Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

A Joana é a nova TINA

Não temos notícia de à esquerda se judicializar a política e de se politizar a Justiça, a caminho dos 45 anos depois do 25 de Abril. À direita, sim. Se esquecermos o período exótico e tão-só mediático de O Independente, em que uma direita instalada e omnipotente se viu beliscada por uma direita de franja e vanguardista, tal fenómeno começou de forma estratégica em 2004, com a invenção do caso Freeport, e não mais deixou de ser a principal arma da direita decadente contra o PS – tendo chegado ao ponto em que se espiou ilegalmente um primeiro-ministro em funções, com a intenção tentada de o abater judicialmente, e em que um Presidente da República lançou, ou assumiu, uma golpada mediática que alimentava esse clima de perseguição judicial a um Governo em cima de umas eleições legislativas.

Agora, com o alvoroço dessa mesma direita para explorar o final de mandato da procuradora-geral da República, estamos a assistir a uma jogada em que os pulhas acham que vão sempre sair a ganhar. Se Joana Marques Vidal for substituída, farão uma festa e mergulharão de cabeça na calúnia mais torpe e rancorosa. Se a senhora ficar mais 6 anos a mandar na PGR e a mandar recados para a Cofina, farão uma festa e, fatalmente, mergulharão de cabeça na calúnia mais torpe e rancorosa. Neste último cenário, porque tal lhes possibilitará dizer que tinham razão ao ter acusado o PS de ser um partido essencialmente corrupto que dominou criminosamente a Justiça portuguesa na era pré-Vidal. Last but not least, igualmente virão repetir que foi essa corrupção socialista em auto-estradas, aeroportos, linhas de TGV e, não esquecer, as faraónicas fundações, que levaram Portugal à bancarrota. Em qualquer dos cenários, a festança da calúnia está garantida aconteça o que acontecer.

Há uma direita conservadora que prefere as instituições do Estado ao tribalismo e que sai a terreiro em defesa da lei. Há uma direita liberal que faz do Estado de direito o seu primeiro e principal tesouro civilizacional. E depois há a pulharia. A pulharia não suporta Rui Rio pois este resiste a ceder o palco aos videirinhos, aos hipócritas, aos broncos. Dizer que Joana Marques Vidal é insubstituível porque, no seu mandato, houve razões legítimas para investigar Sócrates e Salgado já seria absurdo o suficiente para não ligar mais a essas vozes. Mas fazer de Pinto Monteiro – escolhido por Cavaco e condecorado por Cavaco precisamente por causa do seu mandato como PGR, o que o deve ter enchido de azia – um alvo para acusações que ofendem a sua honra e a nossa inteligência é relevante pelo grau de indecência com que esta direita trata a República. O à-vontade com que responsáveis políticos e os impérios mediáticos da direita se permitem cobrir de infâmia um número indeterminado de magistrados expõe a violência que os anima e consome. Uma violência contra a liberdade.

Revolution through evolution

People Who Embrace Traditional Masculinity Beliefs Less Likely to Report Rape to Authorities
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Research Finds Troubling Disadvantages, Including Bias, Against Women in Business
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Simple Nerve Stimulation May Improve Sexual Response in Women
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Study: A responsive partner can mean a longer life
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Why we stick to false beliefs: Feedback trumps hard evidence
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Psychopathy: Murder, Myths, and the Media
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The Digital Age Requires a New Way of Working
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Continuar a lerRevolution through evolution

Observador protege o Ocidente dos tentáculos da Global Media

O nosso amigo Eremita deu-nos recentemente o prazer da sua presença para batermos bolas displicentes à volta da problemática da imprensa, em geral, e do Observador, em especial. Chegou a deixar este desafio:

«Dá-me um exemplo em que o Observador tenha violado as boas práticas do jornalismo. O resto é conversa, Valupi. Venham os factos.»

Fonte

Apesar de o Eremita se contentar com a ausência de erros ou mentiras factuais para considerar cumpridas “as boas práticas do jornalismo” – daí, uma discussão com ele nesta matéria não levar a um acrescento de inteligência para qualquer das partes – vou aproveitar a deixa e molhar a sopa numa peça deliciosa publicada no Observador, de Carlos Guimarães Pinto, que ainda está fresca e que versa precisamente sobre parte da conversa tida neste pardieiro aspirínico: A imprensa pode ser novamente sustentável?

A coisa é apresentada como um ensaio. E não há a menor dúvida de que o autor se ensaia. Começa logo pela promessa: «Como podem os jornais portugueses sobreviver à crise e manter-se independentes? Com subsídios do Estado? Com cedências ao entretenimento? Com assinantes que paguem?» Quem chegar ao fim da leitura vai descobrir que este Pinto não sabe responder às perguntas que levanta, e isso apesar do tempo perdido a recolher tabelas e gráficos repletos de palavras e números. Todavia, há um leitmotiv que não larga, uma mensagem que repete de alto a baixo na página recorrendo a diferentes vestimentas para o patego não estranhar a sanfonina. Esta: “Aqueles tipos da Global Media são uns perigosos socráticos que vão dar cabo da democracia e da liberdade no Ocidente”. Vejamos o modus faciendi deste arremedo de jornalismo.

i)

«A pergunta, sobre a qual se debruça este ensaio, ultrapassa as margens de uma análise estritamente económica: sem uma imprensa livre, a qualidade da democracia deteriora-se.»

E o que é isso de uma “imprensa livre” para o autor? Não está definido no texto. Talvez porque ele esteja a escrever só para quem já possua a hermenêutica a aplicar. Mesmo assim, arrisco concluir que por “imprensa livre” este Pinto se está a referir ao conjunto dos órgãos de comunicação social que não possam ser identificados por terem qualquer relação accionista com a Global Media. É o que o resto do lençol comprova.

ii)

«Apenas as injeções de capital da até então desconhecida sociedade macaense KNJ Global mantiveram o grupo [Global Media] à tona. Desconhecem-se as motivações da sociedade em causa para o investimento mas, olhando para os recentes resultados do grupo e para o volume insustentável de prejuízos, só por ingenuidade se poderá assumir que as motivações se prendem com a obtenção de retorno financeiro.»

