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Cineterapia

Harold Ramis - As good as it gets
Harold Ramis_1944-2014

Querido Harold,

Acabei de te inventar esta imagem. FIcaste com cara de bebé. Tal como eu ficaria se estivesse a ser abraçado pela Helen (e ainda a ser pago). Quantas vezes repetiram a cena? Espero que tenha corrido mal, que o James fosse um picuinhas. E logo nesse filme, tão lindo. Cabrão.

Estou a escrever-te para explicar porque não tenho lágrimas com que chore a tua morte. As lágrimas são demasiado valiosas para as gastar por nada. A morte é o nada, certo? E o nada é coisa nenhuma, correcto? Agora que sabes, podias confirmar. Pois coisa nenhuma justifica que ande para aí a esbanjar o sal da minha vida.

Mas há uma outra razão. Esta vais aceitar sem discussão. É que as pessoas que nos fazem chorar através do seu talento não devem ser choradas por motivos alheios à sua arte. Morrer não fazia parte das tuas capacidades. Por isso foste bulir para o cinema. O cinema imobiliza a luz, ergo ilumina a eternidade. E se tu percebes de eternidade, olá.

Foste quem conservou para a eternidade imediata a Andie a despedir-se dos frescos anos. Gloriosamente bela ao lado de um camafeu glorioso. Grande cabrão. Que enorme pequeno filme. O triunfo da chachada. É o que são as comédias românticas. Chachadas. Mas esta, que liga na mesma ternura a humanidade de todos os dias sem amanhã, é um tratado sobre a condição de não existir. Não existir dá muita vontade de chorar. De chorar a rir.

Harold, se me queres ver chorar, faz mais um filme.

Exactissimamente

Por exemplo, em que radica a excelência da Universidade Católica?

Adenda – Recentemente, a UCP lançou uma aplicação cujo lema de campanha reza assim “A Católica na minha mão“. Tudo bem, a banalidade mais rasteira não é pecado, pois se o fosse nem multiplicando o panteão egípcio pelo panteão hindu conseguiríamos ter divindades em número suficiente para despachar o serviço. Mas alguma santa alma, lá na Palma de Cima, lembrou-se de espalhar a boa-app-nova por cada um dos recantos da casa. Inclusive nos urinóis. Em cada urinol individual, pela altura dos olhos do mijão, havia lugar à epifania: tens a católica na tua mão. Marketing tão carnal como este ainda vai levar uns bons anos até ser praticado livremente entre os gentios.

Um gozo do caralho


Por Luís Monteiro

Não faço a menor ideia do que a sociedade – aliás, a comunidade – fará com este documento. O mais certo é nada fazer. Mas o documento existe. Ei-lo. Podemos revê-lo as vezes que quisermos. E a cada vez, com garantia absoluta, a primeira impressão adensa-se, solidifica, até que cristaliza. Só que não acaba aí a metamorfose. O cristal vai-se purificando. Infinitamente.

Passos Coelho trouxe para a prática governativa algo que não conhecemos a outros primeiros-ministros; excepção feita ao Pinheiro de Azevedo e exemplo este que não é análogo, só paralelo. Trata-se da voluntária manifestação de ordinarice. Por isso os exemplos não são equivalentes, pois enquanto em Pinheiro de Azevedo esse registo surgiu como emanação natural da cultura castrense e em contexto histórico e político incomparável, em Passos a inclusão de vernáculo e tabuísmos é feita de forma intencional. Dir-se-ia que é feita de forma sistemática, como se tivesse sido planeada com detalhe e seguida com zelo.

Analisar essa prática e reflectir sobre o seu significado é tarefa que poderia ocupar uma, ou mais do que uma, das tais equipas multidisciplinares com que Passos pretende descobrir como é que se fazem bebés. Para nós, a urgência está em simplesmente ver, em sentir. Quem é esta pessoa que numa ocasião duplamente solene, discursando como presidente do Partido e como chefe do Governo, se permite sorrir, se não mesmo rir, com a ideia de que os seus concidadãos estão a sofrer por causa das suas decisões? Há aqui algo nunca antes visto aquém-fronteiras.

A imagem da pancada é uma ilustração luminosa da retórica que os falcões que rodearam Passos Coelho a partir de 2010 foram anunciando como a única via de salvação para Portugal. O País teria de ser sovado brutalmente, ou isso ou o abismo. Logicamente, há que embrulhar a violência numa desculpa, e a desculpa era a de sermos madraços, e estróinas, de não trabalharmos, de gastarmos acima das nossas possibilidades, de colocarmos corruptos na governação (curiosamente pertencendo todos ao PS), de esbanjarmos dinheiro com pobres e com velhos, de metermos o pilim em escolas do Estado em vez de o darmos às escolas privadas, de não produzirmos como os alemães por causa dos feriados, de termos o ar condicionado ligado quando bastava tirar as gravatas e de vermos ministros a viajar em 1ª classe na TAP quando o necessário para o equilíbrio das contas públicas era que fossem de comboio ou à boleia.

