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Cravinho velhinho quer extinguir o povinho

Não desistindo de alertar o país para os riscos e os efeitos de erosão da democracia que advêm dos comportamentos e práticas corruptas ao nível do Estado, Cravinho considera que “hoje a corrupção é um grande problema nacional” e é até “um problema endémico”. Não perdendo a esperança de que um dia o país político olhe para o problema, salienta as recentes tomadas de posição da JSD e da JP sobre o assunto: “Congratulo a JSD, em especial a sua líder, Margarida Balseiro Lopes, e também a JP por terem assumido que a corrupção é um grave problema do país. São um exemplo da reflexão que o Parlamento devia fazer.”

Cravinho frisa que a corrupção tem aumentado, fruto da passividade dos responsáveis políticos que têm rejeitado a construção de um sistema coerente e eficaz de prevenção e combate. Ao longo de duas décadas, o problema têm-se adensado, até porque as poucas medidas tomadas surgem como desconexas. É por isso que o homem que tem carregado a bandeira desta causa garante: “Isto já não vai lá com panos quentes. É preciso extinguir o que só serve para enganar o povinho.”


Fonte

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Quem ler ou ouvir o que João Cravinho e Ana Gomes têm dito sobre a corrupção em Portugal fica com estas ideias:

– Que são ambos socialistas.
– Que são ambos parte da elite do PS.
– Que ambos têm uma longa e ininterrupta carreira política onde sempre agiram e se expressaram em liberdade.
– Que ambos fizeram do combate à corrupção a sua imagem de marca.
– Que ambos comungam do mesmo diagnóstico e terapia para a corrupção em Portugal.
– Que ambos consideram que parte do PS, quiçá a parte maior, é corrupta.
– Que ambos consideram que parte da Assembleia da República, com maioria absolutíssima até agora, é corrupta.
– Que ambos consideram que todos os Presidentes da República, todos os magistrados, todos os polícias, são cúmplices da maioria absolutíssima que na Assembleia da República não só não acaba com a corrupção como consegue aumentá-la exponencialmente.
– Que ambos se consideram com inabalável e monopolista razão calhando terem de emitir qualquer juízo acerca da problemática da corrupção em Portugal (e, muito provavelmente, em qualquer parte do Mundo).

Posto isto, ver Cravinho a aplaudir a perseguição aos políticos através da fragilização ou esboroamento do Estado de direito, ver Cravinho a nada provar das suspeições difamantes e caluniosas que lança incontinente, e ver Cravinho a já só conseguir reproduzir a cassete do seu pseudo-martírio, tal fica como um espectáculo da sua corrupção moral e cívica – portanto, política. A sórdida, e mentirosa, imagem de estarmos rodeados de criminosos por todos os lados. Só porque não lhe satisfizeram a vontade, esse povo maldito que se faz representar democraticamente desde o 25 de Abril.

Perez Metelo quer dizer-te isto

Queridos Amigos:

Começou ontem e prolonga-se até dia 10 de setembro a Recolha de Fundos 2018 em favor da Helpo, nas suas 421 Lojas.

Peço-vos que vão às compras à Loja Pingo Doce (LPD) que vos der mais jeito (um vez durante este período, que seja!…) e, ao pagar, comprem um vale de 1€ (lanche), 3€ (mochila) ou 5€ (manual escolar), em favor dos 21.000 meninos e meninas makuwas muito pobres, de aldeias no norte de Moçambique, que a Helpo ajuda a estender a sua escolarização tão longe quanto possível. Sem aprenderem a ler, escrever e contar bem em Português, nunca sairão da armadilha da pobreza extrema, que lhes calhou em Sorte, quando nasceram.

Passem a palavra a familiares e amigos!

Recolham um euro aqui, outro ali, entre quem quer dar o seu contributo mas não tenciona ir de propósito a uma LPD para o concretizar. Vão vocês e compram os vales por eles.

