Imbecilidade, demagogia ou alucinação? Tudo junto

Na conferência de imprensa, e sobre a escolha de Francisco Assis para encabeçar a lista europeia do PS, José Guilherme Gusmão começou por assumir uma reacção cautelosa, alegando que o BE ainda não teve acesso ao discurso que Assis irá apresentar durante a campanha eleitoral e que só perante a definição desse discurso e das prioridades os bloquistas se poderão pronunciar. "Mas registamos que António José Seguro escolheu para ser a voz do PS nas próximas eleições europeias uma pessoa que é conhecida por todo o país por defender o Bloco Central (PS/PSD), ou seja, por defender que o PS faça um acordo com aqueles que têm governado o país para que se continue a implementar políticas de austeridade nos próximos anos", apontou José Guilherme Gusmão.

Ainda de acordo com o dirigente do BE, "no contexto em que o país vive - e em que a direita faz o mais feroz ataque de que há memória na democracia portuguesa aos direitos dos trabalhadores e ao Estado social -, Francisco Assis, nas suas intervenções públicas ou nos artigos que tem escrito, tem-se essencialmente pronunciado contra as organizações de esquerda, responsabilizando-as pelo estado a que o país chegou".

BE considera escolha de Assis pelo PS “preocupante”

23 thoughts on “Imbecilidade, demagogia ou alucinação? Tudo junto”

  1. começa o ataque para retirar votos ao ps.da direita já sabem que a votos nada recebem,mas os elogios não vão faltar!o ps vai ter tambem contra si todos os partidos da extrema esquerda não representados no parlamento.a nossa democracia precisa de ser renovada,para isso acontecer, é tambem urgente renovar a legitimidade de todos os partidos sem lugar no parlamento, com a apresentaçao de novas assinaturas.ir a votos sem dar prova de vida há “montes” de anos ,é uma fraude legalizada.a “falencia” tambem deve penalizar estes grupelhos ,muitas vezes ao serviço de terceiros!

  2. não vou à bola com o assis, mas estou mais preocupado com o regresso do relvas e o que isso significa para a liberdade de expressão. entretanto a gosma dos gusmões fica caladinha sobre o rangel, já se habituaram ao paladino da asfixia democrática.

  3. Esta esquerda, que mais não é que uma esquerdalha, a começar pelo PCP, acha que a forma como vota na AR, especialmente quando se alia à direita (que vergonha!!!) é inconsequente.

    Eles acham que nunca tiveram culpa de nada nem têm culpa de nada, nem querem ter culpa de nada.

    Existem para quê???

  4. Deveria escrever aqui alguma coisa sobre o colapso político da República de Weimar (Alemanha, 1930-1933), e vou fazê-lo de forma abreviado, no pouco tempo que agora tenho. Pedindo desculpas por ir um texto escrito à pressa…

    A direita alemã conspirou para afastar o SPD do poder, em 1928-1930, da mesma maneira que aqui aconteceu em 2009-2011. Acontecimentos de 1929-30 — em seguida ao colapso bolsista de 1929, que tornou as elites económicas e militares alemãs cada vez mais assustadas, levou-as ao revanchismo político, encostando-as cada vez mais à direita. Depois de afastarem o SPD do governo, em 1930, o chanceler Brüning — de um governo minoritário, apoiado pelo estado de excepção, decretado pelo presidente Hidenburg — revogaram os ganhos dos trabalhadores na revolução alemã de 1918. Desapareceu a semana de trabalho de oito horas, por exemplo; Hidenburg, a braços com o progresso eleitoral dos nazis e dos comunistas, esvaziou o parlamento dos seus poderes, para que o governo de Brüning pudesse impôr austeridade. Na reacção ao colapso bolsista de 1929, os governos achavam que a prioridade máxima era salvar o padrão-ouro, o que só era possível com medidas de austeridade, como hoje acontece, relativamente às tentativas de slavar o euro.

    Isso impedia medidas para debelar a falta de liquidez, ou seja, reflacionar a economia. O problema político, no que diz respeito ao SPD, tem que ver a sua liderança demasiado moderada — que lhe permitiu ganhar as eleições em 1928 e ascender ao poder — mas que, quando a direita tradicional, não nazi mas extremamente conservadora, assustada com a grande depressão e com o progresso eleitoral da esquerda, se tornou mais agressiva politicamente e excluiu o SPD do poder, o próprio SPD acabou por se recusar a fazer oposição consequente. Na direcção do SPD de então tinha-se a convicção que não havia alternativa à política de austeridade do chanceler Brüning. E isso levou à fuga, não só de votos mas, mas importante ainda, de activistas locais das zonas urbanas, do SPD para o partido nazi e para os comunistas.

