Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Note to Waitresses: Wearing Red Can Be Profitable
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Multiple Husbands Serve as Child Support and Life Insurance in Some Cultures
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Models of Diverse Ages, Races and Sizes Will Help Fashion Houses, Designers Increase Sales
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Being Paranoid About Office Politics Can Make You a Target
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PTSD Symptoms Significantly Reduced By Accelerated Resolution Therapy
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Smiling Reduces Stress And Helps The Heart
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Parents Can Increase Children’s Activity by Increasing Their Own
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Wobbly Chairs May Affect Your Values
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Memory Improves for Older Adults Using Computerized Brain Fitness Program
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New Generation of Virtual Humans Helping to Train Psychologists
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Slower, Longer Sperm Outcompete Faster Rivals, Surprising Finding Shows
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Poor Mental Health Linked to Reduced Life Expectancy
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Study: Conciliatory Tactics More Effective Than Punishment in Reducing Terrorism
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The Aging Brain Is More Malleable Than Previously Believed

Assim nunca ganharás, Paulo

Assim não ganhamos, Carlos

Cristiano Ronaldo para Carlos Queiroz, Portugal-Espanha, Mundial de 2010

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Quando chegámos aos 80 minutos empatados a zero com a Espanha, e vendo os nuestros hermanos física e mentalmente cansados com duas substituições já feitas enquanto Portugal ainda não tinha feito nenhuma, estava semi-banzo. Seria o Paulo Bento, afinal, capaz de elaborar um plano inteligente que escapasse à sua monótona banalidade e contivesse elementos inesperados, ousados, geniais? No minuto seguinte, saiu Hugo Almeida (uma boa ideia) e entrou Nélson Oliveira (uma má ideia). Mesmo assim, não perdi o optimismo. Talvez essa troca inútil tivesse mesmo de ser feita, porque não? Ou talvez o Bento tivesse visto o Nélson a fazer rituais mágicos no balneário e acreditasse que era desta que eles iriam resultar. Nem só de racionalidade vive o futebol.

Aos 87 minutos, a Espanha esgota as substituições. O jogo terá prolongamento e o meu estado semi-banzo vai-se desequilibrando para o lado banzo. Raios, íamos para um prolongamento com duas substituições na manga. Duas substituições para fazer equivale a uma melhoria na qualidade da equipa que atinge 4 cabeças e 8 pernas, somando os que saem rebentados com os que entram cheios de gana e açúcares. Era desta, porque iam entrar aqueles que seria preciso meter lá dentro para vencer, óbvia e fatalmente. E nunca mais na minha vida de lagarto diria mal do Bento.

O prolongamento começa sem as substituições acontecerem. A causa só poderia ser do foro apocalíptico: elas viriam na tal hora H que apenas treinadores predestinados conseguem adivinhar. Nessa confiança, fiquei a ver os minutos passar. Mas não foram só os minutos que vi passar à minha frente, igualmente passaram espanhóis em direcção à baliza de Portugal. Muitos. E passavam com cada vez maior rapidez e frequência. Até que terminou a primeira parte do prolongamento. E, com 105 minutos de esforço, o único jogador fresco que o Bento tinha posto lá dentro era um tosco para substituir um cepo. O espectáculo não podia ser mais extravagante. Havia 6 ou 9 jogadores portugueses que se arrastavam pelo relvado já sem conseguirem suportar a camisola nos ombros, e o banco de suplentes continuava praticamente intacto a 1 metro de distância da lateral. Agora, sim, estava completamente banzo, porque de certeza absoluta, e com absoluta certeza, mais nenhum treinador do Mundo, nenhum treinador de nenhum mundo, teria sido capaz de um feito tremendo como aquele.

15 minutos para jogar. O melhor jogador da Real Madrid sem ter quem lhe passe uma bola e sem ter a quem passar as bolas. Espanhóis com total falta de respeito por um povo vizinho. Quem é que o Bento resolve meter a jogar? O Custódio. Tira o Veloso e mete um outro Veloso. Na meia-final de um Europeu. Com zero a zero. Com 15 minutos para jogar. O Bento que nunca ganhou campeonatos no Sporting, que era um maníaco da repetição ao serviço do futebol mais feio das últimas décadas em Alvalade, estava de volta ao Donbass Arena e fazia uma entrada estarrecedora. A substituição de Meireles por Varela, a 8 minutos das penalidades, fica como a coroa de glória de um homem alérgico à inteligência.