Cada euro é precioso para os nossos afilhados: cadernos, lápis, borrachas, afias, lanches, uma sala de aulas em alvenaria para poderem estar abrigados durante todo o ano letivo, uniformes, manuais e inscrições no secundário - nada disto cai do céu! Mas tudo isto são sementes de futuro que, convosco, vão dar frutos em número crescente!

Visitem o nosso site www.helpo.pt ou a nossa página HELPO ONGD, no Facebook e, se o vosso coração der um salto, façam-se padrinhos na Helpo.

Muito obrigado!

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Happy older people live longer
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Close ties with fathers help daughters overcome loneliness
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Sensitivity to how others evaluate you emerges by 24 months
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How does helping people affect your brain? Study shows neurobiological effects of giving social support
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Writing a ‘thank you’ note is more powerful than we realize, study shows
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Have the ill effects of sugar been over-emphasized?
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Goats prefer happy people
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Será esta a quarta trombeta do Apocalipse?

João Miguel Tavares já teve tempo para despachar 4 textos desde que apareceu ao lado de Sócrates no Público, e em nenhum deles tratou do gravíssimo problema de termos ficado a saber que a Sonae está envolvida nos esquemas corruptos do maior corrupto da História de Portugal e arredores. Que se passa?

Em Abril de 2017, do teclado deste “jornalista” saíram três peças consecutivas onde juntou (entre muitos outros) Daniel Proença de Carvalho, Paulo Baldaia, Anselmo Crespo, Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva e Miguel Sousa Tavares num grupo de personalidades cujas decisões profissionais e opiniões mediatizadas revelavam cumplicidade com Sócrates e a arreigada intenção de impedir o Ministério Público de combater a corrupção. Em Abril de 2018, o alvo continuou a ser a Global Media e o DN, usando agora Ferreira Fernandes num exercício ad hominem para o reduzir a um farrapo nas mãos de Sócrates e Proença de Carvalho. A tese foi a de que o FF tem como missão editorial boicotar a santa Joana e a sua implacável máquina inquisitorial que nos vai salvar dos socialistas corruptos (mas só se ficar no cargo vitaliciamente, ficam já avisados).

Há que aplaudir a descontracção de se exibir tanta estupidez caluniosa em público, mas é mesmo o Público que tem de ser questionado por dar palco e holofotes a um pulha deste calibre – pois o tecido accionista e directivo do jornal está a endossar a sua prática ao continuar a pagar-lhe para andar a denegrir compulsivamente a honra alheia. Na outra face desta má moeda, temos um infeliz que se declara liberal para depois papar escutas e devassas da privacidade ao pequeno-almoço na CMTV e chegar ao lanche a arrotar condenações transitadas em julgado graças ao seu pidesco bestunto. É o exemplo acabado do “liberal traveca”, usando os princípios jurídicos, filosóficos e políticos que estruturam o Estado de direito democrático como um vestido coçado demasiado curto para encobrir um corpo abrutalhado pelo deboche de indecência e ódio onde ganha o pão.

Se continua a acreditar que Sócrates é culpado dos crimes que lhe apetecer atribuir-lhe sem precisar desses tribunais de merda que só atrapalham os justiceiros, por que razão JMT ainda não bateu com a porta ou, no mínimo, denunciou a Direcção e os accionistas do Público por terem acolhido nas suas páginas tamanho monstro, assim exibindo a disponibilidade da família Azevedo e do Manuel Carvalho para defendê-lo e para alimentar os seus planos criminosos? Ou seja, será que o caluniador profissional está a vacilar ou será que também foi comprado pelo Anticristo?

Exactissimamente

Sarjeta

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NOTA

Louçã parece ter acordado, em 2018, de um coma de quase três lustros. Que se terá passado? Terá o seu súbito ímpeto punitivo contra a indústria da calúnia algo a ver com as imagens abaixo?