Passos, à beira de desatar à gargalhada, concebe excitado a população a ser espancada e a sofrer cada vez mais à medida que a sova continua imparável. Convenhamos que a imagem adequa-se e apenas peca por defeito. Não será possível calcular as consequências em sofrimento, indignidade e mortes que o chumbo do PEC IV e a receita do além-troika causou e vai continuar a causar. Mas tudo ganha sentido se acabarmos por aceitar a evidência: só um psicopata deste calibre poderia oferecer-se entusiasmado para a tareia – um trabalho que lhe dá um gozo do caralho.

Imbecilidade, demagogia ou alucinação? Tudo junto

Na conferência de imprensa, e sobre a escolha de Francisco Assis para encabeçar a lista europeia do PS, José Guilherme Gusmão começou por assumir uma reacção cautelosa, alegando que o BE ainda não teve acesso ao discurso que Assis irá apresentar durante a campanha eleitoral e que só perante a definição desse discurso e das prioridades os bloquistas se poderão pronunciar. "Mas registamos que António José Seguro escolheu para ser a voz do PS nas próximas eleições europeias uma pessoa que é conhecida por todo o país por defender o Bloco Central (PS/PSD), ou seja, por defender que o PS faça um acordo com aqueles que têm governado o país para que se continue a implementar políticas de austeridade nos próximos anos", apontou José Guilherme Gusmão.

Ainda de acordo com o dirigente do BE, "no contexto em que o país vive - e em que a direita faz o mais feroz ataque de que há memória na democracia portuguesa aos direitos dos trabalhadores e ao Estado social -, Francisco Assis, nas suas intervenções públicas ou nos artigos que tem escrito, tem-se essencialmente pronunciado contra as organizações de esquerda, responsabilizando-as pelo estado a que o país chegou".

BE considera escolha de Assis pelo PS “preocupante”

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A filha de Relvas já pode voltar a sorrir

Foi o momento mais bonito do congresso. E não só deste. Passos anunciou o regresso de Relvas. Aliás, correcção: Passos lembrou que Relvas nunca se foi embora, mas como estava a lidar com congressistas, uma malta dada à distracção e à amnésia, fez um desenho. E apontou para a sua lista ao Conselho Nacional -“Vêem? Aqui está ele. Mesmo no topo que é para ninguém se fazer de parvo. Pronto. Vamos lá a despachar o resto desta merda.”

Relvas merece a distinção e o estatuto. É preciso ter em conta que apesar de ter mentido sob juramento numa comissão de inquérito no Parlamento e logo em matérias relativas à segurança nacional, ter tentado chantagear um jornal e alguns jornalistas, ser uma das maiores autoridades nacionais em folclore e ter conseguido dar uma lição de moral a toda a família de Sócrates, este probo teve invariavelmente o apoio de Passos, o silêncio de Cavaco, a anuência de Seguro e até a defesa galharda de António Costa. Que dizer? É um dos nossos melhores.

Acabou a travessia frenética do Atlântico, sempre mas sempre à procura do conhecimento permanente, essa pedra filosofal que transforma cargos no Estado em ouro. Ou não acabou, porque ele continua no Brasil. A fazer o quê? A defender a língua portuguesa com toda a sua sapiência e experiência académica. E que melhor referência para essa subida missão existirá do que o próprio Passos, o seu companheiro de tantas aventuras e alguém que tem inovado forte e feio na sintaxe e estilística da língua de Camões? Pelo que tudo está bem quando recomeça bem. E a miúda, coitada, também regressa sorridente e aliviada ao orgulho filial.

Mudar de dieta e ir para o ginásio, a panaceia para a esquerda imbecil

Primeira nota breve: no dia seguinte à assinatura do memorando de entendimento recordo-me de ver Catroga puxar para si os louros do excelente resultado conseguido. Lembro-me de Sócrates ter anunciado que, pelo contrário, o bom memorando era obra sua. Lembro-me de PS, PSD e CDS terem assinado o documento, todos satisfeitos com o que aí vinha. Aplaudidos por banqueiros (vinha dinheiro para eles), jornalistas, comentadores, economistas. Lembro-me de Passos dizer que aquilo era o seu programa e até queria ir mais longe. Lembro de comentadores da sua área política terem gritado "bendita troika". Ou seja, quase todos reivindicavam a paternidade da criança. E agora todos a enjeitam. O que é estranho, tendo em conta o agradecimento que Passos Coelho fez à troika pelo excelente serviço.

Daniel Oliveira

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Seguro conseguiu o espantoso feito de imobilizar o PS naquela pasta (gosma?) que não tem qualquer pressa em se mover, quanto mais em ter ideias para apresentar ao eleitorado. Estar em Fevereiro de 2014 a contemplar a possibilidade de o PS ter uma vitória pela margem mínima nas Europeias (ou até de perder!) é da ordem da suspensão da Lei da Gravidade por seis meses. Mais para a esquerda, reina a confusão e muita boa vontade. Resta esperar pelas vontades boas para ver o que sobrevive e cresce. À direita, é o triunfo completo. Onde é que está o Passos que apareceu furibundo a disparar contra o Tribunal Constitucional lá muito para trás em 2013? Está a acender velas à coragem e sapiência dos juízes que resistiram a todas as pressões e permitiram o tão desejado alívio no ciclo da fadiga da austeridade. Fora desta normalidade excepcional, não se conhecem iniciativas originais na sociedade que prometam romper com o marasmo – o que teria de nascer sempre ao centro – nem surgem líderes capazes de dar sentido e projecto ao frenesim convencional. Então, falar do quê ou de quem? Do Daniel Oliveira, por exemplo, um prolixo publicista e alguém que se esforça honestamente para levar este país a entregar-se nos braços da esquerda pura e verdadeira.