Varela, Hugo Viana e Quaresma, eis o trio que devia ter entrado para jogar com Moutinho, Nani e Ronaldo os 30 minutos do prolongamento. É tão básico que se fica envergonhado por ter de o dizer. Mas há que falar disto, há que lembrar Aljubarrota e explicar ao concidadão que a “táctica do quadrado” não consiste em entregar o poder a quem tenha todos os lados iguais.

Lembra-te

“Some people still develop a masochistic sense of honor about sleep deprivation. They even brag about how tired they are. Don’t be impressed. It’ll come back to bite them in the ass.”

This should be a no-brainer, but for all you workaholics out there: frequent all-nighters are a terrible idea! As much as you’d like to relive your undergrad years, too many sleepless nights will end in stubbornness, diminished morale, irritability, and worst of all, lack of creativity.

Fonte

Perguntas simples

E aquela cena do super-espião que avisava Relvas sempre que Bush trincava um nacho ter andado a espiar Balsemão, já ’tá tudo resolvido? Voltaram todos a ser grandes amigos e agora até dá para pedir relatórios às secretas sobre a minha vizinha do 4º andar?

Já agora, vale a pena pensar nisto

Os seres que amo são criaturas. Nasceram do acaso. O meu encontro com eles constitui também um acaso. Hão-de morrer. O que pensam, o que sentem e o que fazem é limitado por e mesclado de bem e de mal.

Saber isto com toda a alma e nem por isso amá-los menos.

Imitar Deus que ama infinitamente as coisas finitas enquanto coisas finitas.

in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil

Lembra-te

No time is no excuse

“When you want something bad enough, you make the time–regardless of your other obligations. The truth is most people just don’t want it bad enough.”

There’s always enough time, no matter how much you protest it. Just a few hours a week can take you a long way if you use it wisely. Maybe it’s time to cut out American Idol from your schedule? Voila, six free hours!

Fonte

Arqueologia do “Como chegámos aqui?”

Gastemos 1 minuto a ler esta notícia:

PSD não aprovará um PEC-4

A chave do seu significado está por cima da fotografia, à direita: 5 de Março de 2011. Estamos ainda a quatro dias da tomada de posse de Cavaco e na imprensa já se sabe que o PSD sabe que vem aí o PEC 4. Ao longo do mês de Fevereiro passaram por Belém todos os cromos mais difíceis da política nacional, incluindo Barroso, um cromo da política internacional. Assim, Cavaco sabia tanto ou mais do que o PSD. A situação era cristalina: nos idos de Março de 2011, o Governo português preparava uma solução com o alto patrocínio da Alemanha de modo a evitar que a indomável crise das dívidas soberanas conhecesse novo capítulo espectacular com mais um resgate que só iria aumentar o perigo sistémico para toda a Zona Euro. A direita portuguesa não podia deixar escapar essa oportunidade, pois a última coisa que suportariam era um Sócrates ufano de ter evitado a chegada do FMI à Portela. E a direita acreditava que ele seria capaz de o fazer, como esta maravilha comprova:

O presidente da Comissão Europeia comunicou privadamente ao líder do PSD que discordava por completo da estratégia do partido depois de Passos Coelho ter anunciado que era intenção dos sociais-democratas chumbar as medidas de austeridade do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV, apresentado pelo executivo em Bruxelas em Março.

Viabilizando o PEC e pré-anunciando um chumbo ao Orçamento de 2012, Passos Coelho conseguiria, na opinião de Barroso, evitar um crise política nesta fase, ganhar tempo para que fosse o actual governo a fazer o pedido de ajuda externa e conquistar capital político na opinião pública para precipitar posteriormente eleições.

“Mas Passos Coelho estava a ser pressionado internamente”, disse ao i fonte próxima do presidente da Comissão Europeia, “e respondeu que não havia garantias de que o governo fosse mesmo pedir ajuda”.