São apenas dois exemplos para ilustrar uma hipótese cínica e que não ultrapassa o âmbito da psicologia de café. Na verdade, pouco me importa descobrir o que está a motivar as suas denúncias. Importa é que a sua influência mediática seja posta ao serviço da salubridade do espaço público, da sociedade e do regime.

Coisa que ele não fez (mas se fez, corrijam-me) logo em 2004, quando Santana Lopes, à mistura com elementos do CDS e da Judiciária (pelo menos), criou o “caso Freeport”. In illo tempore, podia ter verbalizado com perfeita adequação o que agora escreveu: «um exemplo de como a direita, que sabe que perde as próximas eleições, vai fazer política. Feia, porca e má. E mentira, antes de mais.» Também Santana sabia que ia perder as eleições, por isso não só lançou o Freeport como protagonizou pessoalmente uma campanha para colar a Sócrates o boato de ser homossexual. Era a política à americana, onde as campanhas negras são de praxe, mas algo ao arrepio da tradição e cultura europeias. Mas era também o reconhecimento pela direita decadente da sua inferioridade intelectual e cívica, nada mais tendo a que se agarrar do que a chicana, a pulhice e as golpadas mediáticas e judiciais. De 2004 para cá este tipo de indecência e violência não diminuiu, foi precisamente ao contrário – chegando ao ponto de termos visto a Presidência da República a dirigir e produzir a estratégia da calúnia. Que ouvimos de Louçã a respeito nestes 14 anos? Algo, aqui e ali, mas nada que mereça agradecimento em nome da cidade dado não ter recebido da sua parte a coragem que a defesa do Estado de direito democrático merece.

A actual fórmula governativa é também inovadora nessa disrupção com um sistema partidário e um ecossistema mediático – que se confunde com a história da democracia em Portugal depois do 25 de Novembro – onde a direita e a esquerda eram tácitas aliadas contra o PS. Tal levava a que a esquerda gozasse o prato enquanto via a direita a despejar mentiras e ódio sobre os socialistas, enquanto a direita gozava o prato ao ver a esquerda a despejar delírios e fanatismo sobre o inimigo comum. Em Março de 2011, essa coligação negativa afundou o País numa situação em que o resgate de emergência se tornou inevitável. O que se passar nas eleições de 2019 e solução governativa daí resultante revelará se o eleitorado aprendeu alguma coisa, tanto com a traição de que foi vítima no chumbo do PEC IV como com a recuperação do patriotismo, da decência e da economia a que temos assistido com um PS finalmente apoiado no Parlamento pelo PCP e BE. A postura de Louçã, ao sair a terreiro indignado com a absoluta falta de escrúpulos desta direita dos assassinatos de carácter, se calhar não teria ocorrido sem a desgraça colectiva de que ele se sabe um dos responsáveis.

Santa Joana e o sebastianismo

O DN foi palco de uma operação política tão surpreendente que até terá deixado os caluniadores profissionais que o perseguem completamente baralhados. Começou com esta peça – Marques Mendes sabe tudo? Como o político passou a guru do comentário – um típico exercício de relações públicas para promover alguém que actua no campo da política-espectáculo. Misturado no serviço publicitário onde Marques Mendes aparecia pintado como um sucesso de audiências, ficávamos a saber que vinha a caminho mais um comício a favor da santa Joana. O DN ensinava, pelo teclado de Paula Sá, que “a grande polémica da rentrée política” dizia respeito ao final do mandato de outro indivíduo também denominado Marques. Atente-se na fórmula: a questão é política, é polémica, é a questão política mais polémica dos próximos meses. Pois bem, e onde está a polémica? Ou donde virá? Sobre esses pormenores, moita-carrasco.

