Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Os que falam não sabem, os que sabem não falam

Falar do juiz Carlos Alexandre é constatar como a Justiça portuguesa bateu no fundo. Para além de ser um magistrado que alimenta o culto de personalidade na indústria da calúnia, e isto a troco de um serviço de informações politizado e/ou criminoso, estamos também perante um agente da Justiça que se permite violar os seus deveres de isenção, que difama o próprio sistema de que faz parte, e ainda ameaça com chantagens os seus pares. Tudo isto feio às escâncaras, publicamente, como se fosse essa uma condição e uma garantia da sua impunidade. Donde, ver a comunicação social a tratar a sua pessoa implica, inevitavelmente, descobrir qual a relação desses órgãos, jornalistas, comentadores e editorialistas com o Estado de direito democrático. Trata-se de uma dimensão onde, como se lê em Apocalipse 3:16, “os mornos serão vomitados”. Quem se cala é ainda pior do que aqueles que usam Carlos Alexandre para atacarem a cidade.

Ontem ficámos a saber que alguém no tribunal onde o “super juiz” interrogou Azeredo Lopes estava a relatar os acontecimentos em directo para os jornalistas. À hora de almoço já havia resumos e comentários à disposição e ainda faltava mais uma tarde de espectáculo. Claro, poderá ter sido o próprio Azeredo ou o seu advogado a fazê-lo, como gostam de sugerir os pulhas sempre que este tema vem à baila. Talvez eles tenham estado a responder de telemóvel na mão e a teclar desenfreadamente. Mas, nesse caso, será que iriam pintar o retrato que o Expresso, o Observador e a Cofina de imediato espalharam para açularem a matilha com deturpações, escárnio e mentiras? É pensar nisso.

Do que se conhece na rua sobre o desaparecimento e recuperação do material de guerra armazenado em Tancos, é possível admitir que Azeredo Lopes foi aquele que teve até agora a tarefa mais heróica. Tendo sido uma das testemunhas da conversa entre Marcelo e o director da PJM, onde este obteve uma qualquer espécie de promessa do Presidente da República para exercer a sua influência sobre Joana Marques Vidal (versão desmentida por Belém), e conhecedor a posteriori da encenação da recuperação do material (versão do ex-ministro), Azeredo igualmente sabia que os militares adjuntos à Presidência e ao Governo iriam ser parte, passiva ou activa, da pressão castrense que Luís Vieira estava a exercer sobre o poder político. Só que toda a minha gente na hierarquia do Estado, sem excepção, sabia do mesmo. É claro que Marcelo e Costa, por maioria de razão, estavam contínua e preocupadamente ao corrente dos mais pequenos detalhes a que pudessem meter os garfos, mal de nós se não o fizeram. Este episódio da História de Portugal é tudo menos cómico. Na verdade, a usarmos uma categoria dramatúrgica, a indicada seria a tragédia. Porque a situação nasce de uma ameaça à honra de quem se sente responsável por um corpo humilhado pelos poderes civis e cada vez menos relevante no seu estatuto – quiçá, um pilar do regime profundamente apodrecido, como o próprio caso de Tancos sugere. O nome com que a Judiciária carimbou a sua investigação a respeito – Operação Húbris – não tem nada de metafórico.

Para investigar o que se passou em Tancos, como é necessário a bem da República, é preciso sacrificar Azeredo Lopes, achincalhá-lo de forma bronca e maníaca no editorialismo e no comentariado, e usá-lo para a chicana partidária e para as campanhas negras? É pensar nisso. E, de caminho, tomar por sinceras as palavras com que o primeiro-ministro sempre se referiu ao seu papel na crise. O papel de quem não tinha poder sobre os militares que prepararam uma armadilha ao Governo onde era ministro da Defesa, em relação directa com outras violações graves das suas responsabilidades enquanto oficiais de alta patente das Forças Armadas Portuguesas. O papel de quem, inesperadamente, teve de proteger todas as partes envolvidas pois a situação foi levada para o grau máximo de conflito institucional subterrâneo num contexto de selvagem exploração mediática e política.

Quem disser que faria melhor do que Azeredo Lopes nas circunstâncias, ou não sabe do que fala ou não fala do que sabe.

Revolution through evolution

Companies Innovate More When Their Boards Include Women
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An egg a day not tied to risk of heart disease
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People may lie to appear honest
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Commercial air travel is safer than ever
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Swing feel in jazz music: The role of temporal fluctuations
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Praise, rather than punish, to see up to 30% greater focus in the classroom
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Third Reich’s legacy tied to present-day xenophobia and political intolerance
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E uma democracia de pulhas, queremos ser?

