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Joana Marques Vidal, o palimpsesto

[o texto abaixo é o da verdadeira entrevista concedida por Joana Marques Vidal ao Expresso e que se encontra escondido sob as mentiras publicadas, basta escarafunchar o papel ou o ecrã com uma carica para recuperar a versão original]

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Ficou surpreendida com a dimensão do fenómeno da corrupção em Portugal?

Devo dizer que fiquei. Mas mesmo muito. É que eu só entrei para o Ministério Público em 1979, sabe. Quando cheguei a 2012, ainda estava completamente verde nestas porcarias da corrupção. Sabia lá eu o que havia para aí. Mas depois, aqueles senhores muito simpáticos que me convidaram para procuradora-geral da República, o senhor Pedro, a senhora Paula e o senhor Aníbal, explicaram que Portugal estava infestado de socialistas, e que esses socialistas andavam todos a roubar para dar ao chefe, um tal de Sócrates de quem nunca tinha ouvido falar. Fiquei banza com a corrupção que esse bandido andava a fazer. É que era corrupção mesmo corrupta, uma coisa do Diabo.

Há a Operação Marquês, o caso Lex, os Vistos Gold, etc. O que é que se passou para estes processos terem acontecido num espaço tão curto de tempo, durante o seu mandato, quando não aconteciam tanto em mandatos anteriores, nomeadamente no do seu antecessor, Pinto Monteiro?

Ora, o que é que se passou... que raio de pergunta... Então não se está mesmo a ver?... Oiça lá, esse Pinto Monteiro não é o tal que foi uma vez almoçar com Sócrates, o chefe dos corruptos portugueses? Pois, portanto não estou a perceber a pergunta. Só se quiserem que eu faça um desenho.

Qual é o papel do procurador-geral da República? É deixar que se faça?

O papel do procurador-geral é promover a organização, a articulação interna e a capacidade de gestão que permita aos magistrados irem ao aeroporto deter fulanos que estejam a chegar ao País precisamente com a intenção de se dirigirem ao Ministério Público para prestarem declarações. Acho que se eles estão com essa maçada, então o mínimo que um procurador-geral pode fazer é proporcionar um automóvel com condutor e serviço de bagageiro de modo a que esses cidadãos não tenham a despesa do táxi. Claro, se ainda der tempo para avisar a malta da comunicação social, mais composto fica porque todos podem ver nos telejornais e primeiras páginas como é que tratamos cidadãos inocentes dispostos a colaborar com as autoridades.

E a atitude de o Ministério Público não ter medo de investigar políticos, ou inclusivamente de os prender?

Bem lembrado. Isso dá muito jeito e, inclusive, é giro. Só acrescentaria a atitude de o Ministério Público não ter medo de devassar e achincalhar políticos, familiares dos políticos, amigos dos políticos e colegas dos políticos. Porquê? Porque nos concebemos como um Ministério Público democrático. Já que esses políticos não têm moral - e não têm, aquilo é uma depravação dos infernos - então comem todos.

Tem pena que os seus argumentos não tenham sido suficientes para convencer os juízes do Tribunal Constitucional em relação a uma lei para o enriquecimento ilícito?

Tenho muita pena, muita pena. É uma pena haver socialistas em tanto lado, até no Tribunal Constitucional. Mas sabe como é, eles reproduzem-se a uma velocidade doida nos esgotos e depois passam pelas canalizações e buracos dos edifícios. Foi assim que conseguiram empestar o Tribunal Constitucional.

A delação premiada seria também um bom instrumento nesse combate?

A delação premiada... eu não gosto da palavra. A delação tem em si mesmo um sentido pejorativo para os portugueses, atendendo à nossa história recente com a ditadura. Portugal deveria caminhar num sentido de realmente alargar o âmbito da colaboração premiada, que já está prevista no nosso sistema jurídico há muito tempo em leis específicas como a lei da droga. Se a colaboração premiada continuar a causar reticências, tenho outras opções para sugerir. Por exemplo, a cooperação remunerada, o contributo recompensado, a ajudinha bacana, a sacanice valiosa e a pulhice d'ouro. É escolher.

Mas vê alguma recetividade a isso na Assembleia da República?

Naaaa, 'tá de chuva. O problema da Assembleia da República são dois: está cheia de socialistas e cheia de portugueses. Talvez com a crescente imigração de brasileiros consigamos ter, daqui por 25 anos, uma Assembleia da República onde se celebre o exemplo e legado de Sérgio Moro. Enfim, estas coisas demoram na Europa, longe vão os tempos em que era canja prender com facilidade a malandragem. Mas temos de lutar para que voltem, temos de lutar.

Foi informada antecipadamente da detenção de José Sócrates?

Claro! Então iam fazer caixinha comigo, a chefa?!... hehehe...

Deu a sua concordância?

Não só dei a minha concordância como dei urros de felicidade e grandes palmadões nos costados do Rosário! Que festa, pá! Agora, isto não se pode contar assim porque há para aí umas coisas, umas leis ou lá o que é, que dizem que os magistrados não precisam de pedir autorização aos procuradores-gerais para fazerem as suas avarias. O Pinto Monteiro, esse socialista asqueroso, estava sempre a resmungar contra isso porque dizia que lhe dificultava muito a corrupção que ele andava a fazer a mando do Sócrates. Lembro-me muito bem disso e uma vez até cheguei a ter pena dele.

Então, porque lhe deram conhecimento?

Estou convencida que foi porque eu tinha ido à terra uns dias antes e trouxe de lá um presunto magnífico e um garrafão de água-pé como já não se encontra em lado nenhum. O pessoal sabia disso porque tinha deixado os produtos em cima da mesa e eles gostavam sempre de espreitar para dentro do gabinete a ver se apanhavam estes mimos regionais. Mas também pode ter sido por causa de uma aguardente de pêra que um familiar me tinha oferecido em Aveiro no ano de 2009 e que foi um sucesso louco lá na Procuradoria.

Era a primeira vez que se colocava a questão de deter um ex-chefe de Governo. Como é que se sentiu?

Olhe, deixe cá ver se encontro palavras para explicar... A minha preocupação foi perguntar: têm fundamentos suficientes, indícios aprofundados, em termos jurídicos e factuais? Têm verificada a situação que leva a essa decisão processual? “Não temos. Nem fazemos puto ideia de qual seja o crime em causa.” Então, ao perceber que o fulano ia ser engavetado à má-fila, sem sequer ser preciso provar fosse o que fosse, nem ter de perder mais tempo a vasculhar papelada aqui e ali, comecei a sentir uns calores que iam subindo pelas pernas, passaram pela barriga e vieram alojar-se no peito deixando-me a arfar. Ao mesmo tempo, tinha as mãos geladas e os pés com formigueiro. Foi incrível e inesquecível. Só comparável com o meu primeiro beijo ou com a primeira vez que fui ao Colombo.

Acompanhou de perto este processo?

