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Coisas com que vamos encher 2013
Os psicopatas
Os psicopatas são pessoas (se é que podemos chamar-lhes assim) que, à partida, são inofensivas e vistas como indivíduos “normais” por quem as conhece superficialmente. São pessoas que, à primeira vista, causam boa impressão, revelando-se, no entanto, desonestas e anormalmente egocêntricas. Com uma sensação de omnipotência, os indivíduos com traços psicopáticos consideram que tudo lhes é permitido, agindo somente por benefício próprio sem olhar aos meios para alcançar os seus fins. O psicopata não sente culpa. Apesar de muitas vezes ter a plena consciência da perversidade dos seus crimes ou das suas intenções criminais, um psicopata raramente aprende com os seus erros, não conseguindo refrear os seus impulsos, carecendo por isso de superego.
Com uma auto-estima muito elevada, considera-se um ser superior regido pelas suas próprias regras. Como tal, torna-se incapaz de compreender que haja pessoas com opiniões diferentes das suas, praticando actos criminosos sem sentir qualquer tipo de culpa. Demonstrando uma frieza fora do normal, “o psicopata está livre das alucinações e dos delírios que constituem os sintomas mais espectaculares da esquizofrenia”. “A sua aparente normalidade, a sua ‘máscara de sanidade’, torna-o mais difícil de ser reconhecido e, logicamente, mais perigoso.” Exprimindo-se com elegância, as suas histórias, apesar de falsas, conseguem cativar e convencer, deixando-o numa boa situação perante as pessoas. Isto porque o discurso de um psicopata é geralmente servido de uma linguagem florida e figurativa, desempenhando esta um papel importante no seu comportamento enganoso e manipulador. Altamente seguro de tudo o que diz, o seu principal objectivo passa a ser manipular e controlar os outros. “Mentir, enganar e manipular são assim talentos naturais de um psicopata.”
“Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é frequente a perda de contacto com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que as suas acções, imprudentes ou ilegais, são condenáveis pela sociedade, desconsiderando, porém, tal facto com uma indiferença assustadora.
“Um dos traços dos psicopatas é adoptarem geralmente comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, excepto pelo facto de se divertirem com o sofrimento alheio. Além disso, desculpam-se dos seus descuidos culpando outras pessoas.
“A característica do psicopata é não demonstrar remorso algum, nem vergonha, quando elabora uma situação que ao resto dos mortais causaria espanto. Quando é demonstrado o seu embuste, não se embaraça; simplesmente muda a sua história ou distorce os factos para que se encaixem de novo.”
Mas Sócrates é que era o mentiroso, berravam em coro os ranhosos e os imbecis
Quando este Governo tomou posse, Portugal tinha acabado de assinar um programa de ajuda financeira com instituições internacionais, um programa cujo valor global equivalia a quase metade de toda a riqueza que produzimos num ano. Este programa implicava a realização de avaliações regulares e impunha uma longa lista de medidas desenhadas para recuperar as nossas finanças públicas e a competitividade da nossa economia.
Julgo que nesse momento todos terão percebido que iríamos iniciar um período de grandes dificuldades.
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«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…». O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais “medidas penalizadoras para os portugueses” do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objectivos.
PSD: medidas da troika «são melhores» do que PEC
O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, afirmou hoje que “não haverá aumento de impostos” com os sociais-democratas no Governo e o programa eleitoral “demonstra-o” de “forma clara”.
“Não haverá aumento de impostos”, afirma Miguel Relvas
Nunca o PSD teria permitido que o número de desempregados chegasse a
700.000!!! Teria criado de imediato medidas de incentivo à criação de
emprego, tal como algumas que já propõe neste documento. Não estaria
sempre a queixar-se de uma crise internacional onde todos os outros já estão
a crescer.
PROPÓSITOS E LINHAS ORIENTADORAS DO PROGRAMA ELEITORAL DO PSD
Agora com a banda sonora respectiva
O primeiro-ministro comparou, esta sexta-feira, durante uma visita à Associação dos Deficientes das Forças Armadas, a situação do país a uma guerra.