Em Portugal, a tentativa mais séria de subverter o funcionamento da democracia liberal através de um “processo incremental” para controlar todos os poderes que fazem os contrapesos democráticos necessários foi durante os governos de José Sócrates - isto é uma opinião controversa, mas só por si o tema dava um livro. Por tudo isto é que me faz pele de galinha quando oiço políticos a fazerem ataques, no mesmo pacote discursivo, à imprensa, aos jornalistas, ou aos agentes da justiça. Não queremos ser uma “democracia de zombies…”, pois não?

Vítor Matos, 27 de Janeiro de 2020

*_*

Não se trata de engano. O dia corresponde no calendário a 27 de Janeiro de 2020, mais de cinco anos depois de Sócrates ter sido detido e preso, mais de oito anos depois de Sócrates ter saído da governação, quase quinze anos depois de o PS ter obtido a única maioria absoluta, mais de trinta e dois anos após o início plenipotenciário do Cavaquistão. E aqui temos o editor de política do Expresso, num espaço editorial, a enfiar Sócrates e o PS na lista das ameaças mundiais à “democracia liberal”. Justiça lhe seja feita, não está sozinho. No circo mediático profissional e na esfera política à direita, a mesmíssima atoarda aparece regular e sistematicamente. Trata-se, na verdade, da principal fonte energética e motivacional de uma multidão de derrotados, ressabiados e decadentes: Sócrates e a atracção do seu fascínio para um direitola que se limita a ver a caravana passar.

O bigodudo guardião do Ocidente livre de socialistas considera, sapiente, que “o tema dava um livro“. No que estará a ser modesto, pois facilmente se percebe como o tema dá um franchising de bibliotecas, bastando algum maduro começar a recolher os textos e as declarações em que se repetiu a alucinada bacorada – tranquilamente uma das mais estúpidas teorias da conspiração que circulam actualmente. Esse delírio implica usar os neurónios de forma tão misteriosa que se torna possível conceber o desaparecimento da “democracia liberal” entre 2005 e 2011 por nunca antes vistas manigâncias de um fulano, seus três ou quatro comparsas e, claro, de um certo partido. Existir, durante esse mesmo período, uma comunicação social monopolisticamente opositora, deputados da oposição em exercício sem limitações de direitos, um Ministério Público onde o seu sindicato perseguia politicamente o Governo, tribunais em funcionamento sem qualquer perda de autoridade e de novo um corpo sindical opositor e persecutório, polícias em acção tão completamente livre que até espiaram ilegalmente um primeiro-ministro em funções e, last but not least, na chefia do Estado um Presidente da República da direita mais rancorosa, a que ainda se soma a oligarquia nacional furibunda alimentando o golpismo, tal não entra nas versões bolçadas pelos evangelistas da diabolização de Sócrates. É que o alvo tem de ser declarado um monstro se o plano for o de derrubá-lo e castigá-lo recorrendo a monstruosa violência. É simples e arcano.

Este Vítor não está a escrever o tão importante livro contra os zombies, nem o fará. Ele abdica da fama internacional e de uma carreira milionária como paladino da liberdade. Sim, seria canja o nosso bravo jornalista explicar, demonstrar, ilustrar e enfiar em trezentas páginas como se deu esse assustador «“processo incremental” para controlar todos os poderes que fazem os contrapesos democráticos» a partir de um gabinete em S. Bento, posto que estamos perante evidências, verdades e, acima e antes de tudo, factos cristalinos. É perguntar a qualquer taxista ou leitor do esgoto a céu aberto, ou então à RTP. Infelizmente, o Sr. Matos prefere deixar a sua marca no século através destas cirúrgicas e sibilinas declarações que acima cito. A facção para quem discursa sabe de ginjeira do que ele está a falar, fiquemos descansados.

Ter um jornalista, com o cargo de editor de política, e numa instituição decana da imprensa hebdomadária, a encher secretamente o bestunto com este tipo de fantasias sórdidas e degradadas já seria preocupante. Ter o mesmo fulano a dar-lhe privadamente voz no seu círculo de relações pessoais já seria grave. Ver o passarão a usar o órgão profissional que lhe dá poder social e político para difundir a toda a extensão da audiência a sua mirabolante calúnia leva-nos em salto quântico para outro campeonato. Isto é equivalente a tomarmos conhecimento de que o nosso médico de família consulta o Professor Karamba quando tem dúvidas sobre a terapia a aplicar a um paciente. Às tantas, o Professor Karamba até acerta ou pior não fica, mas as consultas com o nosso médico de família não voltariam a ser as mesmas depois de se adquirir essa informação. Donde, só com a anuência do militante nº 1 do PSD e do genial mano Costa é possível manter um taralhouco deste calibre na lista de pagamentos.

Quando se vê o Parlamento a tremer de medo do chungoso do Chega, convém lembrar que esse artista se limita a praticar o que aprendeu no PSD de Passos Coelho e nessa direita decadente que domina a comunicação social. Na sua miséria moral, tem o mérito de expor os pulhas mal-habituados a não terem concorrência.