No mesmo dia, o DN lançou a continuação da operação – A procuradora-geral deve ser reconduzida? Marques Mendes não tem dúvidas – onde se repetiu ipsis verbis o discurso televisivo sem qualquer enquadramento, análise ou crítica do escriba. Esta câmara de eco das mensagens que o militante do PSD quis espalhar no espaço público teve a assinatura de João Pedro Henriques, o mesmo que viria no dia seguinte a concluir a operação com esta serventia – Destino da procuradora-geral nas mãos de Marcelo – um texto que é do princípio ao fim uma exposição apologética da agenda da direita para o controlo e uso da Procuradoria-Geral da República.

Não faço a mínima ideia de qual seja a origem desta campanha no DN para a renovação do mandato de Joana Marques Vidal. Sei é que não estamos no campo do jornalismo nem no da opinião, posto que as peças são apresentadas como sendo o fruto do labor profissional da Redacção na produção de “notícias”. Pelo que só resta a categoria do “editorial” para explicar o fenómeno – ou então a da “anarquia”, em que cada jornalista se sentiria com liberdade para usar a sua carteira profissional como arma das disputas partidárias e mesmo da subversão do Regime. Mais fácil de explicar será esse outro fenómeno de vermos um conselheiro de Estado armado em vedeta mediática da baixa-política a encher a boca com calúnias e ofensas.

Ao bolçar que “o PS, em matéria de independência da justiça, não tem grande curriculum”, o grande Mendes não só nada justifica como depende dessa desonestidade para se dedicar à táctica favorita da direita decadente, a diabolização. Há método nesta insídia, pois a diabolização não só aponta ao carácter do alvo como atiça a pulsão persecutória até ao grau máximo de violência que for possível atingir. Se o PS, sem sabermos quando nem como, manipulou a Justiça, então temos de impedir que repita dano tão grave. Como? Ora, fazendo com que a Justiça seja manipulada, mas desta vez pelos bons, pela gente séria. É este o sofisma da direita, logo desde que Passos e Cavaco escolheram a santa Joana para conseguir meter no chilindró o maior inimigo que a oligarquia conheceu após o 25 de Abril, o tal fulano que conseguiu despertar a ira das maiores fortunas do País. Paula Teixeira da Cruz canonizou essa homérica vingança com a expressão “fim da impunidade”. Tendo em conta os ritmos do Ministério Público, dos tribunais e o volume de novos processos que se poderão abrir só a partir das certidões já retiradas na “Operação Marquês”, vamos ter 20 ou mais anos disto. Disto: a sistemática difamação contra o PS, explorando mediática e politicamente a judicialização da política por todos os meios e em todas as ocasiões.

As declarações mais perversas da sessão foram dedicadamente recolhidas pelo seu amigo João Pedro e são um monumento ao desprezo pelo Estado de direito, ao desprezo pelas instituições da República, ao desprezo pela comunidade, ao desprezo por Portugal:

«Por isso, "atirar borda fora" a atual procuradora seria suspeito, cheiraria a esturro. "Embora seja certo que essa suspeita não se aplica a António Costa, é, ainda hoje, a suspeita que recai sobre o PS" e uma eventual substituição da atual PGR "agrava essa suspeita em vez de a afastar".

Além do mais, quem substituir a PGR irá "ficar logo com um estigma": "Foi escolhido porquê? Foi escolhido para defender quem?" Isto - concluindo - "é fatal". "Será que o poder político - Governo e Presidente - quer assumir todos estes riscos?"»

Marques Mendes, conselheiro de Estado, ex-governante, ex-líder partidário, ex-deputado, usa o seu espaço de comentário numa TV para chantagear o primeiro-ministro e o Presidente da República. Caso eles ousem substituir a procuradora-geral da República que a direita considera (e por óbvias razões) como sua comissária política, será lançada uma campanha para caluniar o seu sucessor e os responsáveis pela sua nomeação. Aquilo que Joana Marques Vidal está a fazer não pode ser feito por mais ninguém, berra a direita, e sem ela os socialistas corruptos voltarão a corromper tudo e todos. É isto e só isto que está a ser dito. Em nome de uma hipócrita e absurda defesa da integridade da Justiça, a degradante personagem reclama a posse desse cargo para o manter politicamente alinhado com interesses sectários e criminosos.

