Tens de ler isto que um bacano escreveu.
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Jamais sempre
Vamos lá a ser sinceros: sou só eu a achar absurdo que uma criaturinha licenciada ao domingo, com exames feitos por fax, venha dizer que não há facilitismo no ensino? Eu até podia concordar com o que estava a ser dito (embora não concorde, vejam lá), mas vindo daquela boca só me dá para rir.
Ana Margarida Craveiro está preocupada com a credibilidade dos políticos. Dos políticos do PS, em geral. E de Sócrates, em especial. Os outros, não contam. Até porque seria uma trabalheira começar a ter opiniões quanto à credibilidade dos políticos do PSD, é melhor ignorar. Pois muito bem. E que fez o malandro do Sócrates? Segundo a Ana, Sócrates licenciou-se ao domingo, com exames feitos por fax. Posteriormente, ela veio partilhar a sua fonte de informação, bastaria ler aqui. Acontece que ali não se diz o que ela diz, e que tanto pulha repete, pelo contrário. O enigma adensa-se.
Não lhe merece qualquer respeito a palavra do próprio aquando do esclarecimento dos factos? Estaria a Ana na disposição de provar o que diz? E, no caso de não estar, como qualifica as suas acusações? Já agora, uma curiosidade: estando pressuposto na difamação que Sócrates foi favorecido ao mais alto nível, para quê enviar faxes, qual a necessidade do domingo? É que qualquer um, vulgar cidadão, tem histórias as mais coloridas, patéticas ou escabrosas, para contar acerca dos seus anos de estudo em escolas públicas ou privadas. Ao pé delas, o que se diz das anomalias na formação académica de Sócrates é risível.
Uma coisa é certa, Ana: não existem licenciaturas em carácter, somos todos autodidactas. A avaliar pelo que mostras neste caso, estás chumbada. É estudar mais e melhor, incluindo aos domingos.
Suspeita do dia
Por cordas
Na hipótese dos universos paralelos, provinda da Teoria das Cordas, há muito consolo à espera do largarto. A teoria defende a existência de uma quantidade ilimitada, ou infinita, de universos simultâneos. Cada um deles concretizando uma variante das possibilidades de organização da matéria e da energia. É aqui que está o consolo. Porque num destes universos há um tipo em tudo igual ao Paulo Bento a treinar uma equipa em tudo igual ao Sporting. Naquela que é uma supercoincidência quântica, ambos jogaram ontem contra a Fiorentina, a de cá e a de lá. Mas com esta diferença: cá, um Saleiro sem pimenta e um Tonel de merda foram postos dentro do relvado; lá, outra coisa qualquer foi feita.
Quando, finalmente, se conseguir passar de universo para universo com a facilidade com que os segredos de Justiça passam pelas frinchas do Ministério Público, será possível contratar um Paulo Bento que não tire jogadores que podem decidir jogos só porque estão, ou parecem, cansados, pondo no seu lugar aberrações como essas do defesa-avançado e do avançado que nem para defender serve. Jogadores cansados, ou menos frescos, que sabem jogar à bola ficam à mama. Isto é simples de entender. E ter entrado o Rochemback e o Adrien para que as bolas chegassem aos atacantes é também simples de entender, talvez mais simples ainda.
A corda, Bento.
Da vulgaridade
Filipe Nunes Vicente é o mais ilustrado e generoso dos crentes na vitória do PSD e nas capacidades governativas de Ferreira Leite. Diga-se que ele pode estar certo. O PSD pode ganhar, claro, e um Governo da cavaquista poderia ser uma boa surpresa, porque não? Mas aceitar essas possibilidades é apenas etiqueta. O que o PSD exibe é a mais completa miséria intelectual e política, da actual Presidente ao elenco que tem desorientado esse partido desde que começaram a fazer a cama ao Marques Mendes. O Filipe vê o mesmo que o comum dos mortais, pelo que não há como negar a cruel realidade. Então, como se explica a crença?