Se promove um racista, se apoia um racista, se defende um racista, então…


Este podia ser um texto jurídico. Um texto a explicar que a Constituição rejeita o racismo, que a República quer dizer alguma coisa, que somos mesmo todos e todas iguais perante a lei.

Esqueçam o Direito. Por um instante.

O que temos visto por estes dias por parte de André Ventura é o regresso à essência mais radical do racismo.

André Ventura usa das palavras - e as palavras têm muita força - para nos devolver ao horror da separação de identidades entre brancos e não brancos. Quem diz identidades diz pertenças. O não branco não pertence, o branco pertence. Daí que lhe saia sem pudor a proposta de deportar a Deputada portuguesa Joacine Katar Moreira, uma não branca que ele faz por identificar como estrangeira, ela que vá para a “terra dela”, eis o apelo aos instintos primários do racismo.

Não consegue o racista André Ventura dizer de mim o mesmo, não consegue sugerir que eu vá para o Brasil, onde nasci, porque não surte efeito. No lodo racista ninguém ousa não identificar-me como portuguesa de origem, natural de gema da terra lusa, enquanto que a pele negra tresanda a estrangeiro.

O regresso de André Ventura à essência do racismo faz dos corpos fronteiras, lugares, este e aquele corpo são ou não daqui consoante a pigmentação, não há cá cidadania no seu discurso fora da lei.

Evidentemente esta jogada monstruosa conta com o racismo presente na sociedade, racismo tão evidente que quando se fala nele salta a indignação em vez de saltar a reflexão.

Portugal é dos poucos países que conheço onde o racismo não é unanimemente reconhecido como um problema sério, estrutural, sendo antes visto como uma “causa” de alguns ativistas que vieram atrapalhar a calma lusa.

Assim sendo, neste caldo, André Ventura avança e adianta que se Joacine Katar Moreira pensa o que pensa é caso para perguntar porque não se vai embora.

La está. Mais uma vez faz de uma deputada portuguesa uma visitante. E faz do racismo um problema das pessoas racializadas. Como se não devesse ser um desconforto ético e moral para qualquer pessoa a existência de racismo, de sexismo, de homofobia ou de qualquer tipo de fenómeno discriminatório, independentemente de se pertencer a uma categoria discriminada. Seria caso para eu fugir do mundo, sendo mulher, por causa do sexismo? Não, mas a resposta é a mesma em relação ao racismo não sendo eu uma pessoa racializada.

A pergunta de Ventura é estúpida mas carregada de intenção. A intenção é a de sempre: gerar divisão, ódio, para crescer nessa onda.

Não é preciso explicar que não se concorda com a proposta x ou y de Joacine Katar Moreira para depois se dizer que estes dias foram alucinantes. As propostas devem ser debatidas com argumentos racionais, em sede própria.

O que não podemos admitir, o que deve merecer a nossa luta feroz, a luta de todas e de todos os democratas, é o racismo primário de Ventura, um cobarde cheio de vergonhas.

Pertencemos todos.

Isabel Moreira

De sócia a “cleptocrata”

Numa coluna mui discreta da página 24 do Público de ontem, 28 de janeiro, é revelado que o novo presidente do conselho de administração da NOS é o sr. Ângelo Paupério, o qual já era também presidente executivo da Sonaecom e presidente da administração do jornal da casa, Público de seu nome.

A NOS é maioritariamente controlada pelo grupo Sonae e por Isabel dos Santos através da holding Zopt, detida em partes iguais pelo dito grupo e pela senhora cujo nome anda agora muito badalado. A senhora dos Santos, que de repente se viu acusada de horrendos crimes financeiros, está a tentar desfazer-se das participações que tinha no Euro Bic e na Efacec. Não se fala é dos 50% da Zopt que pertencem a Isabel dos Santos. É um não-assunto. A NOS paga muita publicidade e com a Sonae não se brinca, de modo que está tudo caladinho.

Mas o grupo Sonae está muito “preocupado”, a acreditar nas últimas três linhas da coluna do Público. Realmente, a Sonae deitou-se com Isabel dos Santos na Zopt, mas agora arrisca-se a não saber com quem vai acordar, o que não é nada bom para a saúde da chafarica. Para já, a Sonae abifou a presidência do conselho de administração da NOS, depois da demissão do anterior presidente e dos vogais que representavam Isabel dos Santos. Nada mau, por enquanto, para o clan Azevedo. Assim a justiça portuguesa saiba proceder de acordo com os interesses da Sonae e tudo poderá correr ainda melhor.

O que o Público tem escrito e vai escrever sobre Isabel dos Santos tem passado e passará primeiro, como é óbvio, pelo crivo dos interesses da Sonae. O máximo que até agora deixaram passar sobre a futura ex-sócia da Zopt foram aquelas bacoquices que a desbocada Bonifácia largou lá há dias, acusando o “socialismo” angolano de “cleptocracia”. Ou seja, acusando a senhora Isabel dos Santos, ainda sócia da Sonae, de ladra… e de socialista!