Diga-me você. Acha que me ia aborrecer de um processo com tanta escuta e tanto interrogatório? Só a ler a listagem do que os arguidos guardavam nos computadores e telefones passei noites e noites em branco. Absolutamente fascinante descobrir o que aquela maltósia andou a fazer com as suas vidas.

O engenheiro Sócrates chegou a acusar o Ministério Público de fazer uma perseguição política, de que havia um plano para impedi-lo de se candidatar a Presidente da República. Estava à espera de ataques deste género?

Aqui tenho de fazer uma confissão: estava à espera de bem pior. Quando foi aquilo do gamanço em Tancos, o primeiro suspeito que me ocorreu foi o Sócrates. Em segundo lugar, coloquei o Vara. Cheguei a fazer uma lista. Para ver a seriedade da coisa, nessa lista entram dois Santos Silva, e não foi por erro. E depois de Tancos voltei a desconfiar de Sócrates por causa do incêndio no Pinhal de Leiria. Ainda hoje estou convencida de que aquilo foi ele a fazer um ensaio para incendiar a Procuradoria-Geral da República com vista a destruir pelo fogo a nossa acusação. Está com azar porque já mandei colocar um balde junto da secretária de cada magistrado. Pelo que só lhe resta o armamento roubado em Tancos que ainda esteja em falta. Do mal o menos.

Chegou a haver uma fricção entre a procuradora-geral e os investigadores relativamente ao tempo da investigação. No final, acha que é uma boa acusação?

Mais do que boa, óptima. Veja bem, conseguimos misturar tudo e mais alguma coisa no processo, só faltou incluir o afundamento do Titanic e a Guerra da Crimeia. Nem daqui a trinta anos ele se livra daquilo. E, com sorte, vai mesmo de cana ou vai ficar sem um tostão. Mas mesmo que algum juiz socialista e corrupto acabe por ilibá-lo dado não termos provas de crime algum de corrupção, lá isso é verdade, acho que estamos de parabéns porque para nós é igual ao litro. Foi apanhado e triturado. Está feito em merda para o resto dos seus dias. E ainda teremos uma estátua para celebrarmos condignamente a Operação Marquês, gravem estas palavras!

Um relatório polémico feito pela inspeção do Conselho Superior do Ministério Público em 2014 sobre métodos usados pelo DCIAP, o departamento que investigou a Operação Marquês, dava conta de críticas que nós agora vemos na defesa dos arguidos deste caso e que têm a ver com os chamados processos administrativos, ou seja, investigações que estariam a decorrer fora do âmbito do inquérito-crime. O que tem a dizer sobre isto?

Não tenho muito. É que agora estou cheia de pressa. Instalei o Wi-Fi em casa e ando a tentar navegar o máximo que posso, descontrai-me tanto. Já passei por um sítio de apoio ao regresso do Bruno de Carvalho para salvar o Sporting, pelo que devo estar mesmo a chegar ao fim da Internet.

E não há um abuso por parte do Ministério Público em relação a esses procedimentos?

Mas quais procedimentos? Os procedimentos de apanharmos os corruptos? Tenha juizinho e fale do que interessa. Tudo o que servir para entalarmos os socialistas, isto é, os marginais, é santo.

Mas também têm um tempo de duração limitado. Não podem ficar adormecidos...

Ó homem, você é que me parece andar a dormir. Acha mesmo que é possível apanhar algum corrupto que dê gostinho, daqueles a pingar e exalar corrupção por onde passam a caminho do Rato, apenas com as leis que esses corruptos aprovam no Parlamento? Oiça lá, você é parvo ou faz-se?

E como vê as suspeitas levantadas sobre uma alegada batota que o Ministério Público teria feito para escolher o juiz de instrução Carlos Alexandre, para que fosse ele e não outra pessoa a acompanhar o inquérito-crime da Operação Marquês?

Vejo com naturalidade e simpatia. Provavelmente, são suspeitas vindas de pessoas que sabem do que estão a falar ou de pessoas de bom gosto. Qualquer das alternativas faz-me todo o sentido.

Passaram-se quatro anos desde que foram abertas as investigações ao colapso do BES. Em que pé estão?

No pé direito. Como sabe, a família Espírito Santo não era propriamente conhecida por conviver com a esquerdalha.

Há capacidade em Portugal para investigar offshores e esquemas financeiros nos casos do universo BES?

Haver, há. Mas tem de se ter em atenção que se trata, na enormíssima maioria desses esquemas financeiros do BES, de gente séria. Ora, ninguém quer um Ministério Público que não consiga distinguir entre a gente séria e a canalha. Com a canalha, pode-se atalhar nos procedimentos e acelerar um bocado porque eles já estão habituados a levar nas orelhas. Com a gente séria tem de se ter cuidado e outras maneiras. É que a gente séria não está nada habituada aos ambientes policiais e judiciais e depois estranha e até pode desenvolver alergias que acabam por prejudicar e atrasar ainda mais as investigações. Pelo que o melhor é ir com calma, offshore a offshore, esquema a esquema, mas sem pressa e, acima de tudo, sem stress. A gente séria odeia stress e eu percebo-os muito bem porque sou igual. Séria e alérgica ao stress.

Acredita que vai ser possível descobrir quem são os beneficiários efetivos do famoso saco azul do Grupo Espírito Santo?

Uma coisa lhe posso dizer com grande confiança. Sejam quem forem, são pessoas que merecem respeito e consideração. Não estou nada a ver o Grupo Espírito Santo a ir escolher um saco de cor azul, uma cor tão bonita, se em causa não estivesse a fina flor da nossa sociedade.

Podia ser uma comédia se não fosse tão triste

«O ministro é evidente que se tinha que demitir, já vai muito tarde. Na primeira fase, quando começou com graçolas, percebeu-se logo que ele não tinha muita habilidade para fazer aquilo que fazia. Depois, com o conhecimento do memorando, nós ficamos a saber que o homem nem sequer sabia o que se passava no seu gabinete quanto mais nas Forças Armadas.»

[SIC Notícias]

«um ministro que diz graçolas do género "nem sei se houve assalto"»

[DN]

Pedro Marques Lopes

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Sou fã do Pedro. Vejo nele um autêntico liberal, de cepa clássica. Alguém que coloca a liberdade acima do sectarismo, do tribalismo, do egoísmo. Daí, conseguir ter a independência e a coragem para defender a decência e a comunidade bastando-lhe o critério da sua honestidade intelectual. Dado não passar fome, nem parecer ter problemas bicudos para desfrutar com os seus do conforto e segurança que lhe aprouver, corresponde ao modelo de cidadão descrito por Aristóteles como sendo o esteio do melhor dos regimes: aquele onde a classe média governa. Não faço ideia se o seu território de afirmação mediática iria resistir à entropia e dialéctica de um cargo partidário ou governativo, mas fica a bela esperança de que um dia façamos tal experiência; seja com ele ou com outro qualquer congénere.