Pedro Passos Coelho classificou esta guerra como «intensa que às vezes nos parece (porque é) tão injusta, como a Guerra do Ultramar, que produziu este resultado».
«É uma guerra diferente em que precisamos de encontrar em cada cidadão um soldado que esteja disposto a lutar pelo futuro do país», acrescentou o chefe do Governo
Uma maioria, um Governo, um Presidente – três decadências
Nicolau Santos e o aldrabão que se segue
Creio ser consensual que uma das mais nefastas heranças culturais do catolicismo nos países do Sul da Europa é o horror ao fracasso; julgado publicamente como uma predestinação fatal, marca do pecado. O resultado vê-se na aversão à experiência e ao risco como forma radical de evitar o erro. Tal reforça o imobilismo social, o conservadorismo bolorento, a inércia intelectual, a moralização de fachada, a perversão organizada. É o que explica a decadência da nossa nobreza e da nossa oligarquia desde Alcácer-Quibir, para fazer caminho com a tese do Agostinho da Silva. A consequência foi essa de um país que passou ao lado da revolução industrial, que perdeu as colónias sem nunca as ter desenvolvido e que aceitou mansamente um regime ditatorial e provinciano durante 48 anos do século XX. É também o que explica a iliteracia económica e ética da sociedade como um todo, causando e agravando a nossa secular dificuldade para criar riqueza e valores.
O “sonho americano” poderá não passar de uma conveniente mitologia para uma nação acabada de formar e carente de recursos humanos, todavia contém um ideal de realização onde o erro é bem-vindo, aproveitado e até requerido. Na América, quem erra está a tentar atingir algum objectivo, primeiro e fundamental mérito. Quem erra está a aprender com o erro, noção optimista que os erros seguintes tornarão cada vez mais clara até se tornar evidente ao se alcançar o sucesso. É uma axiologia adequada a modelos capitalistas onde a oferta de trabalho e as oportunidades de negócio abundam, onde a comunidade recompensa os persistentemente competitivos. Para dar um singelo exemplo desta dinâmica na área mediática, recorde-se o recente e espectacular fracasso de Conan O’Brien no The Tonight Show, um dos mais antigos e carismáticos programas televisivos norte-americanos. Tendo assinado o contrato para ser o próximo apresentador 5 anos antes da data prevista, e esperando-se que por lá ficasse durante 15 ou 20 anos, saiu de rastos pela porta baixa ao fim de 6 meses e foi substituído pelo mesmo Jay Leno que tinha substituído. Inimaginável. Só que também 6 meses depois já estava recomposto, activo e com a sua marca pessoal ainda mais valorizada. O espírito americano no seu melhor.
Nicolau Santos foi quem se enterrou mais com o maluquinho da ONU, arrastando outros consigo e maltratando as empresas onde exerce. Os ranhosos agora não lhe largam as canelas, tendo entrado em êxtase com a oportunidade de saírem à rua e ladrarem a quem passa. Pelo que importa pensar no que o homem do lacinho poderá e deverá fazer nesta ingrata situação. Quanto ao que poderá fazer, não faço eu a mínima ideia. Já quanto ao que deveria fazer, não tenho eu a mínima dúvida. Seria criar uma rubrica intitulada “O aldrabão que se segue“. Cada texto, ou programa, começaria por uma fórmula que vou concretizar num exemplo retirado da actualidade:
O aldrabão que se segue chegou a primeiro-ministro mancomunado com variadíssimos aldrabões que lhe deram empregos e dinheiro a ganhar e só depois de aldrabar um país inteiro numa campanha eleitoral onde prometeu aldrabices atrás de aldrabices. Lembremos como foi.
Nicolau, já fizeste o tirocínio para seres o maior especialista vivo em burlões, impostores, vigaristas, intrujões e escroques. Não pares agora, a tua missão ainda mal começou.
Para a História da moral
Já o disse, e torno hoje a dizê-lo: para mim não existe forma mais elevada de coragem do que aquela que tem sido diariamente demonstrada pelos Portugueses. Não existe forma mais elevada de coragem do que enfrentar diariamente novas dificuldades, sem nunca desesperar. Sem fingir que estas dificuldades não existem. Sem as empurrar para outros. Sem renunciar às nossas responsabilidades, que subitamente se tornaram mais pesadas.
