Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Para quê ideias quando se tem músculo?

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Que têm em comum estas duas bocas e respectivas cabeças? O PSD, a Católica e Passos Coelho, para começar. E um repetido e impante à-vontade para difamar as instituições democráticas e emporcalhar o espaço público. Não é uma coincidência.

Miguel Morgado faz o sebastianismo de Joana Marques Vidal enquanto trata o actual primeiro-ministro e o actual Presidente da República como cúmplices dos crimes de corrupção – portanto, como criminosos. Indiferente ao absurdo e delírio de fazer depender de um único indivíduo o combate contra a corrupção, o que o motiva na aberração cognitiva é o acto de assinalar a sua disponibilidade para ser agente de violência política. Com ele a mandar nisto, haverá xerifes implacáveis que vão disparar primeiro contra a bandidagem socialista e tratar da papelada a seguir.

Francisco Almeida Leite junta Marcelo Rebelo de Sousa e Pinto Balsemão, mais os respectivos nomes que se podem associar institucional e profissionalmente a cada uma das duas magnas figuras, no Campo Pequeno da sua demente pesporrência e esvazia os carregadores da Gatling. De acordo com o que tecla, o Expresso e a SIC têm um plano secreto (mas que ele topou e resolveu partilhar com a gente séria) que passa por usar Louçã em ataques contra o único juiz que nos pode salvar dos corruptos. Nem o vinho nem outro tipo de drogas explicam tamanha estupidez.

Não é uma coincidência que duas figuras tão próximas de Passos Coelho estejam agarradas à judicialização da política e à politização da Justiça como se a política se reduzisse ao poder para condenar adversários. Passos é o herói destes decadentes porque conseguiu colocar uma comissária política na Procuradoria-Geral da República, e essa magistrada permitiu que se detivesse e prendesse o ícone supremo do ódio político, Sócrates, sem provas para tal e deixando o Ministério Público cometer variegadas irregularidades – e até crimes – antes, durante e depois da caçada. Na verdade, quando se usa a Justiça para perseguir e abater adversários políticos a caçada nunca acaba. O simbolismo de arrastar o corpo do inimigo pelo chão tem um fascínio arcano e deixa em êxtase a tribo triunfante. Pretende-se espalhar o terror nos alvos restantes, transmitir que se é invencível.

Não existe qualquer órgão de comunicação social, nem um, onde se trate com isenção, cidadania e decência a “Operação Marquês”. Não existe qualquer figura pública, uma única que fosse, capaz de apresentar uma análise objectiva do que tem ocorrido na Justiça, no sistema partidário, na Presidência da República e na imprensa a respeito do que está a ser feito a Sócrates. Quem o poderia assumir e apresentar inibe-se porque a neutralidade é impossível quando todo o ecossistema mediático está tomado por sectários ou pós-traumatizados. Restam fogachos de coragem e decência, de que Miguel Sousa Tavares, Garcia Pereira e Pedro Marques Lopes são exemplos que saltam alto na memória.

Passos Coelho e Joana Marques Vidal, com a bênção e munição de Cavaco, representam o futuro de uma direita que desistiu de fingir precisar de ter ideias. Estes ferozes caçadores de socráticos passam agora o tempo a lamentar-se de ter perdido o músculo.

Revolution through evolution

Unattainable Standards of Beauty for Today’s Woman
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Having a food restriction causes increased loneliness
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Kids twice as likely to eat healthy after watching cooking shows with healthy food
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Turmeric and the Anti-Cancer Properties of Curcumin Discussed in Research Review
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Expert Alert: Keep exercising: New study finds it’s good for your brain’s gray matter
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How to stay healthy while avoiding the dirtiest places at the gym
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Chronobiology: ‘We’ll be in later’

Pulhémica no Público

Manuel Carvalho, um vero homem do Norte que acumula com ser um exemplar homem Sonae, inspirou-se em Pedro Abrunhosa (et pour cause) para entrar em 2020 a fazer o que ainda nunca tinha sido feito no pasquim: beliscar a reputação de João Miguel Tavares. Neste editorial – O vandalismo de Leça não é política: é apenas crime – chama-lhe bronco e grunho (embora não necessariamente por esta ordem) e aproveita a ocasião para promover a autarquia de Matosinhos. Que se terá passado? Foi passar o réveillon a Damasco e tropeçou numa mala à saída do aeroporto, caindo em si com estrondo? Não conteve a ira dado ser um famoso comentador de arte que tem enchido o órgão de comunicação social de que é o actual director com sublimes arrebatamentos estéticos? São hipóteses a ponderar mas os 10 euros que tenho no bolso iriam para a aposta de na origem dos açoites dados à criança estar António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, eminência parda do império Azevedo. Não se morde na mão que nos alimenta, nem sequer com mordidelas na reinação porque deixa muita e nojenta baba, explicou editorialmente o Carvalho ao Tavares.

