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Grande celebração do 1º mês do novo Governo!

Ah, que alívio, que alegria, voltarmos a ver o nosso querido Presidente da República todo sorridente, todo babadinho, ao receber o Primeiro-Ministro no Palácio de Belém, esse reduto inexpugnável da gente séria. Ah, como este desamparado país estava carente dessa harmonia e cordialidade, dessa elevação. É que nada consegue ultrapassar os magníficos exemplos que a gente séria tem para dar ao povoléu desde que a dita esteja rodeada também por gente séria e não pela escumalha dos mentirosos. Os mentirosos, ainda por cima, e só para piorar o que já era mau, não têm transparência. Não têm porque estão sujos e são sujos. E são ratos. E são porcos. Pode um porco ser transparente? Nunca, nem mesmo se transformado em fiambre para ser exaustivamente fatiado até ficar finíssimo. O porco é um animal muito opaco, muito diferente da gente séria.

O novo Governo atingiu na sexta-feira o seu 1º mês em funções. Não será exagero dizer que o País, apenas 30 dias passados sob a iluminada e virtuosa direcção da gente séria, está irreconhecível tantas as radicais alterações introduzidas. Agora, já temos um Chefe de Estado que sabe do que se passa na Europa, por exemplo, tendo acabado a asfixia democrática que o impedia de ter acesso às notícias vindas do estrangeiro. Temos autarcas que passaram a aceitar portagens onde antes prometiam barricadas, outro exemplo de conversão súbita e milagrosa. E chegámos ao ponto de ver o início da operação que vai conduzir ao anúncio de que o TGV não irá parar porra nenhuma, vai é continuar e acelerar que o dinheirinho não é para desperdiçar.

Celebrando este momento de salvação nacional pela gente séria, queremos saber qual é a obra do Governo que melhor representa a sua essência e espírito. Ajuda-nos a descobrir.


Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

The brain holds on to false facts, even after they have been retracted
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Women may be warned of partners’ violent pasts under new ‘Clare’s Law’
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Non-Africans Are Part Neanderthal, Genetic Research Shows
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Fewer Verbs and Nouns in Financial Reporting Could Predict Stock Market Bubble, Study Shows
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Personality Plays Role in Body Weight: Impulsivity Strongest Predictor of Obesity
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Evolution of the Evolutionarily Minded
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Lessons from the Financial Crisis: What’s Good for One Organization Can Topple an Entire Industry
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Unhappy People Avoid Eye Contact – New Research

A democracia entre a loucura e o ódio

Há quem faça uma leitura legitimadora do terrorismo de bandeira islâmica, vendo nele a resposta assimétrica ao poder militar das potências ocidentais e suas políticas de apoio a Israel ou intervenção bélica em países muçulmanos. Para estes psicopatas, o 11 de Setembro foi um golpe dado no coração do inimigo. Simbolicamente, na dimensão da propaganda, celebra-se nesse evento o facto de a América ter sido mortalmente atingida quando as torres do World Trade Center ficaram em chamas e ruíram. E aceita-se o elemento alegadamente religioso dos terroristas como se fosse apenas uma característica étnica secundária numa devoção internacionalista contra um inimigo comum.

Acontece que o 11 de Setembro foi um ataque contra a democracia, não tendo nenhum outro objectivo. É a democracia – que no plano social e cultural traz consigo a promoção dos direitos humanos e por eles está disposta a todos os esforços e sacrifícios – o alvo final para as patologias de tipologia ditatorial, venham elas de esquerda ou direita, sejam de invocação teocrática ou estritamente seculares. Os direitos humanos alteram as relações de poder, colidindo com forças instintivas e identitárias que se sabem ameaçadas de extinção perante as novas hierarquias de valor. Os conflitos resultantes são terreno fértil para a iniciativa, recrutamento e condicionamento de indivíduos mentalmente doentes, socialmente alienados e cognitivamente disfuncionais.