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Tanto Louçã como Jerónimo saudaram efusivos o derrube do Governo socialista e a ida para eleições em Junho de 2011. De Louçã nada sabemos quanto ao que se passava naquela cabeça, mas fosse o que fosse era do mesmo calibre dos disparates e cumplicidades com a direita com que preencheu o tempo a seguir às eleições de 2009. E de Jerónimo adivinhamos que recuperar a dianteira parlamentar em relação ao BE já era vitória importante o suficiente para festejar com litradas de vodka ou carrascão. Estes senhores, e quem não os impediu de tomar as decisões que tomaram em Março de 2011, foram aliados decisivos deste outro senhor que nos insulta, ofende e achincalha sempre que abre a boca em público. A aliança não se resume ao chumbo do PEC IV e subsequente indomável agravamento da crise e falência governativa para lidar com ela já transformada em caos político. Há algo ainda mais insidioso e vexante.
Tal como o Miguel igualmente desenvolve, toda a estratégia política e de comunicação do PSD e CDS coligados passa por mentiras, omissões e contradições a mata-cavalos, por vezes no espaço de dias ou horas. No caso mais escandaloso pelas suas terríveis e desgraçadas consequências, a entrega de Portugal aos credores e seu programa errado de resolução dos nossos problemas económicos, vimos isto:
– Passos a dizer que o seu desejo era o de mudar a Constituição de modo a desmantelar o Estado social e o reduzir à expressão mínima para gasto demagógico.
– Passos a alinhar a táctica com Belém de modo a fazer coincidir o derrube do Governo socialista com a garantia de voltar a ter Cavaco a mexer os cordelinhos e a não deixar qualquer espaço de manobra para uma solução que evitasse a vinda da troika.
– Passos a dizer que as soluções do PEC IV não serviam os interesses do País, e que a solução era a oposta: fim da austeridade sobre as pessoas, toda a austeridade sobre “gorduras” do Estado.
– Passos a dizer que o Memorando, o qual era no essencial uma versão muito aproximada do PEC IV, correspondia ao programa eleitoral do PSD, à missão da direita portuguesa e à realização da sua vocação pessoal para virar este país do avesso.
– Passos a dizer que por culpa do Sócrates tínhamos caído no Memorando, o qual, no entanto, era simultaneamente o que de melhor poderia estar a acontecer a Portugal, tanto que até ele e o PSD tinham proposto medidas iguais por serem as únicas que poderiam salvar o País.
[- PCP e BE incapazes de assumirem as suas responsabilidades e, portanto, incapazes de exporem a indigência e a infâmia lógica do discurso do actual poder.]
Moral da história: segundo Passos, Sócrates era culpado de ter proposto um inaceitável PEC IV com medidas que o próprio Passos viria a reclamar ter apresentado aos portugueses, mas contra as quais de facto tinha feito campanha eleitoral, as mesmas afinal que estruturaram um acordo de financiamento a troco da soberania que o mesmo Passos anunciou ter todo o gosto em cumprir e até ultrapassar de tão bom que era, custasse o que nos custasse.
Para a História da moral: quão mais cobarde for o hipócrita, quão mais o hipócrita cantará às suas vítimas a formosura da coragem.
Telefonia Sem Fitas
É o que oferece a SKY.FM, uns 50 canais de música temática para acompanhar o labor computacional ou encher as casas, os restaurantes, os bares, as praias e até os elevadores de um imparável fluxo musical à escolha do freguês.
Poisos favoritos:
Perguntas simples
Não será possível nomear Artur Baptista da Silva como consultor do Programa para o Desenvolvimento Humano das Pessoas Unidas sobre os impactos do cavaquismo em Portugal? Ou como Alto Comissário para os refugiados do passosgasparismo? E que tal, pura e simplesmente, alguém lhe perguntar o que acha do caso BPN, das origens e exploração do processo Freeport, das escutas à moda de Aveiro ou da “Inventona de Belém”?
Os portugueses têm direito à boa informação, pouco importa o canal utilizado.