O João Miguel agradeceu o holofote e voltou a mostrar que é uma esponja. Cada pancada que leva em nada o afecta, de imediato está de volta ao formato original. O chouriço que hoje publica – De regresso a Leça, para polemizar mais um pouco – podia ter como sumário executivo: “Hei, Carvalho, olha para este cadáver esquisito feito em 20 minutos a partir da Wikipedia. Que gozação, mano, e pelo preço combinado!”

Apesar do texto da Bárbara Reis, que colocou a adjectivação no radar, o director não carimbou o colunista como demagogo. Isso iria interferir com o gasto sistemático que o director faz do colunista quando é demagogia o que os dois fazem à maneira. À maneira dos pulhas.

Introdução à Ciência Política

«O toque de finados à “geringonça” ocorreu ainda não tinham passado 7 dias desde as eleições legislativas. O PS negou qualquer acordo à esquerda e escolheu o caminho do fio da navalha, com negociações caso a caso. O que parecia ser uma escolha ponderada, demonstra ser uma navegação à vista, fuga em frente após a ida às urnas ter negado a maioria absoluta. O resultado é o impasse nas escolhas estratégicas e a política resumida ao calculismo partidário.»

Fio da navalha

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Que será isso do “calculismo partidário”? E, ainda com maior curiosidade, qual é a alternativa ao “calculismo partidário” num sistema político onde a Assembleia da República, logo a seguir à Constituição, é o garante da legitimidade e viabilidade do Governo precisamente através da representação partidária? Finalmente, quando e onde é que o BE se apresentou sem vestígios de “calculismo partidário”?

Ode à alegria, 1ª resolução de 2020

Bárbara Reis, que parece muito mais útil ao jornalismo como opinadora do que como directora do Público, abre o ano com a invocação da alegria num texto optimista: Um livro para os Demagogos & Cia. Lda.

Estranhamente, apenas indica André Ventura como exemplo de político demagogo – fazendo dele um bode expiatório e uma máscara para a sua cobardia, ou sonsice, ao não dar mais exemplos de políticos demagogos. E, tristemente, omite qualquer nome ligado à comunicação social. Como se não existissem demagogos que ganham a vida, apenas e só, a produzir caudalosa demagogia sob a capa de “jornalismo”, entre outros registos que exploram a ignorância, iliteracia, distracção e preconceitos dos consumidores desses produtos mediáticos. Como se não existissem colegas da Bárbara a autorizarem notícias demagógicas, a escreverem editoriais demagógicos e a serem estrelas institucionalizadas da demagogia e da calúnia profissionais. É assim que o alegado optimismo da autora se revela, no final da leitura, um encardido pessimismo.

Todavia, a intenção recomenda-se. Precisamos de optimismo pois ele é fonte de inteligência. Nesse sentido, avanço com a resolução de, ao longo de 2020, (re)publicar a cada dia 1 do mês este artigo: The problem with solving problems

Trata-se de um conjunto de investigações, lideradas pelo psicólogo Daniel Gilbert, onde se constata como a resolução de alguns problemas nos pode levar a achar que eles estão a aumentar em quantidade ou gravidade. Exactamente a matéria referida no artigo de Bárbara Reis a propósito de um livro de Hans Rosling, onde este relata os seus estudos sobre a deformação das percepções acerca dos problemas mundiais.

As problemáticas inerentes têm vasta aplicação na política e no jornalismo, passando pela esfera individual e privada. Os vieses cognitivos são um dos mais cruciais territórios de defesa da democracia e da liberdade. Basta atentar como os caluniadores profissionais e os pulhas dependem da manutenção das audiências (potencialmente, do eleitorado) num estado de estupidez para continuarem a ter palco e negócio.

