Serei eu um sádico?

Porque é que li, leio e vou continuar a ler em jornais coisas sobre o CDS? Porque é que destino a isso uma parte, pequena é certo, mas mesmo assim preciosa (julgo eu) do meu tempo?

Será porque a política portuguesa me interessa até esse ponto? Será porque intuo que, um dia, ainda o CDS vai ser decisivo no trem de vida nacional?

Poderá haver, ainda assim, outras motivações, menos nobres (ah!…), para isso, como o fascínio pelo lado ficcional dos eventos, ou por essa pessoa soturna, matreira, mas levianamente suicidal que é Paulo Portas, ou mais rasteiramente por uma bela bulha pública, aqui, por casualidade, política. Ou, muito mas muito mais chãmente, porque vem excitar-me o lado sádico, que anda pouco desenvolvido.

Não sei. Repito a confissão: não sei. Mas qualquer coisa me diz que, se eu (e você) não olhasse, eles resolviam a coisa como damas e cavalheiros. Assim, dão espectáculo. E nós, por mil e um motivos, temos um grande fraco por coisas que mexem.

31 thoughts on “Serei eu um sádico?”

  1. Confesso o meu desinteresse pelo acontecimento, mas porque o incluo num desinteresse maior. Acho que Sócrates também marca um ponto de viragem para a cultura política. Quem o for substituir já não pode usar as fórmulas finalmente gastas. E todo este estrebuchar de Portas, Santana, Menezes, Jardim, até Marcelo (e Louçã, Jerónimo, pois claro), são o estertor do que tem sido a política em Portugal no pós-25 – a política da fantochada.

  2. Valupi, concordo com o epíteto de “política da fantochada” que aplica. Aliás, na senda dessa arguta análise, arrisco inventariar Sócrates como o verdadeiro one man show, ademais revelando laivos de autismo face às reacções do(s) públicos.

    Temo, todavia, a milenar apetência que nós, os consumidores desta paupérrima cena teatral, temos demonstrado por «panem et circenses». No desfecho do espectáculo, alguns, se não muitos, pedirão bis. A filosofia pós-socrática pode revelar-se uma autêntica alegria da caverna, se é que me faço entender.

    Até já.

  3. Valupi,

    Fico perplexo com a tua síntese, catastrófica,de fim de acto – de fim de jogo. E fujo desta visão do abismo, desse novo Finis Patriae. Fuga irracional? Assumo. Antes acreditar num resto de loucura, de adiamento do cadáver, do que aceitar entregar-nos ao destino. É que o destino tem farpela nova: tem traje espanhol. E, isso, só por cima, li-te-ral-men-te, dum actualizadíssimo cadáver meu.

    [Ou são estes filmes franceses que te põem taciturno?]

    Obs3rvador,

    Masoquista? Claro. Estava tão implícito que chocava explicitá-lo.

    Renato,

    A alegria da caverna. Criatividade em estado puro.

    Sininho,

    Não há nisso mérito meu. A ideia do suicídio (em directo) do Paulo foi lançada pelo director do Público, há dias, num espectacular editorial.

  4. Se o director do Público sugere o “levianamente suicidal” ok. É a imagem de conjunto que me agrada. Lembra-me uma avestruz com a cabeça enterrada na areia…

  5. Não, não é um sádico.O senhor Fernando sofre, porque está disvirtuado pelo uso excessivo do verbo, e já não consegue obter a adesão dos leitores. O seu pensamento está constantemente voltado para uma exasperação moralista da noção de certo, levando-o a uma desconfiança profunda não só em relação ao mundo, como a si próprio. É, literalmente, um pobre de espírito!

  6. Caro Ricardo,

    Se bem te entendo, acho que não me entendeste. Ou que, até, me entendes para lá do que eu me compreendo. Deve ser esta última a opção correcta.
    __

    Fernando,

    Quem me dera que fosse, de facto, a catástrofe. A ruína dos que mantém Portugal num regime de corrupção estatizada. Para encontrar os responsáveis por este regime de “brandos costumes”, basta reunir os nomes dos que ocuparam o Poder nos últimos 30 anos.
    __

    py,

    Bem apanhado.

  7. Paciência se, por distracção, o Valupi apagar o textozinho do Bigornas acima.

    Eu deixo-o estar, por humildade (por masoquismo, claro) – e porque a Riapa conseguiu, desta vez, introduzir variantes nas suas mixórdias, em vez de (com toda justificação, aliás) fazer copy and paste.

  8. Fernando,

    É esse, também, o meu critério. Se os bigornas apresentam um qualquer laivo de intenção de comunicar, então são tão bem-vindos como todos os outros. Se se limitam à usual imbecilidade, limpa-se a porcaria.

  9. não tenho dado atenção, estas coisas desgostam-me. mas agora que fala nesse lado sádico, espevitou-me o lado maldoso…

    e olhe que tenho a impressão de que este bigornax é já um repeat, está em segunda leva. mas isso até condiz com a nossa política.

