal.

Uma boa prova dessa atração por um regresso ao passado do tenebroso consulado José Sócrates é o veto que o Governo fez à presença de Álvaro Santos Pereira em Portugal para apresentar, enquanto diretor da OCDE responsável por essa área, o relatório sobre a economia nacional.

Esse veto é, aliás, uma típica manobra socrática:

Pela intolerância. Vetar alguém, e logo um português que é titular de um alto cargo internacional, só porque não é da cor política do Governo e porque fala de temas incómodos como a corrupção, revela intolerância.
Pelo autoritarismo. É uma espécie de quero, posso e mando de António Costa. Já que o tema da corrupção foi escolhido pela OCDE ao arrepio da vontade do Governo, há esta manifestação de força para que sirva de exemplo para o futuro.
Pela censura. Se Sócrates tinha um especial gosto em controlar a comunicação social, escolhendo direções editoriais, financiando administrações de jornais e interferindo ativamente nas respetivas linhas editoriais, António Costa começa pelos relatórios das instituições internacionais. É um caminho que, no futuro, poderá ter intersecções com aquele que foi feito por José Sócrates.

É caso para perguntar: se fazem isto em minoria e em aliança com a extrema-esquerda, o que fariam com maioria absoluta — ou em aliança com Rui Rio?»


Talibã do Observador
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* Diferente país e cultura, a mesma geografia do ódio

O fim da impunidade não pode ser desperdiçado com mulheres

«A mulher de 53 anos morta este domingo à noite a tiro na Golegã já tinha feito queixa do seu agressor à GNR pelo menos uma vez, no ano passado. Mas a Justiça não actuou a tempo de salvar esta vítima.

Confirmando a existência de uma queixa, a Procuradoria-Geral da República explica que o agora homicida chegou a ser constituído arguido. Mas a investigação “ainda não estava concluída, tendo o Ministério Público ordenado a realização de diligências complementares às já realizadas pela GNR”. O PÚBLICO está a tentar saber se foi decretada alguma medida de coacção ao suspeito, um empregado fabril de 62 anos.»


Fonte

Revolution through evolution

Why Mr. Nice could be Mr. Right
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New Study Analyzes How Falling in Love Influences the Immune System in Women
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Shameful secrets bother us more than guilty secrets
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Social threat learning influences our decisions
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Bigger teams aren’t always better in science and tech
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Your exercise performance is a better predictor of longevity than your chronological age
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New Book from Sociologist Daniel Laurison Explores the ‘Class Ceiling’
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Normalização da normalidade

Usar os direitos constitucionais e as instituições políticas para melhorar a sociedade é algo que pode partir da iniciativa de qualquer indivíduo. Pode, e deve, mas é raro que tal aconteça porque há um discurso alimentado pela indústria da calúnia e pelo tabloidismo de direita que desmotiva e assusta a enorme, a quase totalidade, dos cidadãos. Então eles vão para a tasca, o cabeleireiro, a Internet e o táxi maldizer a desgraça que os aflige: estão cercados por corruptos, não vale a pena mexer uma palha na defesa dos seus direitos e sonhos democráticos, os poderosos são intocáveis (e daí, como assinalou o actual Presidente da República, ser tão importante termos conseguido enjaular o Vara, que é para os poderosos se borrarem de medo e podermos deixar de nos preocupar com eles nos próximos 40 anos).

A cidadã abaixo dá uma das melhores lições de política a que já assisti. Ela reconhece que ser livre comporta alguns riscos, mas que o risco maior é passar pela vida sem descobrir aqueles outros, tantos, que se juntaram a ela por causa da sua coragem. O risco maior é deixar que os pulhas nos roubem a liberdade.

De olhos fechados, como sombras

Foi há um mês, Graça Franco publicou um texto cuja popularidade superou largamente a que costuma colher – Jornalismo a meia-haste – tendo nele ligado vários temas correntes a uma denúncia do sensacionalismo e demais abusos e deturpações cometidos sob a protecção constitucional da “liberdade de imprensa”. Uma das situações tratadas, quiçá a que explica o impacto das suas palavras, foi a da entrada de Armando Vara na prisão de Évora e o que alguns meios de comunicação social fizeram na ocasião. A autora ilumina a fragilidade da pessoa condenada naquela situação de exposição incontornável, onde foi reduzida a mera figura abstracta cujo estatuto cívico consistiu apenas em servir de matéria desalmada para a exploração mediática. É um exercício de empatia o que serve aos leitores, oferecendo a raridade de olharmos, no espaço público, para um dos maiores bodes expiatórios do regime com módico humanismo – e ainda permitindo uma colagem retoricamente eficaz com o tema seguinte que queria igualmente (ou até mais) tratar e realçar, a reportagem da TVI acerca da Igreja Católica onde se usaram câmaras ocultas.

Do muito que se poderia dizer, tanto, sobre uma intervenção política (ah, pois é, bebé) que poucos dias depois estava já soterrada no mais fundo esquecimento, escolho o ponto de vista onde Graça Franco revela o seu instinto assassino no acto mesmo de estender a sua mão, as suas palavras, o seu coração católico (ou que seja só cristão, ou nem isso) a Armando Vara prisioneiro. É que ela exigiu um preço altíssimo para a vulgaridade ética de apelar à mais básica decência para com Vara: aproveitar para confirmar que ele é alguém que deve ser odiado, porque foi um “poderoso” de um tipo que ela detesta, um fulano socialista e com actividade governativa e na banca. Para tal, agarrou num episódio com perto de 20 anos. Ao tempo, Vara terá passado uma informação à Renascença em que admitia demitir-se do Governo de Guterres, pedindo que a fonte não fosse revelada. A notícia saiu e Vara desmentiu-a, só para se ver denunciado pela Renascença. Foi isto, não mais do que isto, e isto é ridiculamente importante seja para o que for. Aliás, a ter importância que justifique a sua recordação, ela remete é para a violação pela Renascença do sigilo exigido. Contudo, eis que a directora de informação da RR nos conta a história da carochinha em que se pinta Vara como o papão que a rádio da Igreja (da Igreja Católica em Portugal, senhores) enfrentou num combate biblicamente desigual. Ele o Golias e um órgão de comunicação social com o poder da RR como David. Nem para rir dá.

Ao mesmo tempo que Graça Franco compõe o retrato pungente de uma vítima da turba linchadora, um alvo social que nenhuma condenação judicial justifica ver despojado dos seus direitos e dignidade, vai colocando estrategicamente elementos que assinalam a sua concordância com o veredicto popular: aqui está o monstro. É, ainda e sempre, a dinâmica da diabolização. A expressão de uma agressividade antropológica inerente à vivência política e ao combate identitário. Daí recorrer ao processo mais antigo ao dispor de todo aquele que se prepara para cometer uma violência que precisa de disfarçar como um acto de defesa: dizer que alguém ou algo é ameaçador, poderosíssimo, que já fez e vai continuar a fazer muito mal se não for abatido. E depois de o declarar, depois de chamar o bom povo para a caçada nocturna, até dá para acreditar nisso. Tem a vantagem de permitir adormecer com facilidade.