    O SPD caiu, de facto, numa armadilha que lhe havia sido montada por Ludendorff, que considerava que uma vez que um partido (democrático), como o SPD, fosse chamado ao poder e fosse obrigado, pelas circunstâncias, a seguir uma política de austeridade, a sua base social de apoio iria entrar em erosão. As elites alemãs estavam activamente a tentar esconder a sua responsabilidade no desastre económico alemã — motivado pela Grande Guerra — culpando a democracia e a revolução de 1918 pela calamidade. Era o mito da “punhalada pelas costas”, que explicava a derrota alemã em 1918.

    O grande risco para o PS é, pois, o de deixar-se enredar da mesma forma que o SPD se deixou, em 1928-1932.

  5. João Lisboa, a serradura que transportas na mona causa-te sérias dificuldades de literacia, né? Mas, quem sabe, se fores aos treinos com assiduidade és capaz de melhorar.

  6. Embora entenda que, o BE mais o PCP com o seu apêndice ecológico, a maior parte das vezes são o suporte dos direitolas, o Tozé continua a meter água.
    Não vejo Assis como a figura para a Europa capaz de mobilizar o eleitorado e, por outro lado, deixou-se ir a reboque do PSD com este anúncio a destempo e impreparado.
    A dar tantos tiros nos pés não sei como se vai aguentar em pé.

  7. Mais um post que se distingue pela fineza e a elevada qualidade argumentativa. Esta cada vez mais dificil, em Portugal, traçar uma fronteira nitida entre falar de politica e ladrar…

    Se por acaso tentassemos dar ao teu post um sentido construtivo ( ja compraste um dicionario ?) o que devemos entender, ao certo :

    – que o Assis não é a favor de governar em bloco central (=com o PSD) ? ou
    – que não admites, por principio, que possa existir um projecto politico que se assuma como mais à esquerda do que o do PS ?

    Em ambos os casos, so vejo uma diferença entre o que dizes, e aquilo que acusas o dirigente do bloco de fazer. Ele, pelo menos, tem a prudência e o discernimento de começar por sublinhar que é necessario aguardar para ver o que o Assis vai defender concretamente.

    Esperar para ver ? Tentar ouvir ? Procurar saber ? Que é la isso ? Não estamos a falar de politica ?

    Boas

  8. Até não tenho grande simpatia pelo Assis. No entanto só pergunto: qual a legitimidade que o senhor Gusmão tem para criticar F.Assis, dizendo que este “defenda que o PS faça acordos com aqueles que têm governado o país para que se continue a implementar políticas de austeridade nos próximos anos”, quando foi o BE, de mãos dadas com o PCP, que numa altura dramática para o país fizerem um acordo tácito com toda a direita para derrubar um governo legítimo, sabendo que a alternativa a seguir seria a ascenção de um como aquele que agora existe. Será que ainda não deram pela safardeza da sua atitude?

  9. Os discursos e as declarações publicas de Francisco de Assis, falam por si, Assis como Luis Amado defendem uma aliança do PS com o PSD, e contra isso batatas.

    Como diz o outro é a Vida , por muito que isso custe ao Socrates e aos seus apoiantes.

    PS:mas o que mais gostei foi ver ontem o Seguro a correr atrás do Coelho apressando-se a apresentar o Assis depois do outro apresentar o Rangel, foi um numero de perfeita comédia burlesca.

  10. Alucinação!!!!!!

    A minha candidatura é EVIDENTEMENTE do Bloco Central

    Francisco de Assis hoje á Lusa

    E agora Valupi….

  11. Eu só espero que haja algum discernimento no PS. O bloco central é uma armadilha da direita para destruir o PS e (o que resta do) o regime democrático. Cavaco Silva já mostrou as suas cartas, nesse jogo em particular. Se enveredar pelo bloco central, o PS irá alienar boa parte da sua base social de apoio.

  12. Quanto ao PCP e ao BE, se pensam que o bloco central os favorece (na medida em que poderão recolher o voto dos desiludidos no PS) desenganem-se. Mesmo recolhendo alguns, uma parte decisiva dos mesmos irá para um novo populismo de direita, que aí há-de aparecer.

  13. O comentario do amigo lorenzo é a perfeita demonstração da inanidade de posts como este.

    Eu não conheço mais o Gusmão do que o Assis nem tenho propensão particular para dar beijinhos a um mais que ao outro. Nem estou interessado nesta conversa. Agora ha uma coisa que não entendo e que me preocupa bastante mais : se o BE e o PC não têm “legitimidade” para criticar acordos com o PSD, uma vez que eles se aliaram tacitamente com ele, e se o PS também não tem legitimidade nesta matéria, pois que me lembre ele governou expressamente com o acordo do PSD, então como é que fazemos ?

    E’ que, meus amigos, tenho muita pena mas a questão principal que se coloca à esquerda portuguesa neste momento é clara e é simples : deve, ou não deve, governar com o PSD ?

