Arquivo da Categoria: Valupi

O mundo de Sofia

A nossa amiga Sofia Loureiro dos Santos incluiu o Aspirina B na sua selecção anual de blogues. Estamos em excelente companhia. E realço a generosidade da escolha incluir um sumário explicativo. Isso permite ficar a conhecê-la ainda melhor, sendo esse o verdadeiro interesse destas listagens de favoritos.

A blogosfera junta pessoas que doutra forma talvez nunca se cruzassem. E cada uma delas é um mundo à espera de ser descoberto.

Good food for good thought

Loosely defined, resilience is the capacity of a system — be it an individual, a forest, a city, or an economy — to deal with change and continue to develop. It is both about withstanding shocks and disturbances (like climate change or financial crisis) and using such events to catalyze renewal, novelty, and innovation. In human systems, resilience thinking emphasizes learning and social diversity.

Resilience theory, first introduced by Canadian ecologist C.S. “Buzz” Holling in 1973, begins with two radical premises. The first is that humans and nature are strongly coupled and coevolving, and should therefore be conceived of as one “social-ecological” system. The second is that the long-held, implicit assumption that systems respond to change in a linear — and therefore predictable — fashion is altogether wrong. In resilience thinking, systems are understood to be in constant flux, highly unpredictable, and self-organizing with feedbacks across multiple scales in time and space. In the jargon of theorists, they are complex adaptive systems, exhibiting the hallmark features of complexity.

On Resilience

A modinha do Chico Lopes

O candidato presidencial do PCP ganhou as simpatias da direita. Isto porque deu porrada em Cavaco, mas sem o ferir de morte, sequer deixar mazelas a precisarem de tratamento. Foram uns sopapos dados em alguém meio entrevado, sem capacidade de se defender. A direita também tem razões para sovar Cavaco, mas não pode permitir que sejam os xuxas a fazê-lo, pelo que ter um comuna a prestar esse serviço catártico é a melhor solução.

Mas o que realmente agrada no Chico Lopes é a sua disciplina de funcionário. Ele apresenta-se com a cassete das Testemunhas de Jeová e o aprumo executivo dos oficiantes da Igreja Universal do Reino de Deus. É um pastor, pois. E de um conservadorismo que já nem no catolicismo se gasta. Essa higiene política mínima foi quanto bastou para reunir agrado, o que igualmente ilustra o nível paupérrimo dos restantes candidatos.

Temos substituto do Jerónimo, isso é certo. E o PCP ficará cada vez mais igual a si próprio, mais barricado e hostil, o que a direita aplaude.

Natal digital

O meu amigo Jorge Teixeira, o primeiro director criativo com quem trabalhei, teve uma carreira de altíssimo sucesso na publicidade logo desde que entrou nesse feérico mundo, algures no final dos anos 80. Há um par de anos, mudou para uma agência especializada em comunicação digital. Acaba de conseguir um mega-ultra-hiper-triunfo no Youtube, tanto na versão em português como em inglês, à pala do Menino:

Na república dos juízes

«A alegação de erro informático começa a ser demasiado recorrente para podermos acreditar que a culpa é sempre dos computadores», que «só fazem errado o que os humanos fazem de errado», disse o presidente da ASJP, defendendo que o Ministério da Justiça deve explicar esta situação.

António Martins disse ainda que o facto de o caso não ser resolvido em 24 horas revela «descontrole e inépcia total» da tutela ou que «o Estado está com dificuldades de tesouraria, sendo, se for esse o caso, necessário que o Ministério assuma «claramente isso».

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Na república dos juízes os computadores só fazem errado o que os humanos fazem de errado. As falhas técnicas, de hardware ou software, foram abolidas e os sistemas informáticos são agora meras emanações das psiques humanas. Este estádio de fusão cibernética foi alcançado quando se conseguiu transformar a infalibilidade dos juízes em determinismo computacional. Resultado: máquinas sem culpa.

Na república dos juízes, quando os humanos enganam os computadores, os Ministérios ou estão completamente descontrolados ou são completamente ineptos. Há, contudo, um terceiro cenário. De facto, é sabido que Governos com dificuldades de tesouraria podem ser tentados a manobras de espectacular perversidade: num universo de mais de 4.000 funcionários, fazem com que 19 não recebam o ordenado, e outros 12 não recebam o subsídio de compensação, durante um ou dois dias na semana do Natal. Isso permite aos bandidos que foram eleitos o adiamento da iminente bancarrota, e o respectivo usufruto dos bens públicos para proveito próprio, até às festas da passagem de ano. A única forma de lutar contra estes abusos inomináveis é uma luta sindical sem quartel, dizem os mais esclarecidos.

Na república dos juízes o ridículo não mata. A raiva corporativista também não.

Aprendendo a ser humilde com Freitas do Amaral

Pegando no mote do texto inaugural da Isabel, a que junto as chicotadas do Eduardo, aproveito para deixar a minha perplexidade a respeito de Freitas do Amaral. Este homem é um dos mais importantes senadores do regime democrático, tendo já inscrito o seu nome na História pátria por múltiplas e magníficas razões, e é um monumento vivo do que seja uma vocação de serviço público e de realização do ideal da liberdade. Por isso despertou tantos ódios; primeiro dos imbecis, dos ranhosos depois. A independência tem preço, alto, e no caso dele até se fez pagar em dinheiro.