No DN garante-se que Mendes é o papagaio de Marcelo. Se é isto o “jornalismo de referência”, e se tal coisa nos ajuda a entender a realidade, acho que podemos já saltar para a mesma conclusão a que chegou D. Sebastião em 4 de Agosto de 1578: “Foda-se, se é para isto vou mas é desaparecer daqui.”

A partir de agora?! Anacleto, em que jazigo tens estado enterrado?

«[...] a direita está encantada com Steve Bannon e Trump, achando que, como só têm a propor o sofrimento ao povo, a forma de ganhar eleições é espalhar ódio.

O episódio do convite a Le Pen, em si, não vale nada, é só uma tontice de Cosgrave. Mas a fúria convidativa da direita revela algo muito importante: a partir de agora, toda a sua política será suja. Vale tudo. Vamos ter salada ideológica, campanhas de calúnias, blogues falsos, imprensa escandalosa. Bannon é o mestre.»


Francisco Louçã

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Dominant men make decisions faster
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The spotlight of attention is more like a strobe light
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Core thinking error underlies belief in creationism, conspiracy theories
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Napoleon’s defeat at Waterloo caused in part by Indonesian volcanic eruption
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Consuming milk at breakfast lowers blood glucose throughout the day
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Strawberries could help reduce harmful inflammation in the colon
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Resource Scarcity Increases Support for Death Penalty
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Apocalipse da imprensa escrita

Depois da audição de Desafios da nova Direcção: uma conversa com Manuel Carvalho e Ana Sá Lopes, 17 minutos redundantes para o que já tinha sido vertido em Os compromissos da Direcção Editorial, é razoável concluir que a novíssima Direcção não percebe patavina do que está a acontecer à imprensa escrita e jornalismo em geral.

O Carvalho diz que não quer revoluções, apenas incrementos. A Sá Lopes diz que o grande objectivo continua a ser dar notícias em 1ª mão. Ambos consideram que a edição em papel se justifica por motivos nostálgicos e que um conteúdo jornalístico é exactamente igual caso apareça num meio analógico ou digital, pois tudo se resume a ter quem escreva bem e tire boas fotos. O ouvinte deste paleio displicente, dessa cassete, sente-se transportado para um século anterior ao XX.

Numa era onde cada ser humano logo a partir da infância pode aceder com facilidade a canais tecnológicos de comunicação em rede, mesmo em países subdesenvolvidos, onde um banal telemóvel pode ser um equipamento completo de reportagem e um computador com acesso à Internet, estar a competir pela cacha não é apenas ridículo, é estupendamente estúpido. Não se consegue construir uma marca a partir dessa promessa dado ser impossível garantir os meios logísticos e as oportunidades sociais para tal. A mesma embriaguez de imbecilidade quanto às razões para manter uma edição do jornal em papel. Não é que tal não possa fazer sentido, mas jamais como veículo indistinto da edição digital quanto aos conteúdos e linguagens mediáticas e cognitivas próprias a cada meio, jamais como alienação do ecossistema digital antes em complementar e criativa relação com ele.

O jornalismo foi sempre o negócio do consumo de inteligência popularizada. Quem teve a sorte de viver os tempos em que umas folhas que sujavam os dedos eram disputadas com sofreguidão numa família, num café ou no trabalho sabe que esse ritual diário era parte imprescindível da higiene e alimento cívicos. Para além de permitir a coesão comunitária e as trocas sociais correntes, cada leitor igualmente se aventurava pelas diferentes secções num processo de descoberta de gostos, vocações, mundos dentro do mundo e dentro de si. A rádio era imediatez, a televisão era espectacularidade e a imprensa escrita era reflexão e introspecção. Este modelo de organização do universo dos órgãos de comunicação social começou a desabar logo nos anos 80 com a chegada dos canais por satélite e cabo e suas ofertas especializadas nos campos jornalístico e do entretenimento – antes da invenção da World Wide Web e suas avassaladoras e radicais alterações no fluxo da informação entre humanos. Porém, 30 ou 40 anos depois ainda não se sabe como fazer dinheiro a vender notícias e opiniões escritas num planeta com ubíqua, holística e crescentemente saturante interconectividade.