O ideal para a Bonifácia e também para o director do jornaleco era que Isabel dos Santos, em lugar de ser sócia do clan Azevedo, tivesse qualquer coisa em comum com José Sócrates ou mesmo com António Costa, sei lá. Essa conversa do socialismo foi um nice try, mas é muito fraquinha. Vou continuar a seguir com muito interesse a cobertura que o Público está a fazer do caso Isabel dos Santos e da NOS.

Há vinhaça e festança no melhor jornal da Europa

Pois é, o melhor jornal da Europa é português. Pasmai, ignaros. Mas não só. O Público é também, e cada vez mais, “o mais importante jornal do país“. Qual país? Vamos admitir, por economia de esforço, que se trata deste, o nosso. O que então ajudará a compreender melhor a vaidosa e mentirosa referência a “6,5 milhões de visitantes” no tal país só com 10 milhões. É bué da malta, todos os meses a entrarem no melhor jornal da Europa que acumula em ser o mais importante de um certo país. Não se imagina a trabalheira que dá receber tanta visita, a algazarra, a poeira, a sujidade nas caixas de cumentários. O segredo para esse fabuloso trânsito está na qualidade, what else? Muita qualidade, qualidade que atrai qualidade. Esta qualitativa quantidade enorme de qualificados, curiosamente, precisa de ajuda para descobrir para onde vai, e isto apesar de não falhar mensalmente com a visita ao melhor jornal da Europa, talvez o único poiso onde se sentem acolhidos e cuidados numa comunidade de desorientados. Por obra e graça do império Azevedo, o Público paga a jornalistas independentes, a cronistas conceituados e a especialistas profundos, e são estes bravos que orientam os “pontos de vista singulares de cada leitor” de forma a alargar a sua (deles, a dos outros) visão do mundo em ordem a, portanto (e já sem espinhas), permitir que os milhões de visitantes alicercem as respectivas “melhores decisões“. Faz isto algum sentido? Não tem de fazer.

A crise nos jornais, neste período de extinção das edições em papel, levou ao aparecimento de tácticas comerciais do choradinho. No final dos artigos das edições digitais passou a ser habitual encontrar um texto lancinante onde se coloca o leitor entre a espada da vergonha e uma assinatura da publicação ou mera doação, esmola. Cada órgão reclama ser um bastião da independência e da liberdade, o farol sem o qual todos e cada um iremos encalhar as nossas atarantadas existências nos baixios da ruindade circundante. E nada contra, a civilização que queremos ser precisa do jornalismo livre, fiscalizador dos poderes e… civilizador. Mas, exacta e precisamente, por causa desta civilizada carência não parece a melhor estratégia aparecer ao balcão com o discurso da banha da cobra, como nos exemplos acima. A menos que a intenção seja mesmo a de projectar uma inane e ridícula imagem: apregoar o oposto do que se é.

O que é o Público? É um pasquim, na actualidade. Para além de o jornal andar a servir de instrumento de vingança e perseguição política do accionista desde 2007, para além de pagar a um caluniador profissional e fazer dele uma vedeta de referência editorial, talvez o mais grave, porque mais sórdido e esconso, seja a cumplicidade com o ataque ao Estado de direito. Trata-se de um fenómeno político e social que vem do zeitgeist global, num processo que começou nos anos 80 e se agudizou criticamente a partir da crise económica mundial de 2008 – a que se soma, na esfera nacional, as agendas da direita decadente e da Cofina. Esta fáctica cumplicidade da nossa “imprensa de referência” com as forças e individualidades que deturpam e violam os princípios constitucionais e as leis está ofuscantemente patente no silêncio editorial e jornalístico com que reagem à caudalosa produção da indústria da calúnia e seu cortejo de indecências, violências e crimes. É até possível encontrar nessa mesma angélica “imprensa de referência” defesas preemptivas do Correio da Manhã contra alucinadas e caluniadas ameaças do PS. Talvez um dia vejamos algum director do Público ou do Expresso a denunciar o Código Deontológico do Jornalista como uma invenção dos socráticos para mergulhar o mundo na escuridão do Mal, já faltou mais.

Este o contexto, o pretexto e o subtexto para ir buscar um exemplo “invisível” no meio do foguetório dos casos e das parangonas, assinado por Amílcar Correia: O azar de ter escolhido Azeredo. Não só não há neste planeta quem se lembre do que foi ali escrito a 10 de Janeiro deste ano, excepção para o autor e aqui o pilas, como um inquérito de rua mostraria que não existe quem consiga relacionar o seu nome com alguma cara ou profissão. Será uma excelente pessoa e um profissional exemplar, este Amilcar director adjunto, mas não passa de mais um anónimo no meio da maralha. Contudo, o Público tem público, e o senhor escreve editoriais e tudo. Daí me aparecer como profundamente significativo para a matéria em causa – a degradação institucional da República sob a capa de algum propalado “jornalismo de qualidade” – o conteúdo e estilo deste pequeno exercício de pura maledicência que evoco.

