Louçã – Eu queria ter aqui já uma conversinha sobre a questão da Segurança Social. […] Mas olho para o que o PS aprovou, e pró que está no documento da troika, e vejo que até Outubro vai ser proposto uma nova proposta sobre a Taxa Social Única. Mas vejo mais, Eng. Sócrates. O que eu olho é quando vejo a carta que o Governo escreveu ao FMI, que ninguém citou até agora, eu vou-lhe citar. A carta é do Governo, não é do FMI, e não é da troika, é do Governo. […] Eu queria saber como é que vai ser paga essa proposta que o senhor se comprometeu na sua carta ao FMI.
Sócrates – […] Aquilo que o Governo negociou com a troika está no Memorando de Entendimento e nada mais. […]
Louçã – […] O que o Eng. Sócrates diz é que está um memorando da troika que afirma uma posição. Certo.
Sócrates – É a única coisa que estabelecemos.
Louçã – Mas estabeleceu mais. É que fez uma carta do Governo, assinada pelo Ministro das Finanças. Eu tenho-a aqui, vai-me desculpar… […] mas é o que o Eng. Sócrates escreve na carta, uma grande redução, a major reduction… […]
Sócrates – […] e nessas fórmulas que o Francisco Louçã leu, que são igualzinhas às que estão no Memorando […]
Louçã – Aqui diz que é uma pequena redução, na carta que escreveu diz que é uma grande redução. Está escrito na carta.
Sócrates – É o que está no memorando, não é a carta.
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Segundo o ministro da Presidência, nesse debate, quarta-feira, na SIC, Louçã confrontou o primeiro-ministro com um dado falso: uma suposta carta escrita pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ao FMI com compromissos adicionais sobre redução da taxa social única.
“O truque [de Francisco Louçã] foi o de procurar sugerir que [os excertos que lia] não estavam no memorando estabelecido com as instituições e que se trataria de uma coisa escondida – essa ideia é falsa. O que o dr. Francisco Louçã leu não foi carta nenhuma e apenas leu o memorando estabelecido com o FMI e com as outras instituições internacionais”, contrapôs Pedro Silva Pereira.
Em conferência de imprensa, Luís Fazenda contrapôs que Louçã confrontou isso sim o secretário-geral do PS com o que está escrito no ponto 39, página 12, do memorando económico e financeiro subscrito pelo Governo (e pelo PSD e CDS) no acordo de assistência financeira a Portugal e que, segundo o Bloco de Esquerda, constitui “uma carta de garantia” ao FMI.
Interrogado sobre como se gerou o equívoco de que Francisco Louçã se referira a uma carta desconhecida escrita alegadamente pelo ministro das Finanças ao FMI, Luís Fazenda respondeu que “há sempre quem goste de baralhar aquilo que é simples”.
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