Aqui deixo uma sugestão: imitem o Correio da Manhã ou abominem o que esse pasquim faz e representa. Os mornos serão vomitados.

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Bom texto do Daniel Oliveira a propósito do mesmo tema: 12 homens em fúria

Serviço público

Em que crê uma igreja que abusa de crianças?

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ADENDA

Não consigo precisar qual a data em que primeiro dei atenção às notícias dos abusos sexuais cometidos por membros do clero ou em instituições da Igreja Católica e a ela ligadas. Aponto para os anos 80, mas poderá ter sido no começo dos 90. O que interessa é isto: o assunto está há décadas no espaço mediático e só temos visto crescer o volume das denúncias ao longo do tempo sem que do Vaticano tenham vindo soluções, sequer explicações.

Tal como a Fernanda Câncio também questiona, podemos multiplicar por 10 (por 100 ou 1000? mais?) cada caso que se conhece se quisermos calcular toscamente o tamanho do icebergue. O estigma e as pressões serão tantas que, especialmente no caso dos abusos cometidos por homens sobre rapazes jovens e crianças, é inevitável existir uma quantidade gigante de crimes e episódios que não foram nem nunca serão relatados. Sabemos que eles existem, porém, porque é logicamente estatístico esse resultado perante as amostras registadas em diferentes países.

Acontece que este fenómeno não se limita à dimensão criminal e de saúde onde primeiro temos de colocá-lo para acudir às vítimas, há também nele uma fascinante problemática moral e teológica – podemos até ir mais longe e falar numa radical contradição espiritual. O título do artigo aponta precisamente para aí, e é com esse repto que termina: como é que os crentes conciliam o edifício mitológico e moralista onde encontram a sua identidade com o conhecimento de uma realidade que, no código que utilizam para darem sentido ao seu mundo, lhes terá de aparecer como substancialmente diabólica? Se Deus deixa os sacerdotes católicos destruírem os fiéis mais inocentes utilizando os templos e os objectos ungidos para o culto, não será isso uma evidência de que a Igreja Católica se tornou num utensílio do Diabo?

Do Vaticano não temos uma leitura antropológica da sexualidade onde estes crimes pudessem começar a ser inseridos como manifestações naturais. E não temos porque o Vaticano exibe dois milénios de perversões cognitivas e morais sobre a sexualidade, o que explica a resposta totalmente ineficaz da instituição ao longo das décadas e dos séculos perante os abusos de poder e o incomensurável sofrimento que geraram em indivíduos e grupos humanos. Pelo que só há uma conclusão: se estes casos que se conhecem são escandalosos, o escândalo da irresponsabilidade das cúpulas dirigentes da Igreja Católica ainda nem sequer começou. Precisam de fazer um concílio exclusivamente dedicado aos seus pecados contra a sexualidade e, portanto, contra a natureza humana.

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How Ugly Marital Spats Might Open the Door to Disease
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Study: Patients Do Better When Physicians Follow Computerized Alerts
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Collaborate, but only intermittently, says new study
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Cycling is the urban transport mode associated with the greatest health benefits
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Common WiFi Can Detect Weapons, Bombs and Chemicals in Bags
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Lack of sleep generates social anxiety that infects those around us
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Easter Island’s society might not have collapsed
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Santana começa bem

Com a escolha do nome “Aliança” para o seu partido, Santana Lopes começa por mostrar excelente marketing. Por um lado, convoca a mitologia da Aliança Democrática; o que corresponde, concomitantemente, à pretensão de se apresentar como o mais fiel, ou único, herdeiro de Sá Carneiro. Por outro lado, invoca o simbolismo bíblico e as imagens de uma arca onde cabem os eleitorados do PSD e do CDS conduzidos pelo Moisés leonino que vai rasgar esse Mar Vermelho que os separa do Governo Prometido.

