O cabeça de lista da AD às Europeias explica em detalhe o significado da sua colocação naquele lugar. pic.twitter.com/d8kx3l1GDD
— Porfírio Silva (@especulativa) April 23, 2024
O padrinho
Quem melhor do que um (ex-)comentador televisivo do PSD, actual Presidente da República mas cuja pele de comentador nunca largou, para sugerir a Montenegro, o primeiro-ministro que só com as manigâncias de Marcelo aqui chegou, um jovem comentador televisivo, activo defensor do PSD na estação oficial deste partido, para encabeçar a lista de candidatos ao Parlamento Europeu? Ninguém melhor.
Qualquer pessoa constata que Luís Montenegro fala muito pouco e que, surpresa, surpresa, há poucos “segredos” a saírem para a comunicação social. Não me admira. Possivelmente, Montenegro não sabe o que anda a fazer. Quando fala a sério, diz asneiras, como a chico-espertice de fazer passar por medida sua a baixa do IRS já em vigor desde Janeiro, ou revela ignorância sobre as matérias de que fala, como foi o caso, entre outros, da garantia de diminuição do IRS para pessoas que dele já estavam isentas. Por isso, como não sabe nada de nada, o Marcelo que o lá pôs dá-lhe as orientações. Agora, o Bugalho? Um pagamento tão flagrante?
Perguntas simples
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Family and media pressure to lose weight in adolescence linked to how people value themselves almost two decades later
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Physical activity reduces stress-related brain activity to lower cardiovascular disease risk
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Millions of gamers advance biomedical research
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Health behaviors accumulate and remain relatively stable throughout middle adulthood
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Biodiversity is key to the mental health benefits of nature
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Impact of Meditation Versus Exercise on Psychological Characteristics, Paranormal Experiences, and Beliefs: Randomized Trial
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How claims of Anti-Christian Bias can serve as Racial Dog Whistles
Dominguice
Toda a gente, e a gente toda, aplica critérios morais dúplices, tríplices, decúplices. Cúmplices. Quão maior for a recompensa, a ameaça, maior a plasticidade moral. Nem poderia ser de outra forma, sobrevivência oblige. Mas também o amor. Que é o amor senão o viés supremo? Permanecemos indiferentes ou adaptados a essa antropológica hipocrisia porque ela é funcional: permite a entrada nos grupos, e até chegar à sua liderança. Ora, não é possível escapar aos grupos. O anacoreta continua a viver em sociedade, imaginária e ecossistémica.
A justiça, a filosofia e a ciência nasceram dessa mesma gente. Nasceram por causa dos grupos. Mas depois cresceram. Foram para longe. Para onde se pode aprender. Quando não, não há ciência, nem filosofia, nem justiça.
Lapidar
Esperar sentados que Marcelo demita a Procuradora-Geral
Penso que são, para efeitos práticos, uma perda de tempo os apelos e os pedidos para que o Presidente demita Lucília Gago. Esses apelos e pedidos apenas valem como demonstração da indignação de uma parte substancial dos cidadãos adultos e informados. Só por isso não devem ficar por dizer. Mas o facto é que Marcelo ficou totalmente “confortável”, como agora se diz, com a abertura do processo Influencer e a menção de António Costa, que acabou por levar à queda do Governo, a eleições e a um novo Governo, desta vez do PSD, o partido de Marcelo (Cavaco, Maria João Avillez, Manuela Ferreira Leite, Relvas e companhia). Iria demitir a Procuradora porquê, quando tudo indica que a cumplicidade entre os dois neste golpe bem sucedido foi total?
Lucília Gago, por sua vez, poderia tomar a iniciativa de se demitir, depois do enxovalho a que tem sido sujeito ultimamente o Ministério Público que dirige. Mas também não irá fazê-lo. Prefere, como a própria disse, “prosseguir as investigações”, insistindo na ideia de marosca, num misto de orgulho bacoco e guerra institucional, uma tentativa de defender o indefensável, que é a honra perdida da sua instituição, mal dirigida e a causar graves danos à democracia. Nada disto importa para a senhora Procuradora.