Os ataques na Noruega terão sido causados por noruegueses, nada tendo a ver com o terrorismo de bandeira islâmica. Essa informação está a causar um curioso efeito de anti-clímax, como se assim já não fossem tão graves. Ora, é precisamente ao contrário. Significa que a democracia está a ser atacada por aqueles que mais desfrutam dela, que a conhecem desde que nasceram. Significa que a ignorância do que está em causa não entra sequer na equação, aumentando a loucura ou o ódio dos que longamente planearam esta meticulosa acção.

Mas o ódio é sempre uma forma de loucura.

Prémio Nobel da falta de vergonha na cara

“A Europa superou as suas hesitações, assumiu as suas responsabilidades e tomou as decisões que se impunham perante a gravidade das ameaças que a Zona Euro enfrenta. Os líderes europeus compreenderam finalmente os sinais de alerta sobre os riscos que atingiam o próprio projeto de integração europeia. Em causa não estavam apenas alguns países da zona euro. Em causa estava o futuro do próprio projeto da moeda única”, escreve o chefe de Estado.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

A Noruega aqui tão perto

O ataque em Oslo é gravíssimo, e não só pelas mortes, feridos e destruição. Trata-se de um atentado de simbolismo equivalente ao do 11 de Setembro, escolhendo-se como alvo os representantes da soberania norueguesa. Mas é também grave pela fragilidade que expõe quanto à segurança da Noruega, desde os serviços secretos à prevenção policial.

Good food for good thought

With access to pornography easier than ever before, politicians and scientists alike have renewed their interest in deciphering its psychological effects. Certainly pornography addiction or overconsumption seems to cause relationship problems [see “Sex in Bits and Bytes” by Hal Arkowitz and Scott O. Lilienfeld; Scientific American Mind, July/August 2010]. But what about the more casual exposure typical of most porn users? Contrary to what many people believe, recent research shows that moderate pornography consumption does not make users more aggressive, promote sexism or harm relationships. If anything, some researchers suggest, exposure to pornography might make some people less likely to commit sexual crimes.

Does Porn Harm Women?

The most common concern about pornography is that it indirectly hurts women by encouraging sexism, raising sexual expectations and thereby harming relationships. Some people worry that it might even incite violence against women. The data, however, do not support these claims. “There’s absolutely no evidence that pornography does anything negative,” says Milton Diamond, director of the Pacific Center for Sex and Society at the University of Hawaii at Manoa. “It’s a moral issue, not a factual issue.”

The Sunny Side of Smut

Diálogos prováveis

– Abílio, que achas da ideia de acabarmos com o uso deste símbolo da burguesia e do imperialismo que é a gravata e, em troca, a empresa compromete-se a nunca mais ligar o vosso ar condicionado como forma de solidariedade para com os movimentos ecologista, naturista e sindical?

– Colossal, sr. Director.

Malucos do riso

“Não há nenhum buraco colossal nas contas públicas. Creio que todos aqueles que seguem a política em Lisboa já o perceberam nesta altura. Houve uma utilização abusiva de uma alusão, que eu fiz, a um esforço colossal que o Estado vai precisar de fazer, em praticamente meio ano, para poder acomodar um desvio de despesa de quase mil milhões de euros”, disse Passos Coelho.

21 de Julho

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Miguel Frasquilho, uma das vozes mais autorizadas do PSD em matéria de política económica, afirmou, segundo citação da Agência Lusa que não há na afirmação do primeiro ministro “qualquer tentativa de fugir às responsabilidades de cumprir o défice de 5,9 por cento este ano”. E sublinhou que “o Governo está muito determinado em cumprir os objetivos”.

Frasquilho explicou ainda que a expressão “desvio colossal”, empregada pelo primeiro ministro em reunião do Conselho Nacional do PSD se referia ao défice público de 7,7 por cento no primeiro trimestre, apurado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) no final de junho e que é “conhecido de todos os portugueses”.

13 de Julho

Este Governo é um colosso. Está tudo grosso, está tudo grosso.

A expressão “desvio colossal” atribuída a Pedro Passos Coelho no Conselho Nacional do PSD afinal não tinha outras palavras pelo meio, a acreditar no que está publicado no jornal oficial do partido, o Povo Livre.

