Arquivo da Categoria: Valupi

Paulo Bento forever

Paulo Bento

Como é possível que um ex-jogador mediano, um homem medíocre, sem qualidades e sem curriculum (consta que, mesmo o curso de treinador, e um outro, de culinária a vapor, foram obtidos numa universidade de quarta classe, com exames ao domingo e cunhas do director) seja o seleccionador nacional?!

E o resultado é este: o saneamento selvagem de dois jogadores geniais; uma selecção atamancada, sem técnica e sem valor, que só vai conseguindo pequenas “vitórias” com a ajuda de árbitros pagos com dinheiro obtido com a venda de um apartamento que estava em nome da tia de uma prima de um irmão de um conhecido dele, como ficou demonstrado numa carta escrita por um senhor muito respeitável que toda a gente conhece, mas de quem se não pode dizer o nome.

Tudo isto para não falar do dinheiro que o PB exigiu e recebeu para seleccionar o Postiga e não Cardozo, que marca muitos golos – há mesmo uma gravação de um senhor do Paraguai que o ouviu pedir 50 euros para fazer esse frete.

Só espero que o Senhor Presidente da Federação ponha ordem neste despautério. Nem posso esperar pelo próximo discurso.

Francisco Araújo

__

Com a chancela de Alda Telles

Vamos lá, Chéquia

O grupo de trabalho da Seleção Nacional decidiu não falar na passagem pela chamada zona mista, onde estavam os jornalistas presentes no Estádio Metalist, em Kharkiv. Não foi dada explicação oficial, mas percebeu-se tratar-se de uma medida em protesto pela forma com que foram tratados nos últimos tempos.

Fonte

*

Deixem-nos em paz, critiquem o treinador. Mas isto vai continuar. A grande maioria estará com uma felicidade imensa, outros estarão tristes. Mas já estarão outra vez a afiar as facas e a comprar cachecóis da Rep. Checa para ver se nós saímos.

Seleccionador Nacional

__

Quando treinador do Sporting, Bento também permitia, quiçá alimentava, as manifestações de despeito dos jogadores contra os adeptos e sócios, e isto a partir do relvado com gestos de provocação chunga. Os semideuses não suportavam as sonorizações de desagrado vindas das bancadas e mostravam assim a sua fúria contra aqueles que consideravam meros espectadores, veros súbditos das suas magníficas pessoas em calções. Agora, a soberba continua, agravada pelo acinte de Paulo Bento.

Contra quem é que estes atletas e técnico em representação de Portugal, pagos nesta competição com os nossos recursos, estão a protestar? Contra quem? Contra algumas opiniões? Contra certas opiniões? O que é que pode justificar esta atitude mimada de prima donnas que se julgam melhores do que o País que nelas se projecta?

Pode ser que a paranóia da perseguição sirva os propósitos de reforço anímico do grupo e facilite a liderança do balneário ao Bento. Seria a aplicação da velha fórmula de se inventar inimigos que com Mourinho dá resultados. Mas como cidadão espero que a República Checa passe às meias-finais e se acabe já este folclore de um nacionalismo doentio – e desta vez não com um chapéu mas com uma rata. É só o que estas ratazanas alucinadamente narcísicas merecem.

Vamos lá, Chéquia!

Já ganhámos

É completamente indiferente o resultado das eleições gregas. Tanto faz que vença este ou aquele. Tanto faz que haja Governo de maioria sólida, frágil ou sem ela. Pode a Grécia ser mais forte do que a Europa e a economia mundial? Podem 11 milhões de habitantes esvaziar as carteiras aos restantes 480 milhões, fora os americanos, chineses, russos, indianos e timorenses?

O grau de leviandade que se instituiu no comentário político profissional, onde se diz haver uma senhora alemã má como as cobras que estará a dar cabo da civilização por pirraça ou onde consta que o empobrecimento é merecido por nossa grande culpa, estupidifica o espaço público e consagra o absurdo como a nova normalidade. Que os políticos tenham de repetir fórmulas convencionais para irem mantendo a ordem social evitando ou reduzindo o pânico sempre pronto a irromper por influência mediática, está de acordo com o seu job description. Que os patrões de imprensa prefiram o circo à escola, eis um dos preços a pagar pela democracia.