Nele, o editorialista trata as ocorrências em Tancos com soberba e desdém, assumindo aquela pose de taberna em que se fantasia como mestre-escola a lidar com putos ranhosos no recreio: “patético caso de Tancos“, “farsa“, “cómica teatralização“. Quem assim abre as hostilidades sabe o que aconteceu? É o próprio a admitir não saber, o que o deixa reduzido ao estatuto de macaco de imitação. Reagir como se o assalto em Tancos e seguintes peripécias da recuperação do material de guerra fosse apenas uma cegada da tropa-fandanga foi uma opção intencional dos editorialistas e comentariado em 2017, exibição de arrogância e sectarismo ao serviço de agendas de desgaste e ataque ao Governo socialista, ou apenas compensação decadente para a real impotência política desses peralvilhos. Como se a suspeita de haver corrupção nas Forças Armadas e tráfico de materiais de guerra correspondesse à normalidade de décadas e a sua descoberta por inépcia de alguém no esquema o acaso que permitia a feliz oportunidade de usar o embaraço como arma de arremesso político. Como se ver altas patentes militares no topo de instituições fulcrais para a segurança nacional em possível violação dos seus juramentos e responsabilidades não passasse de um número de revista a pedir gargalhadas desopilantes. Foi neste esgoto que o Sr. Correia mergulhou de cabeça e boca aberta.

O pior, infelizmente, foi despejado dois parágrafos a seguir:

«António Costa beneficiou da possibilidade de optar pelo depoimento por escrito por pertencer ao Conselho de Estado, resguardando-se, certamente, da inevitável exposição que o poroso sistema judicial português está longe de impedir ao depoimento seja de quem for. As rápidas e cirúrgicas fugas ao segredo de justiça não abonam a favor da confiança no sistema e contribuem mais para gerar confusão do que para o seu entendimento, como tem sido prática frequente, nomeadamente nos megaprocessos em curso.»

Eis o que o director adjunto do jornal da Sonae garante acontecer na Justiça portuguesa: há magistrados que cometem crimes livremente, impunemente, à doida, com objectivos políticos e/ou pecuniários. E ponto final parágrafo. O editorialista não encontrou mais nada de nada de nadinha de nada para dizer a respeito. O que, então, tem vastas consequências hermenêuticas. Implica uma voluntária normalização da situação. É, denotativa e conotativamente, a “situação”. Onde ele, como jornalista e editorialista, se sente adaptado, funcional.

Não há escândalo, sequer estranheza, há padrão. Hoje, Manuel Carvalho deixa no espaço público estas pérolas:

«A confirmação de que Rui Pinto foi o responsável pela entrega de 715 mil documentos a uma plataforma que luta contra a corrupção em África (seguindo daqui para um consórcio de jornais que integra o Expresso) é uma bomba contra o formalismo burocrático da justiça portuguesa.»

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«Depois de se confirmar que foi o jovem de Gaia a tornar público fortes indícios de nepotismo e corrupção de Isabel dos Santos, a justiça portuguesa terá de sair do conforto da interpretação formalista da lei.»

O valente Carvalho sonha com uma Justiça sem formalidades que só atrapalham quem tem forquilhas e cordame na mão. Uma Justiça que abdique das leis, portanto, posto que são as leis, nascidas com o propósito de cumprirem princípios constitucionais, que andam a espalhar burocracias que aborrecem, irritam, a pulsão linchadora de quem só precisa que se viole a privacidade de terceiros e se exponham as vergonhas a gosto dos que calhem ter o dedo no gatilho.

Escusado será repetir a advertência para que estes editorialistas-pistoleiros pensem uma beca acerca da possibilidade de tal poder vir a acontecer com eles ou com alguém que amem ou com quem tenham laços familiares, sociais, profissionais e/ou políticos, porque é inútil. Escusado será lembrar que nos sistemas de Justiça mais formais, mais garantistas, mais burocratizados, ainda assim é possível haver erros judiciários, alguns intencionais. É inútil apelar à básica decência e à mera racionalidade porque esta “imprensa de referência” está em acelerado êxodo para se transformar numa agência de viagens e num clube de vinhos.