O argumento reza assim: se um qualquer negócio regista prejuízos e continua a ter quem pague as contas, ficamos com carta branca para caluniar. Apliquemos essa lógica à Amazon, uma empresa cujo modelo de negócio passa por assumir décadas de prejuízos e lucros marginais. Este Pinto diria que só por ingenuidade não víamos o que ele via, que o Jeff Bezos é um desprezível socialista disfarçado de genial empresário. De registar, ainda, as suspeitas que este Pinto, o qual se pinta como liberal, lança contra sociedades de investimento que alega desconhecer. Ficamos nós, igualmente, com a suspeita de que a sua concepção de mercado livre se confunde ao nanómetro com o modelo da economia planificada dos sovietes. Só aí ele atingiria o descanso de tudo controlar, deixando de ter medo da iniciativa privada e do direito desta a meter o seu dinheiro onde lhe der na gana achem os Pintos deste mundo o que acharem.

iii)

«[...] o Público apenas sobrevive graças às permanentes injeções de capital do acionista de referência (a Sonae), sem as quais já teria cessado de operar há vários anos.»

Hã?! Mas, bá lá ber, então o Público também tem prejuízos e só se aguenta por haver quem pague as contas?… Bom, o que vale é que, como explica este Pinto por omissão, aqui não temos de nos preocupar com eventuais ingenuidades. Está tudo bem, é a Sonae a meter o dinheiro. E a Sonae é fixe, é bué conhecida, o Público é bacano. Já lá estiveram a fazer das suas o Zé Manel e David Dinis, tudo malta observável, paradigmas do “jornalismo” que este Pinto admira. Donde, no pasa nada.

iv)

«Em 2015, o jornal diário i, que vinha acumulando perdas acabou fundido com o semanário Sol na Newsplex, resultando no despedimento de cerca de metade da redação dos dois jornais. De acordo com o maior acionista, Mário Ramires, o grupo Newsplex está hoje no “limiar da sustentabilidade”, mas, apesar do caminho percorrido, estes ainda são jornais com uma reduzida presença no mercado nacional.»

Quê?! Mas, caralho, então o i e o Sol também andam a ser levados ao colo pelos accionistas?… Isto seria grave se tivéssemos algum risco de ser ingénuos ao tentar perceber a situação desses jornais. Felizmente, este Pinto repete a fórmula usada com o Público, não dando o menor sinal de alarme. Creio que tal se deve à sua profunda convicção de que nesses dois casos as motivações dos accionistas são estritamente relativas à esperança, à certeza, de estarem no caminho do retorno financeiro. A única dúvida que persiste é a de saber se tal acontecerá antes ou depois do Olímpico do Montijo ganhar a Champions.

v)

«Entre os grupos de comunicação social que se focam na imprensa escrita em papel, apenas a Cofina se mantém numa situação financeira relativamente saudável. Esta saúde financeira é obtida, em boa parte, graças às vendas do Correio da Manhã, um jornal que revolucionou a forma de fazer notícias em Portugal e que é hoje o mais vendido do país, alimentando ainda um canal televisivo de notícias. Com um jornalismo agressivo, muitas vezes na zona cinzenta da ética jornalística, e com tendência a misturar informação e entretenimento, o Correio da Manhã consegue ter uma tiragem maior, por exemplo, do que todos os jornais do grupo Global Media juntos.»

Parece que a Cofina se encontra num estado interessante, descrito como “situação financeira relativamente saudável”, a acreditar no ensaio. Ora, desde o Einstein que é tudo relativo (excepção para a velocidade máxima da luz, ou nem isso segundo alguns malucos), pelo que não ficamos a saber o que se passa nas finanças da Cofina apenas recorrendo aos caracteres exibidos. Já quanto ao entusiasmo deste Pinto com o Correio da Manhã, aí ficamos logo com a informação completa. O tabloidismo foi uma revolução, declara triunfal, e as torrenciais violações do Estatuto e Código Deontológico dos Jornalistas, a que se somam os crimes da violação sistemática do segredo de justiça para certos alvos e seus danos nas vítimas, são coloridos a cinzento segundo os pardos critérios éticos deste Pinto. Eis o cenário onde volta a ir buscar a Global Media, agora para a espezinhar na comparação: se és decente, vais à falência; se és pulha, tens o povinho aos teus pés. Toma e embrulha, Global Media!

vi)

«Finalmente, existem dois grandes grupos de comunicação social que juntam imprensa escrita, rádio e televisão: a Impresa e a Media Capital. [blá, blá, blá] Ainda recentemente, o grupo liderado por Francisco Balsemão viu-se forçado a vender todas as suas publicações, com exceção do semanário Expresso, o que inclui as revistas Visão, Exame, Courrier Internacional, Caras, entre muitas outras. O grupo comprador, Trust in News, liderado pelo jornalista Luís Delgado, adquiriu estas publicações por 10 milhões de euros. Acresce a esta situação o facto de a Media Capital acabar de sair de um processo de venda que não foi bem-sucedido, tudo indicando que o acionista Prisa continua à procura de comprador.»

What?! Mas, ó deuses e santos nos acudam, o Balsemão também não sabe como vender papéis pintados com tinta e cenas parecidas? E continua a meter dinheiro no Expresso apesar dos pesares?… Hum… naaa… É o Balsemão, gente séria. Ele até tem um cartão laranja para apresentar se alguém duvidar da sua seriedade. Aliás, se houvesse algum perigo para a “qualidade da democracia”, com isto de o accionista estar a suportar um projecto mediático falido, este Pinto seria o primeiro a avisar. E ele aqui nem pia. O mesmo para a Media Capital e a Prisa acerca das suas peripécias financeiras, tudo bons rapazes (à mistura com boníssimas raparigas, como a saudosa Manuela Moura Guedes e o seu cristalino “jornalismo”).

vii)

«as empresas cujo foco de negócio é maioritariamente a imprensa escrita apenas sobrevivem graças a injeções de capital de acionistas, cuja boa-vontade pode não ser sustentável no tempo ou pode até ter motivos que interfiram com a independência dos seus jornalistas.»