Durão Barroso pressionou Passos Coelho para aprovar PEC IV

Até ao dia 5 de Junho de 2011, PSD, CDS e Presidente da República apagaram por completo o contexto internacional da crise e disseram que a causa dos problemas de financiamento era apenas do foro moral, o preço a pagar por termos uma primeiro-ministro desprezado pelos mercados visto ser um mentiroso e um esbanjador, o castigo que todo um povo suportava por não estarmos nas mãos limpas de Passos Coelho – o qual assim que fosse anunciado como o novo homem do leme levaria os aliviados mercados a subirem-nos o rating passados poucos meses, quiçá dias ou horas, tamanha a sua credibilidade.

Estas pessoas mentiram aos portugueses como não há memória de alguma vez ter sido feito nem se imaginava possível vir a acontecer. Quatro dias depois de se começar a preparar a golpada, ouvimos banzados um Presidente da República a declarar guerra aos “sacrifícios” e a pedir às massas para saírem à rua em protesto contra um Governo que não era de gente séria. E durante as semanas seguintes foi prometido aos portugueses nada mais, nada menos do que esta “garantia” e este “compromisso”:

Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas’, disse à entrada de uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), em Bruxelas.

O líder do PSD garantiu mesmo que, desde já, ‘fica o compromisso expresso do PSD em como não haverá recurso a medidas que afectem as pensões mais degradadas ou as reformas, tal como estava prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC)’.

CHUMBO DO PEC PODE TER CONSEQUENCIAS PARA PORTUGAL

Os mais mentirosos são os que mais acusam os outros de mentirem. E, nessa mesma infalível lógica, os que mais querem criminalizar terceiros são os que mais e maiores crimes praticam. Mas não creio que a dimensão do prejuízo e dos danos que a direita portuguesa causou a Portugal e aos portugueses só para conquistar o poder total seja passível de contagem.

Good food for good thought

Society’s tendency is to maintain what has been. Rebellion is only an occasional reaction to suffering in human history: we have infinitely more instances of forbearance to exploitation, and submission to authority, than we have examples of revolt.” (Zinn, 1968)

Have you ever wondered why society hardly ever changes? I think most of us have.

One answer is that humans have a mental bias towards maintaining the status quo. People think like this all the time. They tend to go with what they know rather than a new, unknown option.

People feel safer with the established order in the face of potential change. That’s partly why people buy the same things they bought before, return to the same restaurants and keep espousing the same opinions.

This has been called the ‘system justification bias’ and it has some paradoxical effects (research is described in Jost et al., 2004):

– Poor people don’t strongly support the sorts of political policies that would make them better off. Surveys find that low-income groups are hardly more likely than high-income groups to want tax changes that mean they will get more money. Generally people’s politics doesn’t line up with their position in society.

– Oddly, the more disadvantaged people are, the more they are likely to support a system that is doing them no favours. This is because of cognitive dissonance. In one US example of this low-income Latinos are more likely to trust government officials than high-income Latinos.

– Most disturbing of all: the more unequal the society, the more people try to rationalise the system. For example in countries in which men hold more sexist values, women are more likely to support the system.

People seem to rationalise the inequality in society, e.g. poor people are poor because they don’t work hard enough and rich people are rich because they deserve it.

Incredibly, this means that some (but not all) turkeys will keep on voting for Christmas.

Why Society Doesn’t Change: The System Justification Bias

O que verdadeiramente os lixou

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As medidas anunciadas por Lisboa são “um passo muito importante para convencer os mercados”, disse Ângela Merkel a um grupo de jornalistas antes do início da cimeira da Zona Euro ao fim da tarde.

Entretanto, uma fonte alemã acrescentou que a situação em Portugal é “melhor do que se esperava” e que o governo de Lisboa vai “na direcção certa”, prevendo que os líderes da zona euro irão “carimbar” o esforço de Portugal. A mesma fonte mostrou ainda a esperança de Portugal não ter de recorrer ao apoio dos restantes países da Zona Euro nem do FMI.

As conclusões da missão de técnicos do BCE e da Comissão Europeia que visitou Lisboa há duas semanas para analisar a implementação das medidas tomadas até à altura por Lisboa apontam no mesmo sentido e deverão ser apresentados na cimeira da zona euro, de acordo com a mesma fonte.