Como admirador, tenho especial prazer em usar o seu exemplo para zurzir no espectáculo que começou a 10 de Setembro de 2017. Nesse dia, a TSF e o Diário de Notícias publicaram uma entrevista a Azeredo Lopes, feita por Anselmo Crespo e Paulo Tavares. Essa entrevista foi antecedida da publicação de textos de opinião de ambos os jornalistas onde optaram por um registo incendiário, sensacionalista e de ataque ao ministro da Defesa em cima do acontecimento. No decorrer da entrevista, esse clima de hostilidade, perseguição e acinte está presente na escolha das perguntas obsessivamente persecutórias de uma suposta responsabilidade política no caso, tendo acabado por gerar dois factos notáveis e com destino oposto. Um deles, a escolha do seguinte título: “”Não sei se alguém entrou em Tancos. No limite, pode não ter havido furto“. O outro, a censura no DN a parte da entrevista onde o então ministro desmente uma mentira publicada pelo jornal. Quanto ao primeiro, tal lançou uma reacção de matilha onde se passou a caricaturar Azeredo Lopes não por causa das verdadeiras e contextualizadas declarações com as quais (duas, separadas na entrevista) se montou o título, mas por causa da intencional perversão sensacionalista da responsabilidade exclusiva dos dois jornalistas e do então director, Paulo Baldaia, ao inventarem uma sequência de frases que não existe na entrevista. Quanto ao segundo, nenhuma alma falou nisso, sendo eu, se calhar, uma das 5 pessoas neste planeta que conhece a inacreditável violação deontológica. É comparar: entrevista transcrita com entrevista captada (as declarações censuradas começam ao minuto 22:23 e vão até 25:05, buereré de caracteres). Sei bem que jamais alguém irá aparecer a justificar o corte, a começar porque também ninguém está para perder uma caloria com o assunto, mas seria lindo ouvir uma qualquer tanga a respeito por parte de quem assim decidiu.

O ataque a Azeredo Lopes passou a fazer-se quase exclusivamente, até à sua demissão e ainda nos comentários à mesma, usando a munição dada pelo DN a quem a quis usar. E todos quiseram. Todos. Porque era de um sarcasmo universal, permitia pintar o ministro como um tontinho que andava a apanhar bonés. E quem é que resiste a juntar-se a essa turbamulta que atira ovos e tomates aos malandros dos políticos, para mais apanhados num caso escabroso e inacreditável, ainda por cima socialistas e, para cúmulo, tendo andado pelos mares profundos da comunicação social armados em importantes? Pelo que se tornou obrigatório associar “Azeredo Lopes” e “Pode não ter havido furto” se algum macaco se lembrava de dizer coisas a respeito de Tancos. E quanto menos tivesse para dizer mais se agarraria à banana do Azeredo. No entanto, contudo, todavia, a tal entrevista dada à TSF e ao DN é um exercício de apurada racionalidade e sentido de Estado, mesmo de alta responsabilidade política, que o presente confirma e o futuro reforçará. Por cada novo dado que aumente a nossa incredulidade face ao que se passou, ao mesmo tempo aumenta a relevância do que o Governo, pela boca do ministro da Defesa, veio dizer aos cidadãos nessa ocasião. Recordemos os factos estruturantes desse sofisticado e poderoso acto comunicativo:

– Azeredo Lopes deu a entrevista na sequência de ter recebido as conclusões dos primeiros inquéritos dos diversos ramos das Forças Armadas e da Inspeção-Geral da Defesa Nacional. Ter falado antes seria irresponsabilidade. Não falar depois, estando o tema a ser usado como arma de arremesso contra o Governo e havendo uma necessidade política de dar explicações preliminares pela tutela, seria irresponsável.

– Azeredo Lopes descreve na entrevista o que fez dentro da sua responsabilidade governativa após receber a notícia do assalto. Nessa descrição, deixa a nu, para quem quiser ver, que Tancos faz parte de uma questão cuja profundidade e complexidade atinge o próprio regime. Ao mesmo tempo, e precisamente por causa da gravidade geral do problema que ultrapassa desmesuradamente a ocorrência do assalto aos paióis, transmite a mensagem de que o problema não se vai resolver numa legislatura, muito menos começando a disparar contra o Exército.

– Azeredo Lopes responde à acusação dos direitolas – e dos jornalistas úteis aos direitolas – de que Tancos pedia a sua cabeça repetindo rigorosa, zelosa e enfaticamente que a solução para a crise aberta pelo assalto iria passar inevitavelmente pela acção do Ministério Público. Com isso transmitiu outra poderosa mensagem, a de que o Governo não seria conivente com as diversas ilegalidades que vieram espantar a sociedade no episódio. Quem tinha roubado, e quem tinha ajudado a roubar, teria de ser apanhado e castigado. Mas não pelo ministro da Defesa – e também não pelos próprios militares. Algo tão sério como o que se via e entrevia carecia dos mais poderosos instrumentos policiais do Estado civil para impor a força da Lei. Um ano e pouco depois, o primeiro-ministro fez exactamente dessa mensagem uma bandeira que agitou no momento mais intenso do cerco a Azeredo.

– Azeredo Lopes, no auge do aproveitamento das potencialmente ambíguas declarações de Marcelo a respeito de Tancos, responde exemplarmente dizendo o óbvio. Hoje sabemos que Marcelo e Costa – e, muito provavelmente, uma boa parte das cúpulas das Forças Armadas – estão unidos no propósito de tratar esta questão com pinças. Pinças de titânio, mas pinças. Ou seja, é um trabalho de ourives (um broche, usando o vernáculo de caserna).

Parafraseando o último “Eixo do Mal”, quem está de boa-fé percebeu que o ministro da Defesa foi alvo de uma pulhice jornalística. Um ministro com currículo incomparável na forma como fez respeitar a Constituição e o Estado de direito democrático na relação entre o Governo e o Exército. Ora, com aqueles que estejam de má-fé não vale a pena discutir. Daí o meu interesse pelo Pedro Marques Lopes, no qual jamais acreditarei que ceda à desonestidade intelectual. E, não cedendo, segue-se que ele jamais conseguiria provar que o ministro da Defesa alguma vez disse “graçolas” a respeito de Tancos, tal não passando do resultado de as suas emoções estarem a distorcer por completo a sua capacidade analítica. Essa constatação surge como uma disfuncionalidade importante por exibir incoerência com os valores que o próprio assume e promove. Seja como for, o seu caso não é tão grave como o do Anselmo Crespo. O mesmíssimo Anselmo Crespo que entrevistou um ministro da Defesa só para o queimar, para mais nada que tenha remotamente a ver com a missão do jornalismo enquanto actividade que ajuda o público a descobrir a realidade. Este amigo, cuja expressão escrita é um festival de empáfia e piroseira assanhada, chega a 12 de Outubro de 2018, depois do tudo que se sabe dentro do tudo que se desconhece, e abre assim um Bloco Central:

«O azar do Azeredo. Podia ser o nome de uma comédia se não fosse tão triste e, sobretudo, tão grave. O ministro que depois do assalto aos paióis de Tancos teve pérolas como "Não tenho noção exacta do material que foi roubado" ou "No limite, pode não ter havido furto nenhum", só para dar alguns exemplos, saiu de cena. [...] O que Azeredo Lopes não faz, nem na hora da despedida, é reconhecer qualquer responsabilidade política neste caso. [...]»

