O que é mais perigoso, a crise ou o Pardal Henriques?

Depois de rios de tinta gastos por pessoas a defenderem os motoristas das artimanhas dos patrões que passam por pagarem em subsídios em vez de lhes aumentarem o vencimento base, eis que os motoristas marcam nova greve porque os patrões não aceitam o aumento de mais 50 euros no… novo subsídio de operações. Pasme-se, para o sindicato, o problema não é haver subsídios a mais, é exactamente o contrário.

Parece que o subsídio em causa é relativo ao manuseamento das matérias perigosas. Mas quão perigosas são as tais matérias, afinal? É que, bem vistas as coisas, todos as manuseamos sempre que vamos abastecer, e sem nunca termos tido qualquer formação para tal. Muitos, para se precaverem dos efeitos da greve, não só manusearam como transportaram grandes quantidades dessas matérias, e não o fizeram em camiões sofisticadíssimos que respeitam todas as regras de segurança, transportaram-nas em recipientes de plástico na bagageira das viaturas. Falou-se muito no açambarcamento, mas ninguém alertou para a perigosidade deste comportamento. Será que as matérias só são perigosas se transportadas pelos motoristas ou pelos militares?

Por fim, na comunicação social, ao mesmo tempo que se critica o Governo por estar do lado dos patrões, são cada vez mais os artigos a anunciarem a próxima crise económica. Veja-se, por exemplo, este título – Quem tem medo da crise? – e a forma como o texto começa. O Expresso não tem dúvidas, é como se a crise já estivesse instalada. Isto não parece mesmo um alerta para os patrões? Lendo estes títulos, que empresário é que fica com vontade de negociar aumentos?

21 thoughts on “O que é mais perigoso, a crise ou o Pardal Henriques?”

  1. Os motoristas transportam e manuseiam matérias perigosas durante todo o seu horário de trabalho. Dia após dia. Neste aspecto distinguem-se dos restantes motoristas profissionais, pois estão expostos a riscos bem superiores. Tal condição deve ser compensada financeiramente.
    Os motoristas de matérias perigosas não transportam só combustíveis, mas também produtos químicos altamente corrosivos.
    Eu abasteço o meu carro de 20 em 20 dias. Nunca mais do que 50 litros. E incomodam-me os vapores presentes nesse acto.

  2. Se os motoristas transportam e manuseiam materiais perigosos então devem usufruir de um salário base mais elevado, ponto final. Porquê mais um subsídio? Afinal quantos subsídios e complementos têm? Também não percebo a questão das horas extraordinárias. Afinal são ou não excessivas? Parece-me que a única preocupação dos motoristas é que sejam pagas à parte. Sendo pagas afinal já não se importam que sejam 60h por semana.

  3. O que é triste é ver estes profissionais serem completamente iludidos por este pseudo sindicalista, cujo objetivo visa apenas o protagonismo político.
    O mesmo se passou com os enfermeiros,o mesmo se passou com os professores.
    Todas estas greves apenas servem para criar o caos.
    “Dividir para reinar”um lema tão do agrado dos pafiosos. Quem não se lembra da “peste grisalha”, e de pôr o sector público contra o sector privado.
    Mas alguém acredita que o pardal está de boa-fé a defender os motoristas?

  4. Mas afinal quem é que acredita na teoria da conspiração? Ninguém, nem eu, mas que ela existe, existe. A greve foi desconvocada, para as partes se sentarem à mesa, negociar e resolverem o diferendo, mesmo com alguma cedência de parte a parte, como deveria ser. Mas, afinal, nem ao pé da mesa chegaram. Porquê? Porque o que interessava (a quem?) era marcar outra greve para mais próximo das legislativas, por exemplo, até ao fim de setembro. Mas terá havido mesmo essa intenção, planeou-se mesmo isso, antecipadamente? Não, ninguém acredita nessa conspiração, nem eu. Mas que aconteceu, aconteceu.

