Sou um prático das notas de leitura; não tenho qualquer diploma. Escrevo sobre livros em jornais e em revistas desde Agosto de 1978. Comecei no Diário Popular com Carlos Pinhão e Jacinto Baptista. Sou do tempo em que não havia computadores e os jornais eram feitos com granéis de chumbo. Tenho 56 anos e sou um velho.
Mas, se alguém me perguntasse o que é que mudou para pior nos livros que todas as semanas se publicam no nosso país, eu diria que é a arte final. Hoje fazem-se contracapas arrepiantes, cometem-se erros terríveis no «miolo» dos livros. Parece que ninguém se preocupa em ler os textos de ninguém. A figura do revisor está em vias de extinção. Um certo «engenheiro», administrador de uma empresa jornalística, disse sem partir os dentes: «Isso não é preciso; os computadores fazem tudo!». O parvo…
Pois acabei de ver algumas coisas curiosas em dois livros – Máscaras de Salazar de Fernando Dacosta e D. Duarte de Luís Miguel Duarte.
Na contracapa do primeiro, refere-se que Álvaro Cunhal fugiu de Caxias, quando foi de Peniche [já sobre isto escrevi no Aspirina]. Na página 250, aparece a pastorinha de Fátima como Francisca e não como Jacinta, seu nome real, que até tem uma rua em Lisboa. Na página 107 e em outras páginas desse livro, aparece uma infecção que se chama «colecistite» tratada como «coleciste». Na página 254, refere-se «uma bala na câmara» quando se fala de um crime, mas na página 257 já aparece «não tinha bala na câmara».
Na biografia de D. Duarte, lê-se na página 116, a propósito do seu casamento: «As dificuldades causadas pela transferência apressada das celebrações de Coimbra para Évora pareciam parcialmente ultrapassadas». A verdade é outra: o casamento era para ser em Évora, e foi mudado para Coimbra.
José do Carmo Francisco


