Revolution through evolution

How Our Brains See Men as People and Women as Body Parts: Both Genders Process Images of Men, Women Differently
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Why Aren’t There Any Openly Gay Astronauts?
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Local Weather Patterns Affect Beliefs About Global Warming
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Identifying the Arrogant Boss
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Physicists Study Homer’s Iliad and Other Classics for Hidden Truths
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Many Employers Use Facebook Profiles to Screen Job Applicants
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Attraction between Friends of Opposite Sexes
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Rethinking Labels Boosts Creativity
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Spatial Skills May Be Improved Through Training, Including Video Games
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Mind Vs. Body? Dualist Beliefs Linked With Less Concern for Healthy Behaviors
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Strong Partnerships Fuel Curiosity

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Toma cuidado, Amado

A Universidade de Verão do PSD é uma iniciativa promovida pela JSD, pelo PSD, pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e pelo Partido Popular Europeu e tem como director o eurodeputado Carlos Coelho. Fiquemo-nos pela JSD. A JSD é uma organização política subsidiária do PSD. O que ela faz, adentro da sua autonomia, representa por inerência o partido de que é a juventude institucional. Logo, se a JSD quer levar o Governo anterior, ou pelo menos Sócrates, a um tribunal criminal, esse propósito manifesta concomitantemente o juízo político feito pelo PSD. Muito para além das bocas no mesmo sentido de Ferreira Leite, Paula Teixeira da Cruz e Marques Mendes, entre tantos outros barões do laranjal, ver o presidente da JSD deslocar-se à Procuradoria-Geral da República entregar provas a Pinto Monteiro para que este abra processos-crime contra governantes socialistas só é concebível com a anuência prévia da própria liderança do PSD.

Eis o que Duarte Marques se considera no direito de afirmar publicamente:

O líder da Juventude Social Democrata, Duarte Marques, defende que “é tempo de responsabilizar criminalmente quem levou o país a esta situação”, entendendo que “José Sócrates e os restantes membros do seu Governo devem ser julgados”.

O também deputado social-democrata à Assembleia da República insistiu, ainda, que “doa a quem doer a má gestão não pode passar impune”, sublinhando que “neste momento milhares de portugueses vão perder qualidade de vida graças ao desvario que ocorreu em Portugal nos últimos seis anos”.

Duarte Marques diz que a má gestão e a má governação já foram confirmadas pelo Tribunal Constitucional e “é tempo de as pessoas serem sentadas no banco dos réus, é tempo do anterior primeiro-ministro José Sócrates e toda a sua equipa ser co-responsabilizada por esta situação”.

“Deve acabar o tempo em Portugal em que as pessoas passam impunes, gerem mal a coisa pública e vão para casa descansados e outros vão para Paris estudar Filosofia.”

Para Duarte Marques, está na altura do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, “não andar apenas preocupado em julgar o Hulk ou o Sapunaru por agressões no futebol e preocupar-se claramente com o que aconteceu no país nos últimos anos”.

Não é uma beleza de rapaz? Trata-se da nata da nata da JSD, o exemplo cívico supremo para a juventude da gente séria ou para a gente séria cheia de juventude, um futuro primeiro-ministro de altíssimo potencial. Tão depressa se confessa fiel zelador das considerações do Tribunal Constitucional como tem excelentes e oportunos conselhos para dar a um Procurador-Geral da República que não mostra o respeitinho devido ao Futebol Clube do Porto. Está destinado a dar grandes alegrias à política nacional, como o seu pedido de responsabilização de Mariano Gago pelo fulminante percurso académico de Relvas já confirma para além de qualquer dúvida.

Pois esta luminária vai receber em Castelo de Vide um desses criminosos que pretende castigar: Luís Amado vai à Universidade de Verão do PSD

O facto de Amado se prestar à participação numa iniciativa de um partido que gostaria de vê-lo no tribunal pela única razão de ter servido o Estado, a República e a Democracia dá que pensar. Por exemplo, fica-se a pensar que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros considera normal, quiçá irrelevante, a perseguição de que é alvo, juntamente com todos os seus companheiros de Executivo. E isso é bizarro, no mínimo incómodo. Mas que pensar desses trastes que convidam para sua casa alguém que ofenderam e continuam a ofender de forma canalha?

