Todos os artigos de Valupi
Revolution through evolution
Smartphone-based voting technology may lead to fewer user errors
.
Our memory for sounds is significantly worse than our memory for visual or tactile things
.
Cows are smarter when raised in pairs: Evidence practice of housing calves alone linked to learning difficulties
.
Secret Salaries Hurt Worker Performance, Increase Top-Talent Turnover
.
Language of Love: Matching Conjunctions, Pronouns Could Spell a Match Better than Good Looks and Fast Cars
.
Simple Waiting Room Test Can Help Diagnose Depression and Anxiety
.
Researcher Builds a Better Job Performance Review
“Correio da Manhã”, uma fama que vem de muito longe
Transcrevo este texto porque não o encontrei na íntegra na Internet; a tal caranguejola que, supostamente, tem tudo e mais alguma coisa. Trata-se de um artigo que saiu no jornal O Tempo a 29 de Março de 1889. E foi uma resposta ao que Pinheiro Chagas tinha escrito, de véspera, no Correio da Manhã. O texto não surgiu assinado, o que se entende por ser assumido por um colectivo, não por intenção de diluição da responsabilidade na figura do próprio jornal e muito menos por intenção de anonimato. Todavia, bastaria lê-lo para atribuí-lo sem dúvidas nem hesitações ao seu escriba: Eça de Queiroz.
Para além do interesse histórico, e literário, da peça, há ainda a bizarra coincidência de existir na actualidade um Correio da Manhã que ultrapassa o antigo na cultura conspirante, paranóica e caluniadora. Sim, os tempos são de austeridade, pelo que o actual já não se dedica a fazer parangonas com um grupo jantante de 11 individualidades. As suas equipas de “jornalistas” têm estado concentradas apenas num fulano que espiam e devassam de forma sistemática. Chama-se Sócrates, mas poderia ter sido outro qualquer – desde que tivesse força suficiente para ameaçar os interesses que o esgoto a céu aberto representa e defende. Acontece que mais nenhum jornal faz o que o CM do Octávio Ribeiro e Eduardo Dâmaso tem feito com zelo e entusiamo, embora haja imitações sazonais, e mais ninguém na sociedade portuguesa é alvo de uma permanente operação de assassinato de carácter como acontece a Sócrates. Estes são os factos, as ilações ficam para aqueles que as tirarem.
Vamos à delícia.
* * *
O amável Correio da Manhã, fazendo hoje o retrato social dos Vencidos da Vida, um por um, para lhes contestar êste título acabrunhante, continua e engrossa o ruído de publicidade que a imprensa tem erguido ultimamente em tôrno dêste grupo jantante, com considerável desgôsto dos homens simples que o compõem.
Pode parecer talvez estranho que esta ressoante publicidade assim magõe os derrotados.
¿Não permitem êles, hebdomadàriamente, que as gazetas anunciem a sua reünião em tôrno da mesa festiva?
É verdade.
Mas se o fazem é para que a opinião se não possa de modo algum equivocar sobre o motivo íntimo que tôdas as semanas os arranca dos seus buracos, para os ajuntar num gabinete de restaurant, ao lusco-fusco, no isolamento sumptuoso de quatro cortinas de reps.
Homens que assim se reúnem poderiam logo, neste nosso bem amado país, ser suspeitos de constituir um sindicato, uma filarmónica, ou um partido.
Tais suposições seriam desagradáveis a quem se honra de costumes comedidos; e o respeito próprio obriga-os a especificar bem claramente, em locais, que, se em certo dia se congregam, é apenas para destapar a terrina da sôpa, e trocar algumas considerações amargas sôbre o Colares. De resto, o sussuro atónito que de cada vez levantam estas refeições periódicas não é obra sua - mas da sociedade que com tanto interêsse os espreita.
Êles comem - a sociedade, estupefacta, murmura.
O que é, portanto, estranho não é o grupo dos Vencidos - o que é estranho é uma sociedade de tal modo constituída que no seu seio assume as proporções dum escândalo histórico o delírio de 11 sujeitos que uma vez por semana se alimentam.
O que de resto parece irritar o nosso caro Correio da Manhã é que se chamem Vencidos aquêles que para todos os efeitos públicos parecem ser realmente vencedores.
Mas que o querido órgão, nosso colega, reflita que, para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou, - mas do ideal íntimo a que aspirava.
Se um sujeito largou pela existência fora com o ideal suprêmo de ser oficial de cabeleireiro, êste benemérito é um vencedor, um grande vencedor, desde que consegue ter nas mãos uma gaforina e a tesoura para a tosquear, embora atravesse pelo Chiado cabisbaixo e de botas cambadas.
Por outro lado, se um sujeito, aí pelos vinte anos, quando se escolhe uma carreira, decidiu ser um milionário, um poeta sublime, um general invencível, um dominador de homens (ou de mulheres, segundo as circunstâncias), e se, a-pesar-de todos os esforços e empurrões para diante, fica a meio caminho do milhão, do poema ou do penacho - êle é para todos os efeitos um vencido, um morto da vida, embora se pavoneie por essa Baixa amortalhado numa sobrecasaca do Poole e conservando no chapéu o lustre da resignação.