Quando saiu em defesa do primeiro ministro, o ministro das Finanças explicou que as palavras “desvio e colossal” não estavam juntas na mesma frase mas a verdade é que, a mesma expressão, está escrita no jornal oficial do PSD, o Povo Livre. Na página nove da edição de 13 de Julho, a notícia do Conselho Nacional relata o discurso do líder do partido e coloca entre aspas não duas mas três palavras juntas “um desvio colossal”.

Fonte

O único amigo de Merkel em Portugal

Nunca se tentou no Mundo um projecto de união política tão improvável como aquele que está em curso na Europa desde 1957. Nem a formação dos Estados Unidos da América, muito menos a criação da ONU, têm paralelo quanto às dificuldades organizacionais inerentes à construção da União Europeia. Isso faz da Europa o local da experiência mais vanguardista do modelo político que começou na Fenícia há perto de 3 000 anos e se consagrou historicamente na Grécia nos séculos VI e V a.C. como δημοκρατία.

A par desta evidência, temos assistido a um desprezível cortejo de simplismos intelectuais, e fragilidades psíquicas, face à actual crise financeira na UE. A repetição de que ela se vai agravando apenas por causa de uma birra alemã de uma alemã, ou o disparatar catastrófico que já vê tanques gregos, irlandeses e portugueses a atravessarem o Danúbio, são exemplos de dissonância cognitiva porque não é possível supor que as figuras que assim se expõem ao ridículo ignorem as reais razões que estão na base da actual situação política europeia e os previsíveis modos em que ela se resolverá.

Por estes singelos factos, aplaudo as palavras de Merkel:

No decurso de uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente russo, Dmitri Medvedev, em Hannover, Merkel assegurou que «nem amanhã [quarta-feira] nem quinta-feira» vai ser possível dar um «passo espectacular» para resolver a questão do endividamento grego, por se tratar de uma questão «muito complexa».

Merkel, que avisara ainda no domingo que só se deslocaria a Bruxelas com uma real possibilidade de acordo em cima da mesa quanto ao segundo pacote financeiro que a zona euro está a desenhar para a Grécia, deixou claro que “são precisas medidas adicionais” para responder à crise das dívidas soberanas, mas “não um grande passo que solucione todos os problemas”.

Esta concordância faz de mim o único amigo que a senhora tem neste momento em Portugal.

Aprender a viver com a verdade de Passos Coelho

Que não espante se o colossal desvio detectado, ou antecipado, pelo Primeiro-Ministro, cuja existência ou lógica tem sido negada do seu Ministério das Finanças a Bruxelas, dito superior a dois mil milhões de euros, venha a ser de dois mil novecentos e noventa e nove milhões de euros, ou ainda uma qualquer outra verba superior, a qual, por ser superior a dois mil milhões de euros, mesmo que acabe por ser de vinte ou duzentos mil milhões, continuará como prova da transparência e coragem com que se lida com a verdade.

A História é paciente

Paulo Pedroso tem feito um curioso, e generoso, trabalho de recolha de opinião a respeito das eleições no PS:

O processo eleitoral em curso no PS: o debate blogsférico, parte I (até 12 de Julho)

O processo eleitoral em curso no PS: o debate blogsférico, parte II (do debate televisivo a 18 de Julho)

É consensual a expectativa de que Seguro ganhará. Se se verificar, será o melhor do pior que pode acontecer ao PS. Tal como com a vitória de Passos, a História é paciente e gosta de comparações. A continuação de Sócrates como primeiro-ministro teria levado o Cavaquismo para o absoluto histerismo e provocaria uma descontrolada pulsão revanchista. A dimensão das conspirações que seriam lançadas com a conivência, ou mesmo activa cumplicidade, do PCP e BE teria uma dimensão imprevisível. Em vez disso, com a vitória do PSD, em poucos dias assistimos ao degradante espectáculo do reviralho argumentativo daqueles que se calavam a respeito dos factores externos na crise económica e financeira e que apenas promoviam a irracionalidade persecutória. É desta matéria plástica que eles são feitos e quem nasce para videirinho não mudará nunca.