Revolution through evolution
Women Earn More If They Work in Different Occupations Than Men, Large International Study Finds
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Experiencing Discrimination Increases Risk-Taking, Anger, and Vigilance
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For Power and Status, Dominance and Skill Trump Likability
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Delusions of Gender: Men’s Insecurities May Lead to Sexist Views of Women
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‘Taking Christ Out of Christmas’ Is Nothing New, Historian Says
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Greed, Not Generosity, More Likely to Be ‘Paid Forward’
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Resolve to Give Your Presence Away This New Year’s
Mensagens de Natal – esta ainda não chegou aos destinatários e já tem dois anos
Um dos efeitos da crise global, que acabou por condicionar todo este ano de 2010, foi a séria crise de confiança que se abateu nos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas dos países do Euro. Esta situação, sem precedentes na União Europeia, levou à subida injustificada dos juros, e afectou todas as economias europeias. Basta, aliás, ver o que passa lá fora para se compreender a dimensão europeia desta crise que a todos afecta embora a alguns países de forma mais intensa.
A verdade é que todos os governos europeus tiveram este ano de fazer ajustamentos nas suas estratégias e tiveram de adoptar medidas difíceis e exigentes, de modo a antecipar a redução dos seus défices como forma de contribuir para a recuperação da confiança nos mercados financeiros.
O Governo português tomou as medidas necessárias para enfrentar esta situação. Com confiança, com sentido de responsabilidade e com determinação. Definiu metas ambiciosas para 2010 e 2011 que vamos cumprir. O que está em causa é da maior importância. O que está em causa é o financiamento da nossa economia, a protecção do emprego, a credibilidade do Estado português e o próprio modelo social em que queremos viver.
Sócrates, Natal de 2010
ONU, escuta
Henrique Monteiro, um iluminado que devia mandar nesta merda toda
Quando, há quatro anos duvidei da nacionalização, quase todos (incluindo bons amigos e especialistas em Economia) me alertaram para o facto de haver um risco sistémico grande em deixar o BPN falir. Sempre contra-argumentei, que não se pode distribuir os danos de alguns por todos – o que se está agora a fazer.
Já nem digo que gostava de ver todas as responsabilidades apuradas. Dos nomes citados, de outros que por aí andam, daqueles que nacionalizaram o banco e dos que permitiram que ele fosse governado criminosamente.
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Como se pode ler pelo seu teclado, este bacano nunca teria nacionalizado o BPN em 2008 calhando ser o ministro das finanças ou o primeiro-ministro à época, nem mesmo que à sua volta os especialistas em economia o alertassem para um sem-número de consequências imprevisíveis naquele contexto que só comparava com o crash de 1929. Por outro lado, tivesse ele sido nomeado procurador-geral da República, há muito que já tinha metido a malandragem no chilindró, não esquecendo esses bandidos que nacionalizaram o banco, mais aqueles no Banco de Portugal que fecharam os olhos, apesar do que o ex-director do Expresso pensava e publicou ao tempo – isto é, ao longo dos anos, mais que muitos, em que teve um jornal à disposição para educar o povo e moralizar a Grei. Tudo somado, faz sentido entregar-lhe o país que ele resolve logo as cenas.
Entretanto, uma das dissonâncias cognitivas literalmente mais espectaculares que anda a ser promovida pelos ranhosos e pelos imbecis diz respeito a este caso: parece que os odiados, boicotados, achincalhados, perseguidos, devassados e derrubados socráticos e demais socialistas malvados foram cúmplices da colossal roubalheira e a eles se deve que a direita do Cavaquistão se tenha safado com os milhões. A troco de quê? Talvez da tal vida luxuosa que o rei da quadrilha tem em Paris, onde se farta de gastar dinheiro em jantares, casacos de marca e telefonemas para deputados socialistas. Pelo menos, é o que o Correio da Manhã garante estar a acontecer, e jamais me passaria pela tonta cabecinha que um dos futuros donos da RTP mentisse aos portugueses em matérias tão importantes. Seja como for, esperarei deitado pela opinião do Henrique Monteiro antes de ter a veleidade de me pavonear com certezas a respeito deste ou de qualquer outro assunto.
