Todos os artigos de Valupi
Sondemos
Isto é lindo, a nossa direita é linda
“Quis fazer aqui uma visita porque, como é sabido em todo o mundo, seja qual for a perspetiva doutrinária, o Presidente Chávez teve muita relevância na política da América Latina e como eu disse no dia da sua morte, foi amigo de Portugal. Este é um gesto que tem esse significado”, disse Paulo Portas a jornalistas.
Exactissimamente
Uma excelente oportunidade para se aprofundar o diálogo à esquerda
O Canal Q teve uma boa ideia para mais um programa de debate político. Veremos se a promessa de não haver moderação vai ser aproveitada para aumentar e melhorar o confronto de ideias ou se será desperdiçada no despique emocional e macrocéfalo. O elenco oferece-nos o sempre preparado e implacável Galamba, tendo ao lado Francisco Mendes da Silva a representar a decadência da direita portuguesa e à sua esquerda a vedeta da política-espectáculo Daniel Oliveira.
Da minha parte, gostaria que o João aproveitasse uns minutos de algum programa para perguntar ao Daniel se ainda defende estas imbecilidades que tão fogosamente apregoou na sua actividade artística recente:
Junta-se a isto o temperamento de Sócrates, que resulta mais das suas fragilidades políticas do que da sua personalidade: contundente sem coerência, autoritário sem autoridade, tático sem estratégia. A ultrapessoalização do governo e do partido e a violência verbal no debate público, que nos primeiros anos resultaram em favor de Sócrates, acabaram por se virar contra ele quando as coisas começaram a correr mal. Sócrates foi atacado, até do ponto de vista pessoal, como nenhum primeiro-ministro, é verdade. A questão é saber se não foi ele que criou o caldo político em que isso se tornou legitimo.
Imbecilidade publicada em 7 de Junho de 2011
Daniel Oliveira culpa Sócrates pelas campanhas negras de que foi alvo e, não contente, ainda declara que por sua tão grande culpa os ataques pessoais e à sua honra se tornaram legítimos. Eis a noção de decência para os gabirus da esquerda pura e verdadeira.
Sócrates mentir com tanta facilidade é, para mim, um problema político. Não é, ao contrário do que agora parece, nem o primeiro nem o pior. Mas, sobretudo, não é esse o seu principal problema. O seu problema é não ter um rumo para o governo do País nem convicções políticas. O maior problema de Sócrates não é dizer hoje uma coisa e amanhã outra. É a razão porque o faz. É não ter uma verdade sua – e isso não é uma questão de carácter, é uma questão estritamente política. É que o confronto político faz-se de mundividências e convicções que se confrontam. Diz-se que Sócrates é determinado. O problema é que a sua determinação não está associada a convicções.
Imbecilidade publicado em 26 de Maio de 2011
Daniel Oliveira alinha feliz na estratégia de caluniar Sócrates como mentiroso, gizada em Belém e na Lapa pela escória da direita nacional, e serve um assassinato de carácter de obscena e trôpega hipocrisia. Como são úteis os imbecis para a oligarquia.
Prefere a vitória de José Sócrates ou de Pedro Passos Coelho? Se me pusessem perante esta escolha não saberia o que responder.
[…]
A questão é esta: se o programa do próximo governo está já decidido, não seria preferível que esta crise servisse para nos livrarmos de Sócrates e iniciar-se uma profunda renovação de toda a esquerda portuguesa? Sem Sócrates tudo ficará em aberto. Com ele, continuará a degradação ideológica e ética do PS e do País.
Imbecilidade publicada em 20 de Maio de 2011
Daniel Oliveira não se consegue decidir entre Passos e Sócrates. A cegueira dos sectários merecia ser exibida no circo. Este homem declara-se destituído de critérios intelectuais para evitar um mal maior, qual burro morrendo de fome entre dois fardos de palha. Mas já consegue responsabilizar Sócrates pela “degradação ideológica e ética do PS e do País“. Foda-se, senhores ouvintes. E isto vindo de um gajo que, aposto os meus queridos 10 euros que tenho no bolso, não conseguiria dar uma para a caixa se tivesse de explicar de improviso a uma turma do 10º ano o que é isso da ética.
Que José Sócrates tem uma relação difícil com a verdade é coisa que todos sabemos. Mas a entrevista de terça-feira ultrapassou tudo o que poderíamos esperar.
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As mentiras de Sócrates não fazem aumentar o défice ou as taxas de juro. Não é por temos como primeiro-ministro um homem em que a coincidência dos factos com as suas palavras só acontece por mero acaso que estamos na situação económica em que estamos.
[…]
Os danos causados pelas mentiras de Sócrates são outros, e também eles graves. Primeiro: todo o processo político é, com ele, um interminável quebra-cabeças. No labirinto de mentiras que ele próprio constrói tudo vai a dar a becos sem saída. E nesses becos, esbarramos sempre com a mesma chantagem: a da crise política. O segundo: de cada vez que o primeiro-ministro fala degrada a imagem das instituições democráticas. O contrato entre um eleito e os seus eleitores depende da credibilidade do eleito. Se nunca sabemos se o homem que nos governa nos está a dizer a verdade – se temos mesmo de partir sempre do princípio que nos está a mentir -, ele perde toda a autoridade moral para nos governar. E, sendo eleito, retira com as suas mentiras autoridade à democracia.
