Todos os artigos de Valupi

Dominguice

Trump raptou um chefe de Estado, na Venezuela, e participou no assassinato de outro, no Irão. São novidades históricas para os EUA. Lei internacional? Balelas para este amigo e seus amigalhaços Netanyahu e Putin. Ou para qualquer outro tirano que em várias partes do planeta ande a cometer crimes de guerra. Se a criminalidade dos invasores da Ucrânia, da destruição da Faixa de Gaza e do ataque ao Irão permanecer sem punição, nalguns casos envolvendo também crimes contra a Humanidade, o ideal a que chamamos civilização vai ficar sob ameaça.

Qual é a alternativa à civilização? É aquilo que a história regista. Se pudéssemos viajar até ao passado, de imediato iríamos querer fugir para o futuro.

A sociedade em rede

«A diabolização do outro − que deve muito aos debates esquerda-direita em modo futebolês, aos média de trincheira, à adoção da retórica da extrema-direita até por partidos tradicionais e, sobretudo, às redes sociais que descobriram o filão do ódio ao adversário − teve este efeito.»

Pedro Marques Lopes

Como sou fã do Pedro, tenho um requintado prazer em discordar dele. Nesta oportunidade, a tese de que em Portugal “a diabolização do outro” vem principalmente das “redes sociais” é de uma ingenuidade não só simplista como errónea. Sim, há diabolização do outro nas redes sociais, mas só porque ela existe em qualquer grupo social. Desde sempre, provavelmente para sempre. Por diabolização deve-se entender, no seu rigor antropológico e sociológico, a desumanização de indivíduos e/ou grupos.

Para que serve a desumanização? Para o mesmo efeito que pode ter o álcool ou outra droga com efeitos semelhantes: inibe a actividade do córtex pré-frontal, desligando a empatia e a avaliação moral. Tal é necessário para exercer a violência, a qual pode ser extrema e horrenda consoante o contexto. E para que serve a violência? Para defender ou conquistar recursos, materiais e/ou simbólicos. Assim, na política o mais comum é a desumanização do adversário quando só com o assassinato de carácter não se conseguiu a vitória.

A história da desumanização na política portuguesa, no pós-25 de Abril (também há desumanização à esquerda, é universal), teve um momento de mudança de fase a partir de 2007 por confluência de abalos tectónicos e ameaças existenciais no tecido oligárquico causados pela crise económica internacional, a implosão do BCP, BPN e BPP, a ameaça de o BES também cair, e pela presença de um Sócrates que parecia imbatível e implacável. Essa conjuntura teve partes folclóricas, como o ensaio marreta de agitar alguns militares fora de prazo à volta de Cavaco para uma tomada do poder executivo, mas teve também partes gravemente subversivas que deram origem ao Face Oculta e à Operação Marquês, verdadeiras operações de judicialização da política que nunca antes (que se saiba) tinham sido tentadas cá no burgo. A principal figura charneira deste período foi o então ocupante de Belém. Ele no mínimo foi conivente, no máximo poderá ter sido o mandante. A Inventona de Belém dá peso à segunda hipótese.

Em 2009, na campanha de Ferreira Leite em que o Pacheco Pereira aparecia esbaforido nas vestes de Torquemada dos diabólicos socráticos, e na campanha de Passos em 2011, a desumanização correu solta. Figuras gradas do PSD na altura compararam Sócrates a Saddam, ao Drácula e a Hitler. Toda a estratégia do PSD e de Cavaco passava por tratar o PS como uma organização criminosa. Dessa forma, conseguiram montar um aparelho que juntou procuradores, agentes da Judiciária, juízes e jornalistas, gastando os recursos do Estado, para meter nos tribunais os seus adversários. Conseguiram com pleno sucesso.

Mas a desumanização política em Portugal, embalada pelos triunfos recentes da direita, viria a conhecer um salto quântico em 2017. Este foi o ano em que um partido fundador da democracia portuguesa quis ter sob a sua chancela um discurso racista e xenófobo. Passos, mesmo que não tivesse estado na origem dessa travessia do Rubicão, podia ter cortado a cabeça à serpente com a sua autoridade, a sua palavra. Não o quis fazer, pelo contrário, foi para o palco com ela. E essa dupla de calhordas não tem parado de chocar ovos desde aí. Com um sucesso histórico fulminante, assombroso.

Redes sociais? Não, mano. Exemplos de quem manda, e de quem quer mandar, que normalizam a abjecção.

Mais um pulha, quem diria

O Fórum TSF desta passada quinta-feira intitula-se “O julgamento de Sócrates e a imagem da Justiça“. Ignorando o contexto editorial da casa, e recorrendo ao mero bom senso, vou assumir que é o Manuel Acácio quem decide quais as questões das diferentes emissões, como são colocadas à audiência e quem a estação convida para as comentar. A ser assim, qual a única conclusão possível a respeito do tão longamente consagrado e estimadíssimo Manuel Acácio? Que é mais um pulha.

