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E o povo, pá?

«Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, o partido enfrentou o momento mais difícil da sua história quando votou contra o PEC IV, durante o Governo de José Sócrates.

"O Bloco de Esquerda pagou por isso, até eleitoralmente", mas se fosse hoje voltaria a fazer o mesmo. "Teria de ser", diz.»


Fonte

Caixas de cidadãos

«É que ao publicar nos seus sites e FB, sem qualquer filtro ou mecanismo de controlo, comentários como os descritos - e piores -, os chamados "media tradicionais", os jornais, rádios e TV, estão a colaborar na normalização acelerada da falsificação, da calúnia e do ódio. De cada vez que alguém é caluniado, ou ameaçado, ou alguém destila ódio nos comentários a notícias de um jornal ou no respetivo Facebook é esse jornal que está a veicular essa calúnia, essa ameaça, esse discurso de ódio, a validá-los com o seu carimbo, a acolhê-los sob a sua marca.

Não sou jurista; admito que em tribunal se possa ter dúvidas sobre a responsabilidade criminal e civil que esse comportamento acarreta. Mas do ponto de vista ético e deontológico não vejo como ter alguma. Até porque a existência de comentários nos sites e no Facebook de meios de comunicação visa "gerar tráfego", ou seja, proveito.

Combater as fake news deveria começar por aí: porque todos os media que permitem que os seus sites e FB sejam um festim de ódio, acusações falsas, devassas, ameaças, racismo e quejandos estão a contribuir para o ambiente em que elas, as fake news, medram e se tornam indistinguíveis, para parte do público, do jornalismo. Se está tudo no mesmo sítio, distinguir como?»


Fernanda Câncio – “Quando danças com o diabo”

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O argumento é facilmente aceite. Fechar as caixas de comentários pode ser a única solução para o ambiente degradante, se não for criminoso, que as caixas de comentários na imprensa (leia-se: os espaços de livre comunicação escrita por e para livres utilizadores de um dado canal digital) geram numa relação inversa entre a literacia e a violência verbal (mas há excepções para ambos os extremos do primeiro factor, podendo a alta literacia gerar extrema violência e vice-versa). Dando um exemplo recente, o Expresso tinha uma antiga e pujante comunidade de comentadores encaixotados, os quais geravam milhares de comentários mensais. Apesar disso, resolveu acabar com esse território mediático adjacente – ou, como defende a Fernanda, inerente – à entidade legal e respectiva marca. Terá sido por razões morais, deontológicas, legais ou meramente financeiras (custar dinheirinho manter esses dados)? Não faço ideia. Noutros casos, vemos o Observador a cultivar um estilo de pseudo-jornalismo que está em simbiose com o aproveitamento das suas caixas de comentários como elementos de uma dinâmica de propaganda e militância, ou assistimos a um autor (JMT, no Público) que participa nas suas caixas de comentários por razões estritamente narcísicas e megalómanas (ele fala de si nos artigos e continua a falar de si com os comentadores, está satisfeitíssimo com a sua pessoa, et pour cause). Se listarmos exemplos estrangeiros, a diversidade é a regra.

A literatura sobre o fenómeno é tão antiga quanto a WWW, pois desde o início da massificação do acesso à Internet foi sempre assim (aliás, já o era antes, no tempo dos BBS, mas de forma quantitativa e qualitativamente distinta). O facto de se usar a linguagem escrita para comunicar gera inevitavelmente disfunções emocionais na interpretação, por um lado, e permite excessos de agressividade que não se teriam face a face, ou mesmo ao telefone, por outro. Por cima disto, temos depois as diferentes idades (alguém de 84 anos e alguém de 13 anos podem estar a insultar-se mutuamente sem terem noção da diferença etária), a diferente escolaridade, as diferentes literacias, a diferente informação e formação, a diferente motivação e maturidade, a diferente intencionalidade, a diferente capacidade cognitiva, as diferentes personalidades e os diferentes estados de saúde (corporal e, especialmente, mental, mais os eventuais quadros farmacológicos). Finalmente, temos os elementos idiossincrático e existencial, isso de cada um ser único e estar numa situação única a cada momento. Se nem numa junta de freguesia, numa reunião de condomínio e numa família é fácil, sequer provável, chegar a acordo em tudo com todos, ainda menos a consensos, por que raio se vai para uma caixa de comentários de um meio de comunicação generalista esperar tal coisa no que não passa de um baile de máscaras desopilante e/ou alucinado? Só se estivermos completamente avariados da corneta sem arranjo possível.

Dá-se é o caso, substantivo, de ser civicamente importante o que cada um dos participantes nas caixas de comentários dos meios ditos de “referência” está a fazer mesmo quando o que faz é só merda atrás de merda. A importância começa por vir da decisão em participar numa interacção social. Este é o fundamento mesmo de qualquer experiência e instituição políticas. Ora, o que se faz ao participar numa caixa de comentários é lutar para ser o centro das atenções, lutar pelo estatuto, pela posição na hierarquia, pois é isso que antropologicamente se aprende assistindo ao que fazem as celebridades da opinião, essas a quem os mesmos órgãos dão o palco cimeiro. As vedetas, aliás, tendem a queixar-se das “redes sociais” precisamente por causa dessa imitação e concorrência. As vedetas também sonham com audiências caladinhas e em êxtase, só interrompendo a adoração para os aplausos e aclamações do seu brilhantismo, não com o pesadelo de lidarem com uma infinidade de opiniões tão aparente e democraticamente válidas ou vocais como as suas.