A direita que se cuide porque está em vias de ficar (ainda mais) de pantanas com este habilíssimo tribuno e sua notável falta de escrúpulos.

Temos um Presidente escolhido por Deus

A Marcelo Rebelo de Sousa os jornalistas pediram para explicar porque disse que a recandidatura estava nas “mãos de Deus”.

“Está na mão de Deus o realmente, na altura da decisão, me inspirar adequadamente”, respondeu.

“É muito simples. Eu, como cristão, acho que em cada momento devo estar no sítio que corresponda à missão mais adequada para cumprir nesse momento. E mais, acho que devo estar aí se não houver alguém em melhores condições. Essa é a ponderação. Deus logo dirá se é ou não. Não é um problema de vontade é de ponderação, naquela altura”, sublinhou o Presidente da República.


Fonte

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Estas serão as mais extraordinárias e chocantes declarações do actual Presidente da República desde que tomou posse. Rivalizando em assombro e confusão temos o silêncio político e mediático com que foram acolhidas.

As suas palavras não carecem de tradutor, são denotativas e unívocas. Ele coloca a sua identidade de cristão como factor fundante de intervenção cívica e política. No início, está a sua fé, o seu vínculo a uma dada concepção religiosa, só depois a sua participação na comunidade política, no Estado, na sociedade secularizada.

Como cristão, revela, tem uma relação de obediência a uma entidade a que chama “Deus”. Segundo transmite ao povo, “Deus” comunica com ele directamente. Essa comunicação toma a forma de uma “inspiração”; isto é, presumimos, de uma intuição onde Marcelo fica a conhecer de forma clarividente qual a “missão” que “Deus” lhe está a dar “a cada momento”. A vontade humana, como explica, é irrelevante perante a vontade divina a que acede de forma “muito simples”.

Corolários:

– Marcelo Rebelo de Sousa não se candidatou à Presidência da República antes de 2016 porque “Deus” não quis, ou porque “Deus” lhe terá confidenciado que nesses actos eleitorais existia quem estivesse “em melhores condições”. Por exemplo, “Deus” terá achado que Cavaco Silva estava em “melhores condições” do que Marcelo nas eleições presidenciais de 2011, tendo disso informado o Professor. Será que “Deus” tinha interesse em que Cavaco fizesse um segundo mandato precisamente porque, com a sua omnisciência, sabia bem que só um traste daquele calibre poderia contribuir para o afundanço do País e para a colocação do casal Passos-Relva no poleiro? Mistério da perdição (ou algo que Marcelo poderá esclarecer num próximo encontro com jornalistas).

– Para as eleições de 2016, “Deus” terá garantido a Marcelo ser ele quem estava “em melhores condições”, daí ter avançado. Donde, se é disto que a casa gasta, quando Marcelo veio pedir a cabeça de Constança Urbano de Sousa e deixar a ameaça de que faria institucionalmente o que lhe desse na gana em relação ao Governo e à Assembleia da República na época dos incêndios de 2018, podemos ter agora a certeza de que ele não estava a falar sozinho. “Deus” inspirou Marcelo para essa intervenção, como aliás se viu pelo seu entusiasmo e a alegria que espalhou precisamente nos segmentos populacionais que mais frequentam, ou fingem frequentar, as instalações desse tal “Deus” cheio de planos políticos, “missões”, para os terráqueos.

– Está aberta a porta para que um futuro Presidente da República nos venha dizer que não vai à bola com o “Deus” que tanto tem ajudado o Marcelo, preferindo antes a inspiração directa de Alá, ou Jeová, ou Shiva, ou Zeus, ou Rá, ou Ódin ou de um ser sobrenatural ainda por nomear de que ele se faça o primeiro crente ou interlocutor primeiro.