Dito isto, só podemos ajuntar que os Vencidos oferecem o mais alto exemplo de moral, e social, de que se pode orgulhar êste país.
11 sujeitos que há mais de um ano formam um grupo, sem nunca terem partido a cara uns aos outros; sem se dividirem em pequenos grupos de direita e esquerda; sem terem durante todo êste tempo nomeado entre si um presidente e um secretário perpétuo; sem se haverem dotado com uma denominação oficial de Reais vencidos da vida, ou Vencidos da vida real ou nacional; sem arranjar estatutos no Govêrno Civil; sem emitirem acções; sem possuírem hino nem bandeira bordada por um grupo de senhoras «tão anónimas quanto dedicadas»; sem iluminarem no primeiro de Dezembro; sem serem elogiados no Diário de Notícias - êstes homens constituem uma tal maravilha social que certamente para o futuro, na ordem das cousas morais, se falará dos onze do Braganza como na ordem das cousas heróicas se fala dos doze de Inglaterra.
Dissemos.
Mas quais salários? E quais direitos? E como? E quando?
Serviço público
Exactissimamente
Cineterapia
Querido Harold,
Acabei de te inventar esta imagem. FIcaste com cara de bebé. Tal como eu ficaria se estivesse a ser abraçado pela Helen (e ainda a ser pago). Quantas vezes repetiram a cena? Espero que tenha corrido mal, que o James fosse um picuinhas. E logo nesse filme, tão lindo. Cabrão.
Estou a escrever-te para explicar porque não tenho lágrimas com que chore a tua morte. As lágrimas são demasiado valiosas para as gastar por nada. A morte é o nada, certo? E o nada é coisa nenhuma, correcto? Agora que sabes, podias confirmar. Pois coisa nenhuma justifica que ande para aí a esbanjar o sal da minha vida.
Mas há uma outra razão. Esta vais aceitar sem discussão. É que as pessoas que nos fazem chorar através do seu talento não devem ser choradas por motivos alheios à sua arte. Morrer não fazia parte das tuas capacidades. Por isso foste bulir para o cinema. O cinema imobiliza a luz, ergo ilumina a eternidade. E se tu percebes de eternidade, olá.
Foste quem conservou para a eternidade imediata a Andie a despedir-se dos frescos anos. Gloriosamente bela ao lado de um camafeu glorioso. Grande cabrão. Que enorme pequeno filme. O triunfo da chachada. É o que são as comédias românticas. Chachadas. Mas esta, que liga na mesma ternura a humanidade de todos os dias sem amanhã, é um tratado sobre a condição de não existir. Não existir dá muita vontade de chorar. De chorar a rir.
Harold, se me queres ver chorar, faz mais um filme.
A grande coligação dos irrevogáveis
Exactissimamente
Por exemplo, em que radica a excelência da Universidade Católica?
Adenda – Recentemente, a UCP lançou uma aplicação cujo lema de campanha reza assim “A Católica na minha mão“. Tudo bem, a banalidade mais rasteira não é pecado, pois se o fosse nem multiplicando o panteão egípcio pelo panteão hindu conseguiríamos ter divindades em número suficiente para despachar o serviço. Mas alguma santa alma, lá na Palma de Cima, lembrou-se de espalhar a boa-app-nova por cada um dos recantos da casa. Inclusive nos urinóis. Em cada urinol individual, pela altura dos olhos do mijão, havia lugar à epifania: tens a católica na tua mão. Marketing tão carnal como este ainda vai levar uns bons anos até ser praticado livremente entre os gentios.
Um gozo do caralho
Por Luís Monteiro
Não faço a menor ideia do que a sociedade – aliás, a comunidade – fará com este documento. O mais certo é nada fazer. Mas o documento existe. Ei-lo. Podemos revê-lo as vezes que quisermos. E a cada vez, com garantia absoluta, a primeira impressão adensa-se, solidifica, até que cristaliza. Só que não acaba aí a metamorfose. O cristal vai-se purificando. Infinitamente.
Passos Coelho trouxe para a prática governativa algo que não conhecemos a outros primeiros-ministros; excepção feita ao Pinheiro de Azevedo e exemplo este que não é análogo, só paralelo. Trata-se da voluntária manifestação de ordinarice. Por isso os exemplos não são equivalentes, pois enquanto em Pinheiro de Azevedo esse registo surgiu como emanação natural da cultura castrense e em contexto histórico e político incomparável, em Passos a inclusão de vernáculo e tabuísmos é feita de forma intencional. Dir-se-ia que é feita de forma sistemática, como se tivesse sido planeada com detalhe e seguida com zelo.
Analisar essa prática e reflectir sobre o seu significado é tarefa que poderia ocupar uma, ou mais do que uma, das tais equipas multidisciplinares com que Passos pretende descobrir como é que se fazem bebés. Para nós, a urgência está em simplesmente ver, em sentir. Quem é esta pessoa que numa ocasião duplamente solene, discursando como presidente do Partido e como chefe do Governo, se permite sorrir, se não mesmo rir, com a ideia de que os seus concidadãos estão a sofrer por causa das suas decisões? Há aqui algo nunca antes visto aquém-fronteiras.
