Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

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MASTERING THE FINE ART OF GETTING TO THE POINT
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Marcelino pan y vino

Pedro Passos Coelho foi sempre visto até agora, por parte significativa da opinião pública, mesmo no auge da contestação às convicções com que tem guiado o Governo, como um homem capaz de olhar a direito e dizer o que pensa sem subterfúgios. Depois daquela fase inicial, em que rompeu com promessas da campanha e se desdisse em vários temas (o que infelizmente é comum em Portugal depois de se ganhar eleições), o primeiro-ministro sempre se esforçou por ser visto como um homem sem medo de assumir as suas ideias e preferências, capaz de olhar em frente e dizer o que pensa, sem subterfúgios. Em certa medida conseguiu esse objetivo.

João Marcelino

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Segundo o Marcelino, Passos fez algo muito comum em Portugal. Parece que rompeu com promessas e se desdisse em vários temas. Uma chatice, mas será o costume lusitano, a normalidade. Todavia, isso não interessa nada, mesmo porque se trata da banalidade. O que interessa, o que importa, é que Passos não tem medo. Não tem medo e tem ideias. E as ideias que tem até acontece serem suas. Munido das ideias e da coragem, Passos olha em frente e diz o que pensa sem subterfúgios. E o que ele já disse, oh, coisas tão lindas! Isto, senhores ouvintes, já não é o normal nacional. Há algo, ou tudo, de heróico no Passos do Marcelino.

Quando o DN se transformou no órgão oficioso da campanha eleitoral do PSD para as eleições de 2011, o Marcelino pensava o mesmo. Estava no seu direito e os seus patrões terão gostado do serviço. Mas como lidar com a obscena contradição entre esta hipocrisia laudatória e a realidade onde há um homem que mente completa e indesmentivelmente só para conquistar o poder? O Marcelino não estaria em condições de responder. Porque esta forma de fazer política depende para se manter no espaço público de uma permanente fuga ao confronto com a consciência de si próprio como ser moral.

Tomás Henriques, um moinante

Digital Music Director Invents Therapeutic Device

Assistant professor and director of Buffalo State’s Digital Music Ensemble Created a Device That Can Be Used for Therapy

On his way to creating a digital accordion, SUNY Buffalo State assistant music professor J. Tomás Henriques stumbled upon a device with unique therapeutic applications that he envisions using to treat speech and hearing disorders and memory loss, among other things.

Called Sonik Spring, Henriques’ invention is a 15-inch metal spring resembling a Slinky toy that is outfitted with gyroscopes and accelerometers to capture three-dimensional motion and provide kinesthetic feedback. The Sonik Spring also transforms recorded sound as the user expands, compresses, twists, and bends it.

“It’s like making a sculpture only the recorded song or words are your clay,” said Henriques, who directs Buffalo State’s Digital Music Ensemble and oversees the Digital Music minor. “I realized what I had in hand could provide auditory and visual feedback (for the user) and would also work in other areas such as cognitive and physical therapy.”

This is not Henriques’ first invention. A few years ago, he created the Double Slide Controller, an electronic trombone-like instrument that won the Georgia Tech Center for Music Technology’s 2010 Guthman Musical Instruments Competition.

One of the world’s foremost experts in electric and digital music, Henriques joined the Music Department faculty in spring 2009. Previously, Henriques taught for 13 years at the University of Lisbon in Portugal, his native country.

To see a demonstration of the Sonik Spring, visit http://cec.sonus.ca/econtact/14_4/henriques_sonikspring.html

Tomás Henriques

Sondemos

O palhaço e o urso

As diferenças entre o que os políticos prometem em campanha eleitoral e o que fazem no poder é uma fonte de frustração, derrelicção, anedotas e vernáculo desde que há políticos e campanhas eleitorais, por cá ou no cu do mundo. Felizmente, a subida de Seguro ao leme do PS vai acabar com essa secular desgraça pela força do seu imaculado exemplo. Quem conseguir esperar, vai ver. Entretanto, temos um Governo cujos responsáveis levaram esse desencontro entre promessas e realizações para um nível desconhecido na memória dos vivos. Aqueles que andaram anos ora a queixarem-se do investimento público e das actualizações salariais, ora a pedirem o fim da austeridade e dos sacrifícios, acabaram por afundar o País em nome da protecção aos rendimentos dos cidadãos só para esmagarem esses mesmos cidadãos com o maior aumento de impostos de sempre em Portugal e a degradação dos serviços públicos assim que puderam. Para agravar a aleivosia, estes tratantes encheram a boca com a “verdade” e a “credibilidade”, difamando e caluniando sistematicamente os governantes que pretendiam derrubar. E para juntar a ofensa ao insulto, assim que tomaram posse começaram a tratar os portugueses como um grupo de estroinas e mandriões a merecer castigos implacáveis.