Países piegas, onde o regabofe se prolonga por falta de soldadesca
Na veia
Um debate “sério e informado”? – Hugo Mendes
“sacré mitrailleur à bavette”* – Shyznogud
Cinicamente provocatório – Ana Matos Pires
quer um governo decente? diga-me como – f.
Helena Garrido e a Constituição – João Galamba
Um desabafo: quando é que demais é demais? – Irene Pimentel
“Privatização da ANA vai fazer de Portugal uma excepção na Europa” – João Pinto e Castro
Take five
1. Ouvi há pouco o primeiro ministro ufanar-se, no debate quinzenal, do bom clima de diálogo com os sindicatos, na educação.
2. E tenho de lhe dar razão. A educação de adultos foi destruída, os professores despedidos, as turmas aumentadas, as direções das escolas torpedeadas e os pais expulsos dos conselhos pedagógicos, e o mais que se ouviu às federações sindicais de docentes foi o manso balir dos cordeirinhos.
3. E sei porque sucedeu assim: porque Crato deu a Nogueira o adiamento sine die da avaliação dos professores dos quadros e Nogueira retribuiu a Crato com a paz dos cemitérios.
4. E também sei porque é que a FENPROF e a FNE fizeram isto: porque se estão a marimbar nos jovens professores precários e nos jovens diplomados que querem entrar na sua profissão.
5. Ok, é Natal, temos de ser uns para outros, eu quero compreender a nomenclatura sindical docente, lá terá as suas razões. Só tenho um pequeno favor a pedir-lhe – que tire do nome das suas organizações a palavra educação. Já que não a defendem, ao menos que não a prostituam.
Exactissimamente
Ridi, Pagliaccio
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De que ri Passos Coelho? É um riso juvenil, narcisista e brincalhão. Neste caso, brinca com o orador, o qual por pouco não se desmancha a rir em parelha. Que será que os faz gozarem como compinchas de farra metidos num teatro que têm de prolongar até se voltarem a encontrar na privacidade da copofonia e das festanças? É o assunto. O tal assunto.
Seguro, pela primeira vez no que à minha memória diz respeito, falou do passado que não passou. Isto é, recordou um episódio em que o PSD votou a favor de mais despesa pública contra o Governo e o PS de então. E o valor dessa proposta atingiria três mil milhões de euros a ter sido aprovada. Não sei o que o terá levado, 15 meses depois de estar diariamente a ser bombardeado com acusações canalhas contra os seus camaradas que exerceram cargos governativos – e nunca tendo gastado uma caloria na sua defesa – a sacar de uma entre dezenas ou centenas de situações factuais e à prova de estúpidos para dizer o óbvio: que o actual PSD faz política com a coerência, a moral e a desbunda com que na Feira da Malveira se fazem vigarices desde o século XVIII. Mas sabemos, porque o Tó Zé assim se prestou a ser documentado, que a ocasião foi para ele um exercício de farsa levado a cabo na Assembleia da República e partilhado a mielas com um certo primeiro-ministro que prometeu ao tomar posse não utilizar o passado como desculpa e que não tem desde há um ano, afinal, outro discurso que não o da culpa e da irresponsabilidade. Repare-se na advertência risonha e infantilóide com que Seguro termina o número circense, na prática validando a lógica e o conteúdo dos achincalhos da direita contra os socialistas ao equivalê-los à situação que desenterrou a contragosto. Constate-se como também para este opaco e tortuoso homem a política ao mais alto nível pode ser reduzida ao triunfo impune da sonsice.
Já é oficial: os portugueses têm aquilo que merecem
Na apresentação de cumprimentos de Boas Festas do Governo ao Presidente da República, no Palácio de Belém, Pedro Passos Coelho quis “agradecer ao senhor Presidente da República toda a cooperação institucional que tem proporcionado” ao Governo para que as suas tarefas “possam ser desenvolvidas num espírito patriótico de entregar ao país aquilo que os portugueses merecem“.
Passos agradece a Cavaco Silva “toda a cooperação institucional”