A complexidade da arquitectura do Euro à mistura com a complexidade dos sistemas económicos e financeiros globais gerou esta situação em que ninguém vislumbra uma solução óbvia, ou consensual, ou meramente razoável para os sucessivos problemas europeus. Atacar os políticos por causa da sua desorientação e impotência é dar um notável sinal de estultícia. Pura e simplesmente, não saber o que fazer resulta da lucidez. Nunca na História apareceu desafio igual, precisamente por causa desta democracia cada vez mais enraizada no futuro e das suas dinâmicas culturais, sociais e eleitorais.

Nos últimos 100 anos o nosso continente foi destruído duas vezes. Ficámos a saber que o mal pode ir sempre aumentando, mesmo para lá do imaginável, e que só a inteligência, servida pela coragem, se lhe pode opor. Em nome de todas essas mortes, desse horror abissal, temos de festejar a felicidade de viver numa Europa onde o povo soberano se cumpre em liberdade. O resultado, seja ele qual for, será este: já ganhámos!

Take five

O PCP apresentou ontem uma moção de censura ao Governo e começou imediatamente a tentar chantagear o PS. Espero que o PS não se deixe intimidar. Que seja claro, duro e sem contemplações no ataque ao PCP. Pode, na minha opinião, fazer ao PCP perguntas simples:
1. Para que quer o PCP agora o voto do PS? Que andou o PCP a fazer, nos sete anos de governo socialista, senão a aliar-se sistematicamete à direita no desgaste desse governo?
2. Não votou o PCP como a direita queria, no momento que a direita queria, para derrotar o governo do PS, precipitar eleições e entregar o poder de mão beijada a Passos Coelhos e Paulo Portas?
3. Não tem o PCP vergonha da fraquíssima oposição que faz ao governo da direita, comparada com a que fez ao governo do PS? Tem alguma comparação a tímida contestação que hoje faz, por exemplo, aos encerramentos na saúde, nos casos Relvas, na extinção das freguesias, com a sistematicidade e a violência das manifestações contra o governo e até contra as realizações partidárias do PS?
4. Ou como explica o PCP o que passa agora com a FENPROF? Agora, que milhares de professores e formadores estão a ser lançados no desemprego, que se aumentou a dimensão das turmas, se reduziu os créditos horários das escolas ou se lançou o caos nas ditas, a poucos meses de mais um ano letivo, como é que o PCP explica a afonia de Mário Nogueira?
5. E, finalmente (porque é disso que se trata numa moção de censura) acaso o PCP pensa que a situação do país melhoraria com mais uma crise política?

Augusto Santos Silva

1º apoiante da candidatura do Daniel à liderança do BE

Louçã pode estar mesmo de saída daquela zona onde bate o foco do projector principal, embora jamais lhe passe pela megalomania abandonar o palco, e isso deixa o Bloco com um sarilho só comparável ao que afligiu o PCP quando teve de escolher o sucessor de Cunhal. Claro, na Soeiro Pereira Gomes tudo se passa com a previsibilidade de uma debulhadora soviética ortodoxamente oleada, pelo que nenhum sinal de angústia transpareceu para fora das paredes de vidro muitíssimo fosco. Não se adivinha tamanha mecanização no BE, um albergue espanhol colado com a abundante e gosmosa saliva do Anacleto.

É aqui que eu entro, propondo-me ajudar as boas gentes da esquerda pura e verdadeira – geniais mentoras e estrategas da reeleição de Cavaco e fiéis aliadas para a conquista do poder da mais decadente direita dos últimos 30 anos – a encontrar a solução para o imbróglio. E essa tem uma e só uma marca: Daniel Oliveira. São várias as qualidades que fazem desta vedeta da política-espectáculo a escolha óbvia para suceder a Louçã, do traquejo numa lábia de vendedor de atoalhados até à têmpera nervosa que lhe dá o tão mediático pathos, passando pelo crédito de honestidade intelectual que a sua actividade de publicista ainda não corroeu. Seria uma mudança de sumo na continuidade do pacote, ideal para um amontoado de fragmentos ideológicos que depende do marketing televisivo para sustentar a identidade.

Andava há muito a cozinhar esta intuição quando, semanas atrás, tropecei na prova final do acerto no raciocínio. Trata-se de um momento epifânico, que, como outros onde a transcendência se materializa em sinal, pede um olhar de iniciado, um espírito profético, para ser reconhecido – razão pela qual passou completamente invisível aos olhos do vulgo. Olhai e vede:

Continuar a ler1º apoiante da candidatura do Daniel à liderança do BE

Good food for good thought

Why are we so predictable and tribal in our politics? In his remarkably enlightening book, The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion (Pantheon, 2012), University of Virginia psychologist Jonathan Haidt argues that to both liberals and conservatives, members of the other party are not just wrong; they are righteously wrong—morally suspect and even dangerous. “Our righteous minds made it possible for human beings,” Haidt argues, “to produce large cooperative groups, tribes, and nations without the glue of kinship. But at the same time, our righteous minds guarantee that our cooperative groups will always be cursed by moralistic strife.” Thus, he shows, morality binds us together into cohesive groups but blinds us to the ideas and motives of those in other groups.