No palco onde se passeiam os profissionais comentaristas, como nas catacumbas onde se reúnem os amadores e rebeldes comentadeiros, a lógica e pulsão do antagonismo, e seu cortejo de recursos retoricamente bélicos e assassinos, moldam os conteúdos transmitidos de acordo com as capacidades de cada um. O nivelamento por baixo, essa ecologia da estupidez e da brutalidade, será tão mais fatal quão mais larga for a participação (mas atenção à inversão desta lógica na indústria da calúnia, onde prosperam selectos caluniadores profissionais). Porém, a participação em si mesma da ralé, essa multidão de “anónimos”, é não só bondosa como traz a semente de um crescimento psicológico e cívico – portanto, um crescimento cultural e político. Quem se expõe através da escrita, enviando uma qualquer expressão do seu entendimento (ou falta dele) de uma qualquer realidade, fica excitado com o poder à sua disposição. Trata-se do poder da própria linguagem verbalizada, poder multiplicado pela potência social do meio de comunicação em causa. Poder que se torna meio para uma ontológica necessidade de inclusão. Somos o “zoon politikon”; cuja melhor tradução não é “animal político”, antes “animal da cidade”. E o que é uma cidade? É aquele espaço rodeado de muralhas, feitas de pedra ou de leis, onde a Natureza dá à luz a Civilização.

Os jornais vindos do papel assistem desorientados e em pânico à falência do antigo modelo de negócio sem saberem se existirá um outro substituto. A trágica ironia é a de não terem falta de leitores, talvez até nunca tenham tido tantos. Só que este novo tipo de leitor não pretende pagar por um bem que se tornou ubíquo e com o custo residual igual ao do acesso à Internet, a informação. Daí o triunfo do tabloidismo, o qual vende circo, sexo e sangue, impotência, ópio e ódio. Simetricamente, a irónica tragédia é a de os jornais ignorarem olimpicamente aqueles que os procuram e se expõem na sua ânsia de pertença e crescimento. As tais caixas de comentários infectas, que não passam de becos escuros onde bêbados urinam e miseráveis defecam, resultam da ausência de autoridade. Os jornais abdicam de governar esses espaços, ou quando o fazem são apenas censores, deixando os frequentadores comportarem-se como feras e Quixotes numa guerra civil cuja maior vítima é a inteligência comunitária. Mas seria logística e financeiramente viável fazê-lo, quando nem para os jornalistas há dinheiro? E como? E para quê?

Estudantes, reformados e carolas poderiam, a troco de recompensas simbólicas umas e sem custos monetários outras, passar a exercer a autoridade legal, deontológica e cívica do órgão respectivo em todas as suas caixas de comentários. Em vez de apagarem os comentários que justificassem a sua intervenção, entrariam em diálogo com esse utilizador seguindo protocolos a desenvolver por cada entidade. Um modelo que se baseasse nas regras do pensamento crítico bastaria para o essencial do que está em causa. Aproveitariam os conteúdos enviados para as caixas para o criticarem, mesmo que fossem barbaridades insanas, justificando por que razão, ou razões, tais declarações eram motivo de reparo e dando informações para que o utilizador em causa – e todo o grupo de utilizadores ali de passagem a participar ou só a assistir – pudesse usar a sua própria cabeça, pudesse aferir, pudesse investigar. Pudesse, enfim, tomar consciência das consequências do que tinha escrito, pensado, sentido a partir de um ponto de vista oficial da entidade para onde tinha ido gastar o seu tempo e cujo espaço estava a utilizar de forma tão pessoal. Nesse ambiente, os boatos e as calúnias teriam vida muito curta, por exemplo. Na enormíssima maioria dos casos, esses utilizadores modificariam a sua atitude, abandonando o infantilismo ou desvario iniciais e passando a participar de acordo com as regras explícitas e implícitas assim instituídas pedagogicamente. Nos casos patológicos, em que a proposta dialógica não fosse eficaz, então a censura seria uma solução de higiene inevitável. Finalmente, os jornais teriam oportunidade de entender que cada um se poderia distinguir da concorrência pela qualidade e extensão das comunidades de participação livre que estavam a criar no seu espaço. E ainda que esses quantos representavam muitos mais que precisam que os jornais continuem a ser fontes de inteligência, pois a democracia é de todos os sistemas políticos aquele que mais carece de inteligência – dado tanto a exigir a quem governa como a quem se deixa governar.

Lirismo? Sim, claro. Lirismo, ingenuidade e optimismo. É por aí, ou para aí, que vão os construtores de cidades.

José Gomes Ferreira também sabe mostrar compaixão

José Gomes Ferreira é um dos melhores jornalistas portugueses de sempre e para sempre. Ninguém melhor do que ele é capaz de explicar o mal que o PS tem feito ao País, sendo capaz de o demonstrar com o mesmo desembaraço tanto no plano da economia, como na dimensão policial e judicial, como na esfera metafísica. Para além de ter um excelente programa governativo de Portugal já devidamente impresso e encadernado desde 2013 para educação do povo e morigeração das elites, a sua coragem no combate sem quartel contra os socráticos corruptos (passe o pleonasmo) ficará lendária nas gerações seguintes.

