Assim nunca ganharás, Paulo

Assim não ganhamos, Carlos

Cristiano Ronaldo para Carlos Queiroz, Portugal-Espanha, Mundial de 2010

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Quando chegámos aos 80 minutos empatados a zero com a Espanha, e vendo os nuestros hermanos física e mentalmente cansados com duas substituições já feitas enquanto Portugal ainda não tinha feito nenhuma, estava semi-banzo. Seria o Paulo Bento, afinal, capaz de elaborar um plano inteligente que escapasse à sua monótona banalidade e contivesse elementos inesperados, ousados, geniais? No minuto seguinte, saiu Hugo Almeida (uma boa ideia) e entrou Nélson Oliveira (uma má ideia). Mesmo assim, não perdi o optimismo. Talvez essa troca inútil tivesse mesmo de ser feita, porque não? Ou talvez o Bento tivesse visto o Nélson a fazer rituais mágicos no balneário e acreditasse que era desta que eles iriam resultar. Nem só de racionalidade vive o futebol.

Aos 87 minutos, a Espanha esgota as substituições. O jogo terá prolongamento e o meu estado semi-banzo vai-se desequilibrando para o lado banzo. Raios, íamos para um prolongamento com duas substituições na manga. Duas substituições para fazer equivale a uma melhoria na qualidade da equipa que atinge 4 cabeças e 8 pernas, somando os que saem rebentados com os que entram cheios de gana e açúcares. Era desta, porque iam entrar aqueles que seria preciso meter lá dentro para vencer, óbvia e fatalmente. E nunca mais na minha vida de lagarto diria mal do Bento.

O prolongamento começa sem as substituições acontecerem. A causa só poderia ser do foro apocalíptico: elas viriam na tal hora H que apenas treinadores predestinados conseguem adivinhar. Nessa confiança, fiquei a ver os minutos passar. Mas não foram só os minutos que vi passar à minha frente, igualmente passaram espanhóis em direcção à baliza de Portugal. Muitos. E passavam com cada vez maior rapidez e frequência. Até que terminou a primeira parte do prolongamento. E, com 105 minutos de esforço, o único jogador fresco que o Bento tinha posto lá dentro era um tosco para substituir um cepo. O espectáculo não podia ser mais extravagante. Havia 6 ou 9 jogadores portugueses que se arrastavam pelo relvado já sem conseguirem suportar a camisola nos ombros, e o banco de suplentes continuava praticamente intacto a 1 metro de distância da lateral. Agora, sim, estava completamente banzo, porque de certeza absoluta, e com absoluta certeza, mais nenhum treinador do Mundo, nenhum treinador de nenhum mundo, teria sido capaz de um feito tremendo como aquele.

15 minutos para jogar. O melhor jogador da Real Madrid sem ter quem lhe passe uma bola e sem ter a quem passar as bolas. Espanhóis com total falta de respeito por um povo vizinho. Quem é que o Bento resolve meter a jogar? O Custódio. Tira o Veloso e mete um outro Veloso. Na meia-final de um Europeu. Com zero a zero. Com 15 minutos para jogar. O Bento que nunca ganhou campeonatos no Sporting, que era um maníaco da repetição ao serviço do futebol mais feio das últimas décadas em Alvalade, estava de volta ao Donbass Arena e fazia uma entrada estarrecedora. A substituição de Meireles por Varela, a 8 minutos das penalidades, fica como a coroa de glória de um homem alérgico à inteligência.

Varela, Hugo Viana e Quaresma, eis o trio que devia ter entrado para jogar com Moutinho, Nani e Ronaldo os 30 minutos do prolongamento. É tão básico que se fica envergonhado por ter de o dizer. Mas há que falar disto, há que lembrar Aljubarrota e explicar ao concidadão que a “táctica do quadrado” não consiste em entregar o poder a quem tenha todos os lados iguais.

