O mais saboroso texto acerca do Euro 2012

Sericaia 1 – Euro 0

E um dos melhores no que respeita aos aspectos técnico-tácticos da cena por causa das cenas e tal. Não vai ser fácil destroná-lo dos lugares cimeiros, embora a própria autora seja uma fortíssima concorrente para a façanha posto que vai continuar a beber o cálice até ao fim.

E falando de façanhas e de façanhudos, o jogo com a Dinamarca será um dos mais interessantes dos últimos anos para a Selecção. Isto porque temos um treinador matarruano, ideal para pegar em equipas feitas em farrapos e dar-lhes os mínimos de forma a se conseguirem aguentar nas canetas, mas para o resto completamente inepto por não ter imaginação. No Sporting, o futebol era feio e pobre, penúria agravada por criar conflitos com o talento (Vukcevik) e permitir desaforos à incompetência (Miguel Veloso). Na Selecção, foi a panaceia indicada para se recuperar do desastre Queiroz, mas num mundo perfeito teria sido outro o treinador a preparar a equipa depois de conquistado o apuramento.

Sim, amanhã o Postiga poderá marcar 5 golos no primeiro quarto de hora de jogo. Ou o Cristiano resolver de livre. Ou toda a equipa voltar a ser o Brasil da Europa, como nos anos 90. A sorte é que manda e o resto apenas conversa. Mas se aparecer mais do mesmo que vimos contra a Turquia e a Alemanha, ou se a Dinamarca empatar nem que seja aos 95 minutos e por autogolo, então o Manuel José está livre e disposto a acabar a carreira em grande.

5 thoughts on “O mais saboroso texto acerca do Euro 2012”

  1. Sempre me espantou a exaltação do Bento. Quando treinava o meu Sporting cometeu a enorme proeza de, em quase todos os jogos, me pôr a dormir frente ao ecrã. Até deixei de emborcar os receitados Valiuns, pelo menos nos dias de jogo. Embirrento, correu com o Carlos Martins e com o Varela do clube, para depois os seleccionar. Faz sempre as mesmas substituições , à mesma hora, seja lá o que for que se passe em campo Enfim, agora sou eu a embirrar com o gajo. Até está muito apropriado ao momento que vivemos. Não é verdade que somos dirigidos pelos piores lideres de sempre, escolhidos pelo pior do povo português?

  2. Prognósticos só no fim do jogo:
    Serve este título para demonstrar como o homem é inteligente e cuidadoso nas frases que profere. A melhor testemunha ou exemplo é o tempo. Muitos criticaram a opcção e declaração de Paulo antes do jogo Bento sobre inclusão de Hélder Postiga no onze inicial. Agora a maioria cala-se ou mete a cabeça debaixo da areia como a avestruz, outros que Postiga fez o que um avançado tem de fazer que é marcar golos. Gosto desta filosofia.
    Se assim fosse os jogos acabavam empatados com goleadas. Mas aqui voltavam os mesmos críticos a dizerem que os defesas tinham de ser modificadas tal a sua inoperância. Há anos num campeonato do Mundo ou Europeu entre a Rússia – nessa altura ainda era U. R. S. S. – e a Bélgica, em que o resultado foi de quatro a três a favor da Bélgica, ao outro dia a imprensa desportiva destacava a má prestação dos defesas de ambas as equipas e não a boa prestação dos avançados. Este jogo está na minha memória. Foi dos melhores jogos de futebol que vi em toda a minha vida e não sou criança nenhuma.
    No jogo contra a Alemanha houve falhanços incríveis e não foram de Postiga. Não vi ou li críticas tão severas como as que se fizeram a ele. A estes falhanços dizem que só falha quem está lá. Se fosse o Postiga diziam que anda a pensar no seu contrato ou que o seu corpo está dentro do campo e a cabeça na bancada. Ainda hoje – depois do golo que marcou ontem – ouço dizer que Postiga não tem lugar no onze inicial e que depois de ele sair é que Portugal jogou bem. Estes detractores não sabem que se Portugal ganhou à Dinamarca foi com o contributo de todos; tanto contribuiu o golo do Pepe, como o de Postiga ou do Varela tendo sido o deste que deu a vitória a Portugal, mas não havia vitória sem a contribuição dos outros.
    Se Postiga tivesse sido suplente e fizesse o mesmo que Varela as parangonas dos jornais e os comentários dos treinadores de bancada não eram os mesmos. Por isso continuam a dizer. Para os que fazem parte do onze inicial há duas situações: implicam ou complicam. Os suplentes que não tiverem a sorte de entrar no jogo são os únicos a quem não se pede responsabilidades: porque não complicaram.
    Por tudo isto façam o funeral só no fim.

  3. O veneno futebolístico: uma das chaves da modernidade totalitária europeia (e não só). Continuem que vão pelo bom caminho. Como os bizantinos quando verdes, azuis, brancos e vermelhos disputavam as honras do circo e incendiavam Bizâncio para quebrar o tédio.

  4. Oh Val

    Lá por teres frequentemente razão (o que, convenhamos, do ponto em que te encontras, é fácil ou fatal), não se segue que tenhas de distribuir dogmas sobre tudo e todos – esta sobre o Paulo Bento ou sobre o Miguel Veloso (TIREM O POSTIGA e metam o Nelson Olveira) é coisa de um sectarismo tão bacoco que aflige.

    E seria bom que te lembres que muita ou pouca, tens influência e, por isso, bom seria pensares um bocadinho antes de te pronunciares sobre a sucessão do Anacleto (que raio de nome), sobre o Daniel Oliveira, que é do melhorzinho que por aí anda (penso eu) ou sobre os “comunas” são de um reaccionarismo intolerável.

    Pensa nisto.

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