O nosso herói esteve há dias a entrevistar Carlos Costa. Há quem diga que este Sr. Costa partilhou com Armando Vara não sei o quê na Caixa Geral de Depósitos. Ora, Gomes Ferreira é pago pelo mesmo patrão que paga a um conselheiro de Estado para dizer que Vara era o “todo-poderoso” na CGD, o mesmo patrão que paga à magnífica Manuela Moura Guedes para dizer que Vara é o culpado pela recapitalização da CGD em “quatro mil milhões”, entre outras desgraças a pedir o regresso da pena de morte. Seria de esperar que o aquilino e implacável jornalista não perdesse a oportunidade para finalmente revelar à Nação como é que as coisas é, ó Zé. Inevitavelmente, Carlos Costa sabe como foi possível roubar tantos milhões à frente de toda a gente, gente do PSD e do CDS na sua maioria, com responsabilidades na administração desse banco público. Será que Vara chegava mais cedo às reuniões e metia droga nos bules de café e jarros de água, provocando um estado de submissão e amnésia aos restantes administradores? Será que na noite anterior enviava fotos comprometedoras a cada um dos participantes nas comissões alargadas de crédito, ameaçando publicar os vídeos se eles não aprovassem a roubalheira? Ou será que ia para os conselhos de crédito com um colete de explosivos e ficava de pé junto à porta a ouvir instruções de Sócrates até o pessoal aprovar o que ele queria? Carlos Costa sabe e José Gomes Ferreira sabe que ele sabe, porque José Gomes Ferreira sabe tudo o que se deve saber.

Pois. Só que a entrevista chegou ao fim e ficámos na mesma. Na mesma não, sejamos justos. A fazer fé em Carlos Costa, nada de ilícito se passou na CGD, sendo que até teve tempo para lembrar que o banco era auditado por entidades externas que nunca viram aquilo que a gente séria que frequenta a Cofina, o Grupo Impresa e o Conselho de Estado jura ter visto, provado e comprovado. E o valente José Gomes Ferreira lá deixou o fulano ir embora sem o ter obrigado a responder a uma única pergunta sobre a colossal corrupção que Vara espalhava diariamente na CGD. Como explicar o fenómeno? Talvez recorrendo a uma declaração do estupendo e isento Carlos Costa, algo com que ele tem comprado a protecção da gente séria:

«Nós só temos a retoma que temos hoje porque tivemos um programa aplicado de forma rigorosa e com convicção»*

Carlos Costa, cúmplice principal de Passos e Cavaco no afundanço de Portugal em 2011

* Tradução:

Foi graças à entrada do FMI castigador dos estróinas e dos madraços lusitanos, e ao fanatismo de Passos Coelho na sua fúria para ir além da Troika custasse o que custasse, que hoje andam para aí uns socialistas armados ao pingarelho a gozar-se do tratamento que demos aos piegas instalados na sua zona de conforto nesses gloriosos anos da austeridade salvífica, 2011 a 2015.

Revolution through evolution

Women with more social support are less likely to die prematurely
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Natural resources valued differently by men and woman
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Consuming garlic and onions may lower colorectal cancer risk
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Live better with attainable goals
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Like humans, dogs’ personalities likely change over time
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People who cunningly use cooperation and egoism are ‘unbeatable’
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Talking Ourselves Into It: How We Rationalize Bad Choices
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O líder que arruina a liderança

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Quem não sabe colocar vírgulas tem competência suficiente para governar o País? Infelizmente, esse não é o maior problema que a conta de Twitter de Rui Rio levanta. Ao ser um veículo de posicionamento e mediatização directa como líder partidário à mistura com ser um canal de expressão pessoal e espontânea para as mesmas temáticas, o resultado é uma imagem ingénua, amadora e ineficaz para a sua valorização como candidato a primeiro-ministro. Acima temos um exemplo – paradigmático – do nó cego que lhe está a tolher a dinâmica de afirmação e crescimento eleitoral.

A dimensão da Justiça é das mais importantes para a qualidade da democracia, para a segurança dos cidadãos e para o desenvolvimento económico. Por cima desta consensualidade à direita e à esquerda, temos desde 2009 a evidência de se estar a usar a Justiça como arma política. Os abusos e crimes cometidos no Ministério Público na perseguição a políticos do PS e ao próprio PS, em conluio com a escolha de Joana Marques Vidal para PGR e a campanha política que protagonizou e alimentou, ocorrem com a cumplicidade do regime; portanto e por tanto, do próprio PS que paradoxalmente consegue recolher benefícios internos do cerco externo. Este o quadro onde as proclamações de Rio a pedir menos corporativismo e mais democracia e soberania na conduta dos magistrados do Ministério Público são uma prova da sua coragem como líder dado o contexto onde a direita decadente e a indústria da calúnia triunfaram e perderam qualquer prurido na exibição do seu poder ilícito. Mas mais, e mais importante para a comunidade: é uma proposta que só se justifica existir por causa do interesse nacional, do bem comum, da defesa da liberdade.

