Depois de rios de tinta gastos por pessoas a defenderem os motoristas das artimanhas dos patrões que passam por pagarem em subsídios em vez de lhes aumentarem o vencimento base, eis que os motoristas marcam nova greve porque os patrões não aceitam o aumento de mais 50 euros no… novo subsídio de operações. Pasme-se, para o sindicato, o problema não é haver subsídios a mais, é exactamente o contrário.
Parece que o subsídio em causa é relativo ao manuseamento das matérias perigosas. Mas quão perigosas são as tais matérias, afinal? É que, bem vistas as coisas, todos as manuseamos sempre que vamos abastecer, e sem nunca termos tido qualquer formação para tal. Muitos, para se precaverem dos efeitos da greve, não só manusearam como transportaram grandes quantidades dessas matérias, e não o fizeram em camiões sofisticadíssimos que respeitam todas as regras de segurança, transportaram-nas em recipientes de plástico na bagageira das viaturas. Falou-se muito no açambarcamento, mas ninguém alertou para a perigosidade deste comportamento. Será que as matérias só são perigosas se transportadas pelos motoristas ou pelos militares?
Por fim, na comunicação social, ao mesmo tempo que se critica o Governo por estar do lado dos patrões, são cada vez mais os artigos a anunciarem a próxima crise económica. Veja-se, por exemplo, este título – Quem tem medo da crise? – e a forma como o texto começa. O Expresso não tem dúvidas, é como se a crise já estivesse instalada. Isto não parece mesmo um alerta para os patrões? Lendo estes títulos, que empresário é que fica com vontade de negociar aumentos?