[…]

Our dual moral nature leads Haidt to conclude that we need both liberals and conservatives in competition to reach a livable middle ground. As philosopher John Stuart Mill noted a century and a half ago: “A party of order or stability, and a party of progress or reform, are both necessary elements of a healthy state of political life.”

Evolution Explains Why Politics Is So Tribal

Carlos Magno, ó Carlos Magno!

Se precisares de falar com a minha vizinha do 4º andar para conseguires acabar o relatório, avisa-me, pá. Que não seja por isso. Eu falo com ela, ela fala contigo e tu logo descobrirás se Relvas pode ficar no Governo a dar mais exemplos às famílias da sua ética em pó com sabor a laranja.

O mais saboroso texto acerca do Euro 2012

Sericaia 1 – Euro 0

E um dos melhores no que respeita aos aspectos técnico-tácticos da cena por causa das cenas e tal. Não vai ser fácil destroná-lo dos lugares cimeiros, embora a própria autora seja uma fortíssima concorrente para a façanha posto que vai continuar a beber o cálice até ao fim.

E falando de façanhas e de façanhudos, o jogo com a Dinamarca será um dos mais interessantes dos últimos anos para a Selecção. Isto porque temos um treinador matarruano, ideal para pegar em equipas feitas em farrapos e dar-lhes os mínimos de forma a se conseguirem aguentar nas canetas, mas para o resto completamente inepto por não ter imaginação. No Sporting, o futebol era feio e pobre, penúria agravada por criar conflitos com o talento (Vukcevik) e permitir desaforos à incompetência (Miguel Veloso). Na Selecção, foi a panaceia indicada para se recuperar do desastre Queiroz, mas num mundo perfeito teria sido outro o treinador a preparar a equipa depois de conquistado o apuramento.

Sim, amanhã o Postiga poderá marcar 5 golos no primeiro quarto de hora de jogo. Ou o Cristiano resolver de livre. Ou toda a equipa voltar a ser o Brasil da Europa, como nos anos 90. A sorte é que manda e o resto apenas conversa. Mas se aparecer mais do mesmo que vimos contra a Turquia e a Alemanha, ou se a Dinamarca empatar nem que seja aos 95 minutos e por autogolo, então o Manuel José está livre e disposto a acabar a carreira em grande.

Obrigado, José do Carmo Francisco

O José do Carmo Francisco foi um dos mais activos, e mais originais, autores que passaram pelo Aspirina B, muito tendo contribuído entre nós para a riqueza desta experiência social de partilha e convívio que a Internet estimula. A sua longa permanência num blogue de natureza política e vocação polemista surpreende pela perseverança e constância. Se para alguma coisa, os meios digitais servem para esta liberdade gratuita, cheia de graça.

Quem quiser entrar em contacto com o Zé do Carmo pode utilizar o nosso email.

Ensinar os pobres a combater o despesismo e o desperdício


Os Portugueses, uma vez mais na sua História, estão a dar provas de maturidade e de sabedoria. Aperceberam-se da dimensão da crise e da necessidade de mudança, adaptaram os seus hábitos de consumo, muitas vezes combatendo o despesismo e o desperdício. Têm demonstrado, por outro lado, um admirável espírito cívico e de entreajuda perante o agravamento das situações de pobreza: a sociedade civil mobilizou-se de forma notável através de inúmeras iniciativas de voluntariado e de apoio social, seja a título individual, seja com base em instituições particulares de solidariedade e nas autarquias.

[…]

Ao longo destes tempos de sacrifícios, não perdemos o sentido da coesão nacional. Percebemos claramente que o conflito pelo conflito não nos conduz a lugar nenhum. De facto, não podemos exigir a coesão europeia se não mantivermos a coesão nacional. Os exemplos dramáticos de alguns países evidenciam até que ponto a legitimidade para reclamar ajuda depende da credibilidade que tivermos. E a credibilidade conquista-se por nós próprios, não é um elemento que possamos ter por adquirido.

Do rei da sonsaria