Revolution through evolution

Avoiding a spouse’s demands may benefit low-income couples but hurt wealthier couples, study says
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Men in Leadership Gain from Psychopathic Behavior, Women Punished
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Feminine leadership traits: Nice but expendable frills?
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No, we’re not all working for a bunch of psychopaths
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Scientists chase mystery of how dogs process words
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Stem cell proliferation is controlled directly by nervous system, scientists find
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Us vs. them: Understanding the neurobiology of stereotypes
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Ó Paulo Tavares, tu tira uma sabática para curar isso

Queimados por más experiências nas últimas décadas, confundimos eleitoralismo com despesismo. Alguém pode dizer, sem confundir desejos com realidade, que estamos hoje no mesmo ponto em que estávamos em 2009? Quase um ano depois da queda do Lehman Brothers e com uma tempestade perfeita a formar-se à escala global, José Sócrates atirou-se a um aumento de 2,9% para a função pública. Aí, todos os adjetivos foram válidos.

Paulo Tavares

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Transformou-se num fenómeno do Entroncamento. Este amigo, uma semana depois, volta a repetir uma calinada inadmissível até num jornalista que estivesse a estrear a carteira. Desta vez, aumenta a tonteira ao introduzir o calendário do Lehman Brothers, o qual alega conhecer. Como explicar a estupidez e a mentira? Bom, acaba por ser fácil. Como a intenção é usar o aumento que o Governo de Sócrates – com os votos do PSD – deu aos funcionários públicos em Outubro de 2008 para entrar em vigor no ano seguinte, Paulo Tavares transfere para 2009 o seu nascimento de modo a reforçar a ideia de ter sido algo “eleitoralista” numa escala nunca vista, um acto de loucura a merecer a eterna condenação das gerações seguintes. Factos? Cálculos? Contextos? Dispensa. Isso iria perturbar o exercício sectário, a demagogia jornaleira nascida da sua displicência e soberba.

Dito isto, pode ser que este amigo tenha investigado o assunto, como mais ninguém antes ou depois, e tenha descoberto que o Lehman Brothers faliu na verdade em 2007 mas que conseguiu guardar segredo até Setembro de 2008. É uma hipótese. Seguramente mais simpática do que todas as outras que me ocorrem para explicar a sua fixação e a sua deturpação.

Perguntas simples

A Justiça à moda de Mação, onde os juízes passam a trabalhar para o Ministério Público e se permitem condenar arguidos ainda sem acusação formada, e onde esses mesmos juízes vão para a TV sugerir que estão cercados por criminosos na própria Justiça e no sistema político, merece ser referendada ou isso seria estar a perder tempo na cruzada contra a “corrupção”?

O quarto poder como quinta-coluna

O conceito de “quarto poder”, quando aplicado à imprensa, pressupõe a tríade “poder legislativo”, “poder executivo” e “poder judicial” como referentes. Num Estado de direito democrático, institui-se constitucionalmente a separação desses três poderes estruturantes do paradigma civilizacional liberal. Esta a paisagem que serve para imaginar um “quarto poder” fiscalizador do trio teorizado por Montesquieu. Nessa missão, os seus representantes (os jornalistas) concebem-se como isentos, objectivos, independentes – ou seja, o “quarto poder” igualmente reclama um estatuto de separação donde procede a sua legitimidade e autoridade. Os jornalistas não criam leis (porque não são parlamentares), não as usam na governação (porque não governam) nem as aplicam nos tribunais (porque não julgam), mas conhecem-nas tão bem como os representantes dos restantes poderes (esta a tese); daí poderem aferir se são respeitadas ou violadas por qualquer autoridade (para tal, possuem direitos de investigação e protecção especiais). Mas não só. Os jornalistas podem também reclamar uma maior (e melhor) proximidade à população, ao eleitorado, aos agentes económicos, sociais e culturais, aos simples cidadãos enquanto entidades com direitos e garantias estabelecidos nos princípios e códigos fundantes da vida social e em comunidade, para se assumirem como advogados mediáticos de qualquer causa ou caso que considerem merecer a justa protecção ou promoção do “quarto poder”. Nesta pureza guardiã das instituições e dos indivíduos, assim como dinamizadora das actividades económicas e artísticas, a imprensa constitui-se como um dos pilares mais importantes da democracia e da vida em sociedade. Esta uma definição mal-amanhada e à pazada do conceito de “quarto poder” (na sua abstracção) só para chegar ao Manuel Carvalho.

Neste texto já enterrado no esquecimento – O pseudogolpe na procuradoria – vemos o director do jornal Público, recorrendo à figura do editorial, a despachar em três curtos parágrafos o processo de substituição de Joana Marques Vidal por Lucília Gago. O poder de síntese demonstrado não terá a sua origem numa misteriosa limitação de espaço para a escrita, ainda menos no que o seu bestunto conserva como informação e opiniões a respeito da coisa, pelo que a explicação para tamanha modéstia analítica e reflexiva terá outra origem. Vou apostar na dimensão do livre-arbítrio e concluir que o senhor não disse mais porque não quis. Agarremos então no que foi publicado como declaração oficial da posição do jornal Público a respeito das questões associadas ao final do mandato de JMV e ao fenómeno de partidarização e campanha mediática a que se assistiu. O que lemos permite descobrir os mecanismos mentais dos decisores editoriais do que passa por “jornalismo de referência” – ou seja, do que nos dizem ser um típico representante do “quarto poder”; no caso, o Público – no trato de uma das mais emporcalhadas situações de que há memória a envolver a Procuradoria-Geral da República, o primeiro-ministro e o Presidente da República.

Para comodidade de exposição, divido as mensagens de MC em dois grupos, “Do Manel” e “Do Carvalho”:

Do Manel

– «Uma normal e legítima opção do Governo e do Presidente da República tornou-se para alguns sectores da direita a prova acabada de que o regime sucumbiu com enlevo à praga da corrupção. Como se em causa estivesse a escolha entre a vontade ou a renúncia à salvação, como se não houvesse Ministério Público para lá de Joana Marques Vidal, como se uma escolha sujeita a interpretações do espírito da Constituição se resumisse a uma certidão de que o Governo, o Presidente, o Bloco, o PCP e uma boa parte do PSD de Rio estão empenhados em acariciar a corrupção e proteger os poderosos com o braço da lei.»

– «Há mais procuradoria para lá da ainda procuradora-geral. Portugal é, apesar de tudo, um país dotado de aparelhos institucionais suficientemente maduros para dispensarem o papel do caudilho ou dos salvadores da pátria.»

– «dizer que a sua não recondução é um golpe digno de uma quadrilha de malfeitores só pode vir de cabeças que sujeitam a interpretação do mundo à forma dos seus desejos e ao tamanho das suas ambições.»