De maneiras que o Ministério Público, para já, pode fazer o que quer e lhe apetece sem prestar contas a ninguém. Pode continuar a arruinar as vidas dos políticos e alguns excelentes investimentos com suspeições e acusações sem qualquer fundamento, porque os senhores procuradores são absolutamente intocáveis e livres de gastarem o dinheiro dos contribuintes em todas as fantasias que entenderem. O Presidente, entretanto, apoia. Apoia ou corre o risco de ser constituído arguido no processo das gémeas.
Mas alegremo-nos porque tudo pode ficar ainda pior: se, como se suspeita, existem simpatias pelo Chega dentro da instituição e o objectivo de criar a percepção de corrupção dos políticos que têm governado o país for o que move as perseguições insanas, o conluio com os media e o que dita o método especulativo de acusação a que assistimos, e se isso convier ao Presidente e a alguns partidos que espreitam, então há um forte risco de se instalar por cá uma ditadura apoiada por uma parte importante da Justiça, pelas polícias, pelos militares e pelos frequentadores de tabernas por esse país fora.
Como evitá-lo? Parece difícil. O Presidente devia ter-se já demitido por causa da cunha de 4 milhões de euros. Contactou o hospital, mandou para o Governo o pedido do filho, a cunha está clara demais. Com a cumplicidade da Procuradora espera passar entre os pingos da chuva. Mas a sua demissão seria um primeiro passo no sentido da decência. Depois dele, a Procuradora. E aqui estou eu também a dizer inutilidades.
A honra de Galamba é uma hipótese a ter em conta, diz a Relação aos procuradores verdugos
Galamba pode ser só um político preocupado com o interesse do país, diz Relação https://t.co/DkpvT3hpPV não conheço um caso de escutas tão prolongadas . @Joaogalamba foi devassado. Devassado. Não foi ouvido em sede própria. Foi devassado anos a fio. E fez política .
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) April 18, 2024
“Oh, era só uma!”: integração dos imigrantes e outro assunto
Ontem aconteceu-me estar num parque infantil, na Quinta das Conchas, em Lisboa, onde me deparei com uma família, de aparência muçulmana, com duas crianças pequenas, cujo elemento feminino adulto se apresentava completamente tapado da cabeça aos pés, apenas deixando à vista os olhos. Uma espécie de burka cobria aquele vulto de mulher. Fazia um calor abafado e, como já adivinharam, as duas miúdas, ao contrário da mãe, envergavam vestidos frescos: pernas, braços e cabelos à solta. O homem igualmente à fresca.
Não gostei do que vi. Não estando nós em época de carnaval, aquela mulher anda a ser escondida de quem e porquê? Se a razão é ser adulta, porque não anda igualmente o homem com o corpo escondido?
-“Incomodam-te? Que tens tu a ver com o que cada um veste? As freiras católicas também não usam um hábito? O Ventura não diz que é o quarto pastorinho de Fátima? E não anda à solta?”
Estou a ouvir. O Ventura é chanfrado e vende banha da cobra (agora no Parlamento) e as freiras, para começar, não se reproduzem. Por alguma maluqueira qualquer, resolveram sublimar as suas características e os seus instintos sexuais (e nem quero saber se é mesmo assim. Portanto, adiante, porque nos seus colégios a maioria dos professores e professoras até são da sociedade civil, muitos deles até sem religião). Mas estas são perguntas que constituem um “peditório” para o qual já dei há muito tempo, pelo menos desde a polémica do “burkini”. Há uma razão, para mim inaceitável no mundo livre e igualitário em que felizmente vivemos, para o porte deste traje: nas sociedades de onde vêm, as mulheres não são consideradas seres pensantes, com personalidade própria, mas reduzem-se a objectos sexuais e máquinas reprodutoras, além de serem propriedade dos machos – pais, irmãos, maridos. Só estes as podem ver como são, sem máscaras e sem terem de sufocar de calor para saírem com os filhos. Permitir que tais valores arcaicos e aviltantes sejam não só exibidos neste lado do mundo como, mais grave ainda, sejam transmitidos aos filhos é aceitar uma barreira de tamanho monumental à integração daquelas crianças na sociedade portuguesa.