Ora, como destruir a promessa de radical inovação na direita portuguesa, que recupera o melhor da tradição liberal e, de caminho, perder uma posição cimeira donde Rio poderia chamar a atenção para outras propostas políticas do seu PSD? Pois da maneira que acima pode ser desfrutada. Ao vir com a cassete de que o PS “arruinou” a economia e foi o responsável pela vinda da Troika e suas consequências fanática e violentamente penalizadoras dos pobres e da classe média, Rio não está apenas a mentir, nem está apenas a deturpar, nem está apenas a esconder o que o seu partido de braço dado com Cavaco escolheu fazer em 2011 e nos anos seguintes até ser corrido por um novo Parlamento. Acima e antes de tudo, o que ele está a fazer ao tuitar boçalidades típicas da chicana é a exibir a sua mediocridade política. Que não espante, então, encontrar a sua assinatura nesta inanidade:

Só se esqueceu de chamar o Ku Klux Klan*

«1. Lentamente, mas de forma segura, o PS António Costa vai aumentando a sua influência sobre o aparelho do Estado e sobre a sociedade civil. Com o Presidente Marcelo concentradíssimo nas suas taxas de popularidade, os socialistas vão atacando tudo o que mexe que não seja do seu agrado. Ora atacando a independência das entidades reguladoras, ora controlando órgãos incómodos como o Conselho de Finanças Públicas, ou preparando a nomeação de um fiel compagnon de route ou até mesmo de uma camarada do PS para o Banco de Portugal.

Uma boa prova dessa atração por um regresso ao passado do tenebroso consulado José Sócrates é o veto que o Governo fez à presença de Álvaro Santos Pereira em Portugal para apresentar, enquanto diretor da OCDE responsável por essa área, o relatório sobre a economia nacional.

Esse veto é, aliás, uma típica manobra socrática:

Pela intolerância. Vetar alguém, e logo um português que é titular de um alto cargo internacional, só porque não é da cor política do Governo e porque fala de temas incómodos como a corrupção, revela intolerância.
Pelo autoritarismo. É uma espécie de quero, posso e mando de António Costa. Já que o tema da corrupção foi escolhido pela OCDE ao arrepio da vontade do Governo, há esta manifestação de força para que sirva de exemplo para o futuro.
Pela censura. Se Sócrates tinha um especial gosto em controlar a comunicação social, escolhendo direções editoriais, financiando administrações de jornais e interferindo ativamente nas respetivas linhas editoriais, António Costa começa pelos relatórios das instituições internacionais. É um caminho que, no futuro, poderá ter intersecções com aquele que foi feito por José Sócrates.

É caso para perguntar: se fazem isto em minoria e em aliança com a extrema-esquerda, o que fariam com maioria absoluta — ou em aliança com Rui Rio?»


Talibã do Observador
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* Diferente país e cultura, a mesma geografia do ódio

O fim da impunidade não pode ser desperdiçado com mulheres

«A mulher de 53 anos morta este domingo à noite a tiro na Golegã já tinha feito queixa do seu agressor à GNR pelo menos uma vez, no ano passado. Mas a Justiça não actuou a tempo de salvar esta vítima.

Confirmando a existência de uma queixa, a Procuradoria-Geral da República explica que o agora homicida chegou a ser constituído arguido. Mas a investigação “ainda não estava concluída, tendo o Ministério Público ordenado a realização de diligências complementares às já realizadas pela GNR”. O PÚBLICO está a tentar saber se foi decretada alguma medida de coacção ao suspeito, um empregado fabril de 62 anos.»


Fonte

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Why Mr. Nice could be Mr. Right
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New Study Analyzes How Falling in Love Influences the Immune System in Women
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Shameful secrets bother us more than guilty secrets
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Social threat learning influences our decisions
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Bigger teams aren’t always better in science and tech
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Your exercise performance is a better predictor of longevity than your chronological age
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New Book from Sociologist Daniel Laurison Explores the ‘Class Ceiling’
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Normalização da normalidade

Usar os direitos constitucionais e as instituições políticas para melhorar a sociedade é algo que pode partir da iniciativa de qualquer indivíduo. Pode, e deve, mas é raro que tal aconteça porque há um discurso alimentado pela indústria da calúnia e pelo tabloidismo de direita que desmotiva e assusta a enorme, a quase totalidade, dos cidadãos. Então eles vão para a tasca, o cabeleireiro, a Internet e o táxi maldizer a desgraça que os aflige: estão cercados por corruptos, não vale a pena mexer uma palha na defesa dos seus direitos e sonhos democráticos, os poderosos são intocáveis (e daí, como assinalou o actual Presidente da República, ser tão importante termos conseguido enjaular o Vara, que é para os poderosos se borrarem de medo e podermos deixar de nos preocupar com eles nos próximos 40 anos).

A cidadã abaixo dá uma das melhores lições de política a que já assisti. Ela reconhece que ser livre comporta alguns riscos, mas que o risco maior é passar pela vida sem descobrir aqueles outros, tantos, que se juntaram a ela por causa da sua coragem. O risco maior é deixar que os pulhas nos roubem a liberdade.

De olhos fechados, como sombras

Foi há um mês, Graça Franco publicou um texto cuja popularidade superou largamente a que costuma colher – Jornalismo a meia-haste – tendo nele ligado vários temas correntes a uma denúncia do sensacionalismo e demais abusos e deturpações cometidos sob a protecção constitucional da “liberdade de imprensa”. Uma das situações tratadas, quiçá a que explica o impacto das suas palavras, foi a da entrada de Armando Vara na prisão de Évora e o que alguns meios de comunicação social fizeram na ocasião. A autora ilumina a fragilidade da pessoa condenada naquela situação de exposição incontornável, onde foi reduzida a mera figura abstracta cujo estatuto cívico consistiu apenas em servir de matéria desalmada para a exploração mediática. É um exercício de empatia o que serve aos leitores, oferecendo a raridade de olharmos, no espaço público, para um dos maiores bodes expiatórios do regime com módico humanismo – e ainda permitindo uma colagem retoricamente eficaz com o tema seguinte que queria igualmente (ou até mais) tratar e realçar, a reportagem da TVI acerca da Igreja Católica onde se usaram câmaras ocultas.

