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Bruno de Carvalho, a maluqueira vai custar dezenas de milhões

Se o Sporting voltar a ter um presidente-adepto, acaba de vez. Como vimos com este bronco, o presidente-adepto é um ser que gosta mais do jogo da bola do que dele próprio. O resultado é inevitável: à medida que o acaso estilhaça as suas megalomanias, assim se esboroa o seu contacto com a realidade. Daí até anunciar no estádio que vai ser pai é um nada. Nada de separação entre a sua pessoa privada e o clube. E se ele passa a conceber-se, e a sentir-se, como uma entidade colectiva proprietária de um estádio e de um centro de treinos, então a agonia nascida da frustração resolve-se com actos de mutilação. Usa-se o corpo para atacar o corpo.

A paixão pelo Sporting levou o presidente-adepto a querer destruir o seu amor. É sempre assim com os malucos, como o próprio se definiu na sua declaração mais lúcida de que há registo.

Álvaro Domingues e a retórica da “Torne a pôr”

Apenas ostenta um comentário (inaproveitável em relação ao texto e suas temáticas). Se for esse o critério do valor mediático, a entrevista de Ana Sousa Dias a Álvaro Domingues é um fracasso ao lado das caudalosas peças despachadas pelos caluniadores profissionais para mastigação dos broncos. Mas se aplicarmos outros critérios, como os que se relacionem com valores culturais, intelectuais e políticos, então chegaremos a resultados diferentes. Que se faça a experiência de ganhar 15 minutos de vida a ler isto:

“A lei ainda diz que há uma divisão entre o rural e o urbano. É uma tontice”

O discurso político partidário, e até o presidencial, está esmagado pelos automatismos retóricos que reduzem os actos de fala à propaganda e à chicana para a enorme maioria dos agentes na enorme maioria do tempo. As mesmas figuras cultivam uma bipolaridade tomada não só como normal mas tacitamente normativa. Se estiverem na oposição, a retórica é catastrofista e belicista; se estiverem no Governo, a retórica é estadista e pragmática. Temos um Presidente da República que esteve anos em campanha eleitoral como estrela maior do comentário político sectário, cínico e intriguista. Chegado a Belém, transformou-se no pater familias da Nação em versão delico-doce para consumo popular, simulando ser um profeta da concórdia universal para melhor brincar aos palácios.

Neste panorama, há substantivas diferenças. A cultura do PSD e do CDS é retintamente caluniadora, também por razões antropológicas e cognitivas, e a cultura do PCP e do BE é invariavelmente demagógica, por razões ideológicas e históricas. Já o PS, como o maior e mais importante partido do regime, tem uma cultura paradoxal nascida da diversidade pensante interna e da vocação externa: governar ao centro. É nos socialistas que encontramos o melhor da tradição liberal onde a nossa Constituição e o próprio 25 de Abril encontram a matriz, as categorias e o sentido político. Esse legado perdeu-se na direita partidária há décadas, e nunca existiu na esquerda “pura e verdadeira”. A retórica dos socialistas, genericamente, é a mais cidadã, a mais salubre e a mais virtuosa para os interesses e necessidades da comunidade (daí ser o alvo preferido de todos os ataques vindos dos extremos e dos nichos). Porém, o PS não inovou o discurso político, mantendo-o preso a convenções propagandistas que cristalizam, apesar das pontes que formalmente exaltam, a separação de esferas entre a política profissional e a política como convívio de cidadãos interessados nas questões pátrias.

Nesta entrevista – onde a entrevistadora tem o especial mérito de deixar fluir o verbo ao entrevistado – encontramos um discurso sem qualquer novidade para estudantes, investigadores e eruditos no campo das Ciências Sociais. Ao mesmo tempo, aquilo de que se fala é essencialmente, teluricamente, político. Territórios, migrações, economia, categorias da abstracção sem a qual não se administra o Estado. E, misturado nos conceitos disciplinares, a vida como ela é lá onde só os habitantes dos lugares cuidam uns dos outros, esse concreto que respira e anda. É também uma forma retórica de falar sobre a realidade social, sobre um país. Mas é um tipo de retórica que nos dá o País com muito maior autenticidade e inteligência do que a retórica convencional no sistema político. O futuro da política irá, inevitavelmente, operar a substituição dos licenciados em Direito, Engenharia e Economia, com as suas técnicas tribunícias, por políticos com outras formações académicas e científicas muito mais eclécticas e vanguardistas. A retórica dos apaixonados pela curiosidade e pela ternura puxará a carroça da nossa preguiçosa vontade política.

Exactissimamente

A barba de Paulo Pedroso

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Nota

Vale a pena registar quem é que, daqueles com voz na imprensa de referência, veio manifestar a sua solidariedade com Paulo Pedroso e a sua indignação com uma Justiça que lhe destruiu parte da vida cívica e causou sofrimentos pessoais indescritíveis, incomensuráveis e irreparáveis. Quanto aos outros, os que ficarem calados, que sejam ignorados por conta e risco de cada um.