Plúvio e o haxixe

A ilusão de verdade é um mecanismo cognitivo descrito cientificamente por psicólogos desde 1977. De lá para cá, o fenómeno não desapareceu nem diminuiu de incidência, aumentou foi a sua literatura e alargou-se o campo experimental, teórico e prático da investigação. Consiste em algo que achamos básico, à disposição do senso comum, assim que tropeçamos na sua descrição: o que nos é familiar parece-nos mais verdadeiro.

Por exemplo, imaginemo-nos a viver numa sociedade onde ouvimos dizer em casa, na escola, no emprego, na rua, que mulheres, etiópicos (ou caucasianos, ou mongólicos), ciganos, homossexuais e judeus (ou muçulmanos, ou cristãos, ou…) são seres inferiores, por isto e por aquilo. E que podem ser ameaçadores, para isto e para aquilo. E que precisamos de fazer qualquer coisa para lidar com a ameaça, diminuir o perigo e garantir a nossa segurança. O que Lynn Hasher, David Goldstein e Thomas Toppino descobriram há 42 anos foi que a frequência com que encontramos certas ideias verbalizadas por terceiros leva-nos – apenas por surgirem mais vezes na cognição – a atribuir-lhes maior verosimilhança. O processo é automático, independente da nossa volição. Parece-nos mais verdadeiro aquilo que conhecemos melhor, e parece-nos que conhecemos melhor o que se repete no nosso mundo social. Espantoso? Ao contrário, perfeitamente lógico numa lógica de sobrevivência para animais sociais. Perfeitamente adequado à vida tribal.

O processo é o mesmo seja qual for o conteúdo da mensagem. As temáticas podem ser inócuas e banais. Como isso de acharmos que conhecemos razoavelmente os vizinhos no prédio, e que só por isso, pela frequência com que nos cruzamos e trocamos palavras de circunstância, eles nos merecem alguma confiança. Exactamente pelo mesmo processo, calhando começarmos a ouvir relatos de que um certo vizinho não é boa rês, que fez ou faz umas coisas terríveis, ou que anda metido com gente do pior, tenderemos a acreditar nos boatos numa relação directa com a quantidade e extensão das ocasiões em que a narrativa se reproduza. Rapidamente, será impossível voltar a olhar para esse vizinho sem a crença de que ele, nalgum grau ou modo, corresponde à imagem espalhada a seu respeito.

Mas não precisa de ser um vizinho, pode ser um colega de escola ou trabalho. Ou uma figura pública. Ou um ex-primeiro-ministro. Imaginemos que um certo político, temido pelo seu carisma e resultados eleitorais, arrastava um histórico de suspeições criminais desde que tinha chegado à liderança de um Governo, suspeições lançadas pelos seus adversários políticos e que se esgotaram na calúnia por nunca ter aparecido sequer indícios, quanto mais provas de ilícitos para oficializar as suspeitas. E que após abandonar a ribalta política partidária se via alvo de uma investigação judicial onde, finalmente, ficava como arguido, preso e acusado de crimes de corrupção que atingiam em cheio as suas decisões executivas como primeiro-ministro e os Governos respectivos como um todo. Não é preciso ter mais de dois neurónios para perceber que o caso irá ser inevitavelmente politizado por todas as razões e mais algumas. Acrescentemos um procurador e um juiz justiceiros, um Presidente da República e um Governo rancorosos e vingativos, uma Procuradora-Geral da República comissária política e uma comunicação social quase totalitária disposta a violar os códigos deontológicos da imprensa e a cometer crimes na ânsia de fazer o linchamento da figura delirantemente odiada até ao desfecho judicial do caso – resolução do mesmo a anos de distância e sendo o auto-de-fé continuamente alimentando pelas violações do segredo de justiça, pela deturpação na apresentação e interpretação dos materiais e dos registos obtidos pelo Ministério Público na investigação, e pelas declarações dos inúmeros protagonistas e comentadores. Neste contexto, a resposta normal das inteligências normais, independentemente da preferência partidária ou ideológica, é a de acreditar no que se ouve a respeito desse famoso e importantíssimo político, no que se lê, no que é repetido de forma sistemática – e báquica – à nossa volta desde 22 de Novembro de 2014. Papa-se tudo, há sangue e fúria, o espectáculo não pode parar. Anormal será manter o espírito crítico.