Toda a emissão, do princípio ao fim, foi concebida como um enésimo acto do linchamento público de Sócrates e de pressão sobre os juízes que venham a decidir na Operação Marquês. Para o famoso jornalista, o que se passa com os sucessivos advogados que aparecem como representantes de Sócrates por diferentes causas só tem uma explicação, são “manobras dilatórias”. Daí, o tema que escolheu e a pergunta que mais vezes repetiu com entusiasmo e sofreguidão: “Caso a lei que o PSD quer aprovar para mostrar ao povo que Sócrates já devia estar condenado e atrás das grades seja aprovada, dá para a aplicar no julgamento em curso?”. Foi ficando desanimado com as respostas, mas tem o mérito de ter tentado dar a boa nova aos portugueses de bem.

O programa repetiu a tipologia da exposição popular dos espontâneos que participaram. Os mais trôpegos e taralhoucos ligaram para chamar ladrão ao Sócrates e apoiar a mudança da Constituição de modo a que se consiga meter o homem num calabouço quanto antes. Os que apontaram aos erros, abusos e politização desde o início da Operação Marquês tiveram de elaborar um discurso fundamentado, racional, factual e apelando a que se faça justiça, não a que se retirem direitos às defesas. É e será sempre assim – o Estado de direito democrático é atacado por broncos e seus manipuladores e defendido por cidadãos corajosos, livres.

No final, depois de ter lamentado que o Chega não tivesse participado no programa apesar de ter sido convidado, colocou no ar Fernando Negrão. O senhor transmitiu aos ouvintes, em registo xexé mas com palavras à prova de estúpidos, que Sócrates era culpado e andava a querer fugir à condenação. Manuel Acácio disse ter sido um “importante contributo” e agradeceu-lhe.

Código deontológico dos jornalistas? Este jornaleiro Acácio não perde tempo com princípios éticos e constitucionais dilatórios.

__

Eis como a TSF promove a coisa: “Sistema pôs-se a jeito.” A “criatividade” de José Sócrates “prejudica imagem da justiça” porque “a lei o permite”

Revolution through evolution

Why you should tell a friend about that embarrassing thing that happened
.
Large study finds no link between mRNA COVID vaccine in pregnancy and autism
.
Scientists discovered a secret deal between a plant and beetles
.
Study: Not All AI is Built to Diagnose
.
Scientists finally reveal why mint feels cold
.
THOR AI solves a 100-year-old physics problem in seconds
.
Scientists built the hardest AI test ever and the results are surprising

Dominguice

O Ministério Público está desde Fevereiro a usar um esgoto a céu aberto para pressionar agentes judiciários e políticos com influência no desfecho do julgamento de Sócrates. Os caluniadores profissionais de serviço ampliam e extremam os boatos lançados, repetindo a enésima campanha negra desde 2004 contra o mesmo alvo. Sempre que isto acontece, quantos tipos de crime estão a ser cometidos? Pista: não é só um, nem só dois, nem só três. Ninguém fala nisso na imprensa, a cumplicidade é geral. Ninguém fala disso a nível partidário, a cumplicidade é geral. Ninguém fala disso no convívio social, a cumplicidade é geral.

Qualquer que tenha sido o crime cometido por Sócrates, se algum, inclusive eventuais crimes de corrupção enquanto foi primeiro-ministro, há muito se tornaram menos graves, e depois irrisórios, do que a quantidade e sistematicidade dos crimes cometidos por agentes da Justiça que gozam da conivência da corporação e do sistema político. Mas o mais provável é não ser possível provar lógica e directamente o que até hoje permanece sem demonstração – depois da mais absoluta devassa ter sido transformada num linchamento público e num julgamento de excepção.

E estas, hein?

Meloni acusa EUA e Israel de violação do direito internacional no ataque ao Irão

Joe Rogan keeps highlighting Trump’s biggest liabilities

Trump pensava que tinha em Meloni uma marioneta para atacar a Europa, a senhora mostrou que prefere o lado de Pedro Sánchez nesta guerra contra o Irão encomendada por Israel. Notável.

Joe Rogan, como se refere no artigo, foi muito importante para a reeleição de Trump. Pois isso não o impede de ser, desde 2025, um crítico implacável dos abusos grotescos da actual Administração. Isso é tão mais admirável quanto o seu patrão na UFC é Dana White, um dos mais próximos aliados mediáticos de Trump. Acresce à coragem de Rogan o facto de se ir fazer um espetáculo de UFC na Casa Branca em Junho, algo que anda a ser preparado desde o ano passado. Incrível parrésia.