PSD e CDS não disseram ao eleitorado o que pretendiam fazer caso fossem para S. Bento pôr e dispor. E não disseram porque sabiam que não poderiam ganhar se revelassem as suas intenções. Simetricamente, o BE e o PCP também não disseram o que esta direita pretendia fazer com o Governo nas mãos. E não disseram porque sabiam que esse grito de alerta levaria a um voto útil no PS. Mas houve quem dissesse, preto no branco e laranja sobre azul, o que os pulhas se aprestavam para fazer. Disse-o com detalhe. Não me está agora a ocorrer o nome desse fulano, mas lá que o disse, disse. O que nos leva para Paulo Portas.

É impossível que alguém se surpreenda com a falta de palavra de Passos Coelho se tiver em conta quem foi (é?) o seu braço direito de décadas, o dr. Relvas. Esse estupendo exemplar do laranjal foi capaz de ir para um estabelecimento de ensino superior usar a sua própria filha para tentar agredir e humilhar os pais e os filhos de Sócrates mais a restante família, toda – e, que se saiba, nunca pediu desculpa. Aqui entre nós que ninguém nos lê: que partido, que Governo e que país é este que aceita elevar a um cargo ministeriável uma tal alimária? Pois, concordo. Mas falemos do Portas. Começando por passar os olhos por esta compilação que o David Crisóstomo teve a pachorra de coligir – O CDS segue para Bingo (II) – só para refrescar a memória indo à fonte e seguindo logo para a pergunta: donde vem a complacência com que a sociedade aceita que Portas nos ande a tourear desde 1997?

Portas tem várias características que explicam o seu longo sucesso à frente do CDS. A principal talvez seja o talento para a comunicação, sendo tão eficaz na televisão como ao vivo. Ele desperta uma natural simpatia que é congénere da estima que temos pelos actores bufões. Nós sabemos que ele sabe que nós sabemos que ele sabe que nada do que diz é para levar a sério. O seu partido não é para levar a sério, é no máximo para levar ao colo. O seu partido não ambiciona mais do que ser uma empresa, a empresa daqueles que no PSD não teriam lugar à mesa do poder. Nesse sentido, a política pode ter sido o palco onde Portas encontrou o espaço ideal para expressar a sua vocação teatral. De facto, como vemos todos os dias, a retórica, os códigos e a cultura dos políticos profissionais portugueses é algo que está cristalizado e nivelado por baixo, sendo fácil para uma inteligência ágil encontrar uma fórmula para se destacar. Foi assim que se inscreveu na história do Parlamento como um dos seus melhores tribunos, gostos e relevância à parte.

A antinomia entre o que o paladino dourado dos pensionistas e dos contribuintes dizia antes de 5 de Junho de 2011 e o que faz neste Governo escapa à possibilidade de adjectivação sem se começar à caralhada. Porém, sendo ele quem é e o País isto que somos, é possível que ninguém se importe e se prefira que seja o nosso Portas a continuar à frente do CDS até aos 90 anos. Porque é sempre preferível lidar com um palhaço do que com um urso.

Nem sempre o guarda-fogareiro funcemina

Acabo de ter um encontro com o taxista prototípico. Assim que entrei, e depois de indicar o destino, abri o meu guarda-fogareiro; no caso uma relíquia chamada A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA, de Marcel Martin e de um tempo estranho e longínquo em que ainda havia nostálgicos do cinema mudo. Costuma chegar para me defender na enorme maioria dos casos, mas não hoje. Porque estava sol. Ou que estivesse de chuva.

