A raposa não se recusa a entrar no galinheiro. RMD
Arquivo da Categoria: VISITAS ANTIGAS:
Segunda boa razão para aceitar o convite do Aspirina B, pá
Primeira boa razão para aceitar o convite do Aspirina B, pá
Bem-vindo camarada Deus
Repete comigo: re-ci-pro-ci-da-de
Primeira conversão de facto de um esquerdista sem fé
No caminho marialva para a social democracia faduncha
Isto já está a ficar com outro aspecto
Pequenas diferenças…muito pequenas…
É natural que se notem algumas diferenças no rumo editorial
Terceira constatação de facto para esquerdistas de pouca fé
Segunda constatação de facto para esquerdistas de pouca fé
Primeira constatação de facto para esquerdistas de pouca fé
Jacques Chirahmadinejac
O flanco que nos faltava
Assegurámos o contributo de um extremo esquerdo rápido na finta e de um “carregador de piano” discreto e eficaz. Tratámos da contratação-surpresa em terras de Espanha. E arriscámos a compra de um artista do meio-campo que não há forma de aparecer no centro de treinos (e fica entregue à vossa inventividade a tarefa de adivinhar quem é quem)… só faltava mesmo guarnecer melhor o lado direito do nosso ataque. Precisávamos de um atacante rigoroso no cruzamento e estonteante na desmarcação. Alguém para usar o pé direito com proficiência, mas sem esquecer o jogo de cabeça.
Aí está ele: a partir de hoje, Rodrigo Moita de Deus é o nosso convidado residente. E vai dar início a uma existência dúplice, a uma epopeia do pensamento bicéfalo. O Dr. Moita de Deus, do respeitável Acidental, vai transformar-se de quando em vez no temível guerrilheiro maoísta-refundado El Rodrigo, no Aspirina B. Ou será ao contrário? Bem, vamos lá a ver no que isto vai dar. Adivinham-se dias turbulentos no balneário.
O estado em que vai encontrar-se o país no Domingo
Estado em que se vai encontrar este blogger daqui a bocado
Domingo
Tive um sonho que era mais ou menos assim: no próximo domingo, às oito da noite, todas as televisões anunciam que Cavaco Silva é o novo Presidente da República, eleito à primeira volta (na RTP com 52%, na SIC com 54,5%, na TVI com 53%), os comentadores debitam as banalidades da praxe, que isto era o resultado previsível, que o homem de Boliqueime geriu bem os silêncios e os timings da campanha, que a esquerda fez mal em dividir-se, que Alegre e Soares acabaram por anular-se mutuamente, patati patatá, rebeubéu pardais ao ninho e agora um intervalo para compromissos publicitários, findos os quais voltam as emissões aos estúdios e surgem os directos nas sedes de campanha, os cavaquistas aos pulos e a fazerem o V com os dedos, enquanto se ouvem lá atrás os plop das garrafitas de 75 cl de Möet et Chandon compradas no Feira Nova e nas ruas cresce o alarido das buzinas que também marcaram presença nas maiorias absolutas de 1987 e de 1991 (mas não na Ponte 25 de Abril, claro está), e agora vamos para a sede de Mário Soares, caras de enterro, e agora para a de Manuel Alegre, só tristeza, e agora Jerónimo, malta cabisbaixa, e agora Louçã, tudo de monco caído, e os comentadores a trazerem novas fornadas de banalidades, será que Cavaco vai respeitar os limites constitucionais, como é que será a coabitação com Sócrates, e entretanto, discretamente, em rodapé, vão passando os resultados apurados pelo STAPE, gota a gota, grão a grão, distrito a distrito, e lá para as duas da manhã, quando acabam de ser contabilizadas as freguesias mais populosas, dá-se o choque, o drama, o horror: Cavaco Silva, afinal, fica-se pelos 49,9% (49,98%, para sermos mais exactos) e vai haver, ó céus benfazejos, a tal segunda volta que todos, ou quase todos, se esqueceram de equacionar.
Excesso de zelo
E no entanto o brief era simples: o cliente, num “ousado acto de gestão”, decidira ofertar algumas “pequenas comodidades” aos seus colaboradores, mordomias destinadas a “melhorar o ambiente de trabalho e, com isso, aumentar a produtividade”. O seu objectivo não deixava dúvidas: “-Se as pessoas se sentirem mais felizes em vir trabalhar, haverá teoricamente um maior rendimento” – e o próprio gestor poderá colateralmente aspirar a uma nomeação no conceituado relatório anual dos Great Places to Work. Suma felicidade = sumo rendimento, portanto; ganha o colaborador e ganha o gestor, que é como quem diz que ganha o país. Mas que não houvesse ilusões: os pequenos luxos postos à disposição dos colaboradores da empresa não podiam “de forma alguma” distraí-los do trabalho: “-Estamos a falar de pessoas responsáveis e as actividades têm regras de utilização”, precisou o gestor, que encorajou também os seus colaboradores a deslocarem-se mais cedo para o local de trabalho de modo a poderem tirar partido das diversas comodidades aí instaladas. A aplicação do “modelo de escritório anglo-saxónico”, em que ele diz ter-se inspirado, ao “estilo português”, que por muito viajado que seja nunca deixará de ser o seu, tem destes senões: os colaboradores, jovens logo entusiastas, reuniram-se em “comissão de colaboradores” e escolheram ter um ginásio e uma sala de squash; mas se a escolha da juventude foi aprovada, foram também impostos limites ao seu ardor desportivo (porque afinal “regras são regras”) e estipulados horários, de manhã, à hora de almoço e ao fim do dia, exclusivamente. Já o gestor, nas suas preferências, se mostrou mais recatado e com uma menor propensão para o dispêndio inútil de energia, bastando-lhe uma sala de descanso e outra de “cuidados pessoais” (não especificados) junto do escritório que ocupa no último andar do edifício e do qual se alcança uma ampla e inspiradora vista do seu jardim privativo. Numa concessão ao espírito new age, o gestor concebeu igualmente a ideia de um som ambiente que “transporta os visitantes pelos corredores da empresa”, sendo sua também a “selecção musical escolhida a dedo (necessariamente o seu) e que se reparte entre a música clássica e o chill-out, consoante a altura do dia”. Mas a sua referência às visitas diárias de uma manicura, uma cabeleireira e um engraxador (em particular deste último, um hábito que “bebeu da sua estadia nos Estados Unidos” e de que não abdica), constituiu um excesso de zelo que teria havido vantagem em evitar. Sucede que o gestor insistiu numa photo opportunity com o engraxador e, quando este lhe apareceu de fato e gravata, genuinamente honrado pela distinção que lhe era feita, ele mandou-o de volta para casa, a vestir o fato-macaco que distingue a sua função, para depois se fazer fotografar a ser engraxado (em sentido real) por um tipo aos seus pés (idem). Após cuidada análise, concluiu-se que a foto era politicamente incorrecta e socialmente insensível, mas depois de uma curta reflexão o cliente decidiu que podia ser publicada: afinal, era numa revista para gestores.

RMD
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![1_slices_of_francis_bacon[1].jpg](https://aspirinab.weblog.com.pt/1_slices_of_francis_bacon%5B1%5D.jpg)

