A História é paciente

Paulo Pedroso tem feito um curioso, e generoso, trabalho de recolha de opinião a respeito das eleições no PS:

O processo eleitoral em curso no PS: o debate blogsférico, parte I (até 12 de Julho)

O processo eleitoral em curso no PS: o debate blogsférico, parte II (do debate televisivo a 18 de Julho)

É consensual a expectativa de que Seguro ganhará. Se se verificar, será o melhor do pior que pode acontecer ao PS. Tal como com a vitória de Passos, a História é paciente e gosta de comparações. A continuação de Sócrates como primeiro-ministro teria levado o Cavaquismo para o absoluto histerismo e provocaria uma descontrolada pulsão revanchista. A dimensão das conspirações que seriam lançadas com a conivência, ou mesmo activa cumplicidade, do PCP e BE teria uma dimensão imprevisível. Em vez disso, com a vitória do PSD, em poucos dias assistimos ao degradante espectáculo do reviralho argumentativo daqueles que se calavam a respeito dos factores externos na crise económica e financeira e que apenas promoviam a irracionalidade persecutória. É desta matéria plástica que eles são feitos e quem nasce para videirinho não mudará nunca.

Com Seguro passa-se algo similar. Caso perdesse, continuaria a minar a direcção do partido, gerindo a sua afectividade militante para atacar na próxima oportunidade. Ora, é melhor despachar o quanto antes este simulacro de líder, aproveitando-se a estadia na oposição para o levar a gastar os seus cartuchos. Caso não sejam de pólvora seca, como parece, pois tanto melhor para a política nacional. Se se confirmar estarmos perante uma fraude, fica arrumada a questão e não se fala mais nisso.

O ódio que Sócrates e Santos Silva despertaram nas oligarquias e corporações não pede especial inteligência para ser explicado: estavam a vencer como e onde nunca ninguém tinha vencido. Os grandes senhores, os Balsemão, Belmiro e Soares dos Santos, tinham pela primeira vez à frente um Governo que não temia as suas ameaças nem a sua perseguição. Cavaco desesperava de impotência e raiva, atirava-se à doida para golpadas infames e desonrosas. O PSD era a imagem acabada da decadência e o CDS da irrelevância. Não fosse a crise internacional, depois a da Europa, Sócrates continuaria sem rival e a apresentar serviço.

Ora, quem representa esta escola no PS, neste momento, é Assis. Seguro nem sequer a compreende, ofuscado como sempre esteve consigo próprio.

7 thoughts on “A História é paciente”

  1. Muito bem, Val. Foi gratificante ler-te logo pela manhã. Concordo plenamente com a tua análise da obra de Sócrates. É também a minha desde há muito.
    Assim até se aguenta melhor esta apagada e vil tristeza cavaquista.

  2. BRAVO! Excelente texto. Poderia ser um Editorial do «Expresso», no tempo em que este jornal existia. Ou até aquela colunazita venenosa da “Política à portuguesa”, assinada pelo pequeno arquitonto, que hoje ofusca o próprio Sol…

  3. Completamente de acordo.A minha esperança,caso se confirme a vitória do (In)Seguro,que seja o preâmbulo para a vitória do Assis.
    Em relação ao Eng.Sócrates lamento que ele não se tenha demitido quando o sr.de Buliqeime o atacou na Ass.Rep.Na altura o psd estava esfrangalhado e o sr.buliqueime não reage a surpresas.Por outro lado ninguem explica o que estava negociado com a Merkel e UE,quando do PEC4,sim porque é evidente se a Europa bateu palmas é porque tinha sido encontrada uma solução.Ou não seria assim?Gostava que quem destas coisas saiba, que o explicasse muito bem,para memória futura.

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