Cá está a tese na sua formulação sintética. Tem a graça da simplicidade. Este Pinto faz a papinha toda aos seus leitores. Ou os accionistas que investem na imprensa escrita vão perder dinheiro por boa-vontade, ou os accionistas são os da Global Media, e isso implica interferências na independência dos seus jornalistas. É simples. Tem graça. É uma papinha caluniosa para alimentar borregos.

viii)

«No caso do Observador tem sido difícil atingir um saldo positivo em termos operacionais, o que é expectável nos primeiros anos de existência. Apesar de não ter a estrutura pesada de jornais mais antigos, também acumulou perdas nos primeiros quatro anos de existência. Por forma a cobrir o investimento inicial e as perdas dos primeiros quatro anos, os acionistas já injetaram cerca de 5,2 milhões de euros no jornal. A expectativa do Conselho de Administração é que o jornal atinja o break-even no próximo ano, o que seria um bom indicador de sucesso do modelo.»

O Observador está munido de directores, gestores e administradores que não brincam em serviço e que, acima e antes de tudo, são alérgicos a socialistas. É por isso que, como explica este Pinto, se podem dar ao luxo de acumular perdas nos primeiros quatro anos porque o El dorado está à vista, é já para o ano. Faz lembrar o Passos Coelho, et por cause, quando a cada novo empobrecimento fanático do País vinha cantarolar que a “recuperação” começava no ano a seguir. São optimistas, claro. Mas, convém repetir, o que eles não são é socialistas que interferem na independência dos seus jornalistas. Eles seguem outra estratégia, só contratam jornalistas com quem não seja preciso fazer essas porcarias socráticas, já chegam prontos para todo o serviço.

ix)

«Como foi escrito acima, há dois grandes grupos de comunicação social, Media Capital e Impresa, que têm como principal fonte de receitas os seus canais de televisão, que beneficiam de um subsídio indireto do Estado sob a forma de acesso exclusivo à televisão digital terrestre. Este acesso exclusivo vale dezenas de milhões de euros. É graças à vantagem competitiva trazida por esse acesso exclusivo que esses canais podem manter grandes audiências e alimentar todo o grupo. Outra forma de subsidiação pública é através de contratos de publicidade com entidades públicas ou empresas privadas próximas dos centros de decisão políticos. De uma forma ou de outra, os decisores políticos mantêm assim os dois grupos de comunicação social na sua dependência. Ou seja, o financiamento público já existe de forma encapotada, mas tem como único efeito a restrição da concorrência e não o oposto. Dificilmente aumentar esse financiamento traria mais independência e qualidade na informação.»

Ui, a Media Capital e a Impresa mamam subsídios do Estado que lhes permitem suportar os custos dos seus impérios mediáticos falidos… Escândalo para um puro liberal antixuxas como este Pinto? Que nada, pá. Como tem a misericórdia de explicar, o único problema nesta situação diz respeito à “restrição da concorrência”. De resto, como essas empresas estão na posse da gente séria, a sua independência mantém-se intocável face ao Estado e respectivas pressões malignas. Claro, se o mesmo acontecesse com a Global Media seria o fim do mundo em cuecas, porque nesse grupo só há bandidos socráticos e mafiosos chineses.

x)

«Se a alternativa do financiamento público parece ser má, uma segunda alternativa seria aceitar que a imprensa escrita terá sempre que depender de financiamento de acionistas com variados interesses (que podem ir do puro altruísmo à vontade de controlar a informação) – restando regular para que esse financiamento e motivações sejam transparentes para os leitores. Em boa parte, isto pode ocorrer por autorregulação. Por exemplo, recentemente, num artigo no Público, João Miguel Tavares levantou questões e suspeitas sobre o interesse do grupo macaense KNJ em investir na Global Media. Já o Correio da Manhã, do grupo Cofina, revelou escutas sobre esse mesmo grupo, ligando-o a José Sócrates e à sua rede de influências. Os consumidores que tenham tido acesso a estas notícias certamente saberão interpretar aquilo que é escrito nos órgãos da Global Media à luz daquilo que leram.»

Há accionistas que perdem dinheiro por altruísmo, um refinado e esterilizado angelismo capitalista. E depois há a Global Media que pretende controlar a informação, defenestrar a Joana Marques Vidal e impor mil anos de terror. Ocasião em que este Pinto vai buscar uma reputadíssima autoridade em matérias económicas, financeiras, mediáticas e judiciais cá do burgo, o famigerado caluniador profissional João Miguel Tavares. Pois parece que esse senhor levantou suspeitas sobre os macaenses, talvez por não ter gostado do cheiro dessa rapaziada. Igualmente, o distinto e admirável Correio da Manhã é convocado para se ampliar uma das suas especialidades, isso de conseguirem ligar diariamente José Sócrates à origem, volume e dinâmica da criminalidade mundial. Como diz do alto da sua honestidade intelectual, trata-se apenas de um “exemplo” que ocorreu ao autor. Podiam ter sido outros os exemplos, óbvio, mas calhou ser este onde volta a avisar a malta para os perigos que a “rede de influências” de Sócrates aliada às máfias chinesas representa para a segurança e identidade da Grei. Pelo que, conclui impante de razão, calhando os “consumidores” consumirem desta droga, certamente conseguirão tripar com mais facilidade ao lerem “aquilo que é escrito nos órgãos da Global Media”. E quão mais marada for a droga, mais delirante será a interpretação, fica a promessa.

xi)

«Também recentemente, a propósito do caso de poluição ligado à Celtejo, vários órgãos de comunicação social chamaram a atenção para o facto de a Celtejo e o Correio da Manhã partilharem um grande acionista, o que, tal como no caso anterior, fará com que os leitores tenham um cuidado especial ao ler as notícias sobre a Celtejo que saiam no Correio da Manhã.»

Cá está, este Pinto não é caluniador, sectário, sequer preconceituoso. Aqui o vemos a atacar o Correio da Manhã a propósito da Celtejo, avisando-nos para ter o maior cuidado ao lermos alguma coisa no pasquim a respeito desse exclusivo assunto que não deixa dormir os portugueses e ameaça os pilares do regime. Apesar da sua boa vontade, talvez estejamos perante um caso de excesso de zelo. É que o Correio da Manhã tem feito um esforço sobre-humano para quase nada noticiar a respeito da Celtejo. Pelo que se torna inglório estar sempre com cautelas quando a autocensura dessa rapaziada nos resolve o problema. O esgoto a céu aberto na comunicação social abafa o esgoto a céu aberto no Tejo. Uma pulhice lava a outra. Abre a pestana, Pinto.

xii)

«O Observador também se expos a esse escrutínio tornando pública a lista de acionistas desde a sua fundação. Ou seja, se os grupos de comunicação social forem independentes uns dos outros, o próprio processo de concorrência levará à autorregulação e à descoberta dos interesses dos financiadores – desde que os acionistas sejam conhecidos. Havendo diversidade suficiente, os leitores poderão sempre filtrar aquilo que leem. O ideal seria que esses interesses fossem declarados à partida, mas num país onde até é raro os órgãos de comunicação social identificarem a sua tendência ideológica (apesar de, em muitos casos, ser bastante evidente), dificilmente se esperaria que isso acontecesse.»