Do muito que se poderia dizer, tanto, sobre uma intervenção política (ah, pois é, bebé) que poucos dias depois estava já soterrada no mais fundo esquecimento, escolho o ponto de vista onde Graça Franco revela o seu instinto assassino no acto mesmo de estender a sua mão, as suas palavras, o seu coração católico (ou que seja só cristão, ou nem isso) a Armando Vara prisioneiro. É que ela exigiu um preço altíssimo para a vulgaridade ética de apelar à mais básica decência para com Vara: aproveitar para confirmar que ele é alguém que deve ser odiado, porque foi um “poderoso” de um tipo que ela detesta, um fulano socialista e com actividade governativa e na banca. Para tal, agarrou num episódio com perto de 20 anos. Ao tempo, Vara terá passado uma informação à Renascença em que admitia demitir-se do Governo de Guterres, pedindo que a fonte não fosse revelada. A notícia saiu e Vara desmentiu-a, só para se ver denunciado pela Renascença. Foi isto, não mais do que isto, e isto é ridiculamente importante seja para o que for. Aliás, a ter importância que justifique a sua recordação, ela remete é para a violação pela Renascença do sigilo exigido. Contudo, eis que a directora de informação da RR nos conta a história da carochinha em que se pinta Vara como o papão que a rádio da Igreja (da Igreja Católica em Portugal, senhores) enfrentou num combate biblicamente desigual. Ele o Golias e um órgão de comunicação social com o poder da RR como David. Nem para rir dá.

Ao mesmo tempo que Graça Franco compõe o retrato pungente de uma vítima da turba linchadora, um alvo social que nenhuma condenação judicial justifica ver despojado dos seus direitos e dignidade, vai colocando estrategicamente elementos que assinalam a sua concordância com o veredicto popular: aqui está o monstro. É, ainda e sempre, a dinâmica da diabolização. A expressão de uma agressividade antropológica inerente à vivência política e ao combate identitário. Daí recorrer ao processo mais antigo ao dispor de todo aquele que se prepara para cometer uma violência que precisa de disfarçar como um acto de defesa: dizer que alguém ou algo é ameaçador, poderosíssimo, que já fez e vai continuar a fazer muito mal se não for abatido. E depois de o declarar, depois de chamar o bom povo para a caçada nocturna, até dá para acreditar nisso. Tem a vantagem de permitir adormecer com facilidade.

Do óbvio urgente

Agressores sentem-se impunes e inspirados por notícias de violência doméstica

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“Sociedade só teria a ganhar com a realização de uma autópsia psicológica”

A violência doméstica não é um fenómeno que se explique apenas nem fundamentalmente por factores sociais, nem há factores sociais capazes de a conter sem uma sua eventual inscrição nalguma mudança geracional a implicar um currículo escolar logo a partir do ensino básico – e uma cultura política e legislativa – ainda por inventar.

Entretanto, e porque Portugal está dominado pelo tabloidismo de direita, não há nada a esperar da comunicação social. A Cofina triunfou e serve de referência para a concorrência. Pelo que ainda mais relevante, decisivo e urgente é o repto lançado por Duarte Nuno Vieira para que se gaste dinheiro a fazer algo que trará conhecimento científico capaz de salvar vidas; incluindo as dos agressores que, fatalmente, igualmente são vítimas de si próprios.

Não era lindo que cada eleitor percebesse o que pode fazer com o seu voto? Também dá para perguntar a dirigentes partidários e deputados se têm ideias melhores do que esta para o flagelo em causa.

Até tu, Miguel?

«Tenho muitas dúvidas sobre a justiça da condenação a cinco anos de prisão efectiva de Armando Vara, por crime de tráfico de influências. Certamente que uma caixa de robalos não chega como pagamento pelo crime e mesmo que os “25 quilómetros” referidos numa conversa escutada entre Manuel Godinho e Armando Vara sejam, como pretendia o Ministério Público e o tribunal aceitou reconhecer provado, 25 mil euros de pagamento por serviços de intermediação, a verdade é que Vara não exercia na altura qualquer cargo público. E se porventura terá posto o industrial de sucatas de Ovar em contacto com pessoas que lhe terão facilitado negócios, fazendo-o a troco de robalos ou de 25 mil euros, eu conheço quem o tenha feito e continue a fazer a troco de milhões, intermediando e facilitando negócios em que o Estado investe dezenas, centenas ou milhares de milhões. Aliás, conheço, todos conhecemos, quem faça disso profissão, disfarçada ou não sob o título de advogado ou outro, à vista de todos, com a maior aceitação social, pública e política. De tal forma, que chego a pensar se ser-se apanhado em crime de tráfico de influências não será apenas uma questão de interpretação, de sorte ou de azar. Ou pior.