Valha-nos o Garcia Pereira

«Para o magistrado, as mensagens em causa não constituem qualquer incitamento ou ameaça contra as minorias que visam. “Afirmar-se que determinado grupo de pessoas tem de cumprir a lei corresponde a uma evidência aplicável não só a esse grupo de pessoas, como a todos os cidadãos”, lê-se no seu despacho, que nega que o Chega estivesse a sugerir que a comunidade cigana viva fora da lei: “Não se afigura possível extrair essa conclusão. Quando muito, essa conclusão resulta de sucessivas declarações públicas de André Ventura, que ao longo dos anos terá caracterizado anteriormente os ciganos como uma comunidade que ‘vive de subsídios’ e à margem da lei. Todavia, os cartazes em momento algum afirmam que ‘os ciganos não cumprem a lei’."»


Cartazes do Chega: “Despacho do MP podia ter sido escrito por militante do partido”

__

Actualização: Relação confirma ordem de retirada de cartazes de Ventura. Decisão “reduz a pó a do MP”, diz Garcia Pereira

Passos e as reformas estruturais

Se o que se passou na Câmara Municipal de Lisboa entre Moedas, o Chega e Mafalda Guerra Livermore – com Moedas a garantir que a senhora foi nomeada por ser “competente” – tivesse ocorrido com pessoas do PS haveria um bacanal ininterrupto nas televisões, jornais, rádios até rolarem cabeças.

O Chega atrai criminosos, o PSD sente-se atraído pelo Chega. Realmente, só falta o regresso de Passos Coelho para consumar esta reforma estrutural já em curso.

Revolution through evolution

ChatGPT as a therapist? New study reveals serious ethical risks
.
Millions with joint pain and osteoarthritis are missing the most powerful treatment
.
Scientists say this simple diet change could transform your gut health
.
Improving Your Biological Age Gap Is Associated with Better Brain Health
.
Scientists say most of what you do each day happens on autopilot
.
Learning to Slow Down: Cold-Water Swimming Benefits Explored in New Study
.
When Populist Rhetoric is High, Entrepreneurs Are More Likely to Dodge Taxes
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Passos Coelho disse que Montenegro era irresponsável, incapaz e que andava a querer brincar com o País. Isto aconteceu, e aconteceu depois de outras declarações assassinas contra o actual líder do PSD nas últimas semanas. Que significa? Que Passos acredita no que a sua claque anda a repetir desde 21 de Novembro de 2014: com ele no comando, é possível derrotar o 25 de Abril. Basta estar disponível para ir introduzindo cada vez mais violência na sociedade portuguesa. O Chega e a IL são os parceiros ideais para isso, o primeiro com os broncos na mão, o segundo com os patrões a babar. Não faltam polícias, procuradores e juízes prontos para repetirem o que se tornou a praxe desde 2004 – crimes cometidos por quem tem acesso a poderes totalitários que ficam sistematicamente impunes. O resto está controlado, uma imprensa toda alinhada à direita, sem excepção. Passos quer levar a sua criatura para S. Bento, ela provou ser capaz de explorar com inaudita eficácia eleitoral os instintos mais sórdidos e desumanos. É a hora.

Como outros já disseram, vem aí o Diabo. No caso, um demónio que é a maior fraude da política portuguesa.

Coisas do Carvalho

O julgamento de Sócrates caminha para a eternidade, agora com a renúncia de advogados em defendê-lo

Quem é o jornalista que mais vezes cita o caluniador profissional pago pelo Público? É o Manuel Carvalho. Que não apenas o cita, mais ainda o apresenta como referência moral e farol intelectual nas matérias que envolvam Sócrates ou alguém do PS. Já diziam os gregos, os iguais atraem-se.

No episódio da chachada que assina, acima exposto, o Carvalho quis juntar-se pela enésima vez ao linchamento de Sócrates e resolveu mostrar que o problema do caluniador profissional que chegou a presidente do 10 de Junho não está nele, está em quem o foi buscar ao esgoto a céu aberto para encher o pasquim da Sonae com a sua obsessiva e venal pulhice. Assim, chamou a jornalista Mariana Oliveira, da casa e apresentada como especialista na Operação Marquês, para dizer coisas. A senhora cumpriu o que dela se esperava, informando os ouvintes de ser já indiscutível que Sócrates é tudo aquilo que os caluniadores acharem que é, opinou sem hesitar. Os anos passados a estudar o Processo Marquês, e a falar com procuradores e juízes, cimentaram nela a convicção de que a imprensa tem a missão de ajudar o povo a querer muito que Sócrates seja arrastado para um calabouço sem se poder defender.

O Carvalho entusiasmou-se com a sintonia da colega e lançou esperançoso a pergunta sobre a possibilidade de se oficializar ser este um julgamento de excepção. Hitler, Estaline e Mussolini criaram tribunais de excepção, são exemplos inspiradores que certamente conhece e que lhe poderão ter vindo à lembrança.

Quando Passos e o Ventura tomarem conta disto, o Carvalho irá a correr candidatar-se a juiz no tribunal dos “Portugueses de Bem”, onde os corruptos do PS já sabem o que os espera: condenações excepcionais.