Pelos vistos, temos de descobrir os “interesses dos financiadores” se quisermos tomar um pequeno-almoço descansado na companhia de umas notícias matinais. Infelizmente, este Pinto não consegue revelar quais sejam os interesses dos accionistas do Observador. O que torna mais difícil descobrir quais os filtros a aplicar calhando lermos e ouvirmos o que se publica com a sua chancela. Uma coisa parece certa: o Observador tem uma tendência ideológica. Será o antisocratismo?

xiii)

«O Correio da Manhã utiliza essas sinergias de tal forma que por vezes se torna difícil perceber onde está a fronteira entre o entretenimento e a informação. Mas é também graças a essa estratégia que preserva a sua independência económica e editorial, algo de que poucos órgãos de comunicação social de relevo se podem orgulhar.»

Não há qualquer dúvida para este Pinto, o Correio da Manhã é um caso de orgulho nacional. Eles difamam, caluniam, mentem, perseguem, cometem crimes, objetificam as mulheres, vendem voyeurismo, espectacularizam a violência, acicatam os mais baixos instintos da populaça mas… fónix… resistem independentes cercados por socráticos e chineses mafiosos. Que orgulho, que inspiração, para a indústria da calúnia!

xiv)

«O valor económico da imprensa vai muito para além daquilo que o consumidor está disposto a pagar. Parte desse valor económico resulta das externalidades positivas para a sociedade como um todo e para a saúde de uma democracia. Mas, ao contrário de outros bens com as mesmas características, a imprensa perderia essas externalidades se fosse financiada pelo Estado. Percebe-se rapidamente porquê: a imprensa também tem valor económico para quem procura controlar aquilo que é publicado. Empresas, partidos políticos e grupos de pressão têm um grande interesse em controlar aquilo que é publicado na imprensa. A forma mais simples de o fazerem é ter na sua dependência (direta ou indireta) um conjunto de órgãos de comunicação social, permitindo controlar aquilo é ou não divulgado.»

Este é o argumento mais interessante que o ensaio oferece para a posteridade. Carece é de uma rápida descodificação que vou oferecer aos incautos. Será mais ou menos isto: a “saúde da democracia”, e a “sociedade como um todo”, tem a ganhar quando “empresas, partidos políticos e grupos de pressão” dominam “aquilo que é publicado na imprensa”, daí termos de impedir o Estado de estragar esses negócios onde os privados passam a “controlar aquilo que é ou não é divulgado”. Percebido? Talvez não, pelo que faço nova tentativa: este Pinto acha que a imprensa deve ser controlada pelos seus amigos políticos, e só pelos seus amigos políticos. Se ainda existirem dúvidas, o ponto seguinte vai desfazê-las.

xv)

«À medida que as fontes de financiamento passam de quem tem interesse em consumir informação para quem tem interesse em controlá-la, a quantidade, qualidade e diversidade da informação tenderá inevitavelmente a diminuir. A existência de concorrência interessada aliviará em parte o problema de conflitos de interesses, mas dificilmente será suficiente para garantir uma comunicação plural como aquela que é essencial existir em democracia.»

Os incautos tenderão a achar que o autor está realmente preocupado em garantir “uma comunicação plural” por causa do seu supino cuidado com a democracia. Acontece que ele escreveu um pretenso ensaio onde de forma maníaca explora o medo dos ignaros, diabolizando um grupo de comunicação social que lhe aparece como um alvo fácil para espalhar o seu ódio ao PS. É daqui, desta intenção, que vem também a defesa do Correio da Manhã e seus métodos degradantes e criminosos para obter notoriedade e audiências. Este Pinto chama a essa estratégia que emporcalha o espaço público e atrofia a comunidade de “concorrência interessada” embora não nos diga em quê. O que, realmente, dá que pensar: em que estará interessado quem faz do sensacionalismo, da demagogia, do populismo, dos assassinatos de carácter e da violação da lei um império mediático?

Resta só esclarecer que não espero ter convencido o Eremita acerca da qualidade do “jornalismo” do Observador. Ele que arraste esse madeiro às costas se tem gosto nisso. O ponto é outro, é o de que não nos devemos furtar à discussão com os sectários. Precisamente por causa da democracia – isto é, por causa daqueles que precisam de ouvir e ler quem defende a liberdade.

Sondagem atirada às urtigas

A Aximage realizou para o Correio da Manhã e o Jornal de Negócios uma sondagem sobre as intenções de voto neste momento. Os resultados aí estão, comparados com os da anterior sondagem, em Julho.

Os números aparecem no Diário de Notícias online e dizem que o PS subiu desde Julho 0,9 pontos percentuais para 39,9%, o PSD baixou 3,1 para 24,1%, o Bloco baixou 1,7 para 7,8%, o PCP subiu 0,1 para 7,1% e o CDS subiu 1,8 para 9,2%.

Ou seja, Costa reforça uma maioria confortável, Rui Rio vê o PSD a cair fortemente, o Bloco sofre o efeito Robles e Cristas sobe consideravelmente, mas capitalizando apenas parte da perda do PSD.

É inútil procurar esta notícia no Correio da Manhã online. Não gostaram da sondagem que encomendaram, não a divulgam!

Cravinho velhinho quer extinguir o povinho

Não desistindo de alertar o país para os riscos e os efeitos de erosão da democracia que advêm dos comportamentos e práticas corruptas ao nível do Estado, Cravinho considera que “hoje a corrupção é um grande problema nacional” e é até “um problema endémico”. Não perdendo a esperança de que um dia o país político olhe para o problema, salienta as recentes tomadas de posição da JSD e da JP sobre o assunto: “Congratulo a JSD, em especial a sua líder, Margarida Balseiro Lopes, e também a JP por terem assumido que a corrupção é um grave problema do país. São um exemplo da reflexão que o Parlamento devia fazer.”