– Hoje está mais calor, hã?
– Pois está.
– Isto do sol faz muita diferença…
– Sim, anima muita gente.
– Lá na Inglaterra eles têm muita coisa boa mas não têm este sol.
– Até vêm para cá passar as reformas.
– Pois, mas eles têm reformas boas, não é como cá. Cá não temos reformas como deve ser… e agora com isto dos cortes…
– Certo.
– A culpa é dos políticos, andaram todos a roubar! O Sócrates fartou-se de sacar milhões. Aquilo das PPPs foi onde se encheu. Aquilo funcionava assim: eles tinham uma lista de empreiteiros e depois diziam-lhes que se queriam as obras tinham de lhes dar uma parte. Olhe, o Freeport! Foi assim que se encheu.
– Mas como é que sabe isso?
– Sei, sabe-se, é a verdade! A mãe do Sócrates tinha uma pensão de 300 euros e depois passou a receber milhares, compraram dois apartamentos de luxo. Isto sabe-se em todo o lado.
– Mas… essa parte da mãe do Sócrates, como é que sabe que é verdade?
– Ora! A família do Sócrates não tinha dinheiro, eram uns pelintras! E de repente começam a comprar apartamentos! Ele sacou milhões, milhões!
– Mas olhe que eu li, e no Correio da Manhã, que a família do Sócrates sempre foi rica, que o pai era arquitecto e que eles…
– O quê?! E tirou o curso ao domingo! Ele e o Relvas, é tudo igual.
– Mas olhe que ele esteve vários anos a estudar para o curso e até…
– E o outro… como é que se chama… de Oeiras… o Isaltino! Na minha rua, até jogava à bola com ele, o Lino vendia cursos por 5 mil contos. 5 mil contos, dá cá toma lá um curso. Era daquela universidade ali ao pé da… Isto é assim.
– É agora aqui à direita e depois à esquerda. Tem troco de 20?

Este diálogo, que reproduzi com as inevitáveis alterações que a memória impõe, representa o tipo de cognição e a axiologia dos leitores do CM. Já o ouvi a outros que de taxista não têm nada, até pertencendo à classe média alta. E é o pão nosso da direita que se lê na Internet. O que importa realçar é a vantagem política da continuada perseguição a Sócrates, onde a narrativa dos pulhas, em que Sócrates aparece como um corrupto cujos propalados crimes foram dados como provados, é muitíssimo mais poderosa do que qualquer esforço (que também ninguém faz, nem sequer o partido do próprio, antes pelo contrário) para desmontar a manipulação social que esta operação mediática configura. Para os interesses do PSD e do CDS, que são activos agentes desta estratégia, tudo está a correr pelo melhor, estão a ganhar com enorme vantagem. Conseguir culpar Sócrates pelo empobrecimento a mata-cavalos que este Governo impôs na sua gana além-Troika e no seu projecto de reengenharia social é um feito que merece medalhas e a tal estátua do Passos Coelho. O que fica espantosamente bizarro é o comportamento da esquerda, ora tendo alinhado com a mesma estratégia da direita (inclusive, dentro do PS e por figuras gradas), ora ficando-se por uma passividade que será voluntária ou involuntária cumplicidade consoante a cegueira sectária.

Mais valia dares o exemplo, Pedrinho

Depois de uma reunião organizada pela associação Portugal Outsourcing, esta manhã, na Embaixada de Portugal em França, sobre investimentos franceses no nosso país, o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Pereira Gonçalves, disse que a saída de quadros, com elevada formação académica, do nosso pais, “traz coisas boas para Portugal”.

Convidado pelo Expresso a explicar melhor a sua ideia, disse: “A exposição dessas pessoas no estrangeiro é positiva para Portugal e, depois, elas podem regressar ainda mais qualificadas e experientes, é bom que elas saiam do país, embora o devam fazer por livre vontade e não por necessidade”.

“Por exemplo, acrescentou o governante português, o caso de Carlos Tavares à frente da Peugeot-Citroen é uma mais-valia, é bom para o nosso país ter quadros destacados no estrangeiro”.

Saída de pessoas qualificadas para o estrangeiro “é positiva”

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Carlos Tavares emigrou aos 17 anos para França, tendo frequentado o Liceu Francês e sendo filho de uma professora de Francês e de um pai contabilista que trabalhava para uma empresa francesa. Na terra dos croissants, continuou a frequentar estabelecimentos de ensino de elite até que se formou em engenharia. Foi como engenheiro de testes que entrou na Renault. Fazendo agora fé na honestidade intelectual de Pedro Pereira Gonçalves, duas características temos de reconhecer na biografia do futuro CEO da Peugeot-Citroën: (i) aos 17 anos já era um quadro com elevada formação académica e (ii) um dia teremos o Carlos de volta para nos contar o que andou a fazer lá por essas terras distantes. O mais certo, depois de tanto tempo a qualificar-se e a acumular experiências em cima das qualificações e experiências com que partiu, será vir a abrir uma garagem de reparação automóvel e bate-chapa na zona da Grande Lisboa como nunca se viu coisa igual.