Mas se a prisão de Vara não me incomoda por aí além é apenas porque acredito que, se não por este caso, outros há que a justificam. Estou a lembrar-me de um telefonema entre ele, na altura administrador do BCP e acabado de chegar da Caixa, e um camarada de partido, na altura secretário de Estado. Vara tentava arrolar o outro para convencer a Caixa-Geral de Depósitos, sua antiga casa, a ficar com um crédito incobrável que o BCP tinha sobre a empresa dona do Autódromo do Algarve. Se já é extraordinário que alguém possa imaginar ganhar dinheiro com um autódromo na Mexilhoeira Grande, e ainda mais extraordinário que haja um banco para financiar tal projecto, é verdadeiramente eloquente do espírito desta gente que alguém que tinha acabado de vir do banco público para um banco privado estivesse a tentar varrer o lixo deste para aquele. Mas era com este espírito que serviam a coisa pública estes “banqueiros”, que viveram décadas a saltar de um lado para o outro, trocando de lugares uns com os outros, cobrindo-se uns aos outros, atribuindo-se prémios de gestão uns aos outros, mesmo quando no banco público e mesmo quando o que tinham para apresentar era prejuízos para os contribuintes pagarem. Para eles, para este clube de amigos, não tenho a menor dúvida de que lhes era absolutamente indiferente se o banco era público ou privado: tratava-se apenas de gerir as suas carreiras, de precaver as indemnizações sumptuosas em caso de saída antecipada e as reformas escandalosas no futuro. O problema com Armando Vara é que, por enquanto ele esteja sozinho na cadeia de Évora.»

Miguel Sousa Tavares

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Destruir é muito mais fácil do que construir, como sabe quem tenha passado a barreira dos 12 meses de idade. Em dois parágrafos, Miguel Sousa Tavares destrói a sua reputação de cidadão integro, decente e corajoso. É que não se pode servir a dois senhores, calhando esses dois senhores serem inimigos. Usar o seu abastado prestígio e enorme alcance para fazer coro com a decadência e atacar o Estado de direito democrático expõe uma fraqueza moral imperdoável por contraste com os altos ideais que também propala como figura pública.

No primeiro parágrafo, tropeçamos em suspeitas de arrebimbomalho. Suspeitamos que MST, como também já Ricardo Costa assim se assumira, é testemunha de crimes de tráfico de influências que fazem aquele com que se conseguiu prender Vara por pena máxima parecer uma inexistência ridícula e grotescamente penalizada. Crimes que envolvem “dezenas, centenas ou milhares de milhões” investidos pelo Estado, garante em letra impressa. Crimes esses que ele não denuncia, por um lado, e crimes esses que nos convida a admitir que são do conhecimento público, pelo outro. Mas se são do conhecimento público, e o Ministério Público à luz do princípio da legalidade tem de investigar esses casos, ahhhh… por que raio é que… como é que (cum caralho, ó cona da minha foda-se) se conseguiu fazer do Vara o primeiro preso por essa tipologia de crime num processo onde não se provou que ele tivesse recebido o que se alega que recebeu, onde ficou provado não ter existido qualquer benefício ilícito fosse para quem fosse, e onde Mário Lino (que nem como arguido acabou, apesar de ter sido validado como cúmplice sendo ao tempo ministro) foi sua testemunha de defesa?

Ainda no primeiro parágrafo, e ligada com essa questão acima aflorada e só do interesse de curiosos que ainda não desistiram de viver numa comunidade que se respeite a si própria, aparece uma brevíssima reflexão sobre o que estará na origem do inaudito fenómeno judicial que permitiu a devassa, humilhação e castigo desse tão longamente perseguido e cobiçado troféu de caça. Para MST, a explicação mais provável da ilógica e vexante sentença transitada em julgado encontra-se no arbítrio da subjectividade dos juízes, uma forte e assustadora hipótese, ou em algo “pior”. Ora, que poderá ser pior do que o abuso do poder dos tribunais por factores psicológicos disfuncionais, do que a violação da Constituição e do espírito e limites da Lei pelos magistrados? Ocorrem-me várias possibilidades, confesso, mas nenhuma tão interessante como aquela que o autor da prosa terá concebido. Infelizmente, tragicamente, ficamos sem saber no que pensava ao teclar. MST esteve perto de nos ajudar a ver o que ele vê algures no horizonte, tendo-se aproximado de um acto heróico na defesa da dimensão sagrada do Estado de direito democrático, os direitos e garantias dos cidadãos. Porém, qual Ícaro, as asas da defesa da liberdade que o levaram a essa tangente derreteram sob a luz ofuscante da violência exercida pelo regime sobre Vara, tendo o valente Miguel caído a pique na canalhice do parágrafo seguinte.