Cravinho frisa que a corrupção tem aumentado, fruto da passividade dos responsáveis políticos que têm rejeitado a construção de um sistema coerente e eficaz de prevenção e combate. Ao longo de duas décadas, o problema têm-se adensado, até porque as poucas medidas tomadas surgem como desconexas. É por isso que o homem que tem carregado a bandeira desta causa garante: “Isto já não vai lá com panos quentes. É preciso extinguir o que só serve para enganar o povinho.”


Fonte

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Quem ler ou ouvir o que João Cravinho e Ana Gomes têm dito sobre a corrupção em Portugal fica com estas ideias:

– Que são ambos socialistas.
– Que são ambos parte da elite do PS.
– Que ambos têm uma longa e ininterrupta carreira política onde sempre agiram e se expressaram em liberdade.
– Que ambos fizeram do combate à corrupção a sua imagem de marca.
– Que ambos comungam do mesmo diagnóstico e terapia para a corrupção em Portugal.
– Que ambos consideram que parte do PS, quiçá a parte maior, é corrupta.
– Que ambos consideram que parte da Assembleia da República, com maioria absolutíssima até agora, é corrupta.
– Que ambos consideram que todos os Presidentes da República, todos os magistrados, todos os polícias, são cúmplices da maioria absolutíssima que na Assembleia da República não só não acaba com a corrupção como consegue aumentá-la exponencialmente.
– Que ambos se consideram com inabalável e monopolista razão calhando terem de emitir qualquer juízo acerca da problemática da corrupção em Portugal (e, muito provavelmente, em qualquer parte do Mundo).

Posto isto, ver Cravinho a aplaudir a perseguição aos políticos através da fragilização ou esboroamento do Estado de direito, ver Cravinho a nada provar das suspeições difamantes e caluniosas que lança incontinente, e ver Cravinho a já só conseguir reproduzir a cassete do seu pseudo-martírio, tal fica como um espectáculo da sua corrupção moral e cívica – portanto, política. A sórdida, e mentirosa, imagem de estarmos rodeados de criminosos por todos os lados. Só porque não lhe satisfizeram a vontade, esse povo maldito que se faz representar democraticamente desde o 25 de Abril.

Perez Metelo quer dizer-te isto

Queridos Amigos:

Começou ontem e prolonga-se até dia 10 de setembro a Recolha de Fundos 2018 em favor da Helpo, nas suas 421 Lojas.

Peço-vos que vão às compras à Loja Pingo Doce (LPD) que vos der mais jeito (um vez durante este período, que seja!…) e, ao pagar, comprem um vale de 1€ (lanche), 3€ (mochila) ou 5€ (manual escolar), em favor dos 21.000 meninos e meninas makuwas muito pobres, de aldeias no norte de Moçambique, que a Helpo ajuda a estender a sua escolarização tão longe quanto possível. Sem aprenderem a ler, escrever e contar bem em Português, nunca sairão da armadilha da pobreza extrema, que lhes calhou em Sorte, quando nasceram.

Passem a palavra a familiares e amigos!

Recolham um euro aqui, outro ali, entre quem quer dar o seu contributo mas não tenciona ir de propósito a uma LPD para o concretizar. Vão vocês e compram os vales por eles.

Cada euro é precioso para os nossos afilhados: cadernos, lápis, borrachas, afias, lanches, uma sala de aulas em alvenaria para poderem estar abrigados durante todo o ano letivo, uniformes, manuais e inscrições no secundário - nada disto cai do céu! Mas tudo isto são sementes de futuro que, convosco, vão dar frutos em número crescente!

Visitem o nosso site www.helpo.pt ou a nossa página HELPO ONGD, no Facebook e, se o vosso coração der um salto, façam-se padrinhos na Helpo.

Muito obrigado!

Comportamento exemplar de Joana Marques Vidal seria reafirmar o que já disse

Em Março de 2016, em Cuba, a actual Procuradora-Geral da República declarou ser o mandato de PGR único. De facto, a duração prevista pela Constituição é de seis anos, duração mais longa do que o habitual em cargos institucionais para evitar mudanças demasiado precoces ou permanências demasiado prolongadas e permitir a necessária rotação. A ministra da Justiça, tendo ouvido essas declarações, corroborou-as uns tempos depois, sujeitando-se a uma chuva de críticas absolutamente estúpidas. As permanências excessivas nestes cargos são forçosamente fonte de instabilidade, são anti-dinâmicas, propícias a compadrios e prejudiciais à isenção. Além de contrárias ao espírito da Constituição. Dois mandatos significam doze anos. É muito ano. Porquê, então, esta febre e paixão joaninas que atacaram agora toda a direita portuguesa, ainda por cima quando o próprio sindicato do MP se mostra favorável ao mandato único (e olha quem)? Em todos os jornais, revistas, televisões e rádios, a recondução da PGR é claramente o osso que toda a direita abocanha por estes dias com desespero.

 

A quem deu caça esta mulher tão apreciada por toda a direita? A todos os corruptos? A todo o político que mexe, como gostam os populistas? Nem por isso. Mediatizou a “caça”, isso sim. Tabloidizou a justiça, isso é seguro. Reinstituiu o pelourinho, é a verdade. Será disso que eles gostam? O certo é que, apesar do alarido, não há conhecimento de condenações a penas de prisão em nenhuma das grandes operações lançadas no seu mandato. Nem na Operação Fizz, uma vergonha que envolvia um ex-procurador. Aliás, ainda resta saber, apesar do show das detenções, se há ou não corruptos no principal processo – o Marquês – instaurado da maneira que sabemos no mandato de Joana.