Com Seguro passa-se algo similar. Caso perdesse, continuaria a minar a direcção do partido, gerindo a sua afectividade militante para atacar na próxima oportunidade. Ora, é melhor despachar o quanto antes este simulacro de líder, aproveitando-se a estadia na oposição para o levar a gastar os seus cartuchos. Caso não sejam de pólvora seca, como parece, pois tanto melhor para a política nacional. Se se confirmar estarmos perante uma fraude, fica arrumada a questão e não se fala mais nisso.

O ódio que Sócrates e Santos Silva despertaram nas oligarquias e corporações não pede especial inteligência para ser explicado: estavam a vencer como e onde nunca ninguém tinha vencido. Os grandes senhores, os Balsemão, Belmiro e Soares dos Santos, tinham pela primeira vez à frente um Governo que não temia as suas ameaças nem a sua perseguição. Cavaco desesperava de impotência e raiva, atirava-se à doida para golpadas infames e desonrosas. O PSD era a imagem acabada da decadência e o CDS da irrelevância. Não fosse a crise internacional, depois a da Europa, Sócrates continuaria sem rival e a apresentar serviço.

Ora, quem representa esta escola no PS, neste momento, é Assis. Seguro nem sequer a compreende, ofuscado como sempre esteve consigo próprio.

Cineterapia


Good Bye Lenin!_Wolfgang Becker

Apesar do Verão, apesar de Julho, apesar da lógica que leva a considerar uma excelente ideia projectar filmes ao ar livre, a noite de 14 de Julho quis imitar o clima de Berlim algures no Outono. Depois de ter passado por lá armado em valente, só com uma camisola pintarola neste corpinho de Adónis, desatei a correr até casa para me equipar com camisolão, blusão da vela e gorro de montanha. Ao voltar, espalhados pelo relvado, vi casais e grupos debaixo de mantas e cobertores. E ainda não tinham chegado as rajadas de vento mais fortes.

Na Quinta das Conchas venta bem. Mas até há poucos anos, 2005, havia a protecção de uma densa mancha de arvoredo a partir da inclinação. Este foi um espaço selvagem durante toda a minha infância e adolescência. Era o território dos índios da Musgueira. E nós, os betinhos dos prédios, não ousávamos ultrapassar o vasto relvado pantanoso onde nem futebol se conseguia jogar em condições. Rugby sim, e correr também, mas havia sempre a ameaça dos musgas que utilizavam a quinta como caminho de fuga quando roubavam alguém nas ruas próximas. Sabiam-se numa zona não policiada e dominavam aquela pequena-grande selva. O espaço foi completamente requalificado pela Câmara Municipal de Lisboa e oferece agora condições soberbas – tanto em instalações, desenho de trajectos e segurança – para a sua frequência por crianças, idosos, famílias. É uma jóia de bem-estar.

Foi aqui, em 2008, que alguém tomou a feliz decisão de começar a passar filmes à borla: CineConchas. A iniciativa vai no quarto ano consecutivo e regista crescente popularidade. O entusiasmo, carinho e profissionalismo da equipa organizadora pode e deve ser desfrutado através das suas próprias palavras. São testemunhos inspiradores, que permitem ver estes eventos a partir do esforço e cuidado de quem os concebe e produz. O que encontramos no bondoso website do CineConchas revela um cunho de pessoal compromisso com vista ao sucesso da acção que fica como exemplo perfeito do potencial da participação cívica e do poder autárquico.

E o filme? É mais um daqueles, ainda raros, que nos sabem falar daquilo que a Europa tem de melhor: a liberdade. É por aí, por esse ideal conquistado com sangue ao longo de séculos de uma História comum, que começa a união europeia. É por isso que temos orgulho em sermos europeus.

Sócrates has left the building

Leia-se esta coisa. O escrevinhador (se alguém souber quem é, faça o favor de partilhar) tenta umas chalaças primárias que só conseguem despertar no leitor aquele sentimento altamente estranho e desconfortável que consiste em sentir vergonha pelas figuras tristes que terceiros estão a fazer em público. Sentimento esse intensificado pela qualidade da escrita, um texto tão indigente no conteúdo como na forma.

Mas há uma conclusão a retirar do voyeurismo do Expresso: Sócrates é o Elvis da política nacional. Mesmo que não apareça por cá, está vivo e cheio de rock and roll.