A ideia de que Armando Vara foi condenado em pena máxima de forma a conseguir-se metê-lo na prisão, e que foi preso por razões outras que transcendem o alegado crime usado como pretexto no processo, tem sido invocada e glosada pelos vencedores políticos do “Face Oculta”. E não estamos apenas a falar da arraia-miúda da oligarquia – os profissionais da calúnia e fanáticos dos semipasquins, das madraças e dos esgotos a céu aberto da direita – pois quando Ricardo Costa, Marques Mendes e até, ou especialmente, Marcelo Rebelo de Sousa celebram pública e ufanamente o cárcere de Vara, então aquilo a que se assiste é a uma parada triunfal, com exibição pelas ruas de Roma de um dos chefes bárbaros derrotados e apanhados pelas legiões do império. Na assistência, a esquerda observa sem piar, ou também aplaude a humilhação do pobre diabo, pois o ódio é uma fruição de gasto universal que oferece catarses e compensações à borla para nós todos, mole de miseráveis. MST resolveu juntar-se à festa e contribuir para o linchamento. Diz-nos que existem cidadãos que se podem acusar e condenar por umas coisas que talvez nem tenham acontecido desde que na opinião pública exista material para criar a percepção de serem culpados de outras. Coisas estas que não precisam de ser investigadas, sequer provadas, basta aparecerem publicadas de uma certa forma que permita carimbar o alvo como bandido. Entusiasmado com a facilidade com que descobriu as malfeitorias de Vara, MST partilhou connosco o seu percurso mental entre um estado em que respeitava a presunção de inocência de um dado cidadão e o estado seguinte em que usa o seu palco mediático para espalhar calúnias e validar a implosão do edifício constitucional que estrutura a aplicação da Justiça em Portugal. Foi assim: “Estou a lembrar-me de um telefonema entre ele, na altura administrador do BCP e acabado de chegar da Caixa, e um camarada de partido, na altura secretário de Estado.” Ou seja, MST, que não consta tenha participado na captura desse telefonema, nem que tenha participado na investigação no Ministério Público onde esse telefonema teve algum uso judicial, dá como suficiente para criar uma convicção de culpabilidade o acesso a uma transcrição descontextualizada, para começar, e mediática e politicamente distorcida, o que a deixa num estatuto absolutamente inválido se o intento for o de descobrir qualquer tipo de crime. Dito de outro modo, conseguiria MST em tribunal provar algum crime do catálogo penal apenas tendo como matéria factual o tal telefonema a que acedeu lendo-o num certo jornal? Telefonema esse que ele nem sequer sabe se foi feito ou recebido por Vara? Se não conseguiria, podemos concluir que aprova a prisão de Vara por razões morais ou políticas? Consta que não foi para deixarmos ao jornalismo amarelo a missão de aplicar a Justiça que se tem construído a civilização ao longo de milhares de anos, e por cima de incontáveis pessoas que morreram em nome da nossa liberdade, mas talvez o grande Miguel tenha melhores informações.

Alunos do Secundário não terão a mínima dificuldade em entender que há situações onde certos indivíduos mentem. Que essas mentiras podem ser intencionais ou consequência de factores que diminuam a sua responsabilidade. Que essas mentiras podem consistir em aparecer alguém junto das autoridades a confessar crimes que não cometeu. Será que queremos viver com uma Justiça que condena quem faça confissões falsas ou que condene aquele de quem se diz na praça e no jornal que cometeu um crime mesmo que não se saiba qual, nem quando, nem como? Se não queremos, então precisamos de ter como princípio inviolável a noção de que um qualquer cidadão é inocente até prova em contrário devidamente transitada em julgado – tanto para nossa defesa, e daqueles que amamos, como para evitarmos as consequências de não seguirmos esse principio: o estado de guerra permanente. Se uma dada força política consegue utilizar os recursos do Ministério Público e de alguns tribunais para escutar alvos políticos seleccionados, de forma a obter informações relativas à sua privacidade individual e política, e ainda a tentar envolvê-los em quaisquer processos judiciais que dê para lançar com razoabilidade aparentemente legítima, então a única forma de tal ser justificado num Estado de direito democrático passa por se erigir mediaticamente um inimigo monstruoso, um polvo de corrupção a merecer que se utilizem todos os meios para chegar a certos fins. Agita-se a bandeira da cruzada e anunciam-se autos-de-fé. O povo rejubila, porque o festim da tortura e do ostracismo é antropologicamente fascinante. Nesse ecossistema, agentes da Justiça passam a cometer crimes em conluio com jornalistas, directores e accionistas de comunicação social, uns e outros berrando sem parar que estão cercados e ameaçados pelos maus da fita. A poderosíssima máquina de devassa e perseguição ao dispor do Estado, e sem surpresa, invariavelmente consegue descobrir nódoas e caruncho. Nos impérios mediáticos, técnicas sensacionalistas caluniosas e caluniadores profissionais fazem o resto, amplificando e deformando os materiais fornecidos assim que são captados ou enviados de acordo com calendários políticos. Foi a esta gente que o outrora honroso Miguel se juntou.

João Soares é o único nome que me ocorre quando listo aqueles que publicamente alertaram para o perigo das escutas. Não faço ideia se desenvolveu o tema por escrito, pelo que apenas conservo a essência das suas avulsas e espontâneas intervenções televisivas numa recordação já com 10 anos. Creio que o seu alerta estava relacionado no tempo com o processo “Casa Pia”, altura em que a percepção de não haver qualquer controlo sobre as escutas feitas com os recursos do Estado emergiu na sociedade – sendo actualmente um tema capturado pela indústria da calúnia, tendo-se chegado ao ponto de usar vídeos de interrogatórios de arguidos e testemunhas para proveito comercial e político. Mas igualmente acredito que a sua posição era muito mais funda e estava enraizada na História de Portugal, no que tinha acontecido ao seu pai no Estado Novo e a tantos outros que lutaram pelo que veio a ser o 25 de Abril. Então, ao ver que se voltavam a usar escutas feitas pelas autoridades policiais e judiciais para atacar adversários políticos, 30 ou 40 anos depois do fim de um regime onde a Justiça era usada para perseguir e castigar opositores políticos, tal espectáculo provocava-lhe um sentimento de nojo e absoluto repúdio. É este o sentido e a mensagem que conservo a respeito do que disse, pouco me importando que possa ser uma memória inventada.