Explica-se como todas as crenças, pela vontade. A fé, ou o amor, é essencialmente um acto de vontade, não sentimento. Pelo menos, na tradição cristã. E, sendo volitiva a moção, é racional. Leia-se este exercício elegantemente falacioso. Para apresentar a indesmentível vulgaridade da Manela como vantagem e sinal, vai-se até aos primórdios da democracia. E mente-se eruditamente:
Um dos mais antigos genes da democracia é a vulgaridade. Em Atenas, a tiragem à sorte para compor a boulê garantia que vinha sempre do povo a força inspiradora da cidade. Esta vulgaridade deve ser lida como simplicidade, como elemento aleatório e não planeado (a democracia foi instituída sobretudo contra a monarquia).
Começando pelo fim, a democracia foi instituída contra a oligarquia, não contra a monarquia. E isso é muito importante para a compreensão do papel da lei, especialmente da isonomia. Segue-se que a democracia ateniense é o resultado de um planeamento altamente complexo, que começa pela criação das phylai, estas divididas em demos. A assembleia (ecclesia), onde supostamente estariam todos os cidadãos, não teria espaço para mais de 6.000 indivíduos. Mesmo a votação para a boulê implicava regras que evitavam a repetição de eleitos, a sorte estava domada. E, finalmente, ainda se acrescentava o sistema de escolha dos arcontes e estrategos, os quais superintendiam aos prítanes. Alto! Estarei eu a querer ensinar a missa ao padre, e a repetir informação que está ao alcance de qualquer? Sim, exactamente. Porque vir dizer que a Manela é tão vulgar que devemos ficar felizes com o aleatório eleitoral que a poderá chutar para o Governo não justifica maltratar os Gregos.
Filipe, Sólon não tem culpa nenhuma pelo que se passa no PSD. A culpa é toda do Sócrates.
João Gonçalves apanhou anónimos no cu
É ele que o revela. Não é das declarações mais ortodoxas, mas de um amigo do Pacheco podemos esperar qualquer arrojo para combater o situacionismo. O caso envolve um leitor dos Açores, comprovando ser essa uma região que só está bem a desestabilizar. E agora? Os casos de anónimos no cu são os mais difíceis, muito mais complicados do que os casos de pseudónimos na peida, de si já uma chatice sem fim, ou do que os famosos heterónimos no rabo, também beras e aborrecidos, e até do que as alcunhas na bilha, maleita da ralé. O problema dos anónimos no cu, como se pode ler em casas de banho da especialidade, está na facilidade com que fingem não ser nada com eles. Isso protege-os por tempo indefinido, é como se não tivessem nome.
Que fazer? Céline não resulta. Demasiado viscoso. Mas um clister com o Programa do PSD é capaz de aliviar.
Delenda Cavaco
Que quer, afinal, o Presidente da República? Uma vez que está a desgovernar o País, atacando o Governo como ninguém previu que fosse possível, quais são as suas ideias? Que pensa ele, no fundo, das relações entre homens e mulheres, da sexualidade, da liberdade religiosa, da importância da ciência, dos modelos educativos, da corrupção em Portugal, do caso BPN, de Dias Loureiro?
Alguém sabe?
Jamais sempre
Há várias semanas, um dos canais de televisão perguntou de passagem a Manuela Ferreira Leite como iria lidar com a gripe A, caso apanhasse o vírus. Com o sorriso de quem dá uma resposta fácil, a líder do PSD disse qualquer coisa como: verifico o diagnóstico, trato-me e, três dias depois, conto estar apta para voltar a trabalhar.
A resposta é, de facto, muito simples. Não deveria sequer ser notícia e, muito menos, matéria para comentários, semanas depois.
A verdade é que, com o tempo, a gripe está mais próxima, mais frequente, mais alargada. E, de cada vez que oiço as notícias sobre a pandemia, lembro-me da resposta banal de Ferreira Leite.
O tom e o conteúdo foram úteis. Emprestam segurança ao assunto. Mostram que, olharmos para os problemas como eles são e se os tratarmos como deve ser, depressa voltamos à normalidade. Sem vídeos nem comícios. Sem artifícios dispendiosos. Sem promessas nem manás. Sem mais.
Inês Dentinho viu numa resposta de Ferreira Leite, conhecida especialista em estados gripados, a luz que nos trará rapidinho para a normalidade, de caminho acabando com vídeos, comícios, artifícios dispendiosos, promessas e manás. Apenas precisamos daquela banalidade. Temam.