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Surgical masks as good as respirators for flu and respiratory virus protection
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Why eating yogurt may help lessen the risk of breast cancer
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‘Sex Tech’ Study Finds Technology Facilitates Sexual and Emotional Interactions
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Recycled and aged human urine can be used as a fertilizer
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Faking emotions at work does more harm than good
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Why Rilke Resonates in Popular Culture—and Even Politics
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Public distrust in media, helping the public understand how news works
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Governo Fantoche

Não tenho acesso aos números das audiências dos programas televisivos de comentário político (se alguém tiver, é mandar, faxavor), apenas sei que quem comenta em canal aberto tem muito mais espectadores do que nos canais por cabo. Por exemplo, Marques Mendes e Paulo Portas têm acesso a multidões inacessíveis para os seus pares dos canais apenas de notícias no cabo. Noutro e recentíssimo exemplo, a passagem do “Governo Sombra” da TVI24 para a SIC terá resultado numa multiplicação por 8 da audiência, calculando-se terem captado 360 mil espectadores para a primeira emissão no novo poiso.

O que igualmente oferece poucas dúvidas é a vantagem de mascarar como humorístico ou independente, partidariamente neutro, um espaço que depois servirá para típicos comentários – e ataques – políticos. Enquanto um político interventivo no espaço público vê a sua influência condicionada e limitada pela militância partidária ou representação institucional, quem se apresente na arena política apenas como representante de si próprio tem plena maleabilidade para oportunas e oportunistas mudanças de opinião sem que o seu estatuto de comentador “genuinamente livre” fique afectado. Todavia, esta plasticidade opinativa tem como contrapartida ser a manifestação de uma inutilidade legislativa e governativa. Quem faz da política apenas um exercício retórico não puxa carroça executiva, não assume responsabilidades institucionais na República, torna-se é um profissional do espectáculo – e exibe o programa de encher o bolso como primeira e última ideologia.

Os três artistas que protagonizam o “Governo Sombra” dividem-se na forma como desenham publicamente o seu papel político. João Miguel Tavares é aquele que se projecta como superior e decisivo juiz moral da classe política, e do regime, enquanto Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira desvalorizam e menorizam essa influência e preferem mascarar-se de comediantes. Na verdade, na prática, cada um deles é uma vedeta política para além de vedeta mediática. O Ricardo chegou a usar os Gato Fedorento para atacar o PNR quando ainda era mais esquerdista do que rico, e desde que atribuiu a Sócrates a perda do seu dinheiro no BES que se tornou numa coqueluche da direita fanática e bronca (o mesmo fenómeno ocorrendo com mais dois fedorentos). O Pedro participou na elaboração do fantástico programa eleitoral com que o CDS obteve em 2019 o maravilhoso resultado de 4,25% dos votos, por pouco não sendo ultrapassado pelo PAN. E o João Miguel tem sido usado por diversos políticos de diversos quadrantes para diversos fins, chegando ao cúmulo de ter recebido honras de Estado por tal e para tal, o que o deixa extasiante de jactância e proveito pecuniário.

A mistura entre política e espectáculo é neste grupo uma perfeita e imunda mistela. Daí a inevitável hipocrisia e sonsaria com que se retratam:

«Chegam à casa de um fundador do PSD, e antigo primeiro-ministro [Francisco Pinto Balsemão], e cujo diretor-geral de informação é meio-irmão do primeiro-ministro António Costa. Isso não vos condiciona?
R.A.P. — Sabe, não temos Deus nem amos. O programa é, na melhor das hipóteses, uma conversa de café sofisticada. Ninguém aqui tem uma agenda ou está a fazer algum favor.
J.M.T. — Temos uma coisa especial neste programa: ninguém faz contas de cabeça. Ninguém está a pensar no que pode obter, em quem é que vai influenciar. Simplesmente dizemos aquilo que achamos. Isso é muito raro de encontrar.» <- Fonte

O caluniador profissional acha “muito raro de encontrar” quem diga aquilo que acha. E ficamos nós também sem achar o que lhe dizer, pois pode ser doença e não se deve gozar. O mais provável, sem arriscar muito, é ser deslumbramento narcísico e essa pulsão populista básica em que se mercadeja como vox populi para perseguir certos alvos políticos de quem lhe paga. Quanto ao brilhante humorista, ao se permitir desbundar com o patego apregoando uma delirante – e ostensivamente insultuosa – pureza política no “Governo Sombra”, este marmanjão está, na melhor das hipóteses, a exibir uma gula política cada vez mais sofisticada.

Precisamos de recorrer à outra metade da trupe para encontrar um diagnóstico involuntariamente curial, logo seguido de obsceno spin:

C.V.M. — Em relação ao “Governo Sombra”, no Twitter há alguma acidez. É curioso, porque era muito consensual, mas as coisas mudaram no período de Passos Coelho.
P.M. — Hoje ninguém é consensual, com esta coisa do ofendidismo. Tudo o que dizemos pode ofender alguém.