  5. Os dirigentes do sindicato de motoristas de matérias perigosas é que escolheram esse pardal para porta-voz ou líder ou a lá porra que ele é ou era. O gajo é um advogadozeco manhoso, ávido de protagonismo e muito provavelmente com uma agenda política escondida, mas os dirigentes do sindicato que o contrataram devem ser ainda mais maléficos, estúpidos e ignorantes do que ele. Ou seja, sem o pardal, que parece que está de partida, não há garantia nenhuma de que os dirigentes do sindicato de m. p. façam menos merda do que até aqui.
    Trata-se de um sindicato profissional (motoristas) de um subsector (transporte de m. p.) do vasto sector dos transportes. É um sindicato que foi expressamente criado para separar a representação dos seus associados da dos restantes trabalhadores. Estão-se a marimbar completamente para os outros trabalhadores, só lhes interessa o que a eles pessoalmente diz respeito.
    Compreendo que os motoristas de m. p. não queiram ser dirigidos por militantes do PC e não queiram, por isso, estar filiados num sindicato da Fectrans. Mas a razão principal por que foi formado o sindicato dos motoristas de m. p. foi outra, foi estarem a cagar-se para os restantes trabalhadores do sector dos transportes e quererem usar a sua força negocial exclusivamente em próprio benefício. A praga dos sindicatos independentes, de profissão e até de categoria, promovida por grupos profissionais egoístas e sempre apoiada por partidos de direita, só tem causado dano ao sindicalismo em geral, mas tem beneficiado certos grupos profissionais, obviamente em detrimento das maiorias. Essa gente não merece o nome de sindicalistas. Funcionam como irmandades mafiosas e fazem da acção sindical uma espécie de extorsão. Não têm ideologia nem espírito solidário, mas também não têm moral nem escrúpulos de qualquer ordem. São bons para serem usados por movimentos de extrema direita.

  6. Pois, agora que o Pardal resolveu voar para outra pradaria, vosmiceias vão provavelmente agarrar-se à quinta perna do boi. Sugiro-vos um impermeável, não vá acontecer esguichadela.

  7. Guida: “Mas quão perigosas são as tais matérias, afinal? É que, bem vistas as coisas, todos as manuseamos sempre que vamos abastecer, e sem nunca termos tido qualquer formação para tal.”

    O filho de um amigo meu, que conheci em criança e mais tarde emigrou para os EUA, trabalhava no aeroporto de Denver com um veículo de transporte e abastecimento de combustível a aviões. Num desses abastecimentos, uma peça que ficara mal conectada desligou-se, a mangueira aos saltos esguichava combustível em todas as direcções, o rapaz tentou imobilizá-la, no processo ficou ele próprio encharcado em combustível, uma peça metálica da mangueira em movimento descontrolado bateu no chão, provocou uma faísca que iniciou um incêndio e, enquanto os bombeiros do aeroporto não conseguiram debelá-lo, tudo o que tinha combustível ardeu, incluindo o filho desse meu amigo. Teve ainda o azar de não morrer logo, agonizou alguns dias no hospital, em horrível sofrimento, mas deves ter razão, Guida, essa coisa dos perigos no manuseamento de matérias perigosas, nomeadamente combustível, é tudo treta. Beber um copo de água, por exemplo, é igualmente perigoso, se não mais. Imagina que o copo esteve perto da gaiola do periquito, que este deixou cair a pila lá dentro, tu dás um gole, engasgas-te, sufocas e lá vais esvoaçando, ou saltitando, ou nadando, ou surfando, a caminho do cabrão do Inferno! Ou, pior ainda, a pilinha do periquito dá-lhe para viajar, sai na paragem errada e ficas grávida de uma quimera de fazer inveja a qualquer divagação mitológica clássica! Pôcera, vou passar a beber só cerveja!

  8. Ò diacho, o Valupi a dizer que vem aí o diabo? Perderam a fé nas capacidades mágicas do Centeno e Costa?

    Tanto alarido porque os trabalhadores do privado decidiram usar as mesmas táticas dos trabalhadores da fundação pública. Como se atrevem, essa classe menor!

    Já agora, ninguém fala no porta voz da antram? Também tem um CV interessante 😈

  9. ò kim kapacho já mudaste o teu voto para o pdr? apressa-te que o açambarcamento vai ser grande e não vai haver boletins de voto para todos. se o tribunal constitucional rejeitar a candidatura do prof. pardal, o sindicato dos trabalhadores da imprensa nacional-casa da moeda apresentam pré-aviso de greve à impressão dos boletins de voto.