Pulhice publicada em 17 de Março de 2011
Daniel Oliveira, sem precisar de se referir a qualquer mentira ou então reclamando o monopólio da verdade, o que torna impossível o eventual contraditório, transforma assim a política no desporto preferido dos canalhas. Este bacano fez-se cobrar por estes belos serviços prestados à democracia, não conseguindo mais do que empestar o espaço público. É o paradigma perfeito dos bloqueios à esquerda, porque manifestamente bom rapaz e um valente cheio de valores, causas e ideais. Tudo do bom e do melhor, e, para perplexidade dos ingénuos, tudo posto ao serviço do laranjal podre no momento crítico em que Portugal corria o risco de cair nisto que vivemos desde Junho de 2011.
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O Daniel tem vindo a aproximar-se de um espaço qualquer intermédio, ou superior, ou ctónico, entre o BE e o PS. Longe parecem os dias em que berrava ter sido Sócrates o pior primeiro-ministro da democracia, perdendo o título apenas para Cavaco. A sua tentativa de contribuir para criar uma nova cultura na esquerda que permita uma maioria governativa PS-BE-PCP tem os seus evidentes méritos. Só que estamos com um pequeno problema: antes de tentares mover montanhas com a singela força da tua fé, Daniel, não seria melhor limpares primeiro esse chão repleto de bostas de imbecilidade que pisas e repisas?
Vamos lá a saber
Merecia um estudo profundo
Esta superioridade do Porto sobre o Benfica e o Sporting. É uma história gloriosa que tem um nome já glorificado em vida, Pinto da Costa. Mas o que importa investigar não é tanto o mérito dos vencedores, e seus segredos, como o demérito dos perdedores, e seus erros.
O Benfica e o Sporting reúnem nos seus órgãos de decisão e influência uma parte maior da elite nacional. Daí o seu fracasso, já de décadas, ser tão espectacular.
Revolution through evolution
The damaging messages of proms
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Trust your memory? Maybe you shouldn’t
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Couples’ Thoughts During Disagreements Affect Relationship Satisfaction. Women are more likely than men to blame their partner, a new study also finds.
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Power of Prayer: Studies Find Prayer Can Lead to Cooperation, Forgiveness in Relationships
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Why Rituals Work
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When Deciding How to Bet, Less Detailed Information May Be Better
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Many Entrepreneurs Claim to Care About Sustainability, Yet Make Decisions That Are Harmful to Environment
Necrófagos
Quem, nos idos de Março de 2011, disse que Cavaco e Passos foram traidores à Pátria por terem optado por uma política de terra queimada só para derrubarem Sócrates, num caso, e meterem as beiçolas no pote, o outro, não precisou de se deslocar um milímetro para assistir à confirmação histórica da sua avaliação.
À volta desta intensa minoria, e numa romaria que já vai do Carlos Carvalhas ao Lobo Xavier, passando pelo Pacheco e pela Manela, vão cirandando os abutres, sempre com os olhos postos na próxima carcaça.
Não é? É, pois
Acusam os especialistas em altos golpes
Política de Verdade, agora a sério
Exactissimamente
Oscar Wilde explica
Indigno de Pena
Vi a entrevista, porque o Diário de Notícias me pediu um comentário, e vi o primeiro programa regular por perversão.
Não voltei a ver a Opinião de José Sócrates, que a RTP despeja nos serões de domingo, salvo erro. A perversidade não dá para tanto e, de resto, o que leio aqui e ali chega para perceber que, à semelhança do protagonista, aquilo não evolui com o tempo: mantêm-se os ajustes de contas com Cavaco, Passos Coelho e a ala menos devota do PS, mantêm-se as exibições de prepotência, mantém-se a obstinação do indivíduo em voltar a mandar no País que destruiu, mantém-se o progressivo desinteresse do público e mantém-se o tipo de envergadura intelectual apenas adquirível em universidades extintas.
Consta que há dias José Sócrates chamou ao PR “envergonhante”, e essa só não é a palavra adequada a todo o exercício porque a palavra custa a engolir. Mas que o exercício é vergonhoso, é. Se se arrastar muito, dará pena. Ou daria, caso o homem fosse digno da dita.
Alberto Gonçalves, Sábado, 2 de Maio de 2013
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Sócrates foi, e é, alvo de expressões de ódio inauditas. Relvas, Passos, Gaspar, Cavaco, Portas, este, aquele e o outro não – façam eles o que fizerem e já fizeram de tudo. Então, algo de único deverá existir em Sócrates para suscitar tais reacções exclusivas. Será que cometeu crimes? Crimes horríveis? Muitos crimes? Muitos crimes horríveis? E se os cometeu, porque será que ninguém o apanha? Este Alberto é que não será apanhado a caluniar Sócrates dessa forma tão perigosa para a sua conta bancária, pelo que justifica racionalmente o ódio através da repetição maníaca de uma ideia simples e para os simples: Sócrates destruiu o País. Como e quando e quando e como, isso já não ocupa o teclado do Gonçalves. Ele tem mais o que fazer do que andar agora a ter de pensar nesses pormenores.