4 thoughts on “Assim nunca ganharás, Paulo”

  1. Val,no minimo sou tão sportinguista como voçê,com uma vantagem há muitos mais anos.Não gostava do futebol do Paulo Bento,no Sporting,mas a manta tambem não dava para mais.No confronto com os grandes Benfica e Porto,Bento levou vantagem por que jogava com eles no contra-ataque.O problema era os mais pequenos que se metiam atras na defesa e aí faltavam,jogadores para abrir a porta do autocarro.Paulo Bento cometeu slguns erros,mas o mais grave foi não ter preparado um sistema alternativo ao 4x4x2,ou seja ter extremos para o 4x3x3.Não quiz e por isso mandou o Varela ,Marinho e Paulo Sergio embora.Acho que é o treinador ideal para a seleção.Os jogos tem umas carateristicas muito diferentes das do campeonato.Um pais mesmo sem expressão a nivel futebolistico,não joga da mesma forma em casa como as equipas pequenas o fazem.Os arbitros internacionais tambem na maioria dos casos não pactuam com o anti jogo.Vejam os nossos lá fora, são isentos e cá dentro controlam o jogo a seu belo prazer.Jogar com a Espanha de uma forma aberta mesmo no prolongamento,era a nossa desgraça.Falar depois dos jogos é facil.Não concordo com avaliação que faz do Oliveira do Benfica.Que bom seria ter um igual a jogar no Sporting e com todos a dar-lhe a bola,como fazem no Benfica para o Cardoso.O RickY do Sporting, embora rapido e inteligente,tem uma má relação com a bola…é tosco tecnicamente. Começo a ter saudades de Paulo Bento.Jogava o futebol adequado à dimensão dos seus jogadores e das possibilidade de um clube cheio de gente rica que não mete lá um tostão nem que fosse para criar um fundo para compra e venda de jogadores onde tirassem tambem rendimento como acionistas.Com este plantel actual ,não dava para ganhar o campeonato antecipadamente pois o Porto e Benfica tem outros argumentos,mas no confronto direto com eles seria o mesmo mas mais forte com os pequenos.Por ultimo.Não acredito no Sá Pinto.Ser bom no aspecto psicologico não chega.Vi os dois jogos em Espanha,foi confrangedor,a pouco mais de uma semana do inicio do campeonato

  2. A BURRICE DE PAULO BENTO NAS PENALIDADES CONTRA ESPANHA, NÃO TERIA ACONTECIDO COM MOURINHO.

    Eu nem me pronuncio sobre a constituição da equipa contra Espanha, nem das substituições ao longo do jogo com Espanha, para o Europeu 2012.

    No entanto, não há dúvida que Bento continua a ter os seus amigos e afilhados. Um grande afilhado dele é João Moutinho e mais um ou outro atleta. A quem me disser “pois tu agora falas porque fomos eliminados do Europeu” só posso dizer que é burro.

    Então ele vai pôr o Bruno Alves e o João Moutinho a marcarem penáltis? O Bruno Alves marca um ou outro livre directo, mas já falhou vários penaltis. Não se pode dizer que é especialita neste tipo de bolas paradas. Se nós formos ver os vários penaltis que são marcados, os maiores falhanços são de jogadores defensivos.

    O João Moutinho a marcar penaltis é de rir… Ele, no Sporting, falhou mais de metade dos penaltis que marcou. Foi para o FC do Porto e, recentemente, voltou a falhar. Não existiam mais jogadores para os marcar contra Espanha no Euro, e que foram preteridos pelo Bento? Claro que havia.

    Varela marcou até agora seis penaltis e não falhou nenhum. Nelson Oliveira marcou quatro penaltis e também não falhou. Porque não pôs Bento estes avançados a marcá-los. Porque foi burro.

    Nós, portugueses, é sempre a mesma coisa! Esforçamo-nos muito, fartamo-nos de trabalhar e estamos sempre no quase. O quase é que falha. Porquê? Pela falta de inteligência e concentração. Pela falta de inteligência e concentração Bento não estudou bem quem deveria marcar os penaltis. Se fosse com Mourinho ele fazia um estudo aturado sobre os marcadores de penaltis, porque já sabia que com Moutinho era um passo para o falhanço. Não sou eu que o digo, o resultado é que o demonstra. Com Bento estes erros vão continuar a surgir.

  3. Quem tem medo fica em casa!

    Há dias em que á noite é melhor não sair de dia à rua!

    Se o Colombo não partisse o ovo não punha de pé e não havia americanos para irem à lua!

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