Leituras imperdíveis na quadra carnavalesca

Começar com esta:

João Miguel Tavares, a escolha improvável

Passar para esta:

As algemas de Armando Vara

Também se pode inverter a ordem de leitura, fica ao gosto do freguês. No primeiro caso, é como passar de um ritual de mescalina na SEDES para um curso de formação de “jornalistas” na Cofina. Na opção alternativa, será como estar a assistir a uma peça de teatro no Natal dos Hospitais Psiquiátricos e sair de lá a correr para nos enfiarmos na assembleia da Igreja de Sócrates e dos Socráticos dos Últimos Dias.

É desta que os reformados vão para o Parlamento fazer reformas

Santana Lopes tem tudo para varrer o eleitorado com mais de 65 anos, sem estudos e ligado à televisão 8 ou mais horas por dia. A sua única dificuldade será a de conseguir acompanhantes e transporte para levar a sua gente aos locais de voto. Quanto ao resto, a marca e o estilo, a retórica e o espaço mediático, tem de tudo com fartura.

Vai ser divertido testemunhar como é que PSD e CDS vão lidar com quem os irá comer por detrás (nada contra e “honi soit qui mal y pense”) e por baixo (idem, aspas). Por razões sociológicas e cognitivas, os reformados são conservadores do pouco ou nada que calhem ter. Discursos populistas que apelem ao medo, ao individualismo bronco e à mais pura demagogia entram como faca quente no afecto derretido desse vastíssimo eleitorado que pode provocar radicais surpresas nas próximas legislativas calhando favorecer significativamente um certo partido. Cristas, Ventura e Jerónimo igualmente passarão muito do seu tempo a tentar captar votos neste território, mas nenhum tem os predicados de persuasão de alguém que já virou frangos em todas as voltas e reviravoltas do regime.

Aposto na entrada de Santana no Parlamento. E para quê? Para se esfalfar a tentar ir para o Governo com o PSD e CDS? Para se valorizar como comentador televisivo e garantir tempo de antena? Ora, é de caretas: para preparar a sua candidatura a Belém em 2026. Ele com 70 anos contra António Costa com 65. Os reformados poderão aí confirmar o que já fazem em relação ao Marcelo, trocar o voto por um beijinho de quem é tão simpático.

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Como?! Atão, mas o Vara, coiso e etc.?…

«Carlos Costa foi administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2004 e 2006, parte de um período crítico onde uma auditoria independente detetou perdas de 1,64 milhões de euros. Mas, ao contrário dos restantes gestores da Caixa à altura, não será submetido ao exame de idoneidade do Banco de Portugal. Isto porque Carlos Costa é atualmente governador do próprio Banco e, por lei, “o Banco de Portugal não supervisiona a própria casa”, segundo explicou uma fonte próxima do processo ao Jornal Económico.

Carlos Costa, ex-gestor da CGD, fez parte da administração do banco que aprovou alguns dos créditos que se revelariam ruinosos, como os empréstimos a Manuel Filho e Joe Berardo, que geraram perdas de 161 milhões de euros para o banco público. De acordo com a revista Sábado, o atual governador do Banco de Portugal esteve em pelo menos quatro reuniões do Conselho Alargado de Crédito onde foram aprovados empréstimos a alguns destes devedores.»


Fonte

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Carlos Costa, um dos carniceiros ao serviço de Passos&Relvas no afundanço do País em 2011, ficou calado enquanto Vara foi transformado no bode expiatório e bombo da festa do ataque da oligarquia ao PS e à CGD. Não é preciso explicar porquê. Apenas se regista para ilustrar por que razão notícias como esta não fazem manchetes nem despertam infindos disparos da opinião engajada. É que a aldrabice demencial para trocar os olhinhos aos borregos, isso de Vara ter sido o “todo-poderoso” na CGD capaz de dar dinheiro aos amigos de Sócrates sem que ninguém o conseguisse impedir ou sequer denunciar, não aguenta um nanossegundo no plano de realidade onde as pessoas realmente aquecem água para o chá e distinguem um sinal verde de um sinal vermelho.

Igualmente fascinante é o efeito antibiótico das declarações de Paulo Macedo, famoso socrático que foi ministro de Passos e tem uma reputação à prova de bala. De cada vez que abre a boca para explicar o b-a-bá do que se está a tentar fazer na indústria da calúnia e pela direita, o plano de comprometer o negócio e viabilidade da CGD, cria-se uma zona à sua volta onde até as mais resistentes bactérias da pulhice desaparecem. É no que dá recorrer a evidências por parte de quem não troca a sua integridade pela decadência dos decadentes.

A novela da CGD, e o seu novelo de protagonistas e decisões, não permite concluir que houve um assalto chefiado pelo bandido Sócrates, como o mais vocal dos conselheiros de Estado publicita semanalmente. Num certo sentido, é pena. É que essa versão acabaria por ser benigna, na sua indescritível estupidez e alucinada calúnia, quando comparada com a exibição ofuscante de um regime onde impérios mediáticos, tribunais e órgãos cimeiros da República confluem para a instauração de excepções onde o Estado de direito deixa de valer para certos cidadãos.