Do Carvalho

– «Joana Marques Vidal deveria ter sido reconduzida no cargo porque, para lá de todas as fragilidades do seu mandato, acabou com os resquícios de uma Justiça burocrática e rendida aos encantos do poder tão bem cultivada pela dupla Pinto Monteiro-Noronha do Nascimento.»

Aqui temos o Manel a descrever com objectividade a realidade, isso de termos assistido a uma campanha demagógica e populista por parte de uma direita ressabiada e rancorosa, decadente. E tão perigosa na obscena exibição da sua gula para usar a Justiça e polícias como arma política. Isso de não ser concebível que o Ministério Público e sua complexa e cristalizada autonomia esteja na dependência de um qualquer procurador-geral da República para cumprir o princípio da legalidade a que está obrigado. Isso de o procurador-geral da República, seja ele quem for, não obrigar o Ministério Público a abrir processos nem impedir ilegalmente os procuradores de investigarem o que, na sua autonomia e responsabilidade, sejam obrigados a investigar dada a existência de indícios conhecidos para tal. Isso de os resultados a que cheguem ou não cheguem as investigações não decorrerem da competência, esforço e traços morais dos procuradores-gerais da República, antes das equipas abaixo no Ministério Público que assumem a primeira responsabilidade judicial sobre os processos. Isso de que apagar estas evidências basilares para as substituir por caudalosas suspeições difamantes que chegaram a atingir o primeiro-ministro e o Presidente da República corresponde à mais degradante baixa política, uma chicana escandalosa e soez vinda de altas figuras partidárias, regimentais e mediáticas da direita acéfala.

À mistura com esta salubridade jornalística e cívica, tropeçamos no Carvalho caluniador. O que ele agita – surpresa! – é exactamente a bandeira da campanha demagógica e populista, difamante e paranóide, dos que exploraram o final de mandato da Joana Marques Vidal para obterem combustível que permita continuar a incendiar o espaço público e a espalhar um terrorismo sociológico que visa destruir a confiança nas instituições da República. Carvalho não se limita a apontar ao Pinto Monteiro, vai também buscar Noronha do Nascimento. Com isso está a transmitir aos seus amigos de almoçaradas e copázios que ele continua um bom soldado, disparando na direcção certa. A direcção certa é – espanto! – Sócrates. Ora, tirando o “Face Oculta”, que outro episódio o Carvalho poderia dar como exemplo da aludida rendição aos encantos do poder por parte de Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro? Nenhum de nenhum, escusa de fingir que procura na enviesada memória. Ninguém recorda qualquer outro acto de Noronha do Nascimento em suposto conluio com Pinto Monteiro. Mais: ninguém se lembra de ter visto o Conselho Superior da Magistratura e/ou o Conselho Superior do Ministério Público a sequer tecerem considerandos sobre eventuais irregularidades de algum desses dois magistrados difamados pelo Carvalho. Saberá o Carvalho caluniador como se constituem esses conselhos e a autoridade que possuem? Se sabe, como explica que não tenham opinado sobre tão colossal violação do dever por parte desses dois magistrados que ataca? Acontece que este senhor director de um semipasquim – pasmo! – nada conseguiria explicar caso fosse interrogado sobre a matéria acusatória que deixou com boçalidade na página. Nada conseguiria demonstrar que aparentasse ser uma irregularidade nas decisões tomadas que contrariaram a pretensão de se estar perante um “atentado contra o Estado de direito” só porque em Aveiro se conseguiu espiar Sócrates em banais conversas privadas com Vara. Ele apenas sabe dizer que Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento eram demasiado “burocráticos” – ou seja, que essa dupla deixava a Lei interferir na pulsão justiceira de certos magistrados engajados e atrapalhar o uso dos instrumentos policiais mais poderosos na caçada a certos alvos tão politicamente valiosos. Já com a santa Joana, foi um despacho que deu gosto ver. Abriu-se um processo judicial sem se saber qual era o crime em causa e prendeu-se um ex-primeiro-ministro sem provas, apenas como oportunidade imperdível para o castigar e interferir numas eleições legislativas. O Ministério Público passou a cometer crimes diários de violação do segredo de justiça ao serviço de uma campanha de linchamento público e condicionamento do poder judicial e do clima político. E até tivemos direito a gozar de pança cheia com o fascinante espectáculo televisionado dos interrogatórios a arguidos e testemunhas gravados nos estúdios do Ministério Público, já para não falar de uma certa entrevista onde um certo juiz condenou na TV um certo arguido cujos direitos tinha a obrigação de não só respeitar como defender e que ainda nem acusado estava.

Será o Manuel Carvalho um mau rapaz? É ao contrário, pelo menos quando se vê ao espelho. Ele concebe-se como um probo, um valente. É por isso que quer muito, muito, muito apanhar a bandidagem que para aí anda a roubar a gente. Raios, ser jornalista e chegar a director de um jornal “de referência” e deixar escapar os gatunos não ficaria bem no seu currículo e memórias futuras. De quantos bandidos estamos a falar? Isso ele já não saberia dizer, mas pelo menos em relação a Sócrates e aos restantes bandidos socialistas cúmplices das extraordinárias actividades criminosas relatadas na indústria da calúnia não tem dúvidas. É daí que vem o seu apoio à JMV, uma santa que ele adoraria ver mais 6 anos a espezinhar a “burocracia” que protege a ladroagem com poder. Ou seja, o Carvalho escreveu aqueles três parágrafos para sossegar a sua malta. A malta que vê no Estado de direito democrático algo muita fixe quando se trata de proteger os seus, e que passa a considerar o Estado de direito democrático, o rigor na defesa da Lei, a integridade das instituições da Justiça, algo “burocrático”, um empecilho, mesmo um erro a ser corrigido por aqueles que têm o que é preciso para caçar os “poderosos” – ou, vá lá, pelo menos um ou outro “poderoso” mais apetitoso e que sirva de exemplo e ameaça para certos tipos que se costumam reunir ali para os lados do Rato.

Pelo que acabamos na síndrome de Janus, endémica no pseudojornalismo e na baixa política. O prestígio e aparato do jornalismo enquanto missão cívica, e considerado como pilar dos regimes democráticos, a ser usado por aqueles, cônscios ou sonâmbulos, que preferem a adrenalina e testosterona dos linchamentos e das conspirações, das campanhas e das golpadas. Um jornalismo transformado em auxiliar de um Ministério Público justiceiro que viola direitos e garantias, que alimenta operações mediáticas para a perversão da Justiça e assassinatos de carácter inclusive de magistrados, é precisamente o oposto do que qualquer conceito de democracia concebe como a defesa da liberdade.

Baldaia’s effect

Filipe Santos CostaE António Costa conseguirá fazer a legislatura toda a fazer remodelações de emergência sem nunca fazer uma grande remodelação?

Paulo BaldaiaEra um disparate fazer agora uma grande remodelação... Acho que era um disparate, simplesmente. Tens dois ministros com dificuldades, que é o ministro da Educação e o ministro da Saúde, mas eles não têm responsabilidade sequer nas dificuldades que têm. É colectivo, é do primeiro-ministro, é do ministro das Finanças. Não tens mais ninguém. [...]

