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Recordar é viver

Em Junho de 2010, Portugal tinha um Presidente da República que era uma incontestada sumidade em Economia e Finanças, o qual fazia questão de falar verdade (ahahah!) sempre que dizia coisas. Por infortúnio, foi obrigado a suportar um primeiro-ministro famoso pelo seu optimismo delirante e funesto, o qual arrastou uma série de países europeus para o abismo apenas por ter decidido respeitar os acordos já financiados com vista à construção da linha de TGV entre Lisboa e Madrid, explicaram com genuíno entusiasmo as pessoas sérias. Este senhor teve ainda a trágica ideia de que devia tentar afastar Portugal de uma ajuda externa (ahahah!) que estava a piorar a situação da Grécia e da Irlanda, quando as pessoas de bem desesperavam era pelo FMI e tudo faziam para que a sua entrada fosse inevitável e em força. Havia que higienizar os nativos, curar as doenças espalhadas pelos socialistas. Este tal senhor gajo era um traidor, pois.

Recordemos:

O Presidente Cavaco Silva considera que Portugal está numa “situação bastante complexa”, e, num alerta a todos os presentes, não deixou de esclarecer qual a sua opinião sobre a situação actual do país.

“A maioria dos que estão aqui sabem que há bastante tempo que o país se encontrava numa situação económica insustentável (…) bastava ter presente a evolução de três variáveis: o desequilíbrio das contas externas, a dimensão da dívida externa e o pagamento ao exterior de juros e outros rendimentos. Analisando estas três variáveis nós sabíamos de certeza que chegaria o dia em que os mercados internacionais exprimiriam dúvidas quanto à capacidade de Portugal gerar riqueza para cumprir os compromissos assumidos no passado”, referiu.

Perante a situação actual, o chefe de Estado não tem dúvidas de que “chegaria o dia em que alguém seria chamado a pagar a factura.”

– * –

“Não gostaria de comentar as palavras do Presidente da República, eu digo as minhas. O que o país precisa é de confiança. Não acentuem o negativismo”, disse José Sócrates aos jornalistas no final do debate quinzenal, na Assembleia da República.

“Muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelas energias do país e acho que o negativismo e o catastrofismo, próprio da lógica do quanto pior melhor, não terá sucesso”, declarou.

Bónus

Neste episódio, Cavaco também nos brindou com a sua peculiar aritmética das virtudes, ao melhor estilo do Almirante Américo Tomaz:

Eu sou uma pessoa que tem dois princípios fundamentais na vida: a honestidade e a verdade e cumprir as promessas feitas.

Estado de golpe

Que aconteceria caso fosse Sócrates a cortar, à doida, 50% do subsídio de Natal, e isso depois de ter dito que nunca o faria, bem pelo contrário? Veríamos Ferreira Leite, com 1 milhão de indignados atrás de si, a descer a Avenida da Liberdade agitando uma fidalga bandeira de Portugal, logo secundada por Pacheco Pereira, lívido de ódio, a bater num bombo para marcar a passada e disciplinar os urros da Grei. A toda a largura da frente da manifestação, uma faixa com os dizeres: Sócrates, assassino! Mataste o Menino Jesus!

E que aconteceria se, passados poucos dias da medida draconiana ser anunciada, sábios estrangeiros viessem comunicar que passávamos a ser lixo aos olhos do mundo civilizado e também da Madeira? O grupo de operacionais Todos pela Liberdade – cerca de 30 patuscos, da extrema-direita à extrema-esquerda, que atrasaram o almoço de 11 de Fevereiro de 2010 para protestarem frente à Assembleia da República contra a asfixia da sua inteligência alvar – seria outra vez convocado para se apresentar ao serviço. Desta vez, o plano passaria por tomar o Marquês de Pombal de assalto, liderados por uma troika de peso: Miguel Relvas-Carlos Abreu Amorim-João Gonçalves. Ali ficariam a mandar sacos de água, ou com outros líquidos, a todos os automóveis identificados como propriedade de militantes e simpatizantes socialistas que passassem na Rotunda, jurando manter a barracada até Portugal apresentar superavit nas contas públicas ou Sócrates ser preso pela GNR e deportado para a Líbia, o que acontecesse primeiro.