Pois bem, como se explica o silêncio de Freitas aquando do escândalo da inventona de Belém e, para piorar o que já era mau de mais, o seu militante apoio à reeleição de Cavaco? Seja lá qual for a justificação que o próprio dê, em nada modifica o sarilho que arrasto comigo: um dos portugueses que mais admiro é cúmplice político de um dos portugueses que mais me envergonha.

Não pretendo fugir do paradoxo. A humildade também se faz pagar, a puta.

Festa

A Isabel Moreira, num daqueles desatinos que definem uma alma artística, achou graça ao convite para vir passear a sua indomável liberdade, e subidos conhecimentos, neste pardieiro chamado Aspirina B. Obviamente, não a merecemos; restando só a curiosidade de ver quanto tempo demora até ela se aperceber da péssima companhia onde se foi meter.

Este blogue, por honrosas e prazenteiras razões, está em festa – embora estejamos em condições de garantir que tal em nada se relaciona com estrelas decadentes a caminho de Belém. É só pelo presente que acabamos de receber, a admirável Isabel.

Natal vermelho

Como é belo ver as classes C1, C2 e D invadirem os espaços comerciais no exclusivo fito de entregarem os seus míseros rendimentos aos empresários, unidos com o grande capital no esforço titânico para aumentar o consumo interno e, assim, financiarem os bancos, alimentarem os impostos e salvarem o País das garras do FMI.

Grande castiço

Uma das figuras mais castiças da blogosfera é o joshua. Esta figura teve um gesto magnânimo como só os grandes castiços ousam ter – escreveu a mesmíssima merda em três blogues diferentes: PALAVROSSAVRVS REX, 2711 e Aspirina B. O costume é repetir em dois blogues, uma estereofonia para impressionar o povo. Em três, já estamos na globalização.

Quanto a isso de me julgar apoiante de Alegre, só vem confirmar que a Internet é um meio que serve principal e primeiramente para escrever. As leituras podem esperar.

Atenção, pessoal

A nossa amiga Ana Cristina Leonardo está aqui a pedir autorização para traduzir a «Eigentlichkeit heideggeriana» por «“Autenticidade”».

Eu sei que calha em má altura, este é o pior fim-de-semana do ano para validar traduções de conceitos heideggerianos com tanta compra ainda por fazer, mas sejam compinchas e haja alguém que vá lá permitir a coisa; para ficar o assunto resolvido e a senhora descansada, pronto.

Afinal, é Natal, ó pessoal!

Procurador-geral do Sporting

O treinador do Sporting estava insatisfeito após a derrota leonina em Sófia, frente ao Levski. Paulo Sérgio confessou que para o exterior, o culpado do desaire é ele, mas não deixou de referir que, internamente, vai apurar responsabilidades entre os jogadores.

Fonte

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Internamente, Paulo Sérgio não tem culpa nenhuma, isto que fique claro. O que se passa nos treinos, a escolha dos jogadores, as opções tácticas não têm qualquer relação com aqueles momentos em que os jogadores, impantes de livre-arbítrio, decidem pontapear a bola como bem lhes apetece. Para provar a sua inocência, vai abrir um inquérito de modo a apurar responsabilidades. Paulo Sérgio sabe que há culpados, até porque existe um crime, e que os meliantes estão no balneário. É uma zona do estádio que só tem uma entrada e nenhuma janela. Por isso, irá barrar a porta e quem quiser sair terá de responder a esta pergunta: onde estavas à hora do jogo?

Esperam-se cenas de choro e álibis de rir à gargalhada.

Amado, odeio-te

O Ministro dos Negócios Estrangeiros é um traste, um desqualificado que continua no Governo apenas para proteger o mentiroso compulsivo que impediu a dona Manuela de estar agora a salvar o País. Tão abjecta é a sua função que o único refrigério consiste nuns passeios pelo jardim do Palácio das Necessidades. Para lá vai sempre que consegue fugir ao trabalho. E para lá fica a contemplar o céu, absorto, imaginando que algures naquele imenso azul há um avião da CIA cheio de inocentes a caminho de Guantánamo. O seu rosto enternece-se ao visualizar as sevícias e torturas a que vão ser sujeitos. A criadagem do palácio costuma dizer que ele parece um anjo nessas alturas, irradiando tal luz que faz das suas cãs uma miragem celeste.

Felizmente, ainda temos jornalistas que resistem e não perderam nem a dignidade, nem o sentido de missão. Como o sr. Mário Crespo, por exemplo, que nesta quinta-feira montou uma peça onde se via o traste a ser questionado por uma jornalista, uma pobre senhora. Pois o traste lembrou-se de perguntar se ela tinha lido o telegrama acerca do qual interrogava o traste. E ela não tinha, coitadinha. Como é que ela pode ler telegramas e ser jornalista ao mesmo tempo?! Pois o traste não quis saber. E ficou muito exaltado, de cabeça perdida, dizendo alarvidades desconexas. Coisas como “Se tivesse lido não me estava a fazer essa pergunta”, cuspia o bruto. Bruto e traste. Felizmente, o sr. Mário Crespo chama-nos a atenção para estas vergonhas e não deixa escapar uma. É o que ainda nos vai valendo.

Bom, mas eu queria mesmo era falar disto:

O Primeiro-Ministro tem as costas largas […]

Cá temos mais uma tanga, pois é sabido que Sócrates não tem as costas largas. Costas largas tem Platão, como o atesta a etimologia do seu nome e o relato de Diógenes Laércio. Mais do que tudo, é por este completo abandalho da Cultura Clássica que te odeio, Amado.