Saltemos para o Plúvio, personalidade blogueira que ficará soterrada no esquecimento com a marca de ter sido mais uma das vítimas do diabólico engenheiro. Dotado de um impulso anal que o faz coleccionar calinadas das figuras públicas (ou nem por isso), cultor folclórico da língua portuguesa (e nada contra, antes pelo contrário) e usando o HTML para produzir boa diversão com laivos eruditos (foi exactamente para isso que o Al Gore inventou a Internet), borrou completamente a pintura quando entrou em modo Clara Ferreira Alves e desatou a tentar arrancar a mão que, in illo tempore, deu um bacalhau a Sócrates. Nesse seu transe, é possível assistir via blogue ao mecanismo da radicalização social e política comum a milhares e a milhões. Está em causa a sua identidade, a qual ele (tal como a Clara Ferreira Alves a respeito da sua) considera maculada por se ter pronunciado favoravelmente sobre Sócrates algures no tempo – ou assim achar que os outros pensam e não se esquecem. É o que volta a explicar aqui – José Sócrates – à mistura com a promoção de José António Saraiva e do blogue “Porta da Loja”, escória patologicamente fanática. O narcisismo ferido faz exóticos companheiros de cama. Contudo, só trago este relambório chuvoso porque o ladino Plúvio resolveu convocar o grande Valupi, alguém que o deixa confuso e desesperado porque lhe aparece como um defensor desse Sócrates infame criminoso já condenado e executado no seu augado bestunto de fulano que escreve coisas para outros lerem. É assim que nasce o maniqueísmo, esse atrofio bestial, e sumamente estúpido, do “quem não é por mim é contra mim”. Daí não ser capaz de conceber que Sócrates merece um julgamento justo, e que os tribunais existem para nossa segurança colectiva e não para servirem objectivos sectários.

Porém, o que verdadeiramente me interessou no patético exercício de bílis e péssima consciência foi o remoque acerca da palavra assassinato, em que o implacável caçador de desvios gramáticos vai buscar o seu critério punitivo a uma entrada de 1997 no Ciberdúvidas. Ora, tenho uma outra referência de autoridade para a troca: Assassínio ou assassinato é sempre crime.

COROLÁRIO
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Ganza-te à vontade, Plúvio, mas, se a ideia for a de ires teclar a seguir, então mete mais tabaco nisso.

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Revolution through evolution

Progressive Gender Beliefs in Teen Boys May Be Protective Against Violence
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Chimpanzees More Likely to Share Tools, Teach Skills When Task Is Complex
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Proton therapy lowers risk of side effects in cancer compared to traditional radiation
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Intermittent fasting: Live ‘fast,’ live longer?
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Egg whites and whey protein boost testosterone
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Questions to ask before surgery
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Capturing CO2 from trucks and reducing their emissions by 90%

Manuel Soares e os juízos de merda

Manuel Soares, presidente da direcção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, é pago para dizer coisas. No seu último artigo num pasquim de preferência, a propósito de um episódio extraordinário na magistratura portuguesa, diz coisas como estas:

«A decisão do CSM, de não esperar anos e anos pelo desfecho do processo-crime, foi tomada para preservar o valor fundamental da confiança na integridade dos juízes que administram a Justiça. Independentemente da legítima discussão jurídica sobre as subtilezas da interpretação da lei, para qualquer pessoa que olhe para as coisas à luz dos critérios da normalidade e razoabilidade parece inconcebível que um juiz sobre o qual recaiam fundadas suspeitas de actos de extrema gravidade, que o tornem inequivocamente inapto para o exercício da função, possa continuar a julgar nos tribunais. Se for válido o princípio de que aquilo que a todos parece absurdo não pode estar certo, então o sistema tem de ter soluções que afastem o absurdo e harmonizem de forma proporcional todos os interesses em conflito.»

Na berlinda, o juiz Rui Rangel. Expulso da magistratura pelas razões aludidas no parágrafo após avaliação dos factos descobertos na investigação judicial onde é arguido. Todavia, o discurso mediatizado pelo juiz Manuel Soares, na sua brevidade e síntese em três frases, podia ser usado como texto inicial num curso de introdução ao Estado de direito democrático tal a importância e complexidade dos pressupostos. Por exemplo, em que consiste a “integridade dos juízes que administram a Justiça”? Em que consistem “as subtilezas da interpretação da lei”? Em que consistem os “critérios da normalidade e razoabilidade”? Em que consistem os “actos de extrema gravidade” que levem um juiz a ser considerado “inequivocamente inapto para o exercício da função”? Em que consiste, onde se fundamenta, e como se aplica, o totalitário princípio de que o “que a todos parece absurdo não pode estar certo”?