 

Os factos são que esta procuradora-geral foi a que não só não controlou as fugas de informação escandalosas na Operação Marquês com origem na sua instituição, como também falhou rotundamente na instauração de vários inquéritos internos às ditas fugas (consta que 111 – ver aqui) já que ninguém conhece deles o mínimo resultado e sobretudo a mínima consequência, nada disto lhe tirando um minuto sequer de sono, apesar do descrédito que sobre ela paira. Mais valia não instaurar inquérito nenhum. Foi ela que assistiu impávida (ou autorizou ou não proibiu ou não puniu) à transmissão pública dos interrogatórios aos arguidos, testemunhas e pessoas lateralmente envolvidas no referido processo, na prática comprazendo-se ou alheando-se de responsabilidades perante uma situação tão aviltante e repugnante e totalmente inédita. Além de ilegal. Foi ela que, em Novembro de 2017, ponderou reabrir o processo Tecnoforma (que envolvia Miguel Relvas e Passos Coelho) após a investigação da Comissão Europeia ter detectado fraudes graves (de milhões) na utilização de dinheiros comunitários, mas se esqueceu do assunto logo no dia seguinte e para todo o sempre. Foi ela que arquivou o processo a Dias Loureiro. Foi ela que liderou aquela ridícula operação de busca ao Ministério das Finanças, porque, crime terrível que implicava de imediato um assalto policial aos gabinetes, o ministro tinha ido assistir a um jogo do Benfica em lugar mais protegido e confortável do que o terceiro anel do estádio da Luz. Mais actuações extraordinariamente louváveis como estas todos por aqui conhecerão, mas não vou mais longe.

 

Para a direita toda, que anda por onde pode a exigir a recondução desta senhora como se isso fosse uma questão de vida ou de morte, revelando que a mana Marques Vidal é, de facto, o seu braço armado na Justiça contra os socialistas, o grande, enorme ponto de interesse do seu mandato foi, na realidade, a humilhação infligida ao odiado Sócrates (muito mais do que a de Ricardo Salgado) – desde a detenção, à prisão, aos interrogatórios, ao julgamento via Correio da Manhã e tudo o mais que fez as delícias dos sabujos que adoram o pelourinho para os seus adversários. Só por isso, todos os dias estas pessoas e o Marques Mendes erguem a Joana Marques Vidal uma estátua virtual de proporções gigantescas e elucidativas, perante a qual se ajoelham, por esse feito absolutamente “heroico” (as aspas devem-se à inexistência de qualquer dificuldade ou obstáculo à façanha) e nunca visto. Lembro que a direita viveu o seu  tempo áureo quando dispôs de um Presidente (Cavaco), um primeiro-ministro (Passos) e uma PGR – um trio deprimente – à frente dos principais órgãos do Estado totalmente consonantes com a sua estratégia e alvos. A reintrodução de julgamentos à maneira medieval fez-se com um estalar de dedos. Mas só alguns foram assim julgados, claro.

 

Voltando ao meu ponto: se Joana Marques Vidal quisesse provar de uma vez por todas a sua total independência (ganhando a minha admiração) e arrumar também de vez com os articulistas/propagandistas da direita que desejam às escâncaras politizar a Justiça e fazer luta política agarrando-se a ela (aqui para nós, à falta de melhor), enquanto escrevem nos jornais e debitam nas televisões, viria a público dizer simplesmente que procurou cumprir com dignidade as suas funções, que espera ter lançado as bases para isto e para aquilo, mas que reafirma que considera o seu mandato único, como aliás foram os de todos os seus antecessores, com excepção de Cunha Rodrigues (de 1984 a 2000; outros tempos e uma excepção em mais de 80 anos). Suspeito, porém, que não o fará. Suspeito que ficará calada enquanto a direita a transforma na sua mais importante ou única bandeira. Possivelmente o Tavares caluniador do Público já a fez inchar de tal maneira com a campanha que pôs em marcha a seu favor (dia sim, dia não) que a vaidade lhe subirá à cabeça e Joana acabará por decidir dar o dito por não dito, mandar o tal de mandato único às urtigas, manobrar pela sua própria recondução e entrar na luta política. Entrar ou continuar. Se Costa e Marcelo a deixarem, está bom de ver. Estou curiosa por saber o que cozinham. Atendendo a que Joana já disse o que pensava sobre o assunto, vejo muito a custo Costa e Marcelo a pedirem-lhe que fique.

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Writing a ‘thank you’ note is more powerful than we realize, study shows
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Have the ill effects of sugar been over-emphasized?
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Goats prefer happy people
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Será esta a quarta trombeta do Apocalipse?

João Miguel Tavares já teve tempo para despachar 4 textos desde que apareceu ao lado de Sócrates no Público, e em nenhum deles tratou do gravíssimo problema de termos ficado a saber que a Sonae está envolvida nos esquemas corruptos do maior corrupto da História de Portugal e arredores. Que se passa?

Em Abril de 2017, do teclado deste “jornalista” saíram três peças consecutivas onde juntou (entre muitos outros) Daniel Proença de Carvalho, Paulo Baldaia, Anselmo Crespo, Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva e Miguel Sousa Tavares num grupo de personalidades cujas decisões profissionais e opiniões mediatizadas revelavam cumplicidade com Sócrates e a arreigada intenção de impedir o Ministério Público de combater a corrupção. Em Abril de 2018, o alvo continuou a ser a Global Media e o DN, usando agora Ferreira Fernandes num exercício ad hominem para o reduzir a um farrapo nas mãos de Sócrates e Proença de Carvalho. A tese foi a de que o FF tem como missão editorial boicotar a santa Joana e a sua implacável máquina inquisitorial que nos vai salvar dos socialistas corruptos (mas só se ficar no cargo vitaliciamente, ficam já avisados).

Há que aplaudir a descontracção de se exibir tanta estupidez caluniosa em público, mas é mesmo o Público que tem de ser questionado por dar palco e holofotes a um pulha deste calibre – pois o tecido accionista e directivo do jornal está a endossar a sua prática ao continuar a pagar-lhe para andar a denegrir compulsivamente a honra alheia. Na outra face desta má moeda, temos um infeliz que se declara liberal para depois papar escutas e devassas da privacidade ao pequeno-almoço na CMTV e chegar ao lanche a arrotar condenações transitadas em julgado graças ao seu pidesco bestunto. É o exemplo acabado do “liberal traveca”, usando os princípios jurídicos, filosóficos e políticos que estruturam o Estado de direito democrático como um vestido coçado demasiado curto para encobrir um corpo abrutalhado pelo deboche de indecência e ódio onde ganha o pão.

Se continua a acreditar que Sócrates é culpado dos crimes que lhe apetecer atribuir-lhe sem precisar desses tribunais de merda que só atrapalham os justiceiros, por que razão JMT ainda não bateu com a porta ou, no mínimo, denunciou a Direcção e os accionistas do Público por terem acolhido nas suas páginas tamanho monstro, assim exibindo a disponibilidade da família Azevedo e do Manuel Carvalho para defendê-lo e para alimentar os seus planos criminosos? Ou seja, será que o caluniador profissional está a vacilar ou será que também foi comprado pelo Anticristo?