Acho que precisa de um ministro da Defesa com força política, de facto. Hoje ouvi o Ricardo Costa a dar o exemplo do que podia ter força política, que é o presidente do PS, Carlos César. Há uma outra hipótese que é pôr o ministro dos Negócios Estrangeiros a acumular com a Defesa. [...]

Ou é o Carlos César ou é difícil encontrar outra pessoa que não seja... [imperceptível]

Expresso da Meia Noite (nas vésperas da remodelação governamental)

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Paulo Baldaia é um dos mais reputados jornalistas portugueses, sendo especialista em política e dispondo de contínua presença na imprensa escrita, radiofónica e televisiva “de referência”. Não só ele como quem lhe tem pagado os salários acredita que, como especialista em jornalismo político, percebe, entende e até compreende o que se passa na política. La Palice que nos acuda. Tão conhecedor é desse fascinante e feérico universo que consegue servir aos leitores, ouvintes e telespectadores uma papinha para consumo facilitado pelas cachimónias ignaras e distraídas que preenchem as audiências. E é isso que anda a fazer, com gosto, há muito tempo.

Eis que foi apanhado a 250 km/h numa via onde a tabuleta indicava 30 e ainda havia lombas a cada 15 metros. A sua inteligência capotou, o seu discurso fanfarrão ficou todo torcido e amolgado, nada se aproveitando do acidente. O registo de café, de que acima se deixa amostra, faz a essência do comentário político ao nível do Baldaia e dos seus companheiros de função. Vale tudo porque não há qualquer consequência para a vozearia. Ao mesmo tempo, e para quem chega a director disto e daquilo, a tentação de vir a conseguir influenciar audiências, políticos e resultados eleitorais é inevitável, hipnótica, viciante. O dia-a-dia passa a incluir muitas noites de jantaradas e de copofonia com os colegas do ramo e com os colegas dos outros ramos e ramadas unidas pelo tronco disto que somos juntos, desde políticos a quem tenha algo a dizer sobre os políticos (e tanto que há para dizer dos políticos por outros jornalistas, por outros políticos, por polícias e por magistrados, né?). É muita informação junta, a qual provoca digestões impossíveis em tempo útil para quem tem de despachar parangonas e opiniões sem parar. Donde, a contínua actividade bolcista onde se cotam as simpatias e antipatias, taras e manias, em ordem a compor os exercícios de “comentário político”. Foi assim que o Baldaia conseguiu ser um dos mais fervorosos apoiantes de Cavaco, do PSD e da direita em geral quando aparecia no início do Fórum TSF para dar início à sessão ditando as suas preferências nos assuntos correntes, indo buscar o exemplo mais folclórico da sua agenda como “influenciador”. Apesar de certos fogachos em nome da decência no espaço público, a sua passagem pelo DN como director foi tão-só a confirmação do seu perfil alaranjado. Nada mais ficou que valha a pena recordar pela positiva (e muito ficou de negativo, especialmente em relação aos incêndios de 2017 e ao caso de Tancos).

Para quê perder tempo com o bom do Baldaia? Só para ilustrar, anedoticamente, a mediocridade do comentário político na sua generalidade. E o pior não é termos políticos a ocuparem espaços de comentário, pois nesses casos há transparência e utilidade. Ninguém poderá dizer que foi enganado pelo Marques Mendes, por exemplo, e o Marques Mendes poderá armar-se em Marcelo e capitalizar a notoriedade mediática em votos quando e para o que lhe apetecer. Nada mais justo porque puramente político. O pior é termos jornalistas mascarados de políticos que, ainda por cima e antes de tudo, não querem assumir responsabilidades políticas. Só lhes resta a bazófia e a intriga como veículos da sua energia mental e como alimento da sua infinda vaidade. E depois dá nisto que acima é citado, uma gargalhada hilariante perante a absoluta falta de acerto deste cromo da coisa face à realidade que estava ali ao virar da esquina.

Nesse mesmo programa, em frente ao Baldaia, sentava-se o Eduardo Dâmaso. Deste passarão da indústria da calúnia recebemos a informação de ter tido acesso a um certo documento, uma certa folheca, antes da classe política. Se alguém perder tempo a analisar essa passagem, vai descobrir o seu incontrolado prazer ao reclamar, em frente às câmaras, ter um poder exclusivo. Nem políticos, nem o restante maralhal da imprensa, consegue o que a Cofina consegue quando se trata dos crimes de violação do segredo de justiça e exploração difamante e caluniosa dessa e nessa actividade criminosa, é o subtexto da manifestação da sua elevadíssima auto-estima. Não era giro que um jornalista, e logo um desses especialistas em política, nos ajudasse a perceber, entender e compreender o poder fáctico e criminoso da Cofina? Pelo que vi, e por tudo o mais que conheço do seu trabalho, esse jornalista, a existir, não se chama Paulo Baldaia.

Os funcionários e os públicos

«É uma remodelação eleitoralista a par de um orçamento eleitoralista? Talvez, mas é preciso olhar o momento. Não creio que alguém esteja preparado para comparar o que conhecemos hoje e o que vai ser apresentado amanhã com o aumento de 2,9% que José Sócrates ofereceu aos funcionários públicos em 2009, numa altura em que o mundo colapsava à nossa volta.»


Paulo Tavares

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Tenho uma boa impressão do Paulo Tavares graças ao seu papel no “Bloco Central” da TSF ao longo de muitos e bons anos – e vou lutar desalmadamente para a manter tal a carência de jornalistas decentes em Portugal. Todavia, quando passou para o DN, achando que tinha de opinar sobre o que os outros andam a opinar, começou a borrar a pintura porque se tornou mais um a contribuir para o sectarismo e o berreiro. Isso surpreendeu-me, mesmo se o seu caso não é o mais chocante no grupo de jornalistas que transita entre a TSF e o DN. Surpreendeu-me porque não entendo o que leva alguém que parece não ter sido obrigado a ser jornalista para ganhar o pão a passar por mentiroso ou estúpido.

Estamos em Outubro de 2018. Este amigo vai para o teclado largar sentenças em modo displicente e soberbo sobre ministros que saem e que entram. Tudo bem, é lá com ele e com quem lhe paga. No final da prosa, recua 10 anos e tira Sócrates da cartola. Porquê, foda-se caralho? Por ser mentiroso? Por ser estúpido?

Em 2008, ano em que o Governo propôs esse aumento de 2,9% para os funcionários públicos, diz-nos este amigo que “o mundo colapsava à nossa volta“. Ai, colapsava? Era mesmo assim? Acontece que o Governo previa um défice de 2,2% para esse ano em que o rating da República portuguesa estava no máximo e a dívida pública era de 68% do PIB. Mais: com uma previsão de 2,5% para a inflação em 2009, o aumento dos funcionários públicos seria só de 0,4% face ao custo de vida. Função Pública essa que estava desde 2000 a perder poder de compra e que tinha visto esse mesmo Governo congelar as carreiras dos funcionários públicos logo após ter tomado posse em 2005. Se, porém, ao usar a imagem do mundo a colapsar o jornalista se refere ao Lehman Brothers e consequências internacionais da sua falência, será que ignora ter sido opção dos Governos afectados, a começar pelos EUA e UE, a urgente recapitalização da economia? Ou seja, a partir de Setembro de 2008 e até à crise grega em Janeiro de 2010, a estratégia europeia para impedir que uma recessão mundial se transformasse numa nova depressão mundial foi a de gastar dinheiro para manter os bancos, os empregos, a produção, as trocas comerciais, o nível de vida e a segurança de centenas de milhões de pessoas que tinham ficado na corda bamba.