Sócrates deixa completamente desvairados dois tipos de homens: os muito estúpidos e os que precisam de se imaginar muito espertos. Ambas as tipologias se encontram amiúde na imprensa, os primeiros a fazer rubricas de sopeiras e os últimos a comandar exércitos do alto das suas crónicas. A uni-los a mesma paixão: Sócrates, alfa e ómega da sua virilidade.
Oh, que esforço tão insano toma conta dessas almas arrebatadas na sua ânsia de matar o ser amado…
Verbalizações
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Às tantas, é provável que não seja o assunto mais importante da actualidade. Às tantas da manhã. Mas pode ser visto como sinal dos tempos. Eis o caso de um deputado que acerta na escolha do particípio do verbo pagar quando conjugado com o verbo auxiliar ter só para se arrepender de imediato, introduzir um erro popular e ainda pedir perdão aos ilustres colegas no Parlamento por ter ousado respeitar a perfeição gramática.
Este deputado acha que a forma irregular é a que melhor se adequa à semântica e sintaxe do ter. Vícios de uma certa linguagem.
A estratégia do Governo explicada matematicamente
Exactissimamente
Politicamente inacreditável e sintoma grave de anomalia cognitiva
Falar verdade aos portugueses? Só quando o PS voltar ao Governo
Com senso
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Nesta edição da Quadratura, falou-se do discurso do reformado de Belém, o qual tinha resolvido celebrar o 25 de Abril indo para a Assembleia da República dizer aos deputados e ao Povo que as eleições são inúteis e que só nos resta comer e calar. Lobo Xavier adorou. Pacheco Pereira detestou. E António Costa explicou.
Mas o que me interessa realçar está contido na última intervenção de Costa, acima, onde em dois minutos retira a crise política portuguesa da lixeira da demagogia e da desonestidade intelectual e coloca-a dentro da História. E tudo começa com o Tratado de Maastricht; isto é, tudo começa com a criação da União Europeia. Aí se estabeleceu um conjunto de metas que se revelaram demasiado ambiciosas face à arquitectura da união monetária e da sua moeda. A relação entre a dívida e o défice ambicionados e o ambicionado crescimento económico tem sido um berbicacho para todos os países da UE, a começar logo pela Alemanha e a França – ao ponto de já se terem revisto as metas face às circunstâncias. Logo, se o actual projecto é demasiadamente difícil, e se a Europa admite a flexibilização dos objectivos para o défice e a dívida em casos especiais, então estamos numa dessa situações onde as regras devem mudar. Só falta para tal aquilo que é o fundamento primeiro e último da União Europeia: vontade política.
Costa lembra o óbvio. Que estamos na Europa. Que estar na Europa é para o bem e para o mal. E que não há só uma forma de lidar com o mal:
Temos que equilibrar entre a velocidade que impomos, o respeito pela Lei, a segurança que temos de assegurar para nós próprios e para os outros, e é assim que tem de ser conduzida a acção e a vida económica.
Eis o retrato simetricamente oposto da substância e estilo do Governo da coligação Passos-Gaspar-Cavaco, o qual conseguiu ultrapassar a Troika pela direita e com o acelerador ao fundo, o qual assinou dois Orçamentos inconstitucionais e prepara-se para um terceiro, e o qual faz das ameaças à segurança da classe média e dos pobres um método para agradar aos credores. Estando em causa alterações drásticas no modo de vida de milhões de portugueses, os actuais governantes decidiram desprezar qualquer cuidado ou protecção social, antes preferindo agir a coberto da perda de soberania para reduzir a política a uma contabilidade de merceeiro onde o Estado passou a ser concebido como uma empresa e não como a estrutura pública da comunidade. Essas escolhas celeradas e violentas, ainda por cima escondidas e negadas na campanha eleitoral, são uma novidade em quase 40 anos de democracia.
Lobo Xavier termina o diálogo a concordar com António Costa. O seu rosto é particularmente expressivo. Ostenta um sorriso de cumplicidade. Uma cumplicidade plena, sincera, pura. Uma genuína empatia. Lobo Xavier diria o mesmo que tinha acabado de ouvir ao socialista se as câmaras não estivessem a filmar. Estando, o máximo a que poderá chegar é a esse sorriso calado. Porque o que António Costa esteve igualmente a dizer por debaixo das evidências coloca os Lobo Xavier da nossa sociedade no grupo de traidores que tudo fez para afundar Portugal no momento em que a união das forças políticas que apoiam a pertença à União Europeia teria sido mais necessária. Agora que estão instalados no poder, estes traidores, com o Presidente da República à cabeça deles, querem finalmente o consenso depois de o terem boicotado e impedido custasse o que nos custasse.
Com senso, há que confrontar quem trata os portugueses como se fossem servos da gleba. Perguntar-lhes se eles conhecem a História. Avisá-los de que ela ainda não acabou.