Exactissimamente

Sarjeta

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NOTA

Louçã parece ter acordado, em 2018, de um coma de quase três lustros. Que se terá passado? Terá o seu súbito ímpeto punitivo contra a indústria da calúnia algo a ver com as imagens abaixo?

São apenas dois exemplos para ilustrar uma hipótese cínica e que não ultrapassa o âmbito da psicologia de café. Na verdade, pouco me importa descobrir o que está a motivar as suas denúncias. Importa é que a sua influência mediática seja posta ao serviço da salubridade do espaço público, da sociedade e do regime.

Coisa que ele não fez (mas se fez, corrijam-me) logo em 2004, quando Santana Lopes, à mistura com elementos do CDS e da Judiciária (pelo menos), criou o “caso Freeport”. In illo tempore, podia ter verbalizado com perfeita adequação o que agora escreveu: «um exemplo de como a direita, que sabe que perde as próximas eleições, vai fazer política. Feia, porca e má. E mentira, antes de mais.» Também Santana sabia que ia perder as eleições, por isso não só lançou o Freeport como protagonizou pessoalmente uma campanha para colar a Sócrates o boato de ser homossexual. Era a política à americana, onde as campanhas negras são de praxe, mas algo ao arrepio da tradição e cultura europeias. Mas era também o reconhecimento pela direita decadente da sua inferioridade intelectual e cívica, nada mais tendo a que se agarrar do que a chicana, a pulhice e as golpadas mediáticas e judiciais. De 2004 para cá este tipo de indecência e violência não diminuiu, foi precisamente ao contrário – chegando ao ponto de termos visto a Presidência da República a dirigir e produzir a estratégia da calúnia. Que ouvimos de Louçã a respeito nestes 14 anos? Algo, aqui e ali, mas nada que mereça agradecimento em nome da cidade dado não ter recebido da sua parte a coragem que a defesa do Estado de direito democrático merece.

A actual fórmula governativa é também inovadora nessa disrupção com um sistema partidário e um ecossistema mediático – que se confunde com a história da democracia em Portugal depois do 25 de Novembro – onde a direita e a esquerda eram tácitas aliadas contra o PS. Tal levava a que a esquerda gozasse o prato enquanto via a direita a despejar mentiras e ódio sobre os socialistas, enquanto a direita gozava o prato ao ver a esquerda a despejar delírios e fanatismo sobre o inimigo comum. Em Março de 2011, essa coligação negativa afundou o País numa situação em que o resgate de emergência se tornou inevitável. O que se passar nas eleições de 2019 e solução governativa daí resultante revelará se o eleitorado aprendeu alguma coisa, tanto com a traição de que foi vítima no chumbo do PEC IV como com a recuperação do patriotismo, da decência e da economia a que temos assistido com um PS finalmente apoiado no Parlamento pelo PCP e BE. A postura de Louçã, ao sair a terreiro indignado com a absoluta falta de escrúpulos desta direita dos assassinatos de carácter, se calhar não teria ocorrido sem a desgraça colectiva de que ele se sabe um dos responsáveis.

Santa Joana e o sebastianismo

O DN foi palco de uma operação política tão surpreendente que até terá deixado os caluniadores profissionais que o perseguem completamente baralhados. Começou com esta peça – Marques Mendes sabe tudo? Como o político passou a guru do comentário – um típico exercício de relações públicas para promover alguém que actua no campo da política-espectáculo. Misturado no serviço publicitário onde Marques Mendes aparecia pintado como um sucesso de audiências, ficávamos a saber que vinha a caminho mais um comício a favor da santa Joana. O DN ensinava, pelo teclado de Paula Sá, que “a grande polémica da rentrée política” dizia respeito ao final do mandato de outro indivíduo também denominado Marques. Atente-se na fórmula: a questão é política, é polémica, é a questão política mais polémica dos próximos meses. Pois bem, e onde está a polémica? Ou donde virá? Sobre esses pormenores, moita-carrasco.

No mesmo dia, o DN lançou a continuação da operação – A procuradora-geral deve ser reconduzida? Marques Mendes não tem dúvidas – onde se repetiu ipsis verbis o discurso televisivo sem qualquer enquadramento, análise ou crítica do escriba. Esta câmara de eco das mensagens que o militante do PSD quis espalhar no espaço público teve a assinatura de João Pedro Henriques, o mesmo que viria no dia seguinte a concluir a operação com esta serventia – Destino da procuradora-geral nas mãos de Marcelo – um texto que é do princípio ao fim uma exposição apologética da agenda da direita para o controlo e uso da Procuradoria-Geral da República.

Não faço a mínima ideia de qual seja a origem desta campanha no DN para a renovação do mandato de Joana Marques Vidal. Sei é que não estamos no campo do jornalismo nem no da opinião, posto que as peças são apresentadas como sendo o fruto do labor profissional da Redacção na produção de “notícias”. Pelo que só resta a categoria do “editorial” para explicar o fenómeno – ou então a da “anarquia”, em que cada jornalista se sentiria com liberdade para usar a sua carteira profissional como arma das disputas partidárias e mesmo da subversão do Regime. Mais fácil de explicar será esse outro fenómeno de vermos um conselheiro de Estado armado em vedeta mediática da baixa-política a encher a boca com calúnias e ofensas.

Ao bolçar que “o PS, em matéria de independência da justiça, não tem grande curriculum”, o grande Mendes não só nada justifica como depende dessa desonestidade para se dedicar à táctica favorita da direita decadente, a diabolização. Há método nesta insídia, pois a diabolização não só aponta ao carácter do alvo como atiça a pulsão persecutória até ao grau máximo de violência que for possível atingir. Se o PS, sem sabermos quando nem como, manipulou a Justiça, então temos de impedir que repita dano tão grave. Como? Ora, fazendo com que a Justiça seja manipulada, mas desta vez pelos bons, pela gente séria. É este o sofisma da direita, logo desde que Passos e Cavaco escolheram a santa Joana para conseguir meter no chilindró o maior inimigo que a oligarquia conheceu após o 25 de Abril, o tal fulano que conseguiu despertar a ira das maiores fortunas do País. Paula Teixeira da Cruz canonizou essa homérica vingança com a expressão “fim da impunidade”. Tendo em conta os ritmos do Ministério Público, dos tribunais e o volume de novos processos que se poderão abrir só a partir das certidões já retiradas na “Operação Marquês”, vamos ter 20 ou mais anos disto. Disto: a sistemática difamação contra o PS, explorando mediática e politicamente a judicialização da política por todos os meios e em todas as ocasiões.