Sim, o mundo colapsou à nossa volta. Bem verdade, pá. Só que não foi em 2009, muito menos por causa do aumento fajuto dos funcionários públicos. Foi a partir dos idos de Março de 2011. Foi por causa de certos funcionários de certos públicos.

Revolution through evolution

How Parenting Can Cause Antisocial Behaviors in Children
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Nice People Finish Last When It Comes to Money
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Discovery of first genetic variants associated with meaning in life
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World’s fastest camera freezes time at 10 trillion frames per second
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Even when presented with facts, supported by evidence, many people choose not to believe them
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Does More Education Stem Political Violence?
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Clues that suggest people are lying may be deceptive, study shows
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Continuar a lerRevolution through evolution

O que nos vale é ter acabado a impunidade

1 – inventona de belém, cavaco queixa-se que anda a ser espiado e o ministério público faz escutas ao sócras.
2 – cavaco faz permuta manhosa da vivenda mariani pela cena da coelha, 5 vezes mais área e qualidade superior, subavaliação à vista desarmada, papéis falsos, construção ilegal, etecetera & tal, ministério público investiga o freeporcos na base de uma denúncia anónima dum gajo do cds, que trabalhava no gabinete do santana lopes, em colaboração com agentes da judiciária.
3 – cavaco e filha embrulhados numa história de mais valias nunca vistas com acções do bpn, nunca justificou a compra e muito menos a venda, ministério público investiga um sucateiro que deu uma caixa de robalos ao vara.
4 – bes financia o genro do cavaco na compra do barracão atlântico, o banco faliu, não se sabe se pagou, se ficou a dever mas aparentemente aquilo é dele mais umas herdades que entretanto comprou. estranho para um gajo que só tinha credores à perna. ministério público investiga cartões de crédito dos ministros do governo sócras e guarda resultados na gaveta para melhores dias.
5 – falência fraudulenta do bpn, gang cavaco à solta, só o oliveira casca foi dentro mas por pouco tempo e ainda gozou com a justiça, ministério público preocupado com 20 perguntas que não fizeram ao sócras nos últimos 10 anos de investigações e fugas ao segredo de justiça.
6 – governo sócras muda localização do futuro aeroporto da ota para alcochete por pressão do cavaco, baseado em estudo pago pelo vanzelina, para os amigalhaços da primária do cavaco comprarem terrenos em alcochete com dinheiro emprestado pelo bpn. ministério público chamado a investigar sócras por negociatas com a elos e mais não sei quê relacionado com o troço do poceirão que foi cancelado pelo passos, negociata do sérginho com condições ruinosas para o estado.
7 – desapareceram uns milhões com a compra dos submarinos e apareceram vestígios no cds por intermédio do capelo rego. idem com uns pãesduros, mais umas broas com armamento e sobreiros do bes. investigações borregaram, tudo gente séria. ministério público investiga sócras por suspeita de receber bué de milhões do saco azul do ges.
8 – orlando figueira empresta dinheiro por baixo da mesa ao carlos alexandre e encaminha currículo do filho para a sonangol e é tudo normal. investigam-se cabras & cabritos.
9 – passos vende a pt à azeitice por uma broa e o ministério público resolve investigar sócras porque não vendeu ao belmiro.
10 – a corporação queria demitir o centeno por causa dumas entradas para a bola, mas como a coisa não tinha ponta por onde pegar, abortaram a coisa e meteram a bucha dos cartões de crédito dos secretários de estado do socras.
11 – rangel decide na operação marquês contra gosto da corporação, é investigado e buscas em direto na tv manhosa por uma cena que afinal ninguém ainda sabe o que é, mas que afinal pode não ter sido nada. dizem que havia um pacote com 10k euros na garagem.

poderia ficar aqui a noite inteira a enumerar exemplos da luta contra a corrupção e prisão de poderosos, mas seria fastidioso porque começam e acabam todos da mesma maneira: ai-é-então-espera-aí-que-já-comes.

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Oferta do nosso amigo os sucessos do ministério público

A chantagem deste chantagista explica tanta coisa

«"Nós não estamos a perceber bem qual é a lógica disto", começa por referir Manuel Ramos Soares. "Se nos querem empurrar para um momento de crispação e de conflito institucional entre os juízes e o poder político nos próximos anos, numa altura em que vão estar em julgamento processos muito importantes, nós achamos que é muito negativo e vamos resistir até ao último momento. Mas a ideia com que ficamos é que estão a querer empurrar-nos para isso", aponta o presidente da ASJP.

Questionado se os grandes processos em curso, como o da Operação Marquês, podem sair afetados, Manuel Ramos Soares diz que não. Ainda assim, fica a advertência: "Vamos ter em julgamento um conjunto de processos em que se põe no banco dos réus pessoas que têm ou tiveram responsabilidades políticas importantes. Era bom para o processo, para a imagem da justiça e para a perceção social que os nossos concidadãos têm sobre o trabalho dos políticos e dos juízes, que houvesse paz e tranquilidade. Era muito simples: bastava que se sentassem a falar de forma aberta e honesta".»


Juízes acusam grupo parlamentar do PS de falta de respeito

Tancos? A imprensa de referência (ahahahahah!) explica

Era uma vez um ministro da Defesa que qualificou a discriminação contra alunos no Colégio Militar por razões de orientação sexual, discriminação assumida publicamente pelo subdirector do estabelecimento de ensino, como “absolutamente inaceitável”, pedindo explicações e exigindo medidas concretas para evitar casos desses. Perante a ausência de medidas concretas, Azeredo Lopes exigiu a demissão do subdiretor – o que o então chefe do Exército, general Carlos Jerónimo, considerou uma intromissão abusiva na cadeia de comando militar e, por isso, demitiu-se. Estávamos em 2016, e a partir daí esse ministro da Defesa passou a sair à rua com alvos pintados nas costas, no peito e na cabeça. Os magníficos generais portugueses não iriam perdoar a afronta do civil armado aos cágados.

Em Maio de 2017, deu na veneta ao ministro da Defesa encomendar material para reforçar a segurança no paiol de Tancos, algo que os seus antecessores no cargo não fizeram, talvez por falta de tempo ou lembrança. Porém, este ministro da Defesa de que falamos não teve a presença de espírito para, concomitantemente, mudar as instalações do seu Ministério para Tancos, em ordem a ele próprio poder levantar os olhinhos, entre um papel e outro que tem de assinar, para ir vigiando a cerca por onde os meliantes ameaçavam entrar. Errou gravemente, pois alguém terá percebido que o ministro da Defesa não ia mesmo conseguir defender o perímetro do paiol de Tancos a partir da sua escrivaninha em Lisboa, pelo que fizeram o óbvio: gamaram o que quiseram e puderam antes que chegasse o tal material de segurança encomendado pelo tal ministro da Defesa.

