O Ministro dos Negócios Estrangeiros é um traste, um desqualificado que continua no Governo apenas para proteger o mentiroso compulsivo que impediu a dona Manuela de estar agora a salvar o País. Tão abjecta é a sua função que o único refrigério consiste nuns passeios pelo jardim do Palácio das Necessidades. Para lá vai sempre que consegue fugir ao trabalho. E para lá fica a contemplar o céu, absorto, imaginando que algures naquele imenso azul há um avião da CIA cheio de inocentes a caminho de Guantánamo. O seu rosto enternece-se ao visualizar as sevícias e torturas a que vão ser sujeitos. A criadagem do palácio costuma dizer que ele parece um anjo nessas alturas, irradiando tal luz que faz das suas cãs uma miragem celeste.
Felizmente, ainda temos jornalistas que resistem e não perderam nem a dignidade, nem o sentido de missão. Como o sr. Mário Crespo, por exemplo, que nesta quinta-feira montou uma peça onde se via o traste a ser questionado por uma jornalista, uma pobre senhora. Pois o traste lembrou-se de perguntar se ela tinha lido o telegrama acerca do qual interrogava o traste. E ela não tinha, coitadinha. Como é que ela pode ler telegramas e ser jornalista ao mesmo tempo?! Pois o traste não quis saber. E ficou muito exaltado, de cabeça perdida, dizendo alarvidades desconexas. Coisas como “Se tivesse lido não me estava a fazer essa pergunta”, cuspia o bruto. Bruto e traste. Felizmente, o sr. Mário Crespo chama-nos a atenção para estas vergonhas e não deixa escapar uma. É o que ainda nos vai valendo.
Bom, mas eu queria mesmo era falar disto:
O Primeiro-Ministro tem as costas largas […]
Cá temos mais uma tanga, pois é sabido que Sócrates não tem as costas largas. Costas largas tem Platão, como o atesta a etimologia do seu nome e o relato de Diógenes Laércio. Mais do que tudo, é por este completo abandalho da Cultura Clássica que te odeio, Amado.