As declarações mais perversas da sessão foram dedicadamente recolhidas pelo seu amigo João Pedro e são um monumento ao desprezo pelo Estado de direito, ao desprezo pelas instituições da República, ao desprezo pela comunidade, ao desprezo por Portugal:

«Por isso, "atirar borda fora" a atual procuradora seria suspeito, cheiraria a esturro. "Embora seja certo que essa suspeita não se aplica a António Costa, é, ainda hoje, a suspeita que recai sobre o PS" e uma eventual substituição da atual PGR "agrava essa suspeita em vez de a afastar".

Além do mais, quem substituir a PGR irá "ficar logo com um estigma": "Foi escolhido porquê? Foi escolhido para defender quem?" Isto - concluindo - "é fatal". "Será que o poder político - Governo e Presidente - quer assumir todos estes riscos?"»

Marques Mendes, conselheiro de Estado, ex-governante, ex-líder partidário, ex-deputado, usa o seu espaço de comentário numa TV para chantagear o primeiro-ministro e o Presidente da República. Caso eles ousem substituir a procuradora-geral da República que a direita considera (e por óbvias razões) como sua comissária política, será lançada uma campanha para caluniar o seu sucessor e os responsáveis pela sua nomeação. Aquilo que Joana Marques Vidal está a fazer não pode ser feito por mais ninguém, berra a direita, e sem ela os socialistas corruptos voltarão a corromper tudo e todos. É isto e só isto que está a ser dito. Em nome de uma hipócrita e absurda defesa da integridade da Justiça, a degradante personagem reclama a posse desse cargo para o manter politicamente alinhado com interesses sectários e criminosos.

No DN garante-se que Mendes é o papagaio de Marcelo. Se é isto o “jornalismo de referência”, e se tal coisa nos ajuda a entender a realidade, acho que podemos já saltar para a mesma conclusão a que chegou D. Sebastião em 4 de Agosto de 1578: “Foda-se, se é para isto vou mas é desaparecer daqui.”

A partir de agora?! Anacleto, em que jazigo tens estado enterrado?

«[...] a direita está encantada com Steve Bannon e Trump, achando que, como só têm a propor o sofrimento ao povo, a forma de ganhar eleições é espalhar ódio.

O episódio do convite a Le Pen, em si, não vale nada, é só uma tontice de Cosgrave. Mas a fúria convidativa da direita revela algo muito importante: a partir de agora, toda a sua política será suja. Vale tudo. Vamos ter salada ideológica, campanhas de calúnias, blogues falsos, imprensa escandalosa. Bannon é o mestre.»


Francisco Louçã

Revolution through evolution

Dominant men make decisions faster
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The spotlight of attention is more like a strobe light
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Core thinking error underlies belief in creationism, conspiracy theories
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Napoleon’s defeat at Waterloo caused in part by Indonesian volcanic eruption
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Consuming milk at breakfast lowers blood glucose throughout the day
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Strawberries could help reduce harmful inflammation in the colon
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Resource Scarcity Increases Support for Death Penalty
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Apocalipse da imprensa escrita

Depois da audição de Desafios da nova Direcção: uma conversa com Manuel Carvalho e Ana Sá Lopes, 17 minutos redundantes para o que já tinha sido vertido em Os compromissos da Direcção Editorial, é razoável concluir que a novíssima Direcção não percebe patavina do que está a acontecer à imprensa escrita e jornalismo em geral.

O Carvalho diz que não quer revoluções, apenas incrementos. A Sá Lopes diz que o grande objectivo continua a ser dar notícias em 1ª mão. Ambos consideram que a edição em papel se justifica por motivos nostálgicos e que um conteúdo jornalístico é exactamente igual caso apareça num meio analógico ou digital, pois tudo se resume a ter quem escreva bem e tire boas fotos. O ouvinte deste paleio displicente, dessa cassete, sente-se transportado para um século anterior ao XX.

Numa era onde cada ser humano logo a partir da infância pode aceder com facilidade a canais tecnológicos de comunicação em rede, mesmo em países subdesenvolvidos, onde um banal telemóvel pode ser um equipamento completo de reportagem e um computador com acesso à Internet, estar a competir pela cacha não é apenas ridículo, é estupendamente estúpido. Não se consegue construir uma marca a partir dessa promessa dado ser impossível garantir os meios logísticos e as oportunidades sociais para tal. A mesma embriaguez de imbecilidade quanto às razões para manter uma edição do jornal em papel. Não é que tal não possa fazer sentido, mas jamais como veículo indistinto da edição digital quanto aos conteúdos e linguagens mediáticas e cognitivas próprias a cada meio, jamais como alienação do ecossistema digital antes em complementar e criativa relação com ele.

O jornalismo foi sempre o negócio do consumo de inteligência popularizada. Quem teve a sorte de viver os tempos em que umas folhas que sujavam os dedos eram disputadas com sofreguidão numa família, num café ou no trabalho sabe que esse ritual diário era parte imprescindível da higiene e alimento cívicos. Para além de permitir a coesão comunitária e as trocas sociais correntes, cada leitor igualmente se aventurava pelas diferentes secções num processo de descoberta de gostos, vocações, mundos dentro do mundo e dentro de si. A rádio era imediatez, a televisão era espectacularidade e a imprensa escrita era reflexão e introspecção. Este modelo de organização do universo dos órgãos de comunicação social começou a desabar logo nos anos 80 com a chegada dos canais por satélite e cabo e suas ofertas especializadas nos campos jornalístico e do entretenimento – antes da invenção da World Wide Web e suas avassaladoras e radicais alterações no fluxo da informação entre humanos. Porém, 30 ou 40 anos depois ainda não se sabe como fazer dinheiro a vender notícias e opiniões escritas num planeta com ubíqua, holística e crescentemente saturante interconectividade.

Aqui deixo uma sugestão: imitem o Correio da Manhã ou abominem o que esse pasquim faz e representa. Os mornos serão vomitados.

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Bom texto do Daniel Oliveira a propósito do mesmo tema: 12 homens em fúria