Revolution through evolution

Study finds less corruption in countries where more women are in government
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Mother’s attitude to baby during pregnancy may have implications for child’s development
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People who deeply grasp pain or happiness of others, process music differently in brain
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The tarot revival thanks to Brexit, Trump and Dior
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Better physical fitness and lower aortic stiffness key to slower brain aging
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Adapting Lifestyle Habits Can Quickly Lower Blood Pressure
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Ways to Help Someone Struggling with Thoughts of Suicide
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Paulo Pedroso, ponto final do parágrafo?

O texto de Paulo Pedroso – Ponto final, finalmente. – não é de alguém vitorioso; apesar da vitória que, 15 anos depois, lhe foi atribuída pela Justiça Europeia. É tão-só a declaração de um sobrevivente, anunciando que não foi destruído pelos seus inimigos.

Acontece que esses inimigos ocupam, transversal e corporativamente, a Justiça portuguesa. Que o mesmo é dizer, portanto, que os seus inimigos, inimigos porque o privaram da liberdade e tentaram assassinar o seu carácter, estão na política soberana. Estão na Assembleia do República. Têm passado pelos Governos e pela Presidência da República. Todos os agentes políticos que usufruíram de poder institucional e influência social, e que não se escandalizam com os abusos da Justiça seja sobre quem for, são inimigos do Paulo Pedroso. Inimigos do Estado de direito democrático. Inimigos da liberdade.

É por isso que precisamos desta vítima para nos guiar no combate que transcende as ideologias, partidos e facções. Precisamos de quem tenha resistido com coragem e inteligência à violência dos cobardes e dos pulhas. Precisamos do Paulo Pedroso na política portuguesa.

Por cima dos danos irreparáveis causados a este cidadão, ergamos uma barricada contra quem usa a Justiça como arma do crime.

Exactissimamente

Não se depreenda disto que o facto de os professores terem uma ação direta, e muitas vezes decisiva, na vida dos nossos filhos seja conscientemente utilizada como arma. Acho que a maioria dos professores acredita que as suas lutas são parte integrante da sua vontade de o ensino ser cada vez melhor.

Seja como for, o facto é que o papel que desempenham na comunidade lhes traz talvez a maior capacidade reivindicativa de todas as classes profissionais. Tem sido utilizando essa força que conseguiram afastar aquela que foi a melhor ministra da Educação da democracia portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, que conseguiram um sistema de avaliação de desempenho que pouco conta para a progressão na carreira (chamar-lhe avaliação é, por si mesmo, abusivo), que são mais bem remunerados do que os seus congéneres europeus de países com índices de desenvolvimento similares ao nosso e que o decurso do tempo tenha mais relevância do que em relação a qualquer outra carreira da função pública.

Repito que será assim também porque pensam que isso é melhor para os alunos e para o sistema de ensino.

Estão errados, porém. Não é admissível que a avaliação conte tão pouco para a progressão na carreira e que a passagem do tempo seja um fator decisivo. É injusto e de certeza que não contribui para que os professores sejam melhores profissionais e para um melhor ensino. O paradoxo de quem avalia não ser avaliado seria argumento bastante.


Qual é, afinal, a luta dos professores?

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Nota

Quem é professor no Ensino Secundário sabe bem, por testemunho&cumplicidade (no mínimo), que a avaliação dos alunos é sistemicamente fraudulenta. Daí até se projectarem como futuras vítimas da mesma perversidade não vai nem um milímetro nem um segundo. Menos, muito menos, muitíssimo menos. E da falta de vocação pedagógica e das incapacidades didácticas e científicas é melhor nem falar sob pena de voltarmos a ter a Avenida da Liberdade cheia de pavor e raiva.

Revolution through evolution

Throw like a girl? No, he or she just hasn’t been taught
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Fleeting Feelings of Hate May Be OK for Couples, in Small Doses
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Teachers who give cookie rewards score better in evaluations
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Coffee helps teams work together
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Using mathematical approaches to optimally manage public debt
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Bad News Becomes Hysteria in Crowds, New Research Shows
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Law and society rely upon a ‘Republic of Belief’
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Estado de direita

«“A revista Sábado, na edição de 7 de junho de 2018, titulou com destaque de capa ‘O plano criminoso’ de Ricardo Salgado para a Venezuela. Em primeiro lugar, é falso que alguma vez tenha existido qualquer ‘plano criminoso’ de Ricardo Salgado. Em segundo lugar, trata-se de mais uma flagrante e impune violação do segredo de justiça. Com a agravante de que, ao contrário dos jornalistas habituais que têm contacto privilegiado com processos em segredo de justiça que envolvem o dr. Ricardo Salgado, a sua defesa ainda não teve acesso a qualquer dos elementos apresentados no aludido artigo”, lê-se no comunicado emitido pelos advogados Francisco Proença Carvalho e Adriano Squillace.»