Podemos adivinhar as respostas que o autor daria se questionado implacavelmente acerca das suas declarações. De imediato, invocaria a impossibilidade de responder num artigo de opinião tal a vastidão, a minúcia, a ciência jurídica em causa nessas problemáticas. Depois, se quem o interrogasse insistisse, começaria a despachar brocardos avulsos, na ânsia de afastar o moscardo a golpes de latinagem. Daqui saltaria para o argumento de autoridade, isso de o Conselho Superior da Magistratura ser um conclave de sábios para quem estas matérias são canja. Finalmente, calhando a curiosidade superar a cagança, imitaria o juiz Potter Stewart e o seu celebérrimo “I know it when I see it” com que definiu o que era a pornografia nos anos 60.

Na verdade verdadinha, quando se invocam “critérios da normalidade e razoabilidade” só se deixa confundir ou enganar quem quiser. O que seja a normalidade e a razoabilidade não será nunca objecto de definição embora tenha sistemática e fundamental aplicação nas sentenças proferidas pelos tribunais – por incontornáveis e bondosas razões, os códigos não passam de papéis pintados com tinta que estabelecem abstracções verbais para serem aplicadas a casos concretos por concretas subjectividades. Vede como o Tribunal da Relação de Lisboa justifica com a figura do “cidadão médio” uma sentença que obriga João Araújo a pagar oito mil euros de indemnização a uma jornalista que emporcalha o espaço público com crimes cometidos no órgão de informação onde trabalha:

«Os juízes desembargadores Abrunhosa de Carvalho e Maria Leonor Botelho dão como provado que João Araújo quis atingir a jornalista na sua honra. "Para o cidadão médio as expressões 'A senhora devia tomar mais banho, cheira mal' e 'Aquela jornalista com mau aspeto' são ofensivas, porque nelas 'não avulta em primeiro plano a discussão objetiva das questões mas antes o enxovalho das pessoas', isto é, não correspondem a qualquer crítica ao desempenho profissional da assistente, que era o que estava em causa, mas são meramente depreciativas da sua pessoa, pelo que são ofensivas da honra e consideração." Pelo que mantiveram a condenação sem alterações.» <-> FONTE

Quem será este “cidadão médio”? À luz da jurisprudência citada, é o tal cidadão que reage com indiferença, ou até com aplauso, aos crimes cometidos por magistrados e jornalistas para atacarem alvos políticos e alimentarem a indústria da calúnia. Nesse estado de espírito, do alto dessa pirâmide axiológica, o cidadão médio fica furibundo é com expressões descorteses contra senhoras da Cofina. Porrada no mulherio, até com mocas de pregos, vá que não vá (até porque muitas das vezes os coitados dos agressores nem sabem ao certo por que estão a sovar as vadias, mas nada se perde pois elas não são nenhumas santas e, lá no fundo, aceitam a justiça que as atinge ao soco e ao pontapé). Agora, um causídico sair de um tribunal, ser perseguido de microfone na mão por quem usa um órgão de comunicação social para mentir, difamar e caluniar, e, nessas circunstâncias, ter o desplante de reagir com uma metáfora moral que a antropologia explica e a psicologia evolutiva valida, isso deixa o cidadão médio com ganas de pegar no cordame, na forquilha e tratar do assunto pelas suas próprias mãos.

O que seria lindo de ver, e que fica como impossível de alguma vez ser visto, seria o magnífico juiz Manuel Soares a comentar a que se referem os desembargadores Abrunhosa de Carvalho e Maria Leonor Botelho quando aludem à “discussão objectiva das questões”. É que, aplicando aqui à padeiro o tal princípio do que a todos pareça absurdo não poder estar certo, até o famigerado cidadão médio concorda que esperar de João Araújo, naquela situação, um qualquer ensaio de discussão objectiva com Tânia Laranjo ficaria como um monumento ao absurdo. À luz dos critérios da normalidade e razoabilidade parece inconcebível que uma jornalista sobre a qual recaem fundadas suspeitas de actos de extrema gravidade, que a tornam inequivocamente inapta para o exercício da função dado não respeitar os códigos deontológicos e legais respectivos, possa continuar a assediar um advogado à porta do tribunal. Donde, uma forma ajuizada de ter soluções que afastem o absurdo e harmonizem de forma proporcional todos os interesses em conflito consiste, precisa e exactamente, em chamar merda ao que merda é.

