Vamos lá, Chéquia

O grupo de trabalho da Seleção Nacional decidiu não falar na passagem pela chamada zona mista, onde estavam os jornalistas presentes no Estádio Metalist, em Kharkiv. Não foi dada explicação oficial, mas percebeu-se tratar-se de uma medida em protesto pela forma com que foram tratados nos últimos tempos.

Fonte

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Deixem-nos em paz, critiquem o treinador. Mas isto vai continuar. A grande maioria estará com uma felicidade imensa, outros estarão tristes. Mas já estarão outra vez a afiar as facas e a comprar cachecóis da Rep. Checa para ver se nós saímos.

Seleccionador Nacional

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Quando treinador do Sporting, Bento também permitia, quiçá alimentava, as manifestações de despeito dos jogadores contra os adeptos e sócios, e isto a partir do relvado com gestos de provocação chunga. Os semideuses não suportavam as sonorizações de desagrado vindas das bancadas e mostravam assim a sua fúria contra aqueles que consideravam meros espectadores, veros súbditos das suas magníficas pessoas em calções. Agora, a soberba continua, agravada pelo acinte de Paulo Bento.

Contra quem é que estes atletas e técnico em representação de Portugal, pagos nesta competição com os nossos recursos, estão a protestar? Contra quem? Contra algumas opiniões? Contra certas opiniões? O que é que pode justificar esta atitude mimada de prima donnas que se julgam melhores do que o País que nelas se projecta?

Pode ser que a paranóia da perseguição sirva os propósitos de reforço anímico do grupo e facilite a liderança do balneário ao Bento. Seria a aplicação da velha fórmula de se inventar inimigos que com Mourinho dá resultados. Mas como cidadão espero que a República Checa passe às meias-finais e se acabe já este folclore de um nacionalismo doentio – e desta vez não com um chapéu mas com uma rata. É só o que estas ratazanas alucinadamente narcísicas merecem.

Vamos lá, Chéquia!

20 thoughts on “Vamos lá, Chéquia”

  1. todos temos os nossos defeitos uns mais que outros, mas deixar que atitudes de quem quer que seja nos tolde o raciocínio e nos leva a torcer (neste caso é o futebol, mas aplica-se a tudo), por que nada nos diz, tanto culturalmente como desportivamente, é por-se ao nível ou mais abaixo daquele que queremos criticar.

    P.S. Afinal o Paulo Bento tinha razão. Já começaram a afiar as facas…

  2. «Contra quem é que estes atletas e técnico em representação de Portugal, pagos nesta competição com os nossos recursos, estão a protestar?»

    Também tu, Val? Não sabes que a FPF recebeu 8 milhões com o apuramento, e que as duas vitórias já renderam um milhão cada uma?

    Os “nossos” recursos? Quem é o “nossos”? Agora és dirigente da FPF?

  3. Marco, nesse caso, se a Federação Portuguesa de Futebol já se privatizou e deixou de receber fundos do erário público, não passando a participação das selecções em eventos desportivos de um grande negócio, peço desculpa às vedetas.

  4. Já em 2005, Gilberto Madaíl dizia que a FPF podia dispensar o que vem do Orçamento de Estado. O Estado nunca o quis fazer (e o porquê é uma excelente questão, a colocar aos secretários de estado do desporto desde essa altura). Mas estamos a falar de 3.5 milhões de euros que, comparado com o que vem da UEFA, neste caso concreto, são trocos.

    Tirando o facto da FPF e do que gira à volta dela contribui para o tal OE – como os salários e prémios dos jogadores, que podiam perfeitamente ser pagos lá, como vai fazer a Espanha, mas vão ser pagos cá, com impacto brutal em impostos.

    Os “nossos” fundos… Que piada de mau gosto, até para ti!

  5. Marco, a FPF não pode dispensar os nossos fundos porque a sua tutela é do Estado. Isso, entre outras coisas, implica um enquadramento legal que rege o funcionamento da instituição e o estatuto das Selecções. Mas talvez tu também estejas a defender que a existência do Estado é uma piada de mau gosto.
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    QualquerUm, e fazes tu muito bem.

  6. Pour une fois, Val, pour une fois estou em completo desacordo consigo sobre todo este texto. E para mais, eu sou sportinguista desde que me conheço, em sintonia com o meu pai e o meu padrinho!
    Eu sei que o Val não “gosta” do Paulo Bento. E eu não discuto essa sua posição. Tem todo o direito a tê-la! Eu, já sou menos radical – umas vezes gosto outras não gosto. Aceito que ele tem dias…! Mas de entre os treinadores portugueses que conheço – exceptuando o J.Mourinho – acho que o P.B. estará entre os de maior “faro futubolistico” e de bom senso.