O parágrafo que cito corresponde a uma ideia que o Daniel tem repetido. Nessa ideia, todos os partidos e figuras com relação directa ao Memorando aparecem iguais em responsabilidade e intenções. A caricatura a que se entrega com gosto é típica da cassete repetida no Parlamento e comunicação social pelo PCP e BE. Nela, os socialistas são sósias dos direitolas, Sócrates não se distingue de Catroga. E, afiança, o PS de então estava “satisfeito com o que aí vinha“. Ora, como é que um fulano que se apresenta moralmente superior a quem já sujou as manápulas na governação se permite mentir tanto e tão escabrosamente? É que a mentira é de arrebimbomalho, pois não só o PS foi obrigado a aceitar o Memorando também por causa dos votos do BE e PCP como Sócrates se bateu até às últimas para o evitar, tendo descrito exactamente quais seriam as consequências de o País optar por essa solução para a crise com que estava confrontado em 2011. Será apenas pelo dinheiro com que lhe pagam o serviço que o Daniel mente desbocadamente? Creio que não, seria mesmo impensável para mim vê-lo nessa degradação, aposto antes em factores antropológicos e psicológicos que cristalizam as figuras mais influentes desta esquerda, mesmo aquelas aparentemente amantes da democracia, num sectarismo tribal sem qualquer possibilidade de erradicação.

Pouco importa o nome do líder socialista que em Março de 2011, à frente do Governo de Portugal, pôs preto no branco as escolhas a fazer pelos partidos com representação parlamentar. E não esteve sozinho. Teixeira dos Santos, Vieira da Silva, Pedro Silva Pereira e Francisco Assis, entre outras vozes socialistas e até das instituições europeias e de países terceiros não só europeus, clamaram por uma racionalidade que defendesse os interesses de Portugal numa situação inaudita da sua História. Acontece que o nome desse líder é Sócrates, e Sócrates é um caso trágico em que o seu sucesso governativo foi tanto que – e principalmente por causa das crises internacionais que lhe condicionaram o percurso – se tornou o alvo principal da oligarquia portuguesa. Essa oligarquia conhece bem, com um conhecimento de séculos, a terrinha à beira-mar plantada e conta com a aliança da esquerda mais conservadora e fanática para atacar o centro, o inimigo comum. Assim fizeram, e assim continuam a fazer. A oligarquia está a ganhar em todas as frentes.

O último parágrafo do texto do Daniel devia ser reescrito por ele mil vezes num quadro a giz. Porque o que lá aparece já tinha sido dito por outros antes mesmo de o Memorando estar assinado e negociado. Outros o disseram quando teria sido possível evitá-lo ou adiá-lo para o negociar em melhores condições. Que podemos concluir, portanto, do seu continuado ataque àqueles com quem, afinal, está de acordo? Seja o que for, não é nada de bom. No mínimo dos mínimos, é sinal de uma inteligência a precisar de alimentos mais nutritivos ou de ir para o ginásio. Muito provavelmente, as duas coisas.

Ao reler o memorando fiquei de novo arrepiado. Ficará na história como um dos documentos mais vergonhosos que o nosso Estado assinou. Não é, como podia ser, um acordo com metas e objetivos financeiros. É um péssimo programa de governo, para vários governos, imposto por quem não foi eleito e desconhece em absoluto o país que pretende "governar". É um programa de governo de fanáticos vanguardistas sem o mínimo de bom senso ou razoabilidade. É uma excelente demonstração da razão porque a política nunca pode ser entregue a burocratas que não têm de pagar o preço político das suas decisões. Muito menos burocratas que apenas conhecem a sala VIP do aeroporto. Mas é também um excelente álibi para quem, tendo sido eleito, não quer arcar com as responsabilidades das decisões que toma. O memorando é uma vergonha. Mas tem as costas largas.

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Portas diz que «moderação» do IRS pode começar em 2015

No Parlamento, e perante as críticas de eleitoralismo da parte de deputados, o vice-primeiro-ministro garantiu que a medida nada tem a ver com o facto de nesse ano haver eleições legislativas.

Paulo Portas rejeitou a acusação, explicou que a medida nada tem nada a ver com eleições e só avança em 2015 porque só nessa altura haverá alguma margem de manobra.

«Temos que ter prudência orçamental precisamente porque temos obrigações, a margem de manobra não é grande. Usando o faseamento no tempo e procurando um sistema mais justo, devemos poder iniciar uma moderação do IRS ainda em 2015. Não porque seja o ano das eleições mas porque é, de acordo com o memorando subscrito pelo estado no tempo do PS, impossível fazer qualquer alteração antes de 2015», disse Paulo Portas.