Carlos Vaz Marques usa o Twitter como barómetro e é objectivo na análise. O período de Passos Coelho alterou a percepção e inerentes reacções na opinião pública. Terá então mudado alguma coisa na substância, no posicionamento, do “Governo Sombra” pois não consta que o fenómeno tenha nascido por obra e graça do “homem invulgar”. O que foi? O sr. Marques nada nos diz a respeito, claro. Nem nunca dirá, ou só quando escrever as memórias.

Pedro Mexia chuta para canto e simula ser um calhau com dois olhos que não faz ideia do que o Sr. Marques estava a falar. Acontece que este nosso poeta é um autêntico pedreiro no que toca à repetição dos tropos sectários com que ataca o PS, daí apagar imediatamente da fotografia o tal Passos Coelho quinto elemento gasoso do programa. O problema passa a ser uma coisa a que chama “ofendidismo” e que só existe na sua poética manhosa.

O “Governo Sombra” é um grande sucesso mediático, a equipa que o faz merece legítimos parabéns por isso. Depende do talento do Ricardo Araújo Pereira, sem o qual teria sido outra coisa, e é absolutamente banal e bondoso no seu conceito: usar diferentes registos de humor para fazer crítica política e social despretensiosa de largo espectro. Há público, e muito, para essa descontracção e foi no plano do divertimento que o programa captou a sua crescente popularidade ao longo dos anos. E depois veio Passos Coelho, de facto – isto é, depois veio Sócrates e a maior caçada que o regime fez a um cidadão em democracia. Uma caçada que envolveu directamente um primeiro-ministro, uma ministra da Justiça, um Presidente da República e uma procuradora-geral da República. Uma caçada onde os protagonistas do programa quiseram voluntariamente tomar parte, passando a explorar e amplificar os crimes e linchamentos ocorridos na Justiça e nos órgãos de comunicação social engajados. Ver o Ricardo, o Pedro e o Carlos (o outro não conta, como assumido pulha que é) a usarem violações da privacidade para fazerem deturpações canalhas, assim validando os propósitos da judicialização da política e promovendo o pior do sensacionalismo, é vexante para a comunidade que somos. Isso, amiguinhos e palhaços, deixou de ter graça.

O Sr. Araújo encerra a entrevista ao Expresso aqui citada com um eufemismo: “Vai ser a mesma fantochada. Essa garantia podemos dar.” Não temos qualquer dificuldade em acreditar nas suas palavras. Que estamos perante fantoches é evidente, lá está, desde o período de Passos Coelho.

A coragem republicana que a imprensa portuguesa nem sequer cita

Primeiro pensei que Carlos Alexandre queria ouvir António Costa na instrução do processo de Tancos, destituindo-o da proteção do cargo de Primeiro-Ministro, como que colocando-o neste processo como um cidadão comum e não como alguém que teve ou não teve acesso a algum conhecimento relevante sobre ocaso no exercício de funções públicas e colocando-o perante um juiz de instrução que tem do seu exercício da função uma concepção que está longe de ser institucionalista.
Pensei que Carlos Alexandre queria que essa audição fosse feita em condições que permitissem - nunca se saberia por culpa de quem, porque isso nunca é apurado - uma fuga de informação, uma divulgação seletiva de perguntas e respostas que lhe preenchessem o ego, o fizessem sentir o homem do dia. Dados os seus antecedentes, quiçá o momento em que chamaria à testemunha Senhor António ou pelo menos apareceria no Correio da Manhã um interrogatório à testemunha que lhe permitisse fazer o que a acusação entendeu não fazer.
Nesse quadro, a negativa que recebeu do Conselho de Estado acautelou a dignidade quer da instrução do processo, quer do recato em que o juiz deve intervir, quer ainda a dignidade da função de Primeiro-Ministro. Foi uma rotunda recusa da justiça-espetáculo e da perversa coligação entre magistraturas populistas e jornalistas sensacionalistas que corrói as instituições democráticas e a própria justiça.
Lendo o artigo do Público sobre a insistência de Carlos Alexandre mudei de opinião. Ele nunca quis ouvir a testemunha António Costa. Quer apenas produzir o ruído que lhe permita aparecer nas notícias como o justiceiro a quem os poderosos negaram os meios de ação. Se o seu primeiro pedido era desafiante, o segundo é meramente político-mediático e visa, no limite, negar a Azeredo Lopes a possibilidade de beneficiar da testemunha que indicou, fazendo do juíz no mais típico género populista a vítima dos poderosos. No fundo, este segundo pedido do juíz é um ataque às condições de defesa de um arguido e um gesto cem por cento político destinado ao espaço público.
As magistraturas auto regulam-se. Se permitem, toleram ou encorajam este tipo de atuação é algo que não é irrelevante.
Mas a opinião pública que não denuncie este tipo de atitude é cúmplice da hipocrisia - e talvez receio - com que no espaço público se fala de justiça e política. Bem sei que o próprio António Costa adora repetir a frase “à justiça o que é da justiça, à política o que é da política” em contextos em que pretende proteger-se pessoalmente de um juízo crítico sobre a justiça que também lhe compete como Primeiro-Ministro, líder partidário e deputado eleito. Mas desta vez é ele a vítima da tentativa de fazer política em nome da justiça. Este gesto de Carlos Alexandre não é um desafio ao Conselho de Estado, é uma provocação à separação de poderes e, se resultar na inviabilização do testemunho de António Costa nas condições que a lei permite, um ataque ao direito de defesa de um arguido.
Depois disto só continuará a pensar ingenuamente a relação entre certos agentes da justiça e a política quem quiser. E nunca esqueçam que para o mundo piorar basta os bons ficarem silenciosos.