Cuidado, não enfies o sapato neste buraco negro

Nesta notícia do ObservadorAstrónomos detetam o maior buraco negro que está mais próximo da Terra – ficamos a saber que (i) há buracos negros próximos da Terra, que (ii) nesse grupo, alguns são maiores do que outros, que (iii) existe um buraco negro que consegue o feito inconcebível de ser, em concomitância, o maior e o mais próximo, embora possa não ser, em simultâneo, nem o que está mais próximo nem o maior dos que não estão tão próximos.

Percebem? Ajuda a perceber quando olhamos para a autoria do texto e vemos escrito Agência Lusa, talvez a maior fonte de iliteracia científica mais próxima do espaço público, gerando com entusiasmo e consistência aberrações cognitivas que a imprensa, inclusive a mais modernaça, replica sem qualquer tipo de edição. A sandice do artigo continua por ali fora como se a inteligência dos leitores tivesse desaparecido num buraco negro não tão grande mas calhando estar bué mais perto. E chega-se ao ponto de fazer uma revelação que vai obrigar à reescrita de todos os tratados de cosmologia e astrofísica:

«Um dos maiores buracos negros no Universo, o “TON 618”, com uma massa equivalente a 66 mil milhões de vezes a do Sol, está a uma distância muito maior, a 104 mil milhões de anos-luz da Terra.»

Pois é, senhores ouvintes, o ganda TON, depois de ter devorado este universo, e o outro, e ainda o outro a seguir, e mais 6 ou 7, foi descansar e fazer a digestão a uma distância (da Terra, atenção, cuidado) de 104 mil milhões de anos-luz. Como os físicos actuais, famosos por não lerem a imprensa portuguesa, calculam que o Big Bang ocorreu há perto de 14 mil milhões de anos, é só fazer as contas e mandar parar as rotativas.

Mas que importam as datas das cenas astrocósmicas quando o menino Jesus nasceu numa agradável noite de Primavera e tem de gramar com o aniversário no começo do Inverno, nem sequer sabendo ao certo a idade que tem?

Revolution through evolution

Men think they’re better liars
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Mothers’ and babies’ brains ‘more in tune’ when mother is happy
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Home hospital reduces costs, improves care
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Study Suggests Early-Life Exposure to Dogs May Lessen Risk of Developing Schizophrenia
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Your DNA is not your destiny – or a good predictor of your health
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Neuroscientists reveal the basis of confirmation bias
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Black Teens Face Racial Discrimination Multiple Times Daily, Suffer Depressive Symptoms as a Result
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Lapidar

Delatores e quejandos

Bufos, chibos e delatores pertencem a uma mesma realidade subterrânea, ainda que delator se queira agora fazer passar por palavra redentora. É da história que nunca o serem bufos, chibos ou delatores lhes trouxe dignidade, e, muito menos, à justiça quando desta foram apaniguados.
Nas páginas digitais do Conselho de Prevenção da Corrupção e da Procuradoria-Geral da República existem espaços em que qualquer cidadão, mesmo de forma anónima, pode denunciar o que lhe aprouver. Lamentavelmente, não se sabe para que têm servido ao longo dos anos. A opacidade que rodeia estes pretensos instrumentos de combate à corrupção e crimes afins permitem ajuizar da sua irrelevância. Presumo que sejam sustentados por delatores morais, em tudo idênticos àqueles justiceiros que vagueiam pelas caixas de comentários dos média.
A justiça tem um preço ético e não é quando se abdica dele que se torna mais eficaz. Todas as reformas que cedem à demagogia da eficácia serão sempre passos para novas cedências.


A.R.

Metáforas

«O planeta 'HD 45652b', agora designado como Viriato, que liderou o povo lusitano contra o domínio do Império Romano na Península Ibérica, foi descoberto em 2008 e é constituído maioritariamente por gás, estando localizado na constelação Monoceros (Unicórnio).

A sua estrela, a 'HD 45652', batizada como Lusitânia, que era uma das três províncias romanas da Península Ibérica onde vivia o povo lusitano e que coincidia na sua maior parte com o território português atual, é uma anã laranja, que o seu planeta leva 44,1 dias a completar uma órbita.»


Fonte