  10. O senhor Valupi quer dar a impressão de estar sempre a tomar conhecimento de alguma coisa. É a estranha preocupação de simular omnisciência. Recusa-se a aceitar que está atolado na ignorância e de cada vez que escreve algo, ficamos com uma sensaçãozinha de ladroagem. É assim um excelente indigente de serviço. O único termo que o define é em inglês: “blag”!

  11. ena! mas este é novo. :D

    olhem que esse “blag” vem do francês “blague”. assim, já temos duas línguas (o que é sempre estimulante) e dois termos. quem dá mais?

  12. Será que vamos conseguir pôr os bigornas a falar, em vez da sua actividade favorita: ladrar? Tremo perante essa possibilidade, essa perestroika bigorniana.

  13. Também se não for desta oportunidades não hão-de faltar
    Ó Susana há pouco íamos de avião e agora já vamos de caravana? ; )

  14. Fernando, o motivo não poderia ser mais simples: porque é divertido.

    E porque, ao contrário do que “teoriza” a aventesma do costume, só no CDS se vê daquilo.

  15. A senhora Susana revela uma grande dificuldade para encontrar, e aceitar, a sua identidade. Um bocadinho de meio-termo talvez a ajude a sair do buraco: o prazer de tentar melhorar a vida com paciência e perseverança. Uma das facetas mais curiosas desta personalidade do Aspirina, é o seu masoquismo, que cheira a remendo de mau pagadora. Os seus comentários têm sempre um tom de arruaça e provocação chocarreira, que reflecte o que tem sido a boçal prática dos blogues de esquerda.

  16. hum… este também já não é novo. substituiram o nome e o género, só se esqueceram de o fazer em «mau». mas fico lisongeada na mesma, com a distinção – só para confirmar que sou masoquista.

  17. Susana,

    Sim, por ali a criatividade continua pouca. E dizia-se que a Direita prezava muito o idioma de todos nós… Mais uma decepção que a Direita nos dá.

    A melhor maneira de conservar o idioma vivo é, ainda, fazê-lo conhecer todos os cantos à casa. Mas ali em Paço d’Arcos vive-se em cubículos.

  18. Fernando:
    Discordo! A Direita está mais criativa que nunca. Repare até que nesse sentido, como se impõe em época de telecracia, gere muito bem a sua mediatização.

    Eu confesso que estou verdadeiramente em pulgas (já programei o vídeogravador e tudo!) a aguardar o próximo episódio do PP Brother. Quem será o próximo a abandonar a casa do CDS (não confundir com Casa da Sogra, se bem que às vezes…)? Será PPortas ou MJNoPinto? E será que MJNoPinto vai consumar o seu amor por Ribeiro & Castro, ou irá optar apenas por um dos dois? Conseguirão TCorreia, PdeLima e NGuedes manter-se fiéis ao seu juramento de “um por todos e todos pelo PP” (PPortas, naturalmente)? Bom, na dúvida eu vendo, mas quanto a mim quem não quer ser lobo não lhe veste o Xavier.

    O país está estarrecido e atónito, ainda o reality show vai no adro; porém, como se sabe, “must go on”. Ainda por cima, fala-se que as transmissões vão passar a ser todas Directas!!!

    Ah! Ele há mais um bocadinho de Direita, é verdade, mas parece que anda entretida a brincar às escondidas internamente. Ou será o toca-e-foge? Em todo o caso, esta é profícua em verdades insurfistáveis (ou inbodybordáveis, se preferir), que são um pouco como as protecções das costas da Caparica e de Esmoriz. Sempre que há uma maré viva lá vem aquela porra toda abaixo. Não há malfadado nadador-salvador que se aguente em paragens tão instáveis.

    Susana:
    Não será o penso da responsabilidade que os curva? Um penso-rápido, claro está, que o tempo para curativos mais duradouros escasseia… Por outro lado, e podendo muito remotamente tratar-se daquela direitazita que tem a cabeça rapada por dentro, pode ser um “penso, logo desisto”; ou ainda um “penso? Logo”.

    Valupi:
    Agradeço a amável margem de condescendência que me devota. Quanto a mim, entendemos reciprocamente o nosso desentendimento. Para além da compreensão. Mas posso estar enganado. O que é compreensível.

    Até já.

  19. com a minha extraordinária memória, digna de um verdadeiro google, lembrei-me que o “meu” comentário riapa já fora usado a 26/04/06, dirigido ao fernando e ao zé mário, respectivamente por salomão ruah e alexander search. não foi mesmo um exclusivo. estou destroçada.

  20. Susana
    Merecias um original.
    Com sorte pode ser que, daqui a 2 meses (ou 2 anos, quiçá?), os BB consigam juntar umas quantas letrinhas e com elas formar palavrinhas e, proeza das proezas, uma frase original!
    O mais provável é os BB andarem a transcrever comentários de blog para blog. É o que dá, a falta de imaginação!…

    Sininho

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