Também há uma outra explicação possível para as palavras do Pedrinho. É o desejo, repetido desde o princípio por este Governo de patriotas de plástico à lapela, de ver Portugal esvaziar-se de juventude e inteligência – tradicionais obstáculos da gula e impiedade da oligarquia. Mas não me acredito disso… porque… quer-se dizer… um secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade que apelasse ao êxodo dos mais qualificados seria… quer-se dizer… seria… isto é… hã… seria… um secretário da… Ah! Já sei: seria inovação a mais para o que este universo, cansado de 13 mil milhões de anos existência, está em condições de aguentar.

Portugal 2016-2026, a visão de Passos Coelho

Durão Barroso – Presidente da República
Passos Coelho – Primeiro-Ministro
Paulo Portas – Comissário Europeu de Bordo
Vítor Gaspar – O nosso homem no FMI
José Luís Arnaut – Goldman Sachs boy
Marcelo Rebelo de Sousa – Cata-vento de opiniões
Miguel Relvas – Mestre na arte da procura do conhecimento permanente
Hugo Soares – Ministro dos Referendos
Fernando Moreira de Sá – CEO dos Perfis Falsos no Facebook
Cavaco Silva – Pensionista cuja reforma não chega para pagar as suas despesas
António José Seguro – Histórico líder da oposição, inventor da abstenção violenta

Viva a “blogosfera política”!

A notícia do fim do Arrastão convida-me a uma reflexão à volta do que ficou carimbado como “blogosfera política”. Como se pode ver na lista de autores que já escreveram no Aspirina B, lá estão os nomes Daniel Oliveira e Rui Tavares, então em trânsito depois do fim do Barnabé e já consagrados como as duas novas estrelas no campo da política-espectáculo, correspondendo ao começo de um ciclo de intenso protagonismo de comentadores com a marca Bloco de Esquerda na comunicação social profissional que foi especialmente importante para o desgaste da maioria socialista e para os resultados eleitorais de 2009. Estávamos no princípio de 2006, este blogue tinha 3 meses (fundado a 25 de Novembro de 2005) e esteve logo para acabar. Essa foi a primeira lição que tive a respeito da fragilidade dos blogues políticos colectivos, imprevisibilidade elevada a uma potência desconhecida quando se juntavam pessoas cujos narcisismos disfuncionais e diferenças ideológicas necessariamente provocariam – mais cedo ou mais tarde mas quase sempre muito mais cedo – conflitos insanáveis. Mas a segunda lição, que na ordem do tempo até foi a primeira, era a de que logo em 2005 se podia dar como acabada a blogosfera política. O que assinalava tal óbito era o fim do Blog de Esquerda (das cinzas do qual se fez o Aspirina B). Os fundadores, após três anos, estavam cansados do serviço, tinham mais e melhor para fazer. Era a evidência de que nada de politicamente importante jamais sairia dos teclados dos foliões que se divertiam nos blogues como outros se divertiam na televisão ou nos jogos. Isto da “blogosfera política” não passava de um passatempo inconsequente.

Claro, pode dizer-se que a blogosfera política nasceu precisamente nessa altura, com a continuação de blogues de referência que já vinham de 2003 como o Abrupto ou o Blasfémias desde 2004, a que se juntou uma nova fornada que viria a manter-se em formação até ao presente com poucas alterações e com diferentes graus de actividade. A História de tal fenómeno, se algum dia viesse a ser feita, teria de incluir dezenas e dezenas de exemplos, e não apenas a dúzia dos que recolheram mais notoriedade. Tal calendário, de resto, acompanhou a progressiva e crescente democratização da Internet, a qual começou por ser ocupada pelos nichos mais social e intelectualmente privilegiados. Para aqueles que iam entrando no hábito de consumirem conteúdos digitais populares, tudo era uma novidade – enquanto que para os autores maturos, alguns que já tinham começado a viver freneticamente a comunicação digital desde os anos 90, tudo já estava visto e/ou gasto.