A imagem da pancada é uma ilustração luminosa da retórica que os falcões que rodearam Passos Coelho a partir de 2010 foram anunciando como a única via de salvação para Portugal. O País teria de ser sovado brutalmente, ou isso ou o abismo. Logicamente, há que embrulhar a violência numa desculpa, e a desculpa era a de sermos madraços, e estróinas, de não trabalharmos, de gastarmos acima das nossas possibilidades, de colocarmos corruptos na governação (curiosamente pertencendo todos ao PS), de esbanjarmos dinheiro com pobres e com velhos, de metermos o pilim em escolas do Estado em vez de o darmos às escolas privadas, de não produzirmos como os alemães por causa dos feriados, de termos o ar condicionado ligado quando bastava tirar as gravatas e de vermos ministros a viajar em 1ª classe na TAP quando o necessário para o equilíbrio das contas públicas era que fossem de comboio ou à boleia.
Passos, à beira de desatar à gargalhada, concebe excitado a população a ser espancada e a sofrer cada vez mais à medida que a sova continua imparável. Convenhamos que a imagem adequa-se e apenas peca por defeito. Não será possível calcular as consequências em sofrimento, indignidade e mortes que o chumbo do PEC IV e a receita do além-troika causou e vai continuar a causar. Mas tudo ganha sentido se acabarmos por aceitar a evidência: só um psicopata deste calibre poderia oferecer-se entusiasmado para a tareia – um trabalho que lhe dá um gozo do caralho.
Imbecilidade, demagogia ou alucinação? Tudo junto
Na conferência de imprensa, e sobre a escolha de Francisco Assis para encabeçar a lista europeia do PS, José Guilherme Gusmão começou por assumir uma reacção cautelosa, alegando que o BE ainda não teve acesso ao discurso que Assis irá apresentar durante a campanha eleitoral e que só perante a definição desse discurso e das prioridades os bloquistas se poderão pronunciar. "Mas registamos que António José Seguro escolheu para ser a voz do PS nas próximas eleições europeias uma pessoa que é conhecida por todo o país por defender o Bloco Central (PS/PSD), ou seja, por defender que o PS faça um acordo com aqueles que têm governado o país para que se continue a implementar políticas de austeridade nos próximos anos", apontou José Guilherme Gusmão.
Ainda de acordo com o dirigente do BE, "no contexto em que o país vive - e em que a direita faz o mais feroz ataque de que há memória na democracia portuguesa aos direitos dos trabalhadores e ao Estado social -, Francisco Assis, nas suas intervenções públicas ou nos artigos que tem escrito, tem-se essencialmente pronunciado contra as organizações de esquerda, responsabilizando-as pelo estado a que o país chegou".
Revolution through evolution
Some Employers Find Excuses to Fire Pregnant Employees
.
Why does the brain remember dreams?
.
Most of us have made best memories by age 25
.
Loneliness is a Major Health Risk for Older Adults
.
Early Childhood Education Can Pay Big Rewards to Families, Society
.
Study: Political Gridlock Affects Economy More Than Policies
.
Citizenship Goes Digital: Baylor University Researchers Find Online Gaming Effective in Teaching Civics Education
.
New Research Shows the Way a Room Is Lit Can Affect the Way You Make Decisions
A filha de Relvas já pode voltar a sorrir
Foi o momento mais bonito do congresso. E não só deste. Passos anunciou o regresso de Relvas. Aliás, correcção: Passos lembrou que Relvas nunca se foi embora, mas como estava a lidar com congressistas, uma malta dada à distracção e à amnésia, fez um desenho. E apontou para a sua lista ao Conselho Nacional -“Vêem? Aqui está ele. Mesmo no topo que é para ninguém se fazer de parvo. Pronto. Vamos lá a despachar o resto desta merda.”
Relvas merece a distinção e o estatuto. É preciso ter em conta que apesar de ter mentido sob juramento numa comissão de inquérito no Parlamento e logo em matérias relativas à segurança nacional, ter tentado chantagear um jornal e alguns jornalistas, ser uma das maiores autoridades nacionais em folclore e ter conseguido dar uma lição de moral a toda a família de Sócrates, este probo teve invariavelmente o apoio de Passos, o silêncio de Cavaco, a anuência de Seguro e até a defesa galharda de António Costa. Que dizer? É um dos nossos melhores.
Acabou a travessia frenética do Atlântico, sempre mas sempre à procura do conhecimento permanente, essa pedra filosofal que transforma cargos no Estado em ouro. Ou não acabou, porque ele continua no Brasil. A fazer o quê? A defender a língua portuguesa com toda a sua sapiência e experiência académica. E que melhor referência para essa subida missão existirá do que o próprio Passos, o seu companheiro de tantas aventuras e alguém que tem inovado forte e feio na sintaxe e estilística da língua de Camões? Pelo que tudo está bem quando recomeça bem. E a miúda, coitada, também regressa sorridente e aliviada ao orgulho filial.