    No caso concreto do que tem sido a exibição da nossa selecção neste Euro 2012, como é que qualquer treinador e equipa – que estão sujeitos à pressão “diabólica” deste tipo de competições (!)- poderiam reagir de outra forma aos ataques de quase todos os “nossos técnicos de bancada”, sempre, mas sempre a deitar abaixo: ou é a má distribuição dos jogadores ou o Postiga que não joga tanto como o Nelson, ou o C.R. que estava adormecido ou o “outro” que não sabe defender, etc, etc !!!
    Val, não há pachorra para ouvir do alto da sua “cátedra” o Rui Santos na SICN a dizer que a equipa era muito, muito fraquinha, etc…. Os “técnicos de bancada” são tão parecidos no seu “esquema mental” com as oposições ao Partido Socialista – está sempre tudo mal.
    E no entanto, escrito hoje em muitos jornais estrangeiros, a exibição da nossa seleção ontem contra a Holanda foi das melhores deste Euro 2012!!!
    Claro que a reação do “silêncio” foi exagerada, mas, como o dito popular “Um homem não é de pau”!
    – é só para

  7. Val, acabei de escrevewr aqui um comentário e terminei com o habitual “toque ” no “Submit” e desapareceu tudo…!

  8. M.G.P.MENDES, não sei a que te referes, pois tens um comentário anterior publicado. Não é a esse que te referes?

    Quanto ao tema, não está em causa a qualidade desportiva da equipa, mas a atitude dos atletas e técnicos, os quais estão a representar oficialmente Portugal.

  9. Não chegaria ao exagero de Valupi. Mas se as nossas birrentas primas donas não entendem que há mais gente a seguir as peripécias do Euro que os tais jornalistas ou analistas ou comentadores… melhor seria que exigissem jogar em campos fechados e mais ainda: que se calassem para sempre e não apenas quando lhes dá jeito ou a raiva os aconselha. Para mim basta que joguem. Bem.

  10. Val, referia-me ao comentário que afinal apareceu. Sorry.

    Mas eu também é sobre esse tema que faço o meu comentário. O que acho é que a atitude deles É COMPREENSÍVEL, PRECISAMENTE PELA “VIOLÊNCIA” DAS OBSERVAÇÕES E FORAM INJUSTAS por exageradas…!

    …E embora representantes oficiais, também têm direito à indignação…

  11. Paulo Bento

    Como é possível que um ex-jogador mediano, um homem medíocre, sem qualidades e sem curriculum (consta que, mesmo o curso de treinador, e um outro, de culinária a vapor, foram obtidos numa universidade de quarta classe, com exames ao domingo e cunhas do director) seja o seleccionador nacional?!

    E o resultado é este: o saneamento selvagem de dois jogadores geniais; uma selecção atamancada, sem técnica e sem valor, que só vai conseguindo pequenas “vitórias” com a ajuda de árbitros pagos com dinheiro obtido com a venda de um apartamento que estava em nome da tia de uma prima de um irmão de um conhecido dele, como ficou demonstrado numa carta escrita por um senhor muito respeitável que toda a gente conhece, mas de quem se não pode dizer o nome.

    Tudo isto para não falar do dinheiro que o PB exigiu e recebeu para seleccionar o Postiga e não Cardozo, que marca muitos golos – há mesmo uma gravação de um senhor do Paraguai que o ouviu pedir 50 euros para fazer esse frete.

    Só espero que o Senhor Presidente da Federação ponha ordem neste despautério. Nem posso esperar pelo próximo discurso.

  12. Val, o facto de um “coisa” ser tutelada pelo Estado não quer dizer que o Estado é obrigado a dar dinheiro para essa “coisa”, mesmo que essa “coisa” informe que não precisa do dinheiro. Isso é prepóstero. Aliás, isso é um caso de gestão danosa.

    Depois, não faço segredo para ninguém que o excesso de Estado é uma piada de mau gosto, e se nós temos excesso de Estado em Portugal! No caso em concreto, o Estado não devia meter o bedelho em competições profissionais, onde entram clubes profissionais privados. Infelizmente, existem para aí umas regras anacrónicas da UEFA e da FIFA que obrigam as federações dos clubes participantes em competições internacionais a serem tuteladas pelos respectivos governos, mas isso é para alguém resolver no futuro.

    De qualquer forma, se o (ex-)presidente da FPF disse que não precisava do dinheiro, continuar a dá-lo é puro desperdício. E o dinheiro que o Estado dá é ridículo, tendo em conta o que a FPF representa para a modalidade, em competições profissionais e amadoras, em todos os escalões etários (tens a noção que os 3.5 milhões não chegam, sequer, para organizar a Taça de Portugal, certo?).

  13. Marco, temos de arranjar maneira de te fazer primeiro-ministro para tu resolveres esta cena dos dinheiros e tutela da FPF. Até lá, a conberseta é outra: a Selecção representa o Estado português. Daqui decorrem alguns corolários que vou ter a fineza de não expor mas aos quais aconselho que dediques uns poucos minutos de ponderação em ordem a te arrependeres dos disparates que largaste apressado nesta caixa.

  14. Um factozito novo para a discussão é que não chegou a vir desse palavreado todo, não é?

    Tens uma demagogia das mais torpes no post, e não é desviando a conversa que ela vai desaparecer…

  15. Marco, se por demagogia te referes ao facto de não ter referido que o dinheiro distribuído pela FIFA e UEFA pertence agora aos jogadores da Selecção porque, entretanto, tu privatizaste a FPF e deste carta branca às vedetas para elas nos mandarem foder quando lhes apeteça, tens toda a razão. Mea culpa.

  16. O que é incrível é que digam que o tipo é bronco quando ele foi o primeiro a perceber que nem os jornalistas têm perguntas interessantes a fazer nem os futebolistas têm respostas de jeito para dar. Vai daí e resolve fazer black-out. E a elite intelectual da nação ainda protesta!…. Ils sont fous les portugais…

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