Entretanto, a Inês conseguiu desenrascar o melhor título que a memória alcança para um texto de apoio ao PSD: Liderar a gripe.
Suspeita do dia
Esquerda imbecil e direita ranhosa
Por causa da miserável oposição que este Governo teve de suportar, passei a usar as expressões esquerda imbecil e direita ranhosa para me orientar e separar as águas. Porque há esquerda que não é imbecil, é apenas a esquerda, mesmo que seja radical. E há direita que não é ranhosa, é apenas a direita, mesmo que seja extrema. Uma oposição comprometida com o bem comum, de esquerda ou direita, não teria prestado esse péssimo serviço a Portugal que consiste em boicotar a acção governativa por todos os meios à disposição, incluindo as campanhas de destruição de carácter e a manipulação de sindicatos para fins eleitorais, já para não falar na pulsão conspirativa da comunicação social. O que esta oposição faz é estúpido, é perverso, é trágico. Precisamos de uma nova oposição, que tente vencer pela inteligência e coragem das suas propostas, não pela demagogia, populismo e esvaziamento ético da classe política. Enquanto ela não chega, malhemos na que há.
Cerejas e kilómetros

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Sofia Rocha tem uma opinião lapidar acerca da Carolina: é bela, famosa, usa biquínis reduzidos, não sabe quando foi o 25 de Abril, não passa de uma mulher objecto, mulher adorno; enfim, é uma menina. Porque levanta a Rocha tanta poeira? Porque a Carolina, numa entrevista pessoal, sem qualquer relação com a campanha ou PS, partilhou certos hábitos privados. Imbecis e ranhosos não perdoam. O moralismo de ocasião está feliz, fruta da época. Só que a gulodice leva à perda do discernimento. A Sofia não faz jus ao nome e escorrega no fanatismo banano. Deu-lhe para comparar a Carolina com a Manela. Comparar a transparência com a hipocrisia. Comparar a Mandatária da Juventude do PS com a mandatada da gerontocracia do PSD.
Comparações feitas a mais de cem kilómetros à hora são cerejas no topo da ignorância.
Crocodilo choramingas
O grau de violência verbal que já se manifesta nos blogues, o grau de ataques e contra-ataques, a prevalência de argumentos contra as pessoas, o inquinar da campanha pelas questões judiciais, tudo isto associado a uma imprensa que necessita do incidental e do conflitual como pão para a boca, é uma receita para o desastre.
Jamais sempre
Sofia Rocha expondo a sua compreensão da política e dos fenómenos que indicam estar o Engenheiro Sócrates a trilhar o caminho certo.
Disparates de Outono
Conta-se que, na terra mais ocidental da Europa, um dia foram ter com o primeiro-ministro e disseram ― Um jornal, outrora independente, publicou a suspeita de haver escutas em Belém a mando do Governo. A fonte é da Casa Civil, mas anónima. Que tem a dizer? O primeiro-ministro pediu uns minutos e foi consultar a sua rede de assessores, milhares espalhados em cada canto e recanto dessa terra. Perguntou-lhes pelo presidente, pelo que dizia, se confirmava ou infirmava a notícia. Mas nenhum dos assessores conseguiu encontrar algo mais sólido do que o silêncio. Então, o primeiro-ministro voltou e respondeu ― Essa notícia seria da maior gravidade, inaudita gravidade, se fosse séria. Sabemos que não é séria porque o presidente nada disse a seu respeito. Para nós, desculpem, o presidente ainda tem mais importância do que um jornal, mesmo esse que já foi independente. Assim, seria inconcebível que o nosso presidente utilizasse semelhante estratagema para denunciar a suposta situação, tal como seria inconcebível que o silêncio do presidente significasse outra coisa que não fosse ser essa notícia um dos típicos disparates de Verão. Disse. Virou costas. Deu um passo. Mas começou a pensar que a sua declaração, apesar de bem intencionada, podia ser mal interpretada. Tanta referência ao presidente, e para explicar o óbvio, até podia ser lido como sobranceria, pois tal matéria não era sequer digna de atenção. Afinal, esse era o próprio exemplo do presidente, do qual não tinha saído nem um murmúrio. Virou-se rápido e clamou ― Esperem. Olhem para esta caneta. A caneta emitia um clarão de luz que tinha poderes especiais. Ele carregou na tampa e a luz varreu a memória dos presentes. Então, ordenou ― Esqueçam o que vos disse antes. A resposta que devem publicar é só esta: “Disparates de Verão”.