Não se pensa nada, obviamente, porque já não estamos no plano da lógica. Luís Amado manteve-se ao lado de Sócrates de 2006 até ao último dia do XVIII Governo Constitucional, mesmo para além do último dia. Consta, embora não haja certezas, que terá sido informado das difamações, insultos, calúnias e campanhas de assassinato de carácter que PSD e JSD lançaram ininterruptamente contra os seus colegas de Governo e de partido. Que terão dito uns aos outros aqueles que decidiram convidar este pilar do odiado socratismo para ir doutrinar as tenras mentes dos filhos-família alaranjados? Como é que terão racionalizado as antinomias, a escabrosa contradição entre o que dizem e o que fazem? Ou não terão sequer discutido o assunto, tendo esse nome sido atirado para cima da mesa por chalaça de um bêbado e acabando aprovado num silêncio cúmplice e envergonhado?

O PSD exibe-se assim como um partido orgulhosamente desmiolado, no que não será propriamente uma novidade. A menos que a ideia seja outra, ardilosa: apanharem o Amado, atarem-lhe as mãos e os pés e julgarem-no num tribunal popular. Enfim, sempre era um socrático a menos e tem de se começar por algum lado.

Vasquinho, és lixado

Vasco Pulido Valente, num exercício de puro desfastio típico da silly season, pegou numa frase rasca, rasca no estilo e no intento, e divertiu-se a imaginar que continuava o grande alquimista da nossa praça, conseguindo transformar merda em ouro sempre que lhe desse na veneta. Quem é que foi logo a correr beijar-lhe os pés? O Zé Manel, selando o episódio com o seu brilho intelectual e a sua autoridade moral.

Acontece que Pulido Valente talvez seja o maior especialista vivo em PSDismo. Como prova trago um texto com 25 anos. O que nele se encontra pode sem dificuldade ser comparado com o PSD actual, o tal que Passos estaria a pôr na ordem entre uns aperitivos e a chegada dos bifes. Acima e antes de tudo, o texto é uma cápsula do tempo que permite compreender o fenómeno Cavaco e o percurso de todas as suas vedetas. Na pena ultra-lúcida do escriba, o filho de Boliqueime era o testa-de-ferro ideal para manter a direita dos privilégios no poder, aliando o simbolismo da matriz ditatorial que Portugal tinha celebrado ao longo do século XX com uma retórica modernista de sobre-humana competência técnica.

Mas sim, pois, nem o Vasquinho conseguiria antecipar o BPN, a “Inventona de Belém” e a procissão de misérias políticas que Cavaco – sem qualquer mistério, apenas a mais soberba opacidade – despeja numa sociedade que tem exactamente o Presidente da República que merece.

O MISTÉRIO DE CAVACO

Uma pessoa senta-se, na sede dos tempos de antena do PS, com todos os discursos, entrevistas e declarações de Cavaco Silva desde 1980. Todos. O objectivo do exercício, praticado num espírito de absoluta malevolência, consiste em descobrir coisas comprometedoras: gaffes, contradições, sinais inquietantes de reaccionarismo. Ao fim de uma tarde inteira, nada. Não vão acreditar: nada por nada ser. Seis ou sete horas de convivência com a alma mais desértica que o Ocidente produziu e chega-se ao fim de mãos vazias. O homem é certamente uma invenção. Não pode existir. O homem diz o que faz e faz o que diz. Diz que tem princípios e tem princípios. Diz que é social-democrata e é social-democrata. Pede rigor e fala com excruciante rigor. Nunca se engana. A sério, nunca se engana. Ele bem preveniu!

E, no entanto, não se gosta dele. Pelo contrário, gosta-se cada vez menos dele. Acaba-se mesmo com um sentimento muito próximo do horror. Porquê? Não há razões aparentes. As ideias são simpáticas e sensatas, os propósitos impecáveis, a competência óbvia, a vontade impressionante. Concorda-se bastante mais do que se discorda e às vezes até se concorda com prazer (exemplo: “O Estado não é Deus e o mercado não é salvador”). Que mal, então, nos faz a criatura? É um mistério.