Assim, tenho outras perguntas algo diferentes para fazer:
- Esta indumentária é legal em Portugal? Em muitos países é proibida.
- A senhora passou assim no controlo aeroportuário? Não teve que mostrar a cara?
- O SEF ou o seu equivalente actual deu a este casal alguma informação sobre o país para onde se mudaram e os direitos das mulheres?
- Que educação e que conflitos vão ter aquelas crianças quando frequentarem uma escola “ocidental” e já tiverem atingido a puberdade, altura em que as mulheres muçulmanas de meios fundamentalistas passam a não poder mostrar o corpo em público, não vá algum macho animalesco menos controlado perder-se por ver braços, pernas e cabelos de uma fêmea?
- Vamos permitir guetos onde as crianças, não tarda muito, e para evitar choques, passam a frequentar escolas corânicas por vontade dos pais? E isso leva-nos aonde? Não estamos fartos de ver filmes, a bem dizer reportagens, sobre essa problemática em países europeus, como a França ou o Reino Unido, e os malefícios desse fechar de olhos? Não se pergunta a essas pessoas o que querem fazer (e se querem) quanto à integração dos filhos na nova sociedade?
“Olha agora! Ela pode gostar de andar assim!” Ah, pois claro, ela quer mesmo andar assim. Só as pobres das iranianas é que andam a morrer por coisa nenhuma. Que idiotas.
Outro assunto
Ouvi o Ventura hoje a dizer que foi por pressões insuportáveis que a Justiça veio agora ilibar todos os suspeitos, arguidos, etc., do caso Influencer, incluindo António Costa. Para ele, sem qualquer dúvida, são todos corruptos.
Este indivíduo não anda a ultrapassar as marcas? Não merecia, pelo menos, que lhe instaurassem um processo a sério? Ou terá ele as costas quentes no próprio Ministério Público e por isso insulta, insinua, acusa e condena como se fosse um direito seu? Divino, quem sabe.
Não adianta chamar ao Ventura um cancro, mas é o que ele é. Dali não vem nada de bom. Nem bom, nem bondoso, nem solidário, nem conciliador, nem razoável, nem racional, nem nada. Só posições nojentas, oportunismo e ódio.
Influencer-mor
É preciso uma pessoa ter muita lata. pic.twitter.com/ogl7qQcWfV
— Luís Paixão Martins (@lpmpessoal) April 17, 2024
À justiça o que é da injustiça
Comem-se vivos
«“A Troika a partir de certa altura percebeu que havia um problema com o CDS. E passou a exigir cartas assinados por Paulo Portas. Eu julgo que ele [Portas] não sabe isto: para impedir uma humilhação do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, eu obriguei o ministro das Finanças [Vítor Gaspar] a assinar comigo e com ele a carta para as instituições. Assinámos os três. A Troika exigia uma carta só dele. Porque não confiava nele”, garante.»
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Everyday social interactions predict language development in infants
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New study highlights the benefit of touch on mental and physical health
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A friendly pat on the back can improve performance in basketball
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People make more patient decisions when shown the benefits first
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New Study Explores the Positives of Raising the Minimum Wage
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What do bird dreams sound like?
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Americans are bad at recognizing conspiracy theories when they believe they’re true
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Continuar a lerRevolution through evolution
Dominguice
Para além da divisão esquerda-direita em política — a qual, na essência, diz respeito à problemática da desigualdade —, há uma outra divisão que pode, e deve, guiar a nossa atenção e voto: desconfiança-confiança. Ora, quem está no Governo pede confiança, acha que a merece. E quem está na oposição desconfia, acha que é esse o seu dever, sob pena de “não estar a fazer oposição”. Se uma dada força política na oposição tiver a seu favor a comunicação social e partes da Justiça, inevitavelmente irá explorar ao máximo o sentimento de desconfiança até ele se tornar tóxico e golpista. Ou se um dado político seguir a estratégia do populismo de direita, tal implica seguir sistemática e maniacamente tácticas que aumentem na opinião pública a percepção de desconfiança até ao ponto em que tal ponha em causa as instituições da República e o regime.