    A resposta que o Assis da a esta pergunta é ?…

    Boas

  14. “A resposta que o Assis da a esta pergunta é ?…”

    I – R – R – E – L – E – V – A – N – T – E .

    o assis é só o primeiro da lista ao parlamento europeu e não é ele que define a política de acordos do partido.

    percebes ou queres um boneco? andas danadinho por um acordo com a direita, mas disfarças mal.

  15. A resposta do Assis (e não so) é que é irrelevante saber se a alternativa à politica deste governo passa, ou não, por governar de mãos dadas com o PSD.

    Bem me parecia…

  16. uma pergunta: assis foi escohido para Pm? vai governar o pais? no parlamento europeu o voto dele vale mais do que o dos restantes camaradas.por favor não façam barulho por causa lugar de um parlamento que até agora pouco contou nas nossas vidas. outra pergunta: um parlamento mesmo maioritariamente socialista, e social democrata (sem os ppds) vai mandar na D.Merkel.poupem-nos, isto é guerra eleitoral! há pior politica e politicos do que aqueles que com a ganancia tipica dos capitalistas atiraram os portugueses para esta situaçao quando se aliaram à direita na ida ao pote com os resultados que todos vimos: país mais pobre ,milhares de desempregados e salarios sonegados a reformados pensionistas e trabalhadores.a todos que pensam e debitam como o gusmão daqui lhes envio um das caldas para se entreterem!

  17. joão viegas, a tua atracção pela asneira, para além de já merecer a tal estátua que venho a pedir para ti faz tempo, também te impede de ler. E isso prejudica-te notoriamente. Se lesses, saberias que Assis fala num acordo com um PSD que seja crítico do actual. E se pensasses, saberias que à esquerda do PS não existe nenhuma proposta de governação que sequer mereça o gasto de uma caloria. A menos que tu, do alto da tua tonteira, aches que o PS se deve aliar a quem quer sair do Euro mas não faz ideia das consequências nem da forma de tal processo, e ainda com aqueles que não só querem sair do Euro como também da União Europeia e da Nato, para começar, e que acham que resolvem todos os problemas com o “aumento da produção” mas sem patrões e bancos privados.

    Larga a vinhaça.

  18. “fala num acordo com um PSD que seja crítico do actual”…

    Mais precisamente de acordo com um PSD que aceitasse fazer um acordo com o PS para criticar o PSD que esta hoje no governo, ou seja de um PSD igual ao de 2009, enquanto não veio 2011. Isto é completamente obvio e transparente.

    Em contrapartida, uma aliança com partidos (ou com as forças) de esquerda criticos das posições extremas, isso é que nunca na vida, cruzes credo. Alias todos os partidos e todas as pessoas à esquerda do PS são a favor da saida do Euro e da criação imediata de gulagues, assim como do restabelecimento de um serviç publico diario de crianças ao pequeno almoço.

    Mas estamos a complicar : o Assis, e tu também, é a favor de uma aliança do PS consigo mesmo…

    Como desconhecemos quais são as politicas que o PS preconiza, isto é, para além dos grandes principios que consistem em pintar de cor-de-rosa as medidas neo-liberais defendidas pelo PSD, isso não nos adianta muito.

    Mas tu não estas aqui para adiantar nada, ja me esquecia…

    Se um dia te avisares de procurar dizer alguma coisa, apita.

    Boas

  19. joão viegas, talvez devas telefonar ao Assis para lhe expores a tua solução. Tens uma solução, né? Pois claro que tens. Força nisso, tu é que percebes do assunto, como fica esplendorosamente à vista no que escreves.

  20. Não sei se tenho solução. Mas julgo que encarar a hipotese de propôr uma alternativa à politica do PSD apoiando-se em forças que não sejam exclusivamente os membros do PSD, ainda que criticos em relação a este governo, é capaz de ser uma boa ideia…

    Não tenho o telefone do Assis, mas tu transmites, que eu sei.

    Boas

  21. “…que não sejam exclusivamente os membros e simpatizantes do PSD, ainda que criticos, nem os do CDS e dos outros partidos de direita”.

    Tratando-se do Assis, e de ti, julgo que a correcção não é improficua…

    Boas

  22. joão viegas, se lesses o que Assis já disse a respeito, e se pensasses um bocadinho, saberias que aquilo para que o homem aponta não é diferente do que estás a dizer. Apenas, no seu caso, o discurso sai claro, porque ele está a lidar com a realidade. Na realidade, caso as próximas eleições deixem o PS e o PSD sem maiorias absolutas, alguém continua a ter de ir para o Governo. Se tu sabes de alguma forma como será possível juntar PS-PCP-BE na governação, conta lá à gente, por favor. Não te esqueças é de que nem sequer com o BE o PCP admite qualquer tipo de convívio e de que o próprio BE só parece existir para enfraquecer e, ao limite, extinguir o PS. Mas tu, tão inteligente como és, com certeza já pensaste nisto tudo e estás em condições de dar uma lição ao patego do Assis.

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