Continuar a lerEstado de golpe

Grandes verdades

Em relação às agências americanas de rating e suas estratégias globais, o PS não tem de mudar uma vírgula ao discurso, o qual é o mesmo desde o começo da crise grega. Já o PSD e o CDS passaram a dizer exactamente o contrário do que histericamente defenderam até 5 de Julho. E acaso voltassem para a oposição nos próximos dias, de imediato diriam o exacto contrário do que agora berram de peito cheio.

Há aqui um lado antropológico que é politicamente neutro, onde as cognições obedecem a automatismos relativos à posição na hierarquia de poder. Mas também há factores ideológicos e sociais que fazem com que o tecido partidário e publicista da direita, na actualidade, seja constituído – na sua gigantesca maioria – por oportunistas de baixíssimo calibre.

A Moody’s não tem razão

Um país cujo Presidente da República encheu os bolsos próprios e da família graças a condições negociais extraordinárias, nunca esclarecidas, obtidas junto de pessoas da sua confiança política e pessoal que estão agora a ser julgadas por suspeita de terem cometido variados e desvairados crimes, e que é também cúmplice, ou até mandante, de uma conspiração lançada a partir da sua Casa Civil para denegrir governantes e influenciar eleições, um país em que o partido vencedor das legislativas se lamenta, pela boca do seu líder, por não ter conseguido colocar como Presidente da Assembleia da República um populista acéfalo que nem sequer alguma vez tinha sido deputado, um país onde o Primeiro-Ministro não desmente obedecer a sms’s enviados por apresentadoras de televisão célebres por difamarem e caluniarem impunemente elementos do Governo, não é lixo.

É uma outra coisa muito mais suja.

Lixeira

Segunda volta faria subir taxas de juro. Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o País e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.

Cavaco

Para Pedro Passos Coelho, é possível «poupar dez anos de sofrimento e de desemprego a Portugal se fizermos em pouco tempo uma desvalorização fiscal bem sucedida», sendo necessário para isso «baixar a TSU».

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Passos Coelho acredita que, “se porventura o PS tivesse a responsabilidade de executar este programa (de ajuda externa), em menos de meio ano estava a discutir-se, como na Grécia, a reestruturação da dívida portuguesa”.

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O dirigente do gabinete de estudos do PSD Carlos Moedas defendeu hoje em declarações à agência Lusa que, com as reformas que um futuro Governo social-democrata vai aplicar, as agências ainda vão subir o ‘rating’ de Portugal.

Segundo Carlos Moedas, que é um dos principais conselheiros do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, os mercados “olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia”, porque “há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português”.

No seu entender, “assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, e fará tudo o que for necessário para que se cumpram essas metas até porque foi o PSD que sempre anda atrás do Governo para cortar, essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal”.

Fonte

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele.”

Relvas

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Da capacidade de regeneração da política

“Tenho a honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa”, confirmou Pedro Passos Coelho na sua página no Facebook.

O líder do PSD justifica a escolha do ex-candidato à Presidência da República argumentando que os resultados que Nobre conseguiu nas últimas eleições mostram que “existe um segmento expressivo de portugueses que acreditam na capacidade de regeneração da política”.

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O patrão do povo

“O povo tem a legitimidade, porque o poder reside no povo. E não é perante uma maioria que tem, de facto, legitimidade institucional para governar que o povo português pode ser esbulhado da defesa dos seus direitos, dos seus interesses, em conformidade com esse poder que a Constituição da República determina. É sempre o povo que tem a última palavra. Sempre, mas sempre”, argumentou o secretário-geral do PCP.

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Já agora, será alguém capaz de traduzir estas declarações? Não será demasiado óbvio que, apesar da forma trôpega como lhe saiu, Jerónimo está a dizer que a legitimidade do Parlamento e do Governo é inferior à legitimidade daqueles que ele vai colocar a marchar nas ruas?