Continuar a lerVasquinho, és lixado

Portugal, viveiro de populistas

Desde que Luís Filipe Menezes tirou o tapete a Marques Mendes, o qual ainda ensaiou uma tímida e avulsa morigeração do partido, que o PSD se entregou todo na mão de estratégias populistas. Derrotados à partida perante um PS ocupando firmemente o centro com políticas sociais relevantes, espírito reformista inaudito e resultados económicos, a crise internacional e a crise da Europa foram as condições sine qua non para a vitória nas legislativas de 2011.

O PSD cavalgou desenfreado o ódio aos políticos e a desconfiança nas instituições da República. Tal postura não é paradoxal, sequer contraditória, pois o PSD pós-Sá Carneiro não é igualmente um partido no sentido militante e representativo, antes uma agremiação de interesses pecuniários e um circo de individualidades. Foi assim que vimos Ferreira Leite e Cavaco Silva a erguerem a bandeira da “verdade” à falta de um qualquer programa, por mais básico que fosse, capaz de ter valor para o eleitor. Não havia programa mas havia uma campanha com séculos e séculos de gasto e de provas dadas, a qual passava por atacar o carácter do adversário a um ponto tal que ele fosse considerado inimigo do Estado e, portanto, merecedor de ostracismo. A inépcia da Manela e do Pacheco deu o belo resultado de 2009, mas não impediu a segunda dose da receita.

Passos e Relvas prolongaram o ataque à classe política, confundida para efeitos de difamação com os governantes de então. Tratava-se de aproveitar o pânico de uma situação internacional completamente imprevisível e indomável, juntamente com as carências intelectuais da população portuguesa e respectiva fraca cidadania, para apontar as armas contra o modelo do Estado Social. Ao pintarem Sócrates como um monstro que na sua loucura e maldade tinha causado os sofrimentos da austeridade, a retórica permitia igualmente vender as benesses de uma redução do papel do Estado. E ao ensaiarem a tentativa de criminalização de governantes socialistas, tendência revanchista que chegou a níveis inimagináveis até há poucos anos, revelaram a irresponsabilidade feroz que neles habita. Foi assim que também vimos, a partir de 6 de Junho do ano passado, a concretização hilariante e pífia desta política de vão de escada, primeiro com a formação de um Governo disfuncional por ter ministros e ministérios a menos, depois com esses hinos ao ridículo que foram os cortes nas viagens em 1ª classe, a expulsão das gravatas para se poupar no ar condicionado, a abolição de feriados, a inibição de férias no estrangeiro e um sem-número de episódios onde o farisaísmo de pacotilha já nem dá vontade de rir tamanha a decadência que expõe.

Há muitas, e óbvias, razões para se utilizarem estratégias e tácticas populistas em democracia. Aliás, se não fosse o endémico populismo do PCP e do BE jamais Cavaco e Passos teriam tido sucesso em 2011. O populismo recusa ou boicota o sistema partidário democrático, ora pela direita num moralismo judicialista, ora pela esquerda num moralismo ideológico. Contudo, importa assinalar uma sua característica essencial: o populismo é consumido por estúpidos e, na maior parte dos casos, produzido por estúpidos. Assim, é comum vermos analfabrutos, por azares na vida passada ou degenerescência na vida presente, a salivarem e urraram a toque das cassetes populistas que lhes garantem soluções simplistas e imediatas, juntamente com espectáculos públicos onde os “políticos” seriam finalmente castigados pela populaça e a “gente séria” inauguraria uma nova idade de pureza e verdade. Mas não menos comum é vermos governantes populistas de uma estupidez galáctica, bastando recordar o desempenho de Relvas desde que foi para a Assembleia da República mentir sob juramento a respeito da sua correspondência com o super-espião e toda a sequência de acontecimentos a partir daí. Um estúpido normal, daqueles que se limitam a comprar o Correio da Manhã ou a escrever os discursos de Passos Coelho, não seria capaz de produzir num mês e meio a colossal estupidez que Relvas generosamente ofereceu ao seu povo.

Lembra-te

“You don’t need more hours; you need better hours.”

Contrary to many companies’ beliefs, an employee who has plans after work is more efficient than one who has no life at all. When they need to get to their families or have other hobbies, they make sure they get their work done on time so they won’t have to stay late.

“You shouldn’t expect the job to be someone’s entire life – at least not if you want to keep them around for a long time.”

Fonte