Fonte

A banalidade de Marcelo

Reunir as duas entidades públicas mais importantes na hierarquia do Estado no mesmo espaço tem de implicar estarmos perante um assunto da mais alta importância nacional. Consta que uma rapaziada vai jogar à bola na estranja, é só isto. Noutros tempos teríamos tido direito a um cardeal na fotografia e à visita de Cecília Supico Pinto para moralizar a tropa em calções com as suas cantorias.

Se as duas entidades públicas mais importantes na hierarquia do Estado querem estar presentes numa jantarada ligada a uma selecção nacional de um desporto qualquer em vias de participar num qualquer torneio, baril. Cada um sabe de si e das companhias que frequenta. Mas se as duas entidades públicas mais importantes na hierarquia do Estado decidem também abrir a boca para dizer coisas em nome das instituições que representam, então, senhores ouvintes, estaremos perante um assunto de altíssima importância para a Pátria. Os russos vêm aí?! Não, espera, nós é que vamos à Rússia. Há que recordar as lições de Napoleão e Hitler se a ideia for mesmo a de conquistar Moscovo.

Ferro Rodrigues teve a feliz ideia de listar os locais de nascimento dos jogadores, o que lhe permitiu chegar a uma imagem desafiadora: em que outros domínios da nossa comunidade vemos tanta diversidade geográfica num mesmo grupo profissional? A imagem é desafiante porque nos leva para nenhures. O desafio consiste, precisamente, em não ir com ela. Melhor ficar a contemplá-la a esvoaçar nos céus até desaparecer graciosamente de vista no horizonte ou ser abatida sem piedade pela caçadeira da lucidez. É que é completamente indiferente, seja para o que for, que não se consiga indicar um qualquer outro exemplo onde se replique a cobertura territorial que a selecção nacional apresenta na lotaria das ascendências geográficas dos actuais jogadores. Era só o que faltava, a obrigação de incluir um madeirense à força numa qualquer empresa com mais de 20 trabalhadores ou passarmos a exigir que os hospitais públicos tenham funcionários minhotos, beirões e algarvios em proporções idênticas. Porém, a ideia resiste na sua felicidade pois se trata de uma metáfora. A metáfora da diversidade como ideia cívica e política a merecer o patrocínio da segunda figura do Estado português numa ocasião proporcionada pelos pontapés na bola. Estiveste bem, Ferro.

Marcelo Rebelo de Sousa comportou-se como Marcelo Rebelo de Sousa. Estava excitadíssimo com a perspectiva de ir ver jogos de futebol. Uns em estádios, outros no meio da maralha. Todos, sempre, no pico da curtição como fã que se concebe igualmente como vedeta nessas ocasiões. A sua ânsia deleitada era tanta que entrou a pés juntos no estilo de Américo Thomaz e suas pérolas como «é a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive». Enfiou-se num raciocínio que partia de termos o melhor jogador do mundo e saltava magicamente para serem todos os jogadores os melhores do mundo. Logo, rasgo de genialidade, se a nossa selecção nacional tem os melhores jogadores do mundo, só precisa que cada jogador seja aquilo que é. Siga. Tal como no discurso anterior, esta imagem volta a não querer dizer nada que mentes humanas consigam usar com algum proveito, mas desta vez o bafo a balneário era insuportável. Marcelo aproveitou a ocasião para mostrar que, se o deixarem, pode ir fazer palestras aos jogadores no intervalo dos jogos que estejam a correr mal. Contem com o Presidente da República para explicar aos atletas que eles apenas têm de ser quem são, caso Fernando Santos não esteja à altura dessa responsabilidade.

Marcelo está no cargo para o qual se preparou durante 60 anos, ou mais. Não é um mero corta-fitas como o almirante Deus, mas no seu íntimo a fruição pessoal, o gozo circense, a pulsão palaciana sobrepõem-se à devoção republicana, ao culto do estadismo e à paixão pela História.

Provérbios de Junho

Junho chuvoso, ano perigoso.

Em Junho, frio como punho.

Chuva de Junho, peçonha do mundo.

Chuva pelo S. João, bebe o vinho e come o pão.

Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.

A água de Junho, bem chovidinha, na meda faz farinha.

Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.

Revolution through evolution

Study: How You Love People Reflects on How You Love Pets
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Older men with higher levels of sex hormones could be less religious, study suggests
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How Was Your Day? Honesty, Both Positive and Negative, Creates Intimacy
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Women and Work
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Woulda, coulda, shoulda: The haunting regret of failing our ideal selves
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New research predicts likelihood that one will believe conspiracy theories
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New parts of the brain become active after students learn physics
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