A conivência generalizada com estas declarações é o melhor retrato do atrofio cultural, cívico e político da Grei. Marcelo pode estilhaçar a secularidade do regime como outros podem violar impunemente o Estado de direito a partir de cargos de magistratura, funções policiais ou intervenção mediática. Da esquerda à direita, a cumplicidade com esta práxis é uma força mais poderosa do que a Lei, do que a Constituição e do que a dignidade daqueles que ocupam os lugares de decisão e influência nisto que somos.

Quo vadis, Carvalho?

Manuel Carvalho, Amílcar Correia, Ana Sá Lopes, David Pontes e Tiago Luz Pedro assinam um editorial onde apresentam a sua visão para o novo ciclo do PúblicoOs compromissos da Direcção Editorial – o qual, como é inevitável numa inauguração, está cheio de boas intenções e melhores ideais. Os baluartes do mundo onde queremos viver, “democracia” e “liberdade”, são invocados de alto a baixo, deixando-se a garantia escrita de se ir “respeitar o Estado de direito”, defender os valores “da democracia liberal”, “das liberdades individuais”, “da fiscalização e controlo dos poderes”, entre outras promessas de arrebimbomalho. Fixe, da minha parte não se espalhará sequer a sombra de metade de uma dúvida acerca da autenticidade e integridade dos que publicaram tal manifesto.

Curiosamente, hoje também podemos ler o colunista mais popular do jornal onde o Carvalho é agora director em plenas funções, João Miguel Tavares, a descrever-se como “bom liberal“, uma piada que ele repete amiúde. Acontece que a popularidade deste senhor não tem qualquer relação com as noções de liberalismo disponíveis nas bibliotecas e discorridas nas universidades e quejandos. Ao contrário, a sua fama decorre exclusivamente da exploração de crimes cometidos por agentes da Justiça e mandantes na indústria da calúnia, à mistura com pulhices onde faz ufano a apologia do desprezo pelo Estado de direito e pelas liberdades individuais, colando-se a um poder policial e judicial que não questiona por concebê-lo como arma política contra os alvos da sua predilecção. Esses alvos são políticos e sobre eles verte sistemáticos, maníacos, assassinatos de carácter e apelos a que sejam vítimas de violência.

Não gastaria o meu latim com a infeliz personagem se ela tivesse continuado a ser paga pelo esgoto a céu aberto. Quando é o DN ou o Público, ou a TSF ou a TVI, a dar-lhe aquilo com que se compram os melões em troca das suas cagadas, aí o problema passa para as respectivas direcções, administrações e accionistas desses órgãos. Gostam do serviço tóxico que ele presta no espaço mediático? Tudo bem. Mas então não nos provoquem engasganços de pasmo e fúria ao se vangloriarem como “referência da imprensa de qualidade em Portugal”. Ou o Manuel Carvalho, o Amílcar Correia, a Ana Sá Lopes, o David Pontes e o Tiago Luz Pedro, mais a família Azevedo, calhando terem familiares e amigos a quem o caluniador profissional fizesse o que faz com o Domingos Farinho ficariam impávidos e serenos a verem o Público servir para um linchamento cujo móbil é a promoção da marca do canalha?

Talvez não seja um acaso que neste editorial não se toque no tema da Justiça, nem no dos variadíssimos poderes fácticos que moldam parte decisiva dos acontecimentos políticos, sociais e económicos, apenas se apontando ao Governo e à oposição como horizonte preferencial da propalada fiscalização e controlo dos poderes. Talvez isso signifique que nem esta nova Direcção do Público tem força, ou vontade, para começar a fiscalizar e controlar os poderes que violam o Estado de direito e as liberdades individuais, que se substituem aos tribunais e que vendem a sua capacidade para serem indecentes e verdugos – começando logo aí por essa casa onde hoje nos pediram dinheiro em nome da democracia e da liberdade.