O que me importa realçar é a irrelevância eleitoral desta produção de anos e anos de imparável escrita e conversas. Mesmo no pico das audiências, antes da migração em massa para o Facebook e Twitter, os blogues eram uma gota no oceano mediático nacional. Uma gota com a sua importância, sim, mas por via lateral. Serviu de trampolim para alguns acederam aos lugares no palco que ambicionavam (como o genial Fernando Moreira de Sá nos fez o favor de explicar com nomes, números e datas) e continua a servir como alimento mental para políticos e jornalistas. Quanto ao resto, e acompanhando a degradação do espaço público que a actual direita promoveu desde 2008 com a entusiasmada colaboração da esquerda, nem sequer para o debate a blogosfera política serve. A regra é a excepção, servindo a escrita para marcar territórios e para catarses de variada origem e tipologia. Isto na montra, já na cave, no mundo dos comentários, é muito provável o aparecimento de patologias depressivas e paranóicas que conseguem intoxicar os ambientes onde permanecem livremente. A “blogosfera política”, perdido o encanto da novidade e sendo como uma carroça perante um automóvel na comparação com os novos canais e meios da actual paisagem digital, tem um destino parecido com o da rádio: ligamos-lhe quando estamos ensonados, ao volante a pensar na morte da bezerra ou se há um jogo importante e não o conseguimos ver na televisão.

O que fica? O prazer de nos expressarmos. Seja lá onde e como for. Viva, mas só por essa única e alegre razão, a “blogosfera política”!

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Passos Coelho merece uma estátua

Não é por pretender reduzir drasticamente o peso do Estado na economia, e para tal estar disposto a destruir o ideal que vem do 25 de Abril e se consolidou no modelo do Estado social português ao longo de 40 anos, que Passos merece uma estátua. O seu propósito é legítimo, trata-se de um projecto político como outro qualquer em democracia. Não é por ter mentido na campanha eleitoral como não há memória de coisa sequer parecida, e muito provavelmente não venha a registar-se exemplo comparável nos próximos séculos, que Passos merece uma estátua. Os políticos são todos mentirosos para os seus adversários e quem os apoia ou se esquece das eventuais mentiras ou acha que foram sinal de esperteza, a receita perfeita para ganhar. Não é por ser um sabujo do poder internacional que impõe políticas castigadoras às populações inocentes e confusas, ainda por cima com cálculos mal feitos e contas erradas, que Passos merece uma estátua. A História está cheia de traidores, os quais enquanto dura a traição estão rodeados de outros iguais ou piores do que eles, havendo sempre muita boca para alimentar e garantidas recompensas futuras para receber. Não.

Passos Coelho merece uma estátua, mais alta e mais imponente do que a do Marquês de Pombal, porque nem António Borges ou Braga de Macedo, os mais vistosos e operativos falcões da plutocracia, conseguiram imaginar a facilidade com que o ataque aos funcionários públicos, pensionistas, classe média, empresários, universidade e Constituição poderia ser levado a cabo em modo blitzkrieg e essa destruição de riqueza e direitos suscitar, paradoxalmente, um estado de marasmo absoluto da comunidade. A Intersindical não parou o País, o PCP não levantou barricadas no Alentejo, os taralhoucos que andaram a dormir no Rossio enquanto os malvados socialistas tentavam evitar a Troika desapareceram há muito sem deixar rasto e (felizmente) sem deixar cheiro, o Garcia Pereira não deu ordem aos guerrilheiros marxistas-leninistas para irem desenterrar as G3 que aguardam escondidas pela alvorada da revolução, o que surgiu em 15 de Setembro de 2012 desvaneceu-se tão misteriosamente como tinha aparecido e o PS tem sido o mais leal dos aliados do Governo, permitindo todas as demagogias e calúnias acerca do que nos trouxe aqui e sendo incapaz de liderar uma alternativa.

Tendo em conta que estamos a falar de Passos – alguém que em 2008 elogiava a resposta de Sócrates à crise mundial só para poder atacar Ferreira Leite e cuja natureza moral acaba de voltar a ser exibida com fanfarra parlamentar ao estar disposto a sacrificar crianças e qualquer laivo de racionalidade humanista por cegueira supostamente ideológica – então a construção dessa estátua deve arrancar já e não estarmos sequer à espera que abandone o cargo. Falta só escolher o local. Que tal aproveitar o Cristo Rei? Bastaria apenas esculpir um sorriso rasgado e pintar a pedra de cor de laranja, um custo módico que a Troika certamente autorizaria.