  10. O piaçaba parvalhatz, quando não está a limpar as retretes dos amos, cujas sanitas deixa a brilhar apenas com a língua, ocupa os tempos livres no Jardim Zoológico, junto à jaula do gorila, à qual encosta um jarro grande de água, na esperança de que lá dentro caia qualquer coisinha. Oremos pelo piaçaba parvalhatz, o do nick saltitante. Que a Virgem Santíssima ouça as suas e nossas preces e lhe conceda a bênção de fazer cair no jarro algo com que o parvalhatz possa encher a boca… até ao esófago, pelo menos; até ao piloro, se possível. Um milagre de grau 5 na Escala de Richter, no primeiro caso; de grau 9, no segundo. Ámen.

  11. Credo, sem sombra de oportunismo, o senhor Pardal vai ser candidato às legislativas pelo PDR do senhor Marinho e Pinto. Boa dupla. Certamente que vai ter uma boa votação, pelo menos os votos dos camionistas e os votos dos críticos dos que condenaram o Governo por ter evitado o possível caos que se adivinhava, actuando como qualquer governo responsável sempre actuaria, logo se verá.

  12. quanto à pergunta, não sei. mas estou curiosa ( issima) em ver qual vai ser o comportamento da Alemanha se entrar em crise.

  13. Joaquim Camacho, o meu pai foi motorista durante muitos anos e ao serviço de várias empresas. De tudo o que transportou o que considerava mais perigoso era o transporte de toros de madeira e de tubos de plástico. Mas não é com base nos casos que tu e eu conhecemos que se faz a avaliação de risco. É, entre outras coisas, com números que nos digam, por exemplo, em que tipo de transporte se regista o maior número de acidentes. E em que empresas. É que há as que levam a sério o cumprimento das normas de segurança e outras nem por isso. Numas é dada formação adequada aos funcionários e noutras a formação é pouco mais do que um rabisco no final de uma folha.

    Não conheço estes dados porque, talvez por distracção, nenhum dos inúmeros especialistas em sindicatos, transportes e matérias perigosas os divulgou. Mas aposto que os conheces. Podes partilhar?

    _____

    Che gavara, como é que alguém tão perspicaz e certeiro, como tu, dispara contra a pessoa errada? Nunca ouviste dizer que o Diabo está nos detalhes?

  14. 41 acidentes de trabalho mortais nas instalações das empresas contra 4 acidentes mortais em viagem, transportes ou circulação em 2019..
    acidentes graves em viagem, transportes ou circulação , em 2019, houve 1, nas instalações houve 129..

    mais vale andar em viagem, parece.

  15. Pardal é apenas o artista sempre disponível para interpretar o papel que lhe possa dar o Óscar. Responsável é quem escreve o guião e dirige a novela.

  16. Guida: “números que nos digam, por exemplo, em que tipo de transporte se regista o maior número de acidentes”.

    É do conhecimento público, ainda que sobre isso eu não tenha “números” concretos, que, à luz de variadíssimos parâmetros, sejam eles o “número” de viagens realizadas, o “número” de passageiros, o “número” de quilómetros percorridos, etc., o transporte aeronáutico, tanto de passageiros como de mercadorias, tem, percentualmente, “números” muito inferiores de acidentes, incidentes, mortos e feridos, quando comparado com o transporte rodoviário, seja ele de passageiros ou de mercadorias.

    Será que isso implica que os pilotos de linha aérea e os/as comissários/as de bordo devem ter salários inferiores aos dos motoristas de táxi e dos motoristas de transporte rodoviário de mercadorias, perigosas ou não?

  17. trabalho igual, salário igual. é assim mesmo.
    bora lá botar os camionistas a pilotar a frota da tap e se pagarem extra ainda fazem cargas e descargas de passageiros. vai ser difícil convencê-los a pilotar sem o braço de fora, portantes passageirada precaveja-se com cachecóis e outras protecções para correntes de ar.

  18. O trabalhão que o Pardal lhes tem dado e que, pelos vistos, ainda lhes vai dar. Que grande artista. Pois é dele que se trata, não é?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.