Assim que a imprensa de referência (ahahahahah!) soube do episódio, de imediato exigiu a cabeça do ministro da Defesa. Porquê? Porque se a imprensa de referência (ahahahahah!) não servir para dar cabo de ministros da Defesa já marcados para abate pelos valentes generais do exemplar Exército português, então servirá para quê? Só para pagar aos directores-pavões e aos caluniadores profissionais que contrata para encher o chouriço? Pois. Entretanto, a rapaziada da Polícia Judiciária Militar organizou uma cegada com a rapaziada da GNR de Loulé e com um rapaz tímido que só pedia para o deixarem em paz, número artístico esse que vai entrar para a História. Nesse entusiasmo todo, alguém se lembrou que era muita fixe envolver o ministro da Defesa. Se não para a diversão na Chamusca, seguramente para o after party. Vai daí, foram falar com o chefe de gabinete do ministro ao tempo, o general Martins Pereira, e até lhe entregaram uma folha com uma história. Consta que esses valentes testemunharam um telefonema do general chefe de gabinete para o ministro que não estava no gabinete nessa memorável ocasião.

Estes são os factos conhecidos publicamente e a imprensa de referência (ahahahahah!) está em êxtase porque, garante, é desta que o ministro da Defesa vai pelos ares. E porquê? Porque se insinua à boca cheia que o ministro da Defesa mentiu ao negar ter tido conhecimento do memorando e de ilegalidades nele inscritas. O que, portanto, implica que o primeiro-ministro também mentiu, e logo na Assembleia da República. E se o primeiro-ministro mentiu e tem tido a cobertura do Presidente da República enquanto os cães ladram e tentam abocanhar um pedacinho do Governo, então o Chefe de Estado, que acumula com ser o Comandante Supremo das Forças Armadas, também nos está a tourear. É esta a tese da imprensa de referência (ahahahahah!).

Quanto à hipótese de os militares terem querido resolver a coisa só entre eles e, de caminho, terem aproveitado para queimar irremediavelmente o ministro da Defesa, isso já são ideias muito rebuscadas, completamente loucas, que a terem alguma veracidade teriam de ser primeiro validadas pela imprensa de referência (ahahahahah!). Fiquemo-nos pelo bom senso, sentido de Estado e respeito pela Lei que os factos conhecidos permitem constatar, então.

Bolsonaro vai em frente, tens aqui a tua gente!

Candidato à presidência do Brasil pelo Partido Social Liberal, Bolsonaro tem despertado a oposição de parte da sociedade brasileira que alega que este adotou, ao longo de sua carreira, discursos e posturas de cunho machista, homofóbico, racista, contra minorias e a favor do uso da violência indiscriminada para combater a criminalidade. Trata-se de uma figura controversa, pelo discurso a tocar a xenofobia, pela oposição aos direitos da comunidade LGBT, das minorias, das mulheres. André Ventura não se revê nessas posições, mas encontra naquele político ideias muito positivas, o que contraria a corrente. E por isso o autarca de Loures não se surpreende com a liderança nas sondagens do candidato do PSL. “Não me surpreende, honestamente”, diz, em declarações ao PT Jornal.

“É essa frescura de pensamento que os liberais ocidentais podiam aprender com Bolsonaro. E Portugal também, pois o politicamente correto está morto. E já só os que vivem à conta do regime é que acreditam nele”, assinala.


Fonte

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Uma das últimas grandes decisões políticas de Passos Coelho foi a de usar as eleições autárquicas de 2017 para fazer um teste em Loures. O teste consistiu em escolher, promover e defender um candidato cujo discurso apelasse às eventuais pulsões racistas, xenófobas e linchadoras de uma população residente num concelho dos subúrbios da Capital com histórico de violência associada a grupos étnicos ou com características discriminantes. Não sabemos que avaliação fez da experiência – embora o tratamento vexatório e calunioso dado ao primeiro-ministro e ao Presidente da República na sequência da escolha de Lucília Gago para PGR, posto que replica a mesma lógica populista, leve a admitir que gostou do resultado – mas sabemos que o seu candidato foi exímio no cumprimento do papel que lhe foi atribuído. Fez uma campanha no território do medo usando a chancela do partido e até conseguiu defender a pena de morte sem ter visto o presidente do PSD recuar meio milímetro no apoio à sua ignominiosa candidatura.

Não se trata de um caso isolado, muito menos de um erro do fulano que trouxe a Troika para nos regenerar. Já em 2010 ele tinha avisado com que códigos e tropas iria preparar o ataque ao poder, sendo o primeiro e único líder partidário com presença na Assembleia da República a introduzir o tema da criminalização de políticos por “derrapagens” nas contas públicas (precisamente o modus operandi da golpada que afastou Dilma do poder no Brasil em 2016). Um dos seus mais fervorosos apoiantes, Duarte Marques, acumulando o ódio político que o define com o ser deputado por um partido assim definido, foi para o Facebook exultar de alegria quando um certo cidadão foi detido para prestar declarações no Ministério Público, tendo usado uma exclamação triplamente mista, religiosa (“aleluia”), bairrista e judicial (“a malta de Mação não perdoa”), para dar conta do êxtase em que se encontrava pela caçada triunfal da mítica presa. E nada mais, nada menos, do que Miguel Morgado, António Leitão Amaro, Duarte Marques, Miguel Poiares Maduro e José Eduardo Martins assinaram um texto no Expresso onde garantem que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa legitimaram “o branqueamento do sistema de corrupção e de abuso do poder do passado recente” e ficarão “irremediavelmente comprometidos com o regresso provável a um regime de impunidade que tantos danos causou a Portugal”. Ou seja, não se trata apenas da violência soberba de Passos e Cavaco contra as instituições e quem as representa ao mais alto nível da responsabilidade no Estado, há uma falange de jovens turcos no PSD prontos para dinamitarem os alicerces do Estado de direito democrático se lhes emprestarem uma caixa de fósforos. O dinamite que seguram na mão chama-se ora judicialização da política, ora politização da Justiça, e Joana Marques Vidal é a santa que ostentam brasonada nas armas.

De Cavaco e do seu “falar verdade aos portugueses” ao André Ventura e ao seu fascismo refrescante com sabor a caipirinha vão pouquíssimos anos e ainda menos vergonha na cara. Como a comunicação social é um vasto oceano alaranjado, prefere-se continuar a fazer pontaria ao ministro da Defesa em vez de soar os alarmes perante os sinais que se acumulam a respeito da radicalização da direita decadente. Continua profético, portanto, e actualizadíssimo, por tanto, o dito atribuído a Manuel Bandeira: “O Brasil é Portugal à solta”.

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