Os que alimentam a desconfiança são pulhas, é simples e fatal. Quem, estando na oposição, tiver a práxis de espalhar confiança garante que defenderá o bem comum e a cidade se chegar ao Governo — seja de esquerda ou direita.
Existe uma direita decente, tem é andado na clandestinidade
A circunstância do processo crime que corre termos contra António Costa ter saído do STJ sem um único movimento ou atuação processual que seja conhecida, em mais de 4 meses, num processo com esta compreensível atenção mediática (até porque ocasionou o pedido de demissão do PM e a…
— André Coelho Lima (@coelho_lima1) April 11, 2024
Nas muralhas da cidade
O paralelo com a posição histórica dos supremacistas brancos. pic.twitter.com/b8mxrsF3Pc
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) April 10, 2024
Quão infantil é ir pescar algumas medidas nos programas das oposições e chamar a isso diálogo?
Não se espera nenhum golpe de génio de Montenegro e seus ministros para conseguirem governar apenas com menos de um terço dos votos dos eleitores. Mas este expediente de pesca à linha nos programas dos outros sem qualquer conversa ou negociação dá alguma vontade de rir e acaba por surpreender, não pela genialidade, mas pela chamada “esperteza saloia”. Haverá mais como esta, não tenho dúvidas.
Montenegro não fala em público desde a tomada de posse, não quer falar. Quer “passar de fininho” com a sua minoria e pôr os seus propagandistas a passarem a mensagem de que o trabalho é mais importante do que a conversa. Que agora é o sossego, o ambiente limpo, como já ouvi alguns dizer. Outra interpretação dirá que Montenegro não está à vontade nem tem capacidade para responder às perguntas dos jornalistas, que serão mais do que muitas, legítimas e necessárias.
Mais tarde ou mais cedo, terá que haver declarações públicas, discussões públicas. Na apresentação do programa de governo hoje na Assembleia iremos ver se a forma bizarra de “diálogo” encontrada sobrevive. Esta ou qualquer outra.
Como será o pós-nunismo?
Parece uma pergunta absolutamente temporã, dado que o homem mal aqueceu o lugar como secretário-geral do partido e ainda não se cumpriu como primeiro-ministro. Mas a Internet (inventada pelo Al Gore, nunca esquecer) é o ecossistema ideal para este tipo de questionamento que é um hino à irrelevância.
Fernando Medina será um candidato certo, Duarte Cordeiro idem, José Luís Carneiro foi uma excelente surpresa na campanha eleitoral interna, e também Pedro Delgado Alves daria um promissor candidato, eis os nomes que me ocorrem sem gastar uma caloria na análise da paisagem dos recursos humanos disponíveis. Lamentavelmente, não posso pôr nesta lista o Paulo Pedroso.
Ora, esse grupo acima elencado é mais do mesmo, o clube da rapaziada. Para o meu palato, gostava de ver o PS numa qualquer solução hierárquica onde Mariana Vieira da Silva, Alexandra Leitão e Isabel Moreira fossem o núcleo directivo das propostas eleitorais e de um eventual Governo. Marta Temido poderia juntar-se ao trio pelas mesmíssimas razões.
Por serem mulheres? Sim, claro, mas não só nem principalmente. É que também são personalidades políticas brilhantes (exibem alta competência profissional), transmitem confiança ética (possuem, até ao presente, inquestionável integridade) e mostram valentia na defesa do ideal democrático (inspiram os cidadãos a imitarem o seu exemplo).
Há uma outra razão: é que tal situação seria perfeitamente normal. Anormal é continuar sem acontecer.