Suspeita do dia
Perde ganha
Como qualquer pessoa normal, percebo mais de futebol do que o Paulo Bento. E como qualquer pessoa anormal, gosto mais do Sporting quando perde. Quando ganha, gosto muito de mim. E dos outros. Quando perde, amo o clube. Amo o símbolo, a sua história, as instalações, relvado, presidente, roupeiro, equipamentos e ainda as esposas, namoradas, amantes, amigas coloridas e irmãs dos jogadores. É muita entidade, muita gente, muitos encontros para conciliar. Só o amor, na sua infinita entrega, pode dar conta do recado.
Oligofrénicos e nefelibatas
Paulo Tunhas, no Jamais, diz que Sócrates é vagamente atrasado mental. Porquê? Porque, na Madeira (!!), utilizou termos como maledicência e ressabiamento. Tunhas deixa no ar a ameaça de se expor em detalhe uma linguagem que diz ser psicológica. Promete expor a doença do egotismo. Porém, talvez por falta de tempo, não se dá ao trabalho. Outro que pegue na deixa.
Tunhas lamenta-se por não se estar a falar a sério sobre o país. A solução preconizada implica esperar pelas eleições. Pelas eleições? Ó Tunhas, primeiro ainda temos de conhecer o programa do PSD, deixa lá as eleições para o dia das eleições. Se queres falar a sério, começa pela tua casa. Que achas de teres colegas de apoio ao PSD que citam Goebbels, difamam Sócrates, alucinam, confrangem, disparatam, deliram, estupidificam, envergonham?
Se queres elevar o debate, desce à terra.
Ponto final?
O Ponto Contra Ponto, um dos programas humorísticos mais surpreendentes dos últimos tempos, desapareceu sem qualquer explicação, nem o autor se dignou esclarecer as massas. Se alguém duvidava da existência de um situacionismo asfixiante da democracia, cá está a prova. É lamentável, dado o Pacheco ter ameaçado reduzir os cartazes da campanha à sua papa paranóica, não tendo conseguido ir além da acusação de machismo a um cartaz onde Sócrates aparece ao lado de mulheres. Que iria ele dizer dos cartazes do PSD e do CDS? Seriam momentos de extraordinária inventiva, disso temos a certeza.
Abaixo, um exemplo de propaganda política, oferta do nosso amigo tra.quinas, que também gostaríamos de ver analisado pelo grande analisador do povo. Modestamente, arrisco dizer que é um cartaz simbolicamente denso, anunciando, sem margem para qualquer dúvida, que o PSD vai mesmo rasgar e romper tudo a que consiga deitar a mão.
Suspeita do dia
Prémio Meu Querido Mês de Agosto
Há um ponto, para mim, essencial, é que as pessoas leiam o programa. Apresentar-se um programa em plenas férias é convidar as pessoas a não ler. Não está a ver que as pessoas vão para a praia ler um programa eleitoral… Portanto, qualquer partido que tenha apresentado programas durante o mês de Agosto é pura e simplesmente com o objectivo de que não seja lido. E eu tenho um interesse muito grande em que as pessoas leiam o nosso programa.
Esta declaração de Ferreira Leite merece o prémio Meu Querido Mês de Agosto, galardão que recompensa as melhores exibições de um espírito veraneante, essa indulgência para com a lógica, o respeito próprio e a verdade. Como neste magnífico caso, onde a autora nos consegue dizer que não cumpriu com a data anunciada para a apresentação do Programa do PSD, finais de Julho, porque durante o mês de Agosto Portugal está a banhos. Este raciocínio já lhe tinha garantido o prémio, pelo que revela de sensatez e credibilidade, mas ter explicado que outros partidos se anteciparam na apresentação dos seus programas para que não fossem lidos é magistral. Há poucos políticos no Mundo a permitirem-se revelar semelhante descontracção e mentalidade pé-de-chinelo.