Paulo Pedroso

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Nota

A única referência que encontrei a este texto em qualquer órgão de comunicação social (ignoro se foi referido em programas radiofónicos e televisivos), se bem interpreto, está num editorial raivoso do Dâmaso do dia 16, onde se lê:

«Para eleitores que toda uma vida votaram à esquerda mas se recusam a ser tratados como carneiros, chega a ser insultuosa a forma como esse PS agregado em Sócrates, mas também em Ferro Rodrigues, como Paulo Pedroso e outros, tentam fazer tiro ao boneco contra o juiz Carlos Alexandre.» <- Fonte

Este general da Cofina repete a cassete de ser Carlos Alexandre o herói da luta contra o mal socrático, a ameaça socialista. E consegue a proeza de juntar Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso nos seus alvos a abater. Vindo de quem ganha muito dinheiro à custa de crimes e indecências, alguém que usa a carteira de jornalista para fazer baixa política e conspurcar o espaço público ao serviço de uma agenda política decadente, também aqui se aplica o repto com que o texto acima termina.

Revolution through evolution

Women in leadership positions face more sexual harassment
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Having less sex linked to earlier menopause
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The ‘male-services’ hypothesis
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How coworkers impact the value of your skills
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Walnuts may be good for the gut and help promote heart health
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The way you dance is unique, and computers can tell it’s you
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African grey parrots spontaneously ‘lend a wing’
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A derrota de Rui Rio

O PSD é o partido mais divertido em Portugal. Voltou a acontecer com estas eleições internas onde o passismo foi derrotado apesar da soberba pressão mediática a seu favor (entretanto, a Impresa meteu os cães no canil, o que valeu a Balsemão um especial agradecimento nesta noite). Quem humilhou a falange passista é um autêntico bimbo político, para a gozação – e a lição – ser ainda maior.

Mas a lição, que não vai servir aos derrotados, interessa à ciência política e à sociologia. Os resultados mostram que a maioria do partido não se identifica com o fanatismo, sectarismo e estratégia do ódio de jovens turcos e velhos do Restelo. Isto lembra o ambiente vivido no PSD quando Passos chegou a presidente, em que existia uma expectativa de abandono do cavaquismo, então representado por Ferreira Leite, Aguiar-Branco e Paulo Rangel. Desejava-se um Sócrates laranja, literalmente, e Passos era quem mais se aproximava do referente pelo visual arejado na comparação, e ainda pela promessa de não estar, nem vir a ficar, no bolso do Aníbal. Depois, viu-se que o PSD subia nas sondagens de cada vez que o PSD permitia ao PS continuar a governar, especialmente para a aprovação do Orçamento de 2011, significando que o eleitorado do PS e do PSD, na sua enorme maioria, queria exactamente o mesmo para o País. Quer inteligência na moderação, moderação no antagonismo, porque esta massa, colectivamente apesar das inúmeras disparidades individuais, procura a segurança como valor supremo da escolha política. Eis o real, estrutural, centrão.

Infelizmente, Rui Rio é um líder fraco. Está apaixonado por si próprio e já não parece que se venha a livrar dessa adolescência em tempo útil. O seu discurso e comportamento não é credível, bastando recordar a campanha que fez para as legislativas para sabermos que a sua palavra não vale nada. O que disse sobre o afastamento entre os cidadãos e os partidos, e a solução que apresentou às três pancadas, é hilariante. E trágico. Porque a tragédia da democracia não está na multiplicidade de candidatos ou na inépcia dos que votam – está sempre, sempre, sempre nos líderes. O afastamento entre os cidadãos e os partidos até poderá ser um sinal de saúde e maturidade democrática, ter um pantomineiro a mandar na barraca é que nos deixa à beira da tragédia.

A propósito de um preso político em Portugal

Liberdade condicional

A liberdade condicional não é um instrumento de tortura psicológica: não deve nem pode servir para forçar uma confissão ou encenar um arrependimento. O relevo da não confissão ou da falta de arrependimento já foi sopesado na concreta aplicação da medida da pena. Surpreende, pois, que seja um argumento para negar a concessão dessa liberdade a quem